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domingo, 21 de março de 2010

Teoria do cabide



De um enfoque geral, o que se pode perceber nos dias atuais é que as relações humanas sejam elas de amizade, ou de teor sexual, estão postas de uma maneira da qual nos cabe analisar profundamente, visto que trata da superficialidade, e da descartabilidade com que vem sendo tratados os relacionamentos. Não se trata de se utilizar de termos clichês para tentar entender este processo que assola os preceitos de uma amizade sincera, e de um relacionamento maduro e consciente, contudo se faz necessário primar pelos conceitos básicos de valores que nós consideramos a essência da vida humana, e quando dizemos nós, infelizmente não me refiro a todos, é simplesmente uma relação pautada na padronização das relações interpessoais, que teoricamente deveriam atingir a todos. Assim, como a ciência nos permite epistemologicamente partir de uma experiência concreta na tentativa de explicar uma conjuntura, tratei logo de buscar no fundo do meu âmago, teorizar a respeito de uma analise concreta, as atitudes nauseantes de um sujeito (objeto de estudo), que para os fins desta humilde pesquisa, deixou claro todos os  indícios que caracterizam a teoria do cabide, que se constitui justamente de levar no "banho Maria" situações, relações ou pessoas. Assim como se faz uso dos cabides, que trata de pendurar as roupas para posteriormente reutilizá-las, mas sempre as mantendo dentro de seus pertences, dentro de sua posse, para que na hora que precisar esteja ali, a vista dos olhos e ao alcance das mãos. Agora transfira a utilidade e funcionalidade imanente ao cabide para o projétil das relações humanas. Sim, este sujeito (objeto de estudo) nauseante, tem como características usar as pessoas, as pondo descaradamente em seus cabides, para que na falta, ou quando enjoar puder trocar sem peso na consciência. Já ouviu o termo "troca de namorado como quem troca de roupa"? Pois é, troca-se, mas nunca se desfaz dos que não estão em uso. Outra característica imanente ao nauseante sujeito é o "amor" banal por todos os seus pertences, chega a ser inacreditável como ele acredita amar suas "coisas", suas pessoas. É inacreditável, como o objeto de estudo se acha capaz de fazer o bem e esclarecer/resolver os problemas alheios. O sujeito tem como características também, a falta de originalidade, a falta de assunto, a falta de inteligência no âmbito da intelectualidade (o que não diz respeito a atos de esperteza isolados), a inconveniência, o despeito, a falta de caráter, a falta de amigos verdadeiros, a falta de relacionamentos verdadeiros, e o hábito da mentira. Suas intervenções no meio em que vive procedem das seguintes formas: Ou há a repulsa generalizada pelo sujeito nauseante, ou há a persuasão de pessoas mais maleáveis e influenciáveis, pelo sujeito nauseante, tendo normalmente como agravante uma situação insegura nas relações verdadeiras dos sujeitos submetidos às ações venenosas contidas na teoria do cabide. O sujeito nauseante pode ser comparado a uma bomba inversa, que destrói do sentido periférico ao sentido central, ou seja, mesmo sendo autodestrutivo, tem a capacidade de fazer um grande estrago ao seu redor, antes de qualquer coisa, ou antes, que este mesmo se destrua. Outros aspectos inerentes ao sujeito nauseante se dividem entre manter-se indiferente as suas atitudes hostis, o que elas representam, e o que os outros dizem sobre elas. Quando de fronte a situação em que suas mascaras não se mantém no rosto, tendem a buscar auxilio de quem ainda não observou a verdadeira face, tendem a covardia, a se por no lugar de vitimas, e ao cinismo incompatível com situações tensas, o que poderia caracterizar sem fundamentos muito aprofundados até certo principio de psicopatia. Este tipo de sujeito alega ser deprimido e doente a fim de obter atenção dos indivíduos mais maleáveis, adora dramatizar, fazer cena, fingir ser o que não é. O caso do nosso sujeito objeto de estudo, pode ser exemplificado quando, ao se observar suas excentricidades que lhe imprimem ser uma pessoa altamente higiênica, preocupada com a limpeza, ou vulnerável a determinados componentes naturais e químicos, ou ainda sua preocupação excessiva com os outros, ou consigo mesmo, e até mesmo um grau de intelectualidade, devido tudo isso a sua fala constante de ritualidade, de comprometimento com o bom convívio e com os conhecimentos, entra em contraste com a realidade concreta, que nos diz outra coisa, que imprime outra imagem, esta que pode ser traduzida por uma falsa ritualidade de limpeza, que consiste em deixar a louça da cozinha por dias suja ao ponto de criar bichos, contrapostos a exageros de limpeza como lavar uma faca suja por cortar limão por mais de 3 minutos, ou ainda limpar o chão com amaciante de roupas, atitudes minimamente estúpidas. Outro contraste seria se vangloriar de já ter passado para o curso de medicina, quando nem ao menos para este prestou, e muito menos passou. Pessoas assim são indignas de qualquer tipo de compaixão, e se em algum momento sentir, deve-se tratar de esquecer. A Teoria do cabide comporta em seu seio, atitudes desprezíveis, condizente com pessoas que compartilham de atitudes assim, e que em muitos momentos consideramos apenas “burrice”, quando provavelmente estejamos de frente a particularidades doentias e maliciosas, não podendo, no entanto subestimar a capacidade de destruição destes sujeitos nauseantes. De posse de tais características cabe ressaltar que não estamos, nem somos telespectadores de uma novela, por tanto não teremos o beneficio dos flash backs, as cenas chaves não serão reconstituídas para todos, só para quem realmente as presenciou. Por tanto a confiança e o instinto devem estar muito aguçados para não cair no emaranhado de teias do sujeito nauseante, que usa das técnicas da teoria do cabide. E ao chegar a esta conclusão baseado nas características de quem usa dessa teoria, percebo o quanto eu gostaria de nunca encontrar ou conviver ao lado de pessoas assim. Visto então todas estas depreciações ao usuário desta teoria obscura é inevitável concluir também que quem se utiliza dela, consequentemente tem objetivos incoerentes com os valores mais significativos inerentes a uma amizade verdadeira.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Toda falta

Tudo acabou agora
Só nos restou  lá fora
calçada, rua, e ir embora
noite fria
solidão a dois
É a dor da perda
da confiança
da amizade.
Como alguém poderia entender?
que o que todo mundo vê
se tornou o ponto cego
um algo estranho, distante
diferente de antes.
Seriam os novos conselhos
revestidos de teias?
Ou seria a simples fadiga
de não suportar uma amizade sincera?
Seria pedir demais um pouco de atenção?
Seria pedir demais um pouco de clareza?
Mas preferiu a escuridão.
Preferiu dar a novela um final infeliz.
Sem perdão.
Sem respeito.
Sem lembranças.
Por que é mais fácil esquecer.
É mais fácil o momento novo de prazer
que compense a falta do velho.
Jamais pensei ser tão metódico
caminhando pela lógica
que de tão lógica, descartou todo e qualquer sentimento
jogando até mesmo os valores mais básicos
pela janela.
Passou a confiar no que há de mais duvidoso
simplesmente por que o certo nem sempre é o perfeito.
E fez lixo o que um dia foi ouro.
Nos fez lixo.
E de tanto tentar explicar
até mesmo eu me confundo, tendo a certeza da perda.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

...Fiz de coração

É, uma beleza, que os belos não tem. Toda justiça da qual eu tanto busco, que tanto sou injusto, comigo mesmo. É o que eu tenho, é somente coração, é somente um amor estranho. Sabe, que há muito tempo que te observo, que te quero dentro do meu mundo. Só eu devo saber o quanto é incompreenssivel os meus sentimentos tranbordantes, flamejantes. Só eu sei o que pra mim, você significa, quando uso a palavra certa, só eu saberei quando tiver te encontrado, mas talvez você nunca saiba, por que meu coração é silencioso, é covarde. Só eu sei o que me dói, o que me faz falta. Só eu sei o quanto me faria bem. Só eu sei do que eu estou dizendo, e talvez só eu mesmo sempre saberei.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Aloha sim, e daí?

É sempre nesses momentos, em que ouço esse tipo de som, esse tipo de letra, que eu realmente não entendo se estou ficando velho demais pra me adequar, pra me adaptar. Será que devo morrer? É que eu realmente não consigo entender ao certo o por que hoje não se pensa, não se cria com os mesmos propósitos, e claro, eu entendo que talvez seja por que os propósitos mudaram mesmo, uma pena, pois os propósitos de décadas atrás, me parecem tão atuais, mas os jovens andam cada dia mais sem propósito algum.

Aloha

Será que ninguém vê
O caos em que vivemos ?
Os jovens são tão jovens
E fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E penso sempre em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar por que é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei
Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
Que cresçam logo as crianças

Legião Urbana - Renato Russo

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estranhamento

Só Deus realmente pode saber o quanto que eu não escolhi por ser quem sou. Quando tudo o que eu mais queria era simplesmente ser feliz, tento esqueçer os culpados se é que eles existem. Como eu queria conseguir falar de mim de uma forma mais simplificada, de modo mais claro, por que eu estou realmente cansado de nublar com metáforas e abstrações coisas que pra mim na verdade são tão simples. Cara, é duro saber que se é igual a todo mundo, saber que sente-se o mesmo medo, as mesmas paixões, as mesmas necessidades fisicas, e num piscar de olhos ou numa palavra cruel toda tua existência é digna de lixo, digna de ser amaldiçoada,  mesmo tendo sempre feito de tudo o que de fato pode ser considerado atitudes de um bom moço. Como e quando um amigo se torna inimigo tão rápido? Quando e como uma familía acolhedora se torna opressora e incompreensível em suas falas e atitudes? Eu sei. Isso acontece quando não se pensa bem no que se fala, ou nas consequencias de suas atitudes, e isso é um reflexo preciso da ignorância, de quem muitas vezes prefere esta condição, pra se ver livre da responsabilidade de encarar o mundo como ele é, e não como nos dizem que ele deve ser. Eu não estou cansado da minha vida em si, mas sim da montanha russa de sentimentos e de situações que destroem toda e qualquer auto-estima, que me fazem sentir-se a miséria me transformando num poço fundo, escuro e gelado. Como podem as pessoas que dizem te amar serem tão crueis muitas vezes sem ao menos saber disso? Eu sei. É o fato de não refletirem a cerca do que falam, e das atitudes que tomam. É a ignorância de sonhar que o mundo é feito de perfeições. E em meio a tudo isso, minhas projeções desiludidas, me mostram o quanto eu mesmo aprendi a não gostar do que sou. Cara, eu vejo em filmes tudo o que se passa comigo, me identifico, mas no fim todos os finais parecem bem melhor nos filmes. E realmente eu não sei dizer o que Deus pensa sobre isso. É a sensação de estar tomado pela insanidade, de desejar tudo o que não se pode ter, de não pertencer a nenhum dos mundos, como um pó de estrela suspenso no espaço, sem direção, e já com o brilho ofuscado demais para ser notado.


Como sou

Pratiquei divinas ilusões
E chorei ao ouvir a chuva cair
Respondi diversas as questões
Pra passar o tempo
Que você deixou para trás, meu amor.
Reneguei as minhas emoções
e deixei a intenção de amar
Procurava um lugar distante, distante
Onde possam me aceitar, como sou, como eu sou
Repeti os erros do passado
E agora eu vivo como os meus pais
Envelheci, perdi o meu retrato
E do meu rosto eu nem me lembro mais
O espelho quer me enganar
E me mostra alguém em quem eu não me vejo
Desespero é não encontrar
Em meio as cartas e os álbuns
Uma história pra poder contar
E deixar para os meus netos. Nenhum.

Eu já não sei quem sou
Perdi meu nome, meu id e meu ego
Juntei pedaços do que restou
No quarto livros que eu quero

Rodrigo Eduardo

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Salto na imensidão


Fechei os olhos, abri os braços e me atirei na imensidão. Cai deitado, despedaçado, virei pedaços, era o abismo da solidão. De peito aberto, futuro incerto, o que esperar de um salto tão alto? Quando o fundo distante fica cada vez mais perto, e o incerto é mais que certo, é fato. O que importa se eles não te ouvem mais? O que importa se eles não te olham mais? Se não te procuram mais? Quem é que quis assim? Não chamar a atenção, sempre chorar no fim, e ainda pedir perdão. Ainda ontem estava tudo bem, mas não se ouvia ninguém. Não é de ontem que não estava bem, há muito tempo que o escuro o detem, buscou refúgio num submundo, desesperado, amordaçado, talvez sozinho, talvez calado, não faça mal a ninguém. Isso é inútil, é absurdo, ficar trancado no próprio quarto como na jaula dos leões. Olhar para os lados e não ver ninguém, mesmo entre as multidões, cruzar os braços, juntar pedações e cair na imensidão.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Meus secretos Amigos


Paulo Sant'Ana

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

 

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.


Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...


Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
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Recebi hoje o E-mail da Yane, uma amiga minha. Bom eu entendi que ela compartilha dos mesmos sentimentos que o autor do texto tráz, e da mesma forma, o texto me tocou, e explicou os sentimentos que eu compactuo em relação aos meus nobres e distantes amigos, que me fazem sofrer sem saber quando percebo o quanto não sabem da minha grande amizade devotada a eles. Mas de verdade amizade ainda é uma palavra que não consegue definir, é necessário mergulhar profundamente em sentimentos confusos pra entender o que eu sinto por todos os que mantém a estrutura da minha vida. Fato é que estamos entrando em mais um ano, digam que sorte por ser "par", ou qualquer outra superstição barata, eu digo, sorte estarmos vivos, ou não. Mas pra não viver se arrastando durante esse novo ano, conto então com as possibilidades que os amigos proporcionam, com o folêgo que me emitem.



Rodrigo Eduardo dos Santos


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cores que perderam o tom.


‘Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida’, já faz tempo, não há nada de bonito, não há nada válido, são somente os frutos de uma juventude desgovernada e superficial. Não são mais os jovens boêmios, criativos e fugazes, não são mais os jovens de caras pintadas, de tom incisivo e brilho nos olhos, são apenas jovens, que levam consigo, uma herança morta, tendo o assassino, uma sociedade cada vez mais passiva, cada vez mais submissa, que se direciona para o último fio da revolução, que se alastra por meio da crise. Econômica? Não. É uma crise que vem de dentro, que deprime que oprime que causa a miséria dos pensamentos, que causa o egoísmo, a ganância e por fim as atrocidades da sociedade moderna, da qual já faz tempo viemos banalizando, e acomodando ao nosso cotidiano patético. ‘Eu quero rodo cotidiano’, pois é ao que todos estão submetidos, aos percalços da divisão de classes e das crises econômicas, diante da adoração platônica de estilos e marcas, de roupas e sapatos. São jovens cada vez mais estáticos, que se deixam levar pela maré do ‘entretenimento’, da vida de prazer, que em síntese, são prazeres construídos externamente, são os prazeres e desejos de comprar, de consumir e possuir. É uma geração que se arrasta, e cria uma ‘carcaça’, imbuídos de mecanismos de defesa, que primam pela agressividade e pela indiferença, isso definitivamente não tem mais graça, não dá mais pra conviver na geração do ‘funk romântico’, do ‘pancadão’, e do faça ‘sexo seguro’ em casa, pois seus pais acham que na relva em que estamos inseridos, dos males o menor. Creio que a tal liberdade de expressão da qual se lutava não era bem essa, que o “namoro de portão” foi enterrado prematuramente, e que se confunde juventude com ‘faça o que quiser’, desde que sob os olhos desatentos de uma família doente, desconcertada pelo trabalho assalariado, padronizada nos termos de pura mercadorização, ‘tenha a família que quiser’ desde que consuma. Diante da crise econômica, no ano passado o presidente Lula, em rede nacional nos disse para consumir, só assim estaríamos salvos da crise, ontem a noite, novamente veio à tona com mais um conselho, ‘invistam brasileiros’, foi isso que ele disse. É isso mesmo, invista toda sua saúde física e mental a troco de um salário MINÍMO, e dêem por felizes por terem o que comer e se utilizem bem dos amortecedores sociais que te prendem a esta consciência limitada, de uma juventude que já não é mais a mesma, mas que passa uma ligeira impressão de estar mudando o mundo, pena que às avessas.




Por isso, discorro pela lástima saudosista de tempos que não voltam mais, de pessoas que não voltam mais, de um mundo que se perdeu em desejos estranhos, em prazeres insanos. Eu que nunca quis ser engolido por essa ‘abominável fera’ me submeto mesmo que involuntariamente, e temo o câncer humano que vem dizimando toda e qualquer possibilidade.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Do meu infortúnio


E por mais de um momento é possível perceber o quão estamos mergulhados no modo de reprodução e expropriação, desabonados com os infortúnios de um viver sobreviver a base de projeções, e desejos inalcançáveis calcados numa sociedade dúbia, inescrupulosa, impiedosa e carrasca. Como pode todas as coisas boas ou ruins de modo que o olhar determina isto, sugarem toda a minha altivez, toda minha alteridade, felicidade, toda minha luz? É de prache culpabilizar o tempo, ou a falta dele, neste âmbito, eu me coloco como dentro dos desencontros propositais proporcionados pelo modo de reprodução social, a fim de desarticular, de desmembrar qualquer possibilidade de intervenção coletiva na realidade concreta. Mas como isso se restrigiria só ao tempo, ou a falta, ou a perda dele? Pois bem, vai muito mais além, transcende, quando eu noto minha vontade constante de chorar, por não poder desfrutar dos momentos mais simples que me constroem como ser, e não como coisa, produto, máquina. Desta forma, o furto se consolida quando não me vejo capaz de fazer os que me rodeiam sentir-se bem, pois como fazer isso se as condições reais, materiais não me permitem? Não dá pra viver de projeções, isso é fato. Não é possível a convivência com os pelêgos assumidos e não assumidos que resistem e persistem na idéia de que são as únicas vitimas, mas definitivamente são as peças mais defeituosas desse jogo de intrigas, dessas relações humanas que reforçam a idéia de que "a corda sempre arrebenta para o lado dos mais fracos", pois eis que os mais fracos unidos contra os mais "fortes" desarticulados seria de grande diferença. Caso isso não aconteça, tomo partido eu, que sei que devo interferir mesmo que seja para o meu próprio mal, prostituindo meu conhecimento e minha integridade mental, me submetendo a todos os tipos de doenças psicossomaticas, e a intermináveis doses de falsidade, hipocresia, crueldade. É dentro deste âmbito que eu trabalho, que eu estudo, que eu como, que eu respiro, e diante disso tudo, quando a imagem se apresenta em forma obscura, subjetiva, evito projeções, e tento superar minhas limitações a fim de intervir na realidade concreta, no meu espaço, e se mesmo assim estou consumido e suprimido pelo sistema homicida, pelo sistema hierárquico, patrão e empregado, de uma forma ou de outra eu ei de resistir, eu ei de fazer de mim dono do meu tempo, independente dos regentes hegêmonicos que capitalizam todo e qualquer resquício de humanidade.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coisas talvez sejam livres.

Quando se pensa que tudo gira em torno de valores, que toda liberdade até que se prove o contrário é inesistente, é que se deixa transparecer o ópio das relações humanas, meu livre pensar nada mais é do que estar preso a tudo aquilo que se restringe ao que eu fui capaz de apreender, de assimilar, de comprar. E definitivamente comprar não é uma ação livre, pelo contrário, é o próprio cárcere do consumismo exarcebado, que insiste em definir o status quo, dentro de uma sociedade tendenciosamente alegre demais pra se dar conta de que está se sucumbindo as mazelas da coisificação do homem. No mundo da "terra de ninguém" que alguem passou a mão não se sabe bem o por que, uma grande parte se viu de posse somente dos músculos e da força de trabalho, por isso trataram logo de vendê-la a preço de banana, ou a qualquer outro preço menor, já que a lógica capitalista insiste em bomberdear "os de senso comum" e "os de senso quase critico" com centenas de formações profissionais, botando fogo no mercado, aumentando consideravelmente a demanda de conformados se arrastando pelo salário mínimo, uma questão de sobrevivência. E se estamos contentes, de bem com a vida, otimistas e esperançosos por que ainda conseguimos pagar uma viagem via CVC em 24 vezes pro Recife, e nos apontam como classe média, é por que o contigente humano disponivel para exploração ainda é imenso. Capital humano eles dizem! Eu digo que de humanos não se resta muita coisa. Não é possível que nessa odisséia pela terra o único passo que tomaremos seja o de vegetar, esperar o tempo passar, trabalhar, pagar as contas e dormir, e de vez em quando fingir ser gente, fingir ser livre. Mas falar de liberdade é justamente falar de algo que não temos. Por que em todos os momentos em que nos consideramos livres, automaticamente nos aprisionamos a idéia de estar livres, não de ser livre. E por conseguinte se estar livre é uma condição, ela se opõe a momentos de privação, e quando nos achamos livres reproduzimos nossa prisão, consumimos, nos vendemos, sempre bastante distraidos, esperando a morte chegar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mais fácil

Nem pobre, nem rico, nem feio, nem bonito, nem visto, nem omisso.
Mais fácil ser nada, se fosse parte do que existe, e se composse algo
Mais fácil ser nada, se tivesse as cores arrojadas e o cabelo alternativo
Mais fácil ser nada, e se não fosse tão comum, quem sabe seria assim como todos os outros.
Mais fácil ser nada, que simpático o tempo todo, que amigo modelo de todos
Mais fácil ser nada, já que tem o papo tão banal, tão inútil
Mais fácil ser nada, já que a pele não condiz, nem a altura, nem o peso, nem a face.
Mais fácil ser nada, que o mendigo, pedinte, ateu, ou eu.
Mais fácil ser nada, sem discutir ideais, que ser volume, que preencher lacunas
Mais fácil ser nada, dentre tudo o que existe, entre as tribos
Mais fácil ser nada, que precisar de psicólogo, remédios e dinheiro
Mais fácil ser nada, do que fútil.
Mais fácil ser nada, que não ser visto, lido, entendido.
Mais fácil ser nada, que trágico sofrido.
Mais fácil ser só, que não ter ninguém.
Mais fácil o silêncio, que dizer bobagem.
Mais fácil coragem, que vossa verdade.
Mais fácil ser essa porra, mais fácil era não ser nada
Mais fácil não desejar, que o insucesso
Mais fácil a inércia, e ainda não entendo por que continuo.
Mais fácil gemer, grunhir, espernear, chorar.
Mais fácil esquecer, que lembrar todos os dias quem eu sou.

domingo, 18 de outubro de 2009

Egos noturno

Fantasiar é realmente necessário? Pois bem, sem carro convercível, vento no rosto, adrenalina na pele, nem som maneiro, reflito na "vibe" do Hush hush mental sobre duas rodas mesmo. Noites muitas vezes são agitadas, muitas vezes são frias, muitas vezes fazem sentido, e muitas vezes, duplo sentido. Dentre os corpos agitados, amados e mal amados, também se encontra o meu. Dentre os corpos veteranos, e os calouros insanos e ardentes, também se encontra o meu. Fato é que a noite é muito boa, e todos querem se divertir, e "todo mundo espera alguma coisa de um sabádo à noite", eu que não sou perito no assunto manuseio o olhar não muito atento, e descubro que provavelmente, definitivamente, decepcionantemente, todos esperam mais que alguma coisa, digo, muito mais. O mais engraçado disso, é que por uma noite, as fantasias são possiveis de se concretizar. O duro é acordar ao lado de uma ressaca sexual, mais além espiritual. Duro é saber que os sonhos são substituidos pelo calor atrevido de mascáras, de fantasias, de elogios e egos. Noites assassinadas com brutalidade pela superficialidade. Onde os colegas se tornam "amississímos", te dão 3 beijinhos, se mostram presentes, afinal de contas o mundo é uma festa, e todos somos grandes anfitriões. A pura falsa cordialidade e diplomacia. Eis a política da igualdade, do diferente, que não é para todos. Minha casca estava viçosa, saborosa, mas por dentro, podre.

sábado, 17 de outubro de 2009

Tensão na TPM‏ por Dayane.

Conversando a respeito da TPM, tentando achar explicação para a mistura de coisas e sentimentos e atitudes que tenho, percebi que a palavra tensão define mesmo a TPM.




É tudo tenso.


Começaremos pelo verbo vestir.

Se vestir é tenso. Sim, por que mulher pode dormir se sentindo uma princesa e acordar se sentindo um lixo, na maioria das vezes, quando estamos na maldita TPM tudo dói: seio, pernas, braços, bunda, barriga, cabeça e as cólicas, ahhh as cólicas.... Então o que você menos quer é vestir alguma coisa que te aperte, por que além de estar absolutamente TUDO doendo, você tá inchada e QUALQUER roupa - exceto aquela camiseta gigante e aquela calça de ginástica ou de moletom que você usa pra ficar em casa – fica desconfortável e horrível. Mas você TEM que sair por que você precisa trabalhar, ou estudar, ou seja, você precisa de uma roupa.





Procurar roupa é tenso. Por que depois que você revira o guarda-roupa INTEIRO atrás de alguma peça que seja minimamente confortável e apresentável, você descobre que não existe nenhuma desse tipo.



Então, sabe aquele ataque de fúria? Aquela vontade de jogar tudo no lixo? Pois é...



E as dores? Não pensem que elas foram embora não!! Elas continuam ali, firmes e fortes, mesmo depois de você ter tomado, atroveram, buscopam, e qualquer outro pam pra poder aliviar.



Mas mesmo inchada e com dor, você decide respirar fundo, contar até três e continuar sua busca.



Por fim, dá graças a Deus de encontrar aquela blusinha larguinha pra esconder a barriga que tá gigante de tão inchada e aquela calça que tava meio larga depois do regime da semana passada, parece a calça mais confortável do planeta. Depois de finalmente encontrar algo apresentável pra se vestir você pensa que tá tudo certo pra sair de casa.



Mas sair é tenso. Você sabe que tá com cara de bunda, que seus olhos mesmo depois de quilos de maquiagem denunciam que você não tá nos seus melhores dias, só que mesmo assim, pro bem da humanidade e pra coexistência pacifica entre você e o resto do mundo, você se esforça brutalmente e coloca um sorriso no rosto, por que ninguém tem nada a ver com sua cólica menstrual, com suas dores pelo corpo todo e com a sua luta com o guarda roupa. E se você sai de casa, você precisa falar com os outros...



Só que falar é tenso. Por que às vezes você não tem controle nenhum do que você tá falando. É uma mistura de tanta coisa: dor, roupa incomodando, problemas financeiros, problemas sentimentais, que às vezes (sempre) você consegue juntar todos esses problemas em sentenças do tipo: "Vá se ferrar!"







Segue diálogo explicativo:



No trabalho:



Chefe: Preciso deste orçamento.



Você: Ok (Olhando dentro da bolsa procurando algum pam pra poder tomar pq o que você tomou a cinco minutos atrás não tá fazendo efeito )



Chefe: Não vai fazer? Preciso dele pra agora



Você: PU....xa vida, é pra agora? Ok, vou fazer (chefe sai)



Você: PUTAQUEOPARIU vá se ferrar, tô morrendo de dor aqui, e alguém liga? Não, um orçamento é mais importante do que eu tomar meu remédio (Volta a procurar o pam na bolsa)


Na rua:

Alguém dá um encontrão em você e assim todas as suas dores se multiplicam por dez
Pessoa: Aí me desculpa
Você: Desculpa o escambal, não olha por onde anda não?

Em casa:

Mãe: Filha você sabe onde tá aquela coisa que eu peguei ontem?
Você: Que coisa?
Mãe: Aquela uma, sabe, que eu comprei te mostrei ontem lembra?
Você: Não
Mãe: Como não lembra! Te mostrei e...
Você: Eu não lembro oras! Agora sou obrigada lembrar de tudo? Nessa casa tudo eu que tenho q saber? Vou lá saber de coisa que você comprou ontem? Eu quero é saber onde tá meu maldito pam!

Mãe: Pam?
Você: Esquece Mãe! Esquece! (sai pisando alto e bate a porta do quarto)


A parte mais importante e mais crucial da TPM de uma mulher é a comida.



E comer, adivinhem, também é tenso. Se você está usando aquela calça que te deixa razoavelmente confortável na TPM, sem te apertar é por causa do regime que você morreu pra fazer na semana passada, e vocês homens, que talvez estejam lendo, se perguntam: E daí?

E daí que na TPM, mulher, mulher que é mulher mesmo, que começa regime na segunda e acaba na quarta só pra falar que faz regime, mulher mesmo, gosta de comer COMIDA e não mato. Mato não satisfaz as necessidades básicas de uma mulher, que no período menstrual, tem que suportar vários hormônios pululantes dentro do seu organismo.



Hormônios são feitos de gordura. Hormônios precisam de gordura pra que possam ficar felizes, satisfeitos e quietinhos.



Acaso mato tem gordura? NÃO!



Chocolate tem gordura (a melhor do mundo, e não é balela quando dizem que chocolate acalma mulher na TPM. Pra homem é difícil explicar, mas simplificando, chocolate deve ser quase um ópio pros hormônios).



Sorvetes, bolos, doces, balas tem gordura. Batata frita tem gordura. Pizza, lasanha, salgadinhos tem GORDURA. Isso é comida de mulher na TPM. Isso deveria ser receitado por médicos. Mas o problema é o REGIME, o maldito REGIME que você conseguiu começar na segunda e terminar na sexta pra perder miseras 500 gramas (sinceramente? eu tô me lixando pra regime mas a maioria das mulheres dá extrema importância pra isso). Então se você comer alguma coisa além do matinho seu de cada dia, você vai engordar de novo e...



Quando você se dá conta, você já comeu o primeiro pedaço de chocolate e então você entra num caminho sem volta. Você come mais chocolate, e mais doce, e mais comida engordante.



"O quanto você aguentar" é o que os hormônios gritam, e quando você não tá conseguindo nem respirar de tanto que comeu, os danadinhos continuam: "Fraquinha você! Queremos mais gordura!! Mais gordura!!!" e depois que você satisfaz os pilantrinhas, depois que você não consegue nem ver mais um pedacinho de chocolate, ou uma balinha q seja, depois disso, aí sim eles se acalmam. Só, que depois dessa epopéia alimentar, você se dá conta que comeu demais, faz as contas e no mínimo engordou uns cinco quilos e aí vem as lágrimas. E você chora desconsolavelmente, por que o seu regime da semana passada foi por água abaixo.



E agora você ta feia, inchada, dolorida e GORDA.


E se você tem namorado, eu tenho pena dele nessa hora.


Por que se ele chega e abraça, dói, você reclama.


Se ele pergunta o que foi, você chora.



Se ele oferece um chocolate você chora mais, pega o chocolate, come e ainda diz que ele é um insensível, por que ele simplesmente não entende que você teve um dia ruim!



E assim, não dá nem pra tirar a razão dos homens que reclamam tanto e dizem que não entendem.


E as mulheres sempre tentam se defender e dar milhares de explicações, cientificas, astrológicas e até meteorológicas, mas o fato é que nem elas entendem.




Mas pensem que:




Dormir como Bela e acordar como Fera. Ficar com tudo doendo por no mínimo uns dois dias (pras que tem sorte). Não ter roupa pra usar (não é frescura dizer que não temos roupa nessas épocas, é que simplesmente TUDO aperta). Não conseguir controlar os sentimentos lutando racionalmente contra os impulsos emocionais. E por fim, comer incontrolavelmente até se sentir mal pra depois chorar por que comeu, por que passou o dia inteiro com dor, isso tudo não é fácil.




Na verdade ser mulher, não é fácil.


Escrito por: Dayane Aguiar Lopes - 16/10/2009 (Sem revisões gramaticais)



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Se for bobo, e não burro!


Eu pouco me interesso ultimamente por qualquer coisa, entretanto esta leitura descontraída e reconfortante pelo menos para eu que sou bobo, chamou a atenção. Se és bobo ira gostar.



Das vantagens de ser bobo

(por Clarice Lispector)




O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir tocar no mundo.



O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando."



Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.



O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.

Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.



O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.

O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.



Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.



Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.

O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros.

Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"



Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!



Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.



O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.




Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.



Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.



É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Uma pelada com Máuri de Carvalho

Dia desses uma amiga de sala estudando em um horário livre de seu trabalho, com os livros sobre sua mesa, foi surpreendida, com a surpresa de um amigo de trabalho também acadêmico, em relação a literatura que ela enquanto acadêmica do curso de Educação Física desfrutava bravamente. "Saviani?!", esta foi a indagação do amigo, que se identificou com o tema, mas não conseguiu associar Educação Física com E-D-U-C-A-Ç-Ã-O. Não somente esta minha amiga, mas outros companheiros de profissão relatam legitímas repressões, banalizações, pouco caso, desmerecimento, tendo como "agressores des-cerebrados" não somente os tais de senso comum, como também dos "de cultura erudita e senso crítico" acadêmicos da mesma instituição. Pois bem, eis que eu vitimado e especulado quanto a real complexidade e validade do meu curso, também já me deparei com tais comentários infelizes, como: "quantas voltas na quadra tiveram que dar hoje?" ou, "Vocês são responsáveis pela educação do corpo". Ainda relatos de acadêmicos que dizem ser repreendidos por outros quando entram na biblioteca, com frases do tipo "caiu alguma bola aqui dentro?" Ora, faça-me o favor, pseudo intelectuais só por que manejam tubos de ensaio, ou por que são obrigados a ficar trancafiados em uma sala de aula, não consenguem entender nem ao menos como qualquer atividade seja ela fisíca ou mental são capazes de conduzir conexões neurais, aumentando a capacidade cognitiva. O que se espera dentro de uma Universidade é exatamente caminhar para a emancipação dos pensamentos, abrindo caminhos para atingir conhecimentos até então inesistentes. O que se vê é a reprodução de uma sociedade desigual, dividida em classes, que supervaloriza postos inocupáveis, pelos que não possuem uma boa herança genética, ou economica, os filhos dos operários, dos trabalhadores. Os que por toda vida conseguiram tudo a base de muito mais persistência e enfrentamentos, e quando se enxergam dentro de uma Universidade pública, nela também visualizam as diferenças em todos os seus âmbitos. É comum encontrar dentro da universidade pessoas chegando de onibus ou a pé, mas também é comum, pick up, Jeep, carros importados, que para alguns fica difcíl até pronunciar o nome. Realidades distintas. Sim! Essas realidades percorrem por toda a vida, desde o ensino infantil e fundamental, até o ensino médio e superior. Não atoa eu sou completamente a favor da cota social e racial, que tanto alguns pseudo intelectuais tentam introjetar na cabeça dos "de senso comum" ser um reforço do preconceito com as classes. Pois bem, eis que que até o momento as classes sofreram todos os tipos de preconceito que realmente os prejudicaram, e na única vez que esse preconceito vem a favor dos mesmos, agora desprivilegiando os detentores da propriedade privada, um incomodo arrebatador põe em discussão a possibilidade de tornar a escola pública pouco a pouco o local onde todos deveriam estudar. Se os filhos dos médicos, advogados e governantes estudassem em escola pública, concerteza o ensino não estaria esse "bréjo duvidoso", e para que estes sigam para as escolas públicas uma boa solução seria esta, permitir que somente alunos de escolas públicas tenham o direto de frequentar universidades públicas. Pagar por um ensino melhor vai contra a constituição que prevê o ensino igual para todos. Esta é a universidade que queremos? Bem, lendo um trecho do livro de Máuri de carvalho, me deparei com algo interessante sobre o que gira em torno da educação física, voltando assim para o assunto inicial, que mais especificamente me diz respeito.


"Como se manifesta na Educação Física, mormente, nos Desportos a ausência da consciência filosófica da totalidade?

Vejam, é por demais comum vermos e ouvirmos desportistas (inclusive professores "doutores" Em educação física?) dizerem: "desporto é desporto; política é política, essas coisas não se misturam; em minhas aulas eu jamais faço política!". Ora, eu diria que o desporto, a politica e a ideologia são atividades fenomênicas distintas, autonômas, mas são superestruturais, isto é, crescem sobre a mesma base economica, a mesma infra estrutura e, como tal, refletem as contradições imanentes às relações sociais de produção que lhes dão origem. Por ai, é possivel perceber com uma certa facilidade, que há uma relação inequívoca entre desporto, política e ideologia. E mais: "como será possível construir estádios e piscinas, se os orçamentos de guerra ( no Brasil, o serviço da divida externa orçados em 20 bilhões de doláres/ano - gm) devoram as verbas necessárias ao esporte?" (Corbister, 1991, p, 284).
Logo, desprende-se o fato que aponta a subordinação dos desportos ( da saúde, da educação, do saneamento básico, etc.) a determinadas condições que o professor carente de uma consciência filosófica(embora saiba, pressupostamente, toda a sociologia do mundo) ignora, e não sabe que esta é uma  caracteristica do ausente filosófico, não haverá desportos para todos, a tão propalada massificação ou democratização dos desportos (como da educação, da saúde, do saneamento, etc.), sem verbas públicas, e sem uma política drástica de saturamento das "vias abertas" do Brasil.
O desporto é portanto inseparável da política eonomica, Há uma tese, a qual incorporei de há muito, que diz: o desportista que desconheçe esta ligação não somete deixa de servir a causa dos desportos, como se afasta dos meios de defendê-la. E sabem por quê? Por que não possuindo uma consciência filosófica da totalidade, consciência radical, não compreende que tudo se interrelaciona, e por que não sabe do interrelacionamento das coisas e dos homens, não lutará contra as políticas subservientes dos presidentes deste país frente ao filantropismo do FMI e do Banco Mundial.
Daí dizer-se que aos oprimidos cabe, sob os marcos do capitalismo, apenas a resignação à medida em que desejandopraticar desportos - paraquedismo, vôo, vela, polo, etc. - mas sem efetivar as condições das quais eles dependem ( elevação salarial, redução dos preços, investimentos governamentais massivos, suspensão do pagamento da divida, calote, sim! -, enfim, socialização dos meios de produção), não terão eles desportos nenhum (ou pelo menos nenhum daqueles mais sofisticados e retrocitados). Por tanto é pertinete cometar que a filosofia marxista, por levar a crítica às últimas consequencias, pode, por isso, ser definida como consciência critica da totalidade. Destarte, a consciência a-critica, a inconsciência, laborando em cima do abstrato e ensimesmada na especulação não consegue dar conta que é escrava do sistema capitalista. Pensa que é livre e o preço dessa sua "liberdade" é a heteronimia introjetada. Tal consciência, por não conhecer a realidade em suas minímas singularidades, não pode proferir a verdade, e por não poder evidenciar a verdade, não é livre. E por não ser livre, não é cidadã. E por não ser uma cidadã, por não ser livre, não dirá jamais a verdade.

Não compreender que a liberdade e a democracia têm sido, até o dia de hoje, liberdade e democracia para os possuidores e só migalhas do festim para os despossuídos (é) se alocar do lado das classes possuidoras e enganar o povo (O.C.t 38, 1984, p. 375)"


CARVALHO,  Máuri, de. Ilusões e devaneios: contribuição à crítica da Educação Física. - Vitória: UFES Centro de Educação Física e Desportos, 1995 279 p.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um tal de Lenin

"Falar de democracia pura, de democracia em geral, de igualdade, de liberdade, de universalidade, quando os operários e todos os trabalhadores estão famintos, desnudos, arruinados e torturados não só pela escravidão assalariada capitalista...enquanto os capitalistas e exploradores continuam possuindo a propriedade roubada e a maquina "existente" do Estado" (Lenin) ... é gastar saliva.


A lógica esta em nossas "fuças". O segredo de ser rico esta em neon. O que se esconde é somente aquilo que se tornou desimportante e banal, que de fato seria o mais importante numa realidade concreta.

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