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terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Salto na imensidão


Fechei os olhos, abri os braços e me atirei na imensidão. Cai deitado, despedaçado, virei pedaços, era o abismo da solidão. De peito aberto, futuro incerto, o que esperar de um salto tão alto? Quando o fundo distante fica cada vez mais perto, e o incerto é mais que certo, é fato. O que importa se eles não te ouvem mais? O que importa se eles não te olham mais? Se não te procuram mais? Quem é que quis assim? Não chamar a atenção, sempre chorar no fim, e ainda pedir perdão. Ainda ontem estava tudo bem, mas não se ouvia ninguém. Não é de ontem que não estava bem, há muito tempo que o escuro o detem, buscou refúgio num submundo, desesperado, amordaçado, talvez sozinho, talvez calado, não faça mal a ninguém. Isso é inútil, é absurdo, ficar trancado no próprio quarto como na jaula dos leões. Olhar para os lados e não ver ninguém, mesmo entre as multidões, cruzar os braços, juntar pedações e cair na imensidão.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Meus secretos Amigos


Paulo Sant'Ana

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

 

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.


Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...


Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
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Recebi hoje o E-mail da Yane, uma amiga minha. Bom eu entendi que ela compartilha dos mesmos sentimentos que o autor do texto tráz, e da mesma forma, o texto me tocou, e explicou os sentimentos que eu compactuo em relação aos meus nobres e distantes amigos, que me fazem sofrer sem saber quando percebo o quanto não sabem da minha grande amizade devotada a eles. Mas de verdade amizade ainda é uma palavra que não consegue definir, é necessário mergulhar profundamente em sentimentos confusos pra entender o que eu sinto por todos os que mantém a estrutura da minha vida. Fato é que estamos entrando em mais um ano, digam que sorte por ser "par", ou qualquer outra superstição barata, eu digo, sorte estarmos vivos, ou não. Mas pra não viver se arrastando durante esse novo ano, conto então com as possibilidades que os amigos proporcionam, com o folêgo que me emitem.



Rodrigo Eduardo dos Santos


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cores que perderam o tom.


‘Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida’, já faz tempo, não há nada de bonito, não há nada válido, são somente os frutos de uma juventude desgovernada e superficial. Não são mais os jovens boêmios, criativos e fugazes, não são mais os jovens de caras pintadas, de tom incisivo e brilho nos olhos, são apenas jovens, que levam consigo, uma herança morta, tendo o assassino, uma sociedade cada vez mais passiva, cada vez mais submissa, que se direciona para o último fio da revolução, que se alastra por meio da crise. Econômica? Não. É uma crise que vem de dentro, que deprime que oprime que causa a miséria dos pensamentos, que causa o egoísmo, a ganância e por fim as atrocidades da sociedade moderna, da qual já faz tempo viemos banalizando, e acomodando ao nosso cotidiano patético. ‘Eu quero rodo cotidiano’, pois é ao que todos estão submetidos, aos percalços da divisão de classes e das crises econômicas, diante da adoração platônica de estilos e marcas, de roupas e sapatos. São jovens cada vez mais estáticos, que se deixam levar pela maré do ‘entretenimento’, da vida de prazer, que em síntese, são prazeres construídos externamente, são os prazeres e desejos de comprar, de consumir e possuir. É uma geração que se arrasta, e cria uma ‘carcaça’, imbuídos de mecanismos de defesa, que primam pela agressividade e pela indiferença, isso definitivamente não tem mais graça, não dá mais pra conviver na geração do ‘funk romântico’, do ‘pancadão’, e do faça ‘sexo seguro’ em casa, pois seus pais acham que na relva em que estamos inseridos, dos males o menor. Creio que a tal liberdade de expressão da qual se lutava não era bem essa, que o “namoro de portão” foi enterrado prematuramente, e que se confunde juventude com ‘faça o que quiser’, desde que sob os olhos desatentos de uma família doente, desconcertada pelo trabalho assalariado, padronizada nos termos de pura mercadorização, ‘tenha a família que quiser’ desde que consuma. Diante da crise econômica, no ano passado o presidente Lula, em rede nacional nos disse para consumir, só assim estaríamos salvos da crise, ontem a noite, novamente veio à tona com mais um conselho, ‘invistam brasileiros’, foi isso que ele disse. É isso mesmo, invista toda sua saúde física e mental a troco de um salário MINÍMO, e dêem por felizes por terem o que comer e se utilizem bem dos amortecedores sociais que te prendem a esta consciência limitada, de uma juventude que já não é mais a mesma, mas que passa uma ligeira impressão de estar mudando o mundo, pena que às avessas.




Por isso, discorro pela lástima saudosista de tempos que não voltam mais, de pessoas que não voltam mais, de um mundo que se perdeu em desejos estranhos, em prazeres insanos. Eu que nunca quis ser engolido por essa ‘abominável fera’ me submeto mesmo que involuntariamente, e temo o câncer humano que vem dizimando toda e qualquer possibilidade.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Do meu infortúnio


E por mais de um momento é possível perceber o quão estamos mergulhados no modo de reprodução e expropriação, desabonados com os infortúnios de um viver sobreviver a base de projeções, e desejos inalcançáveis calcados numa sociedade dúbia, inescrupulosa, impiedosa e carrasca. Como pode todas as coisas boas ou ruins de modo que o olhar determina isto, sugarem toda a minha altivez, toda minha alteridade, felicidade, toda minha luz? É de prache culpabilizar o tempo, ou a falta dele, neste âmbito, eu me coloco como dentro dos desencontros propositais proporcionados pelo modo de reprodução social, a fim de desarticular, de desmembrar qualquer possibilidade de intervenção coletiva na realidade concreta. Mas como isso se restrigiria só ao tempo, ou a falta, ou a perda dele? Pois bem, vai muito mais além, transcende, quando eu noto minha vontade constante de chorar, por não poder desfrutar dos momentos mais simples que me constroem como ser, e não como coisa, produto, máquina. Desta forma, o furto se consolida quando não me vejo capaz de fazer os que me rodeiam sentir-se bem, pois como fazer isso se as condições reais, materiais não me permitem? Não dá pra viver de projeções, isso é fato. Não é possível a convivência com os pelêgos assumidos e não assumidos que resistem e persistem na idéia de que são as únicas vitimas, mas definitivamente são as peças mais defeituosas desse jogo de intrigas, dessas relações humanas que reforçam a idéia de que "a corda sempre arrebenta para o lado dos mais fracos", pois eis que os mais fracos unidos contra os mais "fortes" desarticulados seria de grande diferença. Caso isso não aconteça, tomo partido eu, que sei que devo interferir mesmo que seja para o meu próprio mal, prostituindo meu conhecimento e minha integridade mental, me submetendo a todos os tipos de doenças psicossomaticas, e a intermináveis doses de falsidade, hipocresia, crueldade. É dentro deste âmbito que eu trabalho, que eu estudo, que eu como, que eu respiro, e diante disso tudo, quando a imagem se apresenta em forma obscura, subjetiva, evito projeções, e tento superar minhas limitações a fim de intervir na realidade concreta, no meu espaço, e se mesmo assim estou consumido e suprimido pelo sistema homicida, pelo sistema hierárquico, patrão e empregado, de uma forma ou de outra eu ei de resistir, eu ei de fazer de mim dono do meu tempo, independente dos regentes hegêmonicos que capitalizam todo e qualquer resquício de humanidade.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coisas talvez sejam livres.

Quando se pensa que tudo gira em torno de valores, que toda liberdade até que se prove o contrário é inesistente, é que se deixa transparecer o ópio das relações humanas, meu livre pensar nada mais é do que estar preso a tudo aquilo que se restringe ao que eu fui capaz de apreender, de assimilar, de comprar. E definitivamente comprar não é uma ação livre, pelo contrário, é o próprio cárcere do consumismo exarcebado, que insiste em definir o status quo, dentro de uma sociedade tendenciosamente alegre demais pra se dar conta de que está se sucumbindo as mazelas da coisificação do homem. No mundo da "terra de ninguém" que alguem passou a mão não se sabe bem o por que, uma grande parte se viu de posse somente dos músculos e da força de trabalho, por isso trataram logo de vendê-la a preço de banana, ou a qualquer outro preço menor, já que a lógica capitalista insiste em bomberdear "os de senso comum" e "os de senso quase critico" com centenas de formações profissionais, botando fogo no mercado, aumentando consideravelmente a demanda de conformados se arrastando pelo salário mínimo, uma questão de sobrevivência. E se estamos contentes, de bem com a vida, otimistas e esperançosos por que ainda conseguimos pagar uma viagem via CVC em 24 vezes pro Recife, e nos apontam como classe média, é por que o contigente humano disponivel para exploração ainda é imenso. Capital humano eles dizem! Eu digo que de humanos não se resta muita coisa. Não é possível que nessa odisséia pela terra o único passo que tomaremos seja o de vegetar, esperar o tempo passar, trabalhar, pagar as contas e dormir, e de vez em quando fingir ser gente, fingir ser livre. Mas falar de liberdade é justamente falar de algo que não temos. Por que em todos os momentos em que nos consideramos livres, automaticamente nos aprisionamos a idéia de estar livres, não de ser livre. E por conseguinte se estar livre é uma condição, ela se opõe a momentos de privação, e quando nos achamos livres reproduzimos nossa prisão, consumimos, nos vendemos, sempre bastante distraidos, esperando a morte chegar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mais fácil

Nem pobre, nem rico, nem feio, nem bonito, nem visto, nem omisso.
Mais fácil ser nada, se fosse parte do que existe, e se composse algo
Mais fácil ser nada, se tivesse as cores arrojadas e o cabelo alternativo
Mais fácil ser nada, e se não fosse tão comum, quem sabe seria assim como todos os outros.
Mais fácil ser nada, que simpático o tempo todo, que amigo modelo de todos
Mais fácil ser nada, já que tem o papo tão banal, tão inútil
Mais fácil ser nada, já que a pele não condiz, nem a altura, nem o peso, nem a face.
Mais fácil ser nada, que o mendigo, pedinte, ateu, ou eu.
Mais fácil ser nada, sem discutir ideais, que ser volume, que preencher lacunas
Mais fácil ser nada, dentre tudo o que existe, entre as tribos
Mais fácil ser nada, que precisar de psicólogo, remédios e dinheiro
Mais fácil ser nada, do que fútil.
Mais fácil ser nada, que não ser visto, lido, entendido.
Mais fácil ser nada, que trágico sofrido.
Mais fácil ser só, que não ter ninguém.
Mais fácil o silêncio, que dizer bobagem.
Mais fácil coragem, que vossa verdade.
Mais fácil ser essa porra, mais fácil era não ser nada
Mais fácil não desejar, que o insucesso
Mais fácil a inércia, e ainda não entendo por que continuo.
Mais fácil gemer, grunhir, espernear, chorar.
Mais fácil esquecer, que lembrar todos os dias quem eu sou.

domingo, 18 de outubro de 2009

Egos noturno

Fantasiar é realmente necessário? Pois bem, sem carro convercível, vento no rosto, adrenalina na pele, nem som maneiro, reflito na "vibe" do Hush hush mental sobre duas rodas mesmo. Noites muitas vezes são agitadas, muitas vezes são frias, muitas vezes fazem sentido, e muitas vezes, duplo sentido. Dentre os corpos agitados, amados e mal amados, também se encontra o meu. Dentre os corpos veteranos, e os calouros insanos e ardentes, também se encontra o meu. Fato é que a noite é muito boa, e todos querem se divertir, e "todo mundo espera alguma coisa de um sabádo à noite", eu que não sou perito no assunto manuseio o olhar não muito atento, e descubro que provavelmente, definitivamente, decepcionantemente, todos esperam mais que alguma coisa, digo, muito mais. O mais engraçado disso, é que por uma noite, as fantasias são possiveis de se concretizar. O duro é acordar ao lado de uma ressaca sexual, mais além espiritual. Duro é saber que os sonhos são substituidos pelo calor atrevido de mascáras, de fantasias, de elogios e egos. Noites assassinadas com brutalidade pela superficialidade. Onde os colegas se tornam "amississímos", te dão 3 beijinhos, se mostram presentes, afinal de contas o mundo é uma festa, e todos somos grandes anfitriões. A pura falsa cordialidade e diplomacia. Eis a política da igualdade, do diferente, que não é para todos. Minha casca estava viçosa, saborosa, mas por dentro, podre.

sábado, 17 de outubro de 2009

Tensão na TPM‏ por Dayane.

Conversando a respeito da TPM, tentando achar explicação para a mistura de coisas e sentimentos e atitudes que tenho, percebi que a palavra tensão define mesmo a TPM.




É tudo tenso.


Começaremos pelo verbo vestir.

Se vestir é tenso. Sim, por que mulher pode dormir se sentindo uma princesa e acordar se sentindo um lixo, na maioria das vezes, quando estamos na maldita TPM tudo dói: seio, pernas, braços, bunda, barriga, cabeça e as cólicas, ahhh as cólicas.... Então o que você menos quer é vestir alguma coisa que te aperte, por que além de estar absolutamente TUDO doendo, você tá inchada e QUALQUER roupa - exceto aquela camiseta gigante e aquela calça de ginástica ou de moletom que você usa pra ficar em casa – fica desconfortável e horrível. Mas você TEM que sair por que você precisa trabalhar, ou estudar, ou seja, você precisa de uma roupa.





Procurar roupa é tenso. Por que depois que você revira o guarda-roupa INTEIRO atrás de alguma peça que seja minimamente confortável e apresentável, você descobre que não existe nenhuma desse tipo.



Então, sabe aquele ataque de fúria? Aquela vontade de jogar tudo no lixo? Pois é...



E as dores? Não pensem que elas foram embora não!! Elas continuam ali, firmes e fortes, mesmo depois de você ter tomado, atroveram, buscopam, e qualquer outro pam pra poder aliviar.



Mas mesmo inchada e com dor, você decide respirar fundo, contar até três e continuar sua busca.



Por fim, dá graças a Deus de encontrar aquela blusinha larguinha pra esconder a barriga que tá gigante de tão inchada e aquela calça que tava meio larga depois do regime da semana passada, parece a calça mais confortável do planeta. Depois de finalmente encontrar algo apresentável pra se vestir você pensa que tá tudo certo pra sair de casa.



Mas sair é tenso. Você sabe que tá com cara de bunda, que seus olhos mesmo depois de quilos de maquiagem denunciam que você não tá nos seus melhores dias, só que mesmo assim, pro bem da humanidade e pra coexistência pacifica entre você e o resto do mundo, você se esforça brutalmente e coloca um sorriso no rosto, por que ninguém tem nada a ver com sua cólica menstrual, com suas dores pelo corpo todo e com a sua luta com o guarda roupa. E se você sai de casa, você precisa falar com os outros...



Só que falar é tenso. Por que às vezes você não tem controle nenhum do que você tá falando. É uma mistura de tanta coisa: dor, roupa incomodando, problemas financeiros, problemas sentimentais, que às vezes (sempre) você consegue juntar todos esses problemas em sentenças do tipo: "Vá se ferrar!"







Segue diálogo explicativo:



No trabalho:



Chefe: Preciso deste orçamento.



Você: Ok (Olhando dentro da bolsa procurando algum pam pra poder tomar pq o que você tomou a cinco minutos atrás não tá fazendo efeito )



Chefe: Não vai fazer? Preciso dele pra agora



Você: PU....xa vida, é pra agora? Ok, vou fazer (chefe sai)



Você: PUTAQUEOPARIU vá se ferrar, tô morrendo de dor aqui, e alguém liga? Não, um orçamento é mais importante do que eu tomar meu remédio (Volta a procurar o pam na bolsa)


Na rua:

Alguém dá um encontrão em você e assim todas as suas dores se multiplicam por dez
Pessoa: Aí me desculpa
Você: Desculpa o escambal, não olha por onde anda não?

Em casa:

Mãe: Filha você sabe onde tá aquela coisa que eu peguei ontem?
Você: Que coisa?
Mãe: Aquela uma, sabe, que eu comprei te mostrei ontem lembra?
Você: Não
Mãe: Como não lembra! Te mostrei e...
Você: Eu não lembro oras! Agora sou obrigada lembrar de tudo? Nessa casa tudo eu que tenho q saber? Vou lá saber de coisa que você comprou ontem? Eu quero é saber onde tá meu maldito pam!

Mãe: Pam?
Você: Esquece Mãe! Esquece! (sai pisando alto e bate a porta do quarto)


A parte mais importante e mais crucial da TPM de uma mulher é a comida.



E comer, adivinhem, também é tenso. Se você está usando aquela calça que te deixa razoavelmente confortável na TPM, sem te apertar é por causa do regime que você morreu pra fazer na semana passada, e vocês homens, que talvez estejam lendo, se perguntam: E daí?

E daí que na TPM, mulher, mulher que é mulher mesmo, que começa regime na segunda e acaba na quarta só pra falar que faz regime, mulher mesmo, gosta de comer COMIDA e não mato. Mato não satisfaz as necessidades básicas de uma mulher, que no período menstrual, tem que suportar vários hormônios pululantes dentro do seu organismo.



Hormônios são feitos de gordura. Hormônios precisam de gordura pra que possam ficar felizes, satisfeitos e quietinhos.



Acaso mato tem gordura? NÃO!



Chocolate tem gordura (a melhor do mundo, e não é balela quando dizem que chocolate acalma mulher na TPM. Pra homem é difícil explicar, mas simplificando, chocolate deve ser quase um ópio pros hormônios).



Sorvetes, bolos, doces, balas tem gordura. Batata frita tem gordura. Pizza, lasanha, salgadinhos tem GORDURA. Isso é comida de mulher na TPM. Isso deveria ser receitado por médicos. Mas o problema é o REGIME, o maldito REGIME que você conseguiu começar na segunda e terminar na sexta pra perder miseras 500 gramas (sinceramente? eu tô me lixando pra regime mas a maioria das mulheres dá extrema importância pra isso). Então se você comer alguma coisa além do matinho seu de cada dia, você vai engordar de novo e...



Quando você se dá conta, você já comeu o primeiro pedaço de chocolate e então você entra num caminho sem volta. Você come mais chocolate, e mais doce, e mais comida engordante.



"O quanto você aguentar" é o que os hormônios gritam, e quando você não tá conseguindo nem respirar de tanto que comeu, os danadinhos continuam: "Fraquinha você! Queremos mais gordura!! Mais gordura!!!" e depois que você satisfaz os pilantrinhas, depois que você não consegue nem ver mais um pedacinho de chocolate, ou uma balinha q seja, depois disso, aí sim eles se acalmam. Só, que depois dessa epopéia alimentar, você se dá conta que comeu demais, faz as contas e no mínimo engordou uns cinco quilos e aí vem as lágrimas. E você chora desconsolavelmente, por que o seu regime da semana passada foi por água abaixo.



E agora você ta feia, inchada, dolorida e GORDA.


E se você tem namorado, eu tenho pena dele nessa hora.


Por que se ele chega e abraça, dói, você reclama.


Se ele pergunta o que foi, você chora.



Se ele oferece um chocolate você chora mais, pega o chocolate, come e ainda diz que ele é um insensível, por que ele simplesmente não entende que você teve um dia ruim!



E assim, não dá nem pra tirar a razão dos homens que reclamam tanto e dizem que não entendem.


E as mulheres sempre tentam se defender e dar milhares de explicações, cientificas, astrológicas e até meteorológicas, mas o fato é que nem elas entendem.




Mas pensem que:




Dormir como Bela e acordar como Fera. Ficar com tudo doendo por no mínimo uns dois dias (pras que tem sorte). Não ter roupa pra usar (não é frescura dizer que não temos roupa nessas épocas, é que simplesmente TUDO aperta). Não conseguir controlar os sentimentos lutando racionalmente contra os impulsos emocionais. E por fim, comer incontrolavelmente até se sentir mal pra depois chorar por que comeu, por que passou o dia inteiro com dor, isso tudo não é fácil.




Na verdade ser mulher, não é fácil.


Escrito por: Dayane Aguiar Lopes - 16/10/2009 (Sem revisões gramaticais)



sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Se for bobo, e não burro!


Eu pouco me interesso ultimamente por qualquer coisa, entretanto esta leitura descontraída e reconfortante pelo menos para eu que sou bobo, chamou a atenção. Se és bobo ira gostar.



Das vantagens de ser bobo

(por Clarice Lispector)




O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir tocar no mundo.



O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo, estou pensando."



Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.



O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem.

Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas.



O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver.

O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.



Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era que o aparelho estava tão estragado que o concerto seria caríssimo: mais vale comprar outro.



Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.

O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu. Aviso: não confundir bobos com burros.

Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"



Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!



Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.



O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação, os bobos ganham a vida.




Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.



Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.



É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Uma pelada com Máuri de Carvalho

Dia desses uma amiga de sala estudando em um horário livre de seu trabalho, com os livros sobre sua mesa, foi surpreendida, com a surpresa de um amigo de trabalho também acadêmico, em relação a literatura que ela enquanto acadêmica do curso de Educação Física desfrutava bravamente. "Saviani?!", esta foi a indagação do amigo, que se identificou com o tema, mas não conseguiu associar Educação Física com E-D-U-C-A-Ç-Ã-O. Não somente esta minha amiga, mas outros companheiros de profissão relatam legitímas repressões, banalizações, pouco caso, desmerecimento, tendo como "agressores des-cerebrados" não somente os tais de senso comum, como também dos "de cultura erudita e senso crítico" acadêmicos da mesma instituição. Pois bem, eis que eu vitimado e especulado quanto a real complexidade e validade do meu curso, também já me deparei com tais comentários infelizes, como: "quantas voltas na quadra tiveram que dar hoje?" ou, "Vocês são responsáveis pela educação do corpo". Ainda relatos de acadêmicos que dizem ser repreendidos por outros quando entram na biblioteca, com frases do tipo "caiu alguma bola aqui dentro?" Ora, faça-me o favor, pseudo intelectuais só por que manejam tubos de ensaio, ou por que são obrigados a ficar trancafiados em uma sala de aula, não consenguem entender nem ao menos como qualquer atividade seja ela fisíca ou mental são capazes de conduzir conexões neurais, aumentando a capacidade cognitiva. O que se espera dentro de uma Universidade é exatamente caminhar para a emancipação dos pensamentos, abrindo caminhos para atingir conhecimentos até então inesistentes. O que se vê é a reprodução de uma sociedade desigual, dividida em classes, que supervaloriza postos inocupáveis, pelos que não possuem uma boa herança genética, ou economica, os filhos dos operários, dos trabalhadores. Os que por toda vida conseguiram tudo a base de muito mais persistência e enfrentamentos, e quando se enxergam dentro de uma Universidade pública, nela também visualizam as diferenças em todos os seus âmbitos. É comum encontrar dentro da universidade pessoas chegando de onibus ou a pé, mas também é comum, pick up, Jeep, carros importados, que para alguns fica difcíl até pronunciar o nome. Realidades distintas. Sim! Essas realidades percorrem por toda a vida, desde o ensino infantil e fundamental, até o ensino médio e superior. Não atoa eu sou completamente a favor da cota social e racial, que tanto alguns pseudo intelectuais tentam introjetar na cabeça dos "de senso comum" ser um reforço do preconceito com as classes. Pois bem, eis que que até o momento as classes sofreram todos os tipos de preconceito que realmente os prejudicaram, e na única vez que esse preconceito vem a favor dos mesmos, agora desprivilegiando os detentores da propriedade privada, um incomodo arrebatador põe em discussão a possibilidade de tornar a escola pública pouco a pouco o local onde todos deveriam estudar. Se os filhos dos médicos, advogados e governantes estudassem em escola pública, concerteza o ensino não estaria esse "bréjo duvidoso", e para que estes sigam para as escolas públicas uma boa solução seria esta, permitir que somente alunos de escolas públicas tenham o direto de frequentar universidades públicas. Pagar por um ensino melhor vai contra a constituição que prevê o ensino igual para todos. Esta é a universidade que queremos? Bem, lendo um trecho do livro de Máuri de carvalho, me deparei com algo interessante sobre o que gira em torno da educação física, voltando assim para o assunto inicial, que mais especificamente me diz respeito.


"Como se manifesta na Educação Física, mormente, nos Desportos a ausência da consciência filosófica da totalidade?

Vejam, é por demais comum vermos e ouvirmos desportistas (inclusive professores "doutores" Em educação física?) dizerem: "desporto é desporto; política é política, essas coisas não se misturam; em minhas aulas eu jamais faço política!". Ora, eu diria que o desporto, a politica e a ideologia são atividades fenomênicas distintas, autonômas, mas são superestruturais, isto é, crescem sobre a mesma base economica, a mesma infra estrutura e, como tal, refletem as contradições imanentes às relações sociais de produção que lhes dão origem. Por ai, é possivel perceber com uma certa facilidade, que há uma relação inequívoca entre desporto, política e ideologia. E mais: "como será possível construir estádios e piscinas, se os orçamentos de guerra ( no Brasil, o serviço da divida externa orçados em 20 bilhões de doláres/ano - gm) devoram as verbas necessárias ao esporte?" (Corbister, 1991, p, 284).
Logo, desprende-se o fato que aponta a subordinação dos desportos ( da saúde, da educação, do saneamento básico, etc.) a determinadas condições que o professor carente de uma consciência filosófica(embora saiba, pressupostamente, toda a sociologia do mundo) ignora, e não sabe que esta é uma  caracteristica do ausente filosófico, não haverá desportos para todos, a tão propalada massificação ou democratização dos desportos (como da educação, da saúde, do saneamento, etc.), sem verbas públicas, e sem uma política drástica de saturamento das "vias abertas" do Brasil.
O desporto é portanto inseparável da política eonomica, Há uma tese, a qual incorporei de há muito, que diz: o desportista que desconheçe esta ligação não somete deixa de servir a causa dos desportos, como se afasta dos meios de defendê-la. E sabem por quê? Por que não possuindo uma consciência filosófica da totalidade, consciência radical, não compreende que tudo se interrelaciona, e por que não sabe do interrelacionamento das coisas e dos homens, não lutará contra as políticas subservientes dos presidentes deste país frente ao filantropismo do FMI e do Banco Mundial.
Daí dizer-se que aos oprimidos cabe, sob os marcos do capitalismo, apenas a resignação à medida em que desejandopraticar desportos - paraquedismo, vôo, vela, polo, etc. - mas sem efetivar as condições das quais eles dependem ( elevação salarial, redução dos preços, investimentos governamentais massivos, suspensão do pagamento da divida, calote, sim! -, enfim, socialização dos meios de produção), não terão eles desportos nenhum (ou pelo menos nenhum daqueles mais sofisticados e retrocitados). Por tanto é pertinete cometar que a filosofia marxista, por levar a crítica às últimas consequencias, pode, por isso, ser definida como consciência critica da totalidade. Destarte, a consciência a-critica, a inconsciência, laborando em cima do abstrato e ensimesmada na especulação não consegue dar conta que é escrava do sistema capitalista. Pensa que é livre e o preço dessa sua "liberdade" é a heteronimia introjetada. Tal consciência, por não conhecer a realidade em suas minímas singularidades, não pode proferir a verdade, e por não poder evidenciar a verdade, não é livre. E por não ser livre, não é cidadã. E por não ser uma cidadã, por não ser livre, não dirá jamais a verdade.

Não compreender que a liberdade e a democracia têm sido, até o dia de hoje, liberdade e democracia para os possuidores e só migalhas do festim para os despossuídos (é) se alocar do lado das classes possuidoras e enganar o povo (O.C.t 38, 1984, p. 375)"


CARVALHO,  Máuri, de. Ilusões e devaneios: contribuição à crítica da Educação Física. - Vitória: UFES Centro de Educação Física e Desportos, 1995 279 p.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um tal de Lenin

"Falar de democracia pura, de democracia em geral, de igualdade, de liberdade, de universalidade, quando os operários e todos os trabalhadores estão famintos, desnudos, arruinados e torturados não só pela escravidão assalariada capitalista...enquanto os capitalistas e exploradores continuam possuindo a propriedade roubada e a maquina "existente" do Estado" (Lenin) ... é gastar saliva.


A lógica esta em nossas "fuças". O segredo de ser rico esta em neon. O que se esconde é somente aquilo que se tornou desimportante e banal, que de fato seria o mais importante numa realidade concreta.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Na primavera vou ser quem eu quiser

Só por que dizem que homens não choram, por que dizem que a cor não é essa, que o modo de andar não é o seu, e que as roupas estão totalmente erradas. Só por que não lembra o comum, por que não é o tradicional, robótico, padrão. Só por que dizem que comer rápido é não perder tempo cozinhando, por que fast food é a "onda" do momento. Só por que os olhos não são claros, e os livros não são lidos. Só por que comer sempre esta errado, gargalhar esta errado, gritar esta errado, estar em total desordem da ordem imposta a tua própria ordem. Só por que dizem que homens não devem ser sensiveis, e mulheres são frágeis, que homens não devem ser educados, e mulheres indelicadas. Só por que dizem que hoje é o dia das mães, dos pais, de Jesus Cristo ou o diabo a quatro. Só por que dizem que deve se dizer senhor e senhora, e que o hino nacional nos representa. Só por que dizem que o reino dos céus será dado aos pobres, só por que dizem que meninos não usam brincos, e meninas skate e bola.Ou só por que dizem que o salto 15 não esta mais na moda, e que na primavera você não deve sorrir nem cantar. Só por que dizem, sem saber de onde vem esta voz paradigmática. E quando disserem que não é quem pensa que é? Que não é humano? Que não é homem? Você o será? Ninguém disse para as flores desabrocharem na primavera, elas apenas são, apenas encantam, como são, independente de cores. Plantas não tem sexo, nem salto 15, e ninguém as diz o que elas devem ou não fazer, elas o fazem.



Que a primavera desabroche, rompa, quebre, desvele suas ilusões egoistas, e seus anseios sórdidos.





sábado, 19 de setembro de 2009

1° capitulo
Um garoto, não como os outros.


Entre as grandes árvores da pequena floresta da cidade interiorana Burkstiville, entre caminhos tortuosos e densos, no chão, uma mochila, e ao seu redor alguns livros caidos, não somente isso para intrigar, ao alto, quase que na copa das árvores, um garoto. Seus trajes: uniforme. Sim ele flutuava como uma pena, sem alterar em nada o silêncio estridente do ambiente. De forma amena, e mesmo assim aterrorizante, o jeito como seus braços estavam abertos lembravam Jesus crucificado, seu rosto inerte, inespressivo, e com os olhos bem fechados, e a sua volta somente o arrastar das folhas umas sobre as outras por intermédio do vento. Lá embaixo o caminho era o mesmo de sempre, no qual o garoto Edward transitava cotidianamente em direção a escola. Lá em cima, algo absurdamente fora do comum, e ao mesmo tempo tão normal, no silêncio inquebrável da pequena cidade de interior. Como um canto de passáro que quebra o silêncio na flora, os olhos bem fechados se abriram derepente, e é como se a lei da gravidade voltasse a reger, e da copa ao chão foi uma queda violenta, por alguns minutos permaneceu ali deitado sobre os livros e a mochila, confuso, tentando entender o que havia acontecido, machucado e maltrapilho recolheu suas coisas e seguiu caminho até a escola. Um vázio estampado no rosto, e um suar nas mãos que seguravam brutamente as alças da mochila nas costas, um enfrentamento de quem fugiria se pudesse, mas estava ali de fronte a todos os cruéis amigos da escola, por que todo adolescente é cruel e muitas vezes maligno, Edwuard sentiu-se observado de cima a baixo, sentiu-se reprovado, repugnante. Todos o perceberam, alguns sentiram pena, outros nojo ou simplesmente indifereça. Por sinal, talvez não tenha ficado bem claro, mas ele não era o garoto mais popular da escola, concerteza não. Talvez até o contrário, muitas vezes nem ao menos era notado, e quando era, o motivo transcendia em comportamentos estranhos, fora do comum, como chegar na escola com roupas rasgadas e sujas, ou seu isolamento, e falta de amigos. Na verdade podia contar com um amigo, Richard, o tipo de garoto que consegue transitar por todos os universos, o da crueldade, dos anonimos, estranhos e inteligentes. Um bom rapaz. Uma compahia salvacionista para Edward, que não compartilhava muitas amizades. Lentamente, ainda com olhar vázio sobe as escadas em direção aos armários, titubeia um pouco para encontrar suas chaves, e quando abre, coloca suas coisas, Richard aparece do teu lado, com um olhar de espanto.
- Amigão, tá num péssimo estado! O que houve?
-Uma pedra no meio do caminho, e um pouco de falta de equilibrio.
-Pedra grande por sinal, pensei que havia sido atropelado(risos)
-Não. A pedra era realmente grande.
-Tudo bem. Venha, a aula vai começar.
Foram então em direção a sala juntos, ao entrar todos se afastaram arrastando as carteiras, como jovens cruéis que são, fulminam com os olhos. Caminhou até seu lugar, sentou-se, permaneceu em total silêncio, a fim de que esqueçessem que ele estava ali. Logo entra a professora, com uma sequidão nos olhos, deseja um bom dia contido e duvidoso, e avista o estado de Edward. Em um tom arrogante, questiona:
-O que houve com você Edward?!
-Nada.
-Oras! como nada?! Melhor não perder tempo mesmo.
Volta os olhos a losa, indiferente. Nesta sala existe um outro garoto, eu diria o mais cruel de todos, Presley. Em suas atitudes, transcendem o seu não importar-se com ninguém. Inclusive com Edwuard, na verdade principalmente com ele, quase como um sádico prazer. Dentro de sala, só para seu prazer quebrou um pedaço de giz, e arremessou em direção a Edward, se assustou, mas nem olhou para trás. Mas a persiguição é persistente, e outro giz o acertou, todos seguravam os risos na classe sórdida. Edward virou-se e disse:
-Por que não joga a mãe de perna aberta?
Furioso Presley levantou-se em direção a ele, e com sangue no olhar perguntou:
-O que você disse seu idiota?! Repita.
Em defesa Edward se levanta e empurra-o e Presley cai sobre a carteira, a professora vê tudo e é dura.
-Você de novo Edward? Não pode simplesmente ser como os outros da classe?
Olha ao seu redor, nem ao menos diz qualquer palavra, pasmo, furioso, as carteiras abrem caminho para que ele passe, ele sai como um sopro de dragão, deixando berros e portas batendo. Depois de sair aborrecido com a arrogância da professora, que nunca o tratou com afeição, decidiu refletir um pouco, desta forma foi em direção ao lugar que mais o acalmava, o lugar perfeito. No meio das árvores, as águas cristalinas caiam sobre grandes pedras escuras, transformando-se num grande lago azul, cercado por um rasteiro gramado verde claro. Não iria para casa enquanto não desse horário do fim de aula, afinal sua mãe não poderia saber do que houve, deitou-se numa grande pedra, e ao som do riacho contra as pedras cochilou. Horas depois acordou, suspirou, pegou suas coisas, e seguiu até sua casa. Com o mesmo olhar vázio de sempre, lentamente subiu a  pequena escada de frente de sua casa, pôs a mão na maçaneta bem devagar, como quem não quer que ninguem perceba que chegou, com passos leves, mas em vão, sua mãe veio de encontro.
-Filho, vá logo suba e lave as mãos, o almoço está na mesa.
Ela meiga, suáve, tenta agradar incondicionalmente seu filho, as vezes acaba até sendo inocente e cega demais no que diz respeito a ele. Ele subiu, jogou a mochila na cama, sentou-se bem na ponta, tirou o tenis, trocou a roupa e foi até o banheiro, lavou as mãos, olhando no espelho banhou o rosto com água, era como se visse dentro de seus próprios olhos, um garoto perdido em si memso, solitário e sentiu ódio de si. Olhos trêmulos, molhados, formara, uma lágrima que nem teve ao menos chance de correr em teu rosto, foi interceptada abruptamente por sua mãos. Então desceu até a cozinha para o almoço. Cozinha simples, bem contemporânea, e ao mesmo tempo conservadora, as cozinhas de toda a cidade eram muito parecidas, eu diria que o sinal da religiosidade, dos costumes da pequena cidade. Ao redor da mesa Edward, seu pai e sua mãe. Quase nem tocou na comida como de costume. E seu pai também como de costume:
-Você nem tocou na comida.
-Não estou com fome.
Um diálogo impressionante.
-Sua mãe disse que não come nada o dia todo. O que esta havendo?...Estamos pensando em levá-lo ao médico. Você quase nem fala.
Com um olhar frio, ficou ali olhando seus pais, estático, sem saber o que dizer, mas logo seus lábios ressecados, avermelhados e quentes sussuraram:
-Não! Só estou sem fome...isso é tão ruim?
-Mas isso pode não te fazer bem,  é só isso que queremos pra você.
 Uma pausa. Um silêncio. Um desvio. Edward quer saber se pode passar a tarde na casa de Rich fazendo trabalho de escola. Sua mãe claro responde que sim, só pede que volte antes do anoitecer, para o jantar. Ele imediatamente se levanta e diz estar saindo. Sua mãe desajeitada com os pratos na mão:
-Nem ao menos vai comer a sobremesa?
-Guarde um pouco para quando eu voltar.
Chegando na casa do Rich, tocou a campanhia, sabendo que os pais dele não estavam em casa, logo Rich abre a porta o cumprimenta e os dois sobem até o quarto para iniciar o trabalho. O som no quarto é altissímo, uma desordem considerável, lençol ao chão, roupas na cabeçeira da cama, mochila na cama, revistas e gibis por todo o chão. Havia relamente um trabalho a ser feito, mas não fizeram nada além de ver revistas eróticas, gibis e ouvir música. Quase no fim da tarde, pouco antes de ir embora Rch disse que havia entrado no time de futebol da escola. Edward olhou reprendendo-o.
-Está louco! A única tática usada por aquele treinador e a de passar a bola para o Presley.
-Não quero deixar de fazer o que gosto por causa de um babaca como o Presley. E eu sei que você também gostaria de jogar.
-Pode ser, mas não vou ser humilhado agora também no futebol.
Rich insistiu muito para que seu amigo também entrasse no time, com muita resistência Edward decidiu por pensar no assunto, com grandes possibilidades de a resposta ser não. O sol já estava se pondo, o céu sofreu uma metarmofose entre cores laranja e rosa, o horizonte junto a ele formavam uma só imagem, enquanto caminhava para casa. Sua mãe lhe pergunta se fizeram o trabalho. Incerto, e um tanto quanto gago responde.
-Fo...foi pra isso que nos encontramos não é?
-Muito bem! Suba e tome seu banho. O jantar esta quase pronto.
Como sempre pegou sua toalha no quarto, caminhou pelo corredor até o banheiro, para o banho. Quando ascende a luz, seus olhos ardem, são luzes claras e pisos claros demais, logos seus olhos se acostumam, ele abre o box, tira a roupa e liga o chuveiro, os olhos saltam fora de sua cabeça de tão atentos, mas na verdade não está, apenas divaga no interrogatório sobre seu modo de ser que seus pais provavelmente farão na hora do jantar. Pensava e se ensaboava, terminou o banho, abriu o box, enrolou-se na toalha e seguiu até o quarto para vestir-se. Ao descer o jantar já estava na mesa e seus pais estavam lá olhando para ele. Não havia como fugir, restou sentar-se, calado e cabeça baixa, tinha mais medo de seu pai, dele partiam as perguntas medonhas.
-Amanhã vamos ao consultório do doutor Ryan.
Edward comia desesperadamente, sua boca estava cheia, mal respirava.
-Por que está comendo desta maneira filho?
-O problema era comer não é? Pois então, estou comendo.
Um pedaço de brócolis pendurado entre os dentes ao fim da fala. Seu pai não se conteve e sorriu.
-O problema não é somente esse filho, como qualquer pessoa normal você precisa de uma consulta.
-Mas eu não quero.
-Não tenha medo, é coisa simples.
Ele olhou para seu pai pensou no que adiantaria resistir, não respondeu mais nada. Seu silêncio foi seu sim. Depois assistiu um pouco de TV, e logo subiu para deitar-se, entrou em seu quarto e trancou a porta, olhou pela janela e por maior que fosse o calor um vento forte soprava balançando as cortinas. Deitado estava imcomodado com o calor, virou-se  e revirou-se na cama até que permaneceu olhando fixamente para o teto, que começou a girar, Edward transpirava muito, comecou a sentir-se pesado, seintiu-se como pesasse toneladas, começou a afundar na cama sendo engolido pelos lençóis, levado para um outro lugar. O céu estava limpido, um azul intenso, o sol brilhava escaldante, os camponeses trabalhavam muito, as crianças brincavam na lagoa, e as jovens camponesas ajudavam suas mães com os serviços domésticos. Foi então que um misterioso vento surgiu de tras das árvores, as folhas secas comelaram a voar sem rumo, o vento trouxe junto nuvens cinzentas, carregadas de raios e trovões. O céu azul e limpído começava a se fechar e um imenso teto formou-se sobre a cabeça dos camponeses que no desespero começaram a correr desnorteados. Naquele momento Edward sente-se incapaz de fazer qualquer coisa, um silêncio mutúo toma conta, as pessoas corriam lentamente, e ninguém o via ali, aquele teto já não parecia estar firme e derepente começou a desabar, as crianças berravam o nome de suas mães, as jovens saiam junto de suas mães em busca dos irmãos, os homens tentavam impedir a destruição da pequena vila onde moravam desde que nasceram.. Os raios caiam violentamente no caminho dos camponeses desesperados, transformando as casas feitas de palha com muito suor, em chamas, chamas que não se apagam com a chuva que de tão forte tapa a visão dos pobres e miseráveis camponeses. Tudo começa a rodar diante de seus olhos e Edward se desespera por não poder ajudar, é tudo muito lamentável. A destruição já não pode ser contida, nada nem ninguém sairá vivo de tamanha catastrofe, se alguém sair contará com fervor tudo o que passou pra sobreviver a tal tempestade. Derepente Edward acorda molhado de suor, ainda tonto levanta e caminha até a janela, percebe  uma chuva forte lá fora que bate e embaça os vidros, o quarto escuro é iluminado por relâmpagos, ele ficou ali por um bom tempo só observando. Percebeu então latidos, seus vizinhos haviam viajado, e o cachorro deles foi deixado preso, molhado ele latia numa lástima interminável, Edward estava ficando irritado com aquilo, não conseguia dormir, estava definitivamente furioso, de olhos fechados, os dentes rangendo brutalmente, todos os músculos do rosto se contraiam, sua artérias pareciam querer sair do corpo. No vizinho o cachorro latia, próximo a uma garagem onde estavam guardadas algumas ferramentas de jardinagem usadas pelo seu dono, Edward queria muito que os latidos tivessem um fim, uma foice suspensa na parede inesplicávelmente se soltou e abriu a coluna do cão em duas, e os latidos cessaram. Edward mais tranquilo conseguiu dormir.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tumor maligno

Eu penso que não adianta ouvir o que tem dentro, por que não há nada. Eu ouço a chuva lá fora, me sinto tão sujo aqui dentro. Não há palavras, nem contos, nenhuma bela história, que me transforme num belo personagem, pois realmente eu não sou. Meus olhos permanecem trêmulos, minha boca seca e quente e os erros continuam os mesmos, minha imagem, meu reflexo, minha sombra por mais que não me pareca comum, são definitivamente minhas. Por mais que ninguém queira, por mais que eu não seja, por mais tortos que sejam os meus passos, eis que eu nunca iria chegar em lugar algum, por que sempre me deram o endereço errado, ou talvez eu tenha sempre escolhido o caminho errado, ou ainda o caminho sempre se torne demasiadamente nostálgico antes mesmo que eu chegue no fim. Por que todo dia eu lembro, todos os dias eu lembro, por que todo dia eu choro por ser assim. Não é a pura imagem no espelho, é o que tem dentro que me distorçe, é o que vejo nos meus olhos que ninguem vê, mas que todos odeiam. É esta jornada nauseante, este caminho sem volta que eu insisto em errar todos os dias. É eu ser um ser humano do polegar opositor, capaz de um raciocínio subjetivo demais, que me faz olhar para traz e perceber o quão eu evolui para lugar algum, olhar para frente e perceber que todos estão tão distantes, e mais uma vez eu me encontro sozinho. É tentar entender o por que tudo o que há de mais importante, mais complexo, mais trabalhoso, não pode jamais passar por minhas mãos, e todas as naturalidades que refletem e partem de dentro do meu peito serão sempre refutadas e desconsideradas em um momento bizarro de desatenção com qualquer outra futilidade. É saber que preocupar-me com o mundo e com toda a miséria que me cerca me fazem ser infeliz e mesmo assim, eu me preocupo todo dia, é saber que a solução é algo do qual eu não faço nem idéia, e provavelmente morrerei sem saber. Eu penso que vivendo, e vendo tudo aquilo que me adoeçe e aduba meu cancêr, eu penso que o dormir e o acordar, que o ir e o voltar, e que o terminar como começou, como se nunca tivesse saido do lugar vai me matar lentamente. Eu penso que eu não estou onde eu gostaria, que eu não sou quem eu queria, eu penso que algo esta definitivamente muito errado, eu penso que toda está lógica demoniaca de sobrevivência a custa da felicidade, e toda esta maldita ansiedade, e toda esta vontade, intranquilidade, e o encurtamento, e a sindrome das pernas inquietas, as cores e toda a sexualidade, toda a falta, toda esta deficiência, o orgulho, a estupidez, a falta de sorte, a descrença, a diferença, tudo, me faz perder, perder a vontade, perder o que eu nunca tive, me faz ter saudade de tudo que eu ainda não vi. Uma saudade que dói, saudade do que foi tirado de mim, prévias saudades do que será levado, só saudades que doem, saudades de tudo que sempre é tão passageiro, saudade de como me tratou ontem, saudade de quando sorriu e disse que eu era importante. Saudade do cheiro da terra molhada, do fim do dia com tua chegada cansada, saudade de mim. De quando me ouviam.
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