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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cores que perderam o tom.


‘Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida’, já faz tempo, não há nada de bonito, não há nada válido, são somente os frutos de uma juventude desgovernada e superficial. Não são mais os jovens boêmios, criativos e fugazes, não são mais os jovens de caras pintadas, de tom incisivo e brilho nos olhos, são apenas jovens, que levam consigo, uma herança morta, tendo o assassino, uma sociedade cada vez mais passiva, cada vez mais submissa, que se direciona para o último fio da revolução, que se alastra por meio da crise. Econômica? Não. É uma crise que vem de dentro, que deprime que oprime que causa a miséria dos pensamentos, que causa o egoísmo, a ganância e por fim as atrocidades da sociedade moderna, da qual já faz tempo viemos banalizando, e acomodando ao nosso cotidiano patético. ‘Eu quero rodo cotidiano’, pois é ao que todos estão submetidos, aos percalços da divisão de classes e das crises econômicas, diante da adoração platônica de estilos e marcas, de roupas e sapatos. São jovens cada vez mais estáticos, que se deixam levar pela maré do ‘entretenimento’, da vida de prazer, que em síntese, são prazeres construídos externamente, são os prazeres e desejos de comprar, de consumir e possuir. É uma geração que se arrasta, e cria uma ‘carcaça’, imbuídos de mecanismos de defesa, que primam pela agressividade e pela indiferença, isso definitivamente não tem mais graça, não dá mais pra conviver na geração do ‘funk romântico’, do ‘pancadão’, e do faça ‘sexo seguro’ em casa, pois seus pais acham que na relva em que estamos inseridos, dos males o menor. Creio que a tal liberdade de expressão da qual se lutava não era bem essa, que o “namoro de portão” foi enterrado prematuramente, e que se confunde juventude com ‘faça o que quiser’, desde que sob os olhos desatentos de uma família doente, desconcertada pelo trabalho assalariado, padronizada nos termos de pura mercadorização, ‘tenha a família que quiser’ desde que consuma. Diante da crise econômica, no ano passado o presidente Lula, em rede nacional nos disse para consumir, só assim estaríamos salvos da crise, ontem a noite, novamente veio à tona com mais um conselho, ‘invistam brasileiros’, foi isso que ele disse. É isso mesmo, invista toda sua saúde física e mental a troco de um salário MINÍMO, e dêem por felizes por terem o que comer e se utilizem bem dos amortecedores sociais que te prendem a esta consciência limitada, de uma juventude que já não é mais a mesma, mas que passa uma ligeira impressão de estar mudando o mundo, pena que às avessas.




Por isso, discorro pela lástima saudosista de tempos que não voltam mais, de pessoas que não voltam mais, de um mundo que se perdeu em desejos estranhos, em prazeres insanos. Eu que nunca quis ser engolido por essa ‘abominável fera’ me submeto mesmo que involuntariamente, e temo o câncer humano que vem dizimando toda e qualquer possibilidade.

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