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domingo, 15 de abril de 2012

A democracia irônica de Willy Wonka e a guerra fria virtual



Opinar, julgar, condenar, são características que sempre estiveram entre as diversões preferidas da humanidade. Quem no fim das contas não adora que os outros saibam o que pensam? A redoma de vidro flácido que se criou no mundo virtual tornou qualquer paquiderme um formador de opinião. Emitir opinião nunca foi algo tão simples e natural. Emitir opinião nunca foi tão democrático e irritante como nos últimos tempos. Estamos à mercê de um bombardeio de barbaridades que refletem todos os preconceitos velados, todos os desejos crueis mais íntimos que agora ganham uma carinha irônica do Willy Wonka, com certo ar de “Eu te mato com um sorriso no rosto”.
Tudo fica bem mais divertido e suave quando nossa opinião tacanha ganha subterfúgios em uma imagem animada e colorida. Até por que, só compartilhamos de uma opinião da qual outras pessoas compartilharam antes. É perceptível o ato covarde que precede este esboço de opinião que se espalha pela rede. Poucos são capazes de sustentar tais opiniões que disseminam de modo amistoso e simpático, com argumentos que no mínimo transcendam este monólogo do qual algumas pessoas transformam a vida. Quem esta disposto a ouvir a opinião contrária, ou até mesmo que reformule a primeira opinião formada de modo fechado e equivocado?
Até que ponto a individualidade do outro, influência e modifica a minha vida e a minha individualidade? É verdadeira a máxima de que se cada um fizer a sua parte todos os problemas do mundo estarão automaticamente resolvidos? Mas quem e como se delimita qual é a parte de cada um? Quem define as funções?
Há quem diga que as funções são dadas pelo Estado, outros que Deus e o destino, porém as funções estão adequadas ao modo de reprodução social em que estamos inseridos, dada numa sociedade classista, as funções diferem-se de acordo com a classe econômica da qual se faz parte. Ou seja, cumprir sua função nada mais é que ser ordeiro e submisso às imposições de uma classe dominante. Cumprir a sua função é reproduzir valores morais éticos religiosos que te tornem suficientemente virtuoso para ser acolhido na sociedade com um homem de bem, e no céu como uma boa ovelha, adestrada, domada.
Willy Wonka vem para ambas às possibilidades, disseminar os valores morais incutidos, chafurnados no ideário de uma grande massa cristianizada, que se sente ofendida ao ter seus valores questionados e refutados veementemente por outras pessoas, que também por meio de uma série de opiniões o fazem. No entanto o que difere as opiniões são justamente as fontes em que se bebe para adubar tais conceitos de moralidade. No entanto se nada pode ser tomado como verdade absoluta, por que insistir numa discussão que se baseia em dois pontos de vistas opostos? Creio que o simples fato de tomar uma posição te torna capaz de refletir sobre o tema, e sobre a possibilidade de se auto transformar. Mudar de opinião, ao contrário do que a maioria pensa não  é uma coisa ruim, pelo contrário, desde que seja uma mudança que parta da transformação por meio de conhecimentos adquiridos historicamente pelo homem a respeito dos fenômenos sociais e naturais, capazes de explicar sem obscurantismo e misticismo a realidade concreta. Se eu não tivesse mudado de opinião, se as pessoas não forem capazes de mudar de opinião o debate seria algo desnecessário.  Por isso nomeio guerra fria, o debate de opiniões que se reproduz nas redes sociais, pois não partem de um debate aberto, partem de uma opinião fechada, concluída, e privada, no qual poucos vão ter a ousadia de interagir com questionamentos ou outros pontos de vistas. Os que se identificam com o ponto de vista compartilham quase que cegamente. Se um dos contatos do seu Facebook compartilhou uma opinião de aversão a Deus, logo um cristão, posta sua opinião genérica em defesa de sua religião, numa resposta a altura, cheia de engodo, e o contrário, é uma verdade. Toda opinião acaba sendo uma contra opinião a uma primeira opinião formada, e não há quaisquer transformações. A linha do tempo do Facebook virou um campo de batalha de opiniões, das mais rasas as mais ousadas e profundas opiniões, mas não são opiniões que dialogam entre si, elas se repelem como água e óleo.
Alguns opinam intensamente com a neutralidade e sobriedade de quem não se envolve em polêmicas de Facebook, que não poderiam ter o mesmo vigor de qualquer outro debate, mas que possuem uma carga fenomenal do que se constitui as pessoas, e é digno de reflexão constante.

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