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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tem evangélico por aqui? Queira se retirar!

Bom, meus caros, já faz algum tempo, vem crescendo um asco dentro de mim, no que diz respeito as religiões e seus seguidores, eu gostaria de não generalizar, e não vou fazer. Eu gostaria (Um desejo profundo meu, quase utópico) que todas as pessoas fossem capazes de pensar por si só, mas isso, deve ser pedir demais. Fato é que elas acreditam pensar por si, porém, são tão suscetíveis, tão maleáveis, tão manipuladas, que eu ando me sentindo no dever, de dar um tapa (Simbolicamente falando) bem dado na cara desse povo, que mais parece rato de laboratório, do que gente. 
O dever é informar? Não, é muito mais árduo, é alfabetizar socialmente, politicamente, religiosamente, culturalmente, enfim, ensinar o beabá completo. (seria bom se fosse por osmose) No entanto, eu que não acredito em milagres, penso que seria um, enfiar juízo na cabeça desse povo, já que o espaço esta vazio mesmo. Nessa ansia de ser pedagógico com os ensinamentos, lhes trago o primeiro passo, leia o texto abaixo do Pastor Silas Malafaia, e tente apontar por sí só os erros, os absurdos, os interesses, e se possível, o que esta na entrelinhas do seu "pedido especial".

"Um pedido especial
A maior alegria do nosso ministério é poder servir a Cristo; é saber que fomos chamados por Ele para propagar o evangelho e ajudar a expandir o Reino de Deus. Entretanto, ninguém consegue fazer algo sozinho. Se hoje nosso programa de televisão pode ser assistido por mais de um bilhão de pessoas, apoiamos diversos projetos sociais e promovemos eventos evangelísticos, é porque contamos com a contribuição de parceiros liberais. Somos profundamente gratos por isso.

Um dos lemas desse ministério é ser transparente em suas ações. Por isso, fazemos questão de prestar contas dos recursos investidos, seja pelo programa de TV ou pela revista Fiel, enviada aos Parceiros Ministeriais mensalmente. Agora temos um novo desafio. 

Todo dia 15 e 20, temos de pagar milhões de reais às emissoras de televisão para manter o Vitória em Cristo no ar, um programa que alcança todo o território nacional e é transmitido dublado em inglês para mais de 200 nações. No entanto, ainda não conseguimos levantar os recursos necessários para honrar nosso compromisso neste mês. 

Gostaríamos, então, de pedir uma oferta especial, segundo o que você propuser em seu coração. Lembre-se, a oferta é voluntária e um ato de fé e amor. Não é uma obrigação. Como sabemos que você é uma pessoa de visão na obra do Senhor, esperamos contar com sua liberalidade para nos ajudar nesse grande investimento. 

Desde já agradecemos por sua compreensão. Que Deus multiplique sua semente e produza frutos em sua vida e na de sua família.

Muito obrigado por tudo!"

Pr. Silas Malafaia

Depósito em nome da Associação Vitória em Cristo:
Bradesco: Agência – 0663-7 / Conta – 92177-7
Banco do Brasil: Agência – 0296-8 / Conta – 225822-6
Itaú: Agência – 6002 / Conta – 36367-6

E ai, gostaram? Se você não viu nada de incomum neste texto, no minimo você é evangélico. Agora se me disser que se ao invés de um pastor, fosse um padre, você relevaria, meu querido, mais que maleável e sucetivel, você seria um tremendo hipócrita. É claro, que em nível de sucetibilidade os católicos, sob minha análise, tem um indice menor, visto que culturalmente, seja verdade ou mentira, se firmou como uma tradição, e berra aos quatro cantos ser a maior religião, com mais adeptos e blá blá blá, o que pode ser uma ótima justificativa para alguém ser usado, enganado, manipulado. Isso conta muito. Algumas religiões podem ser considerdas neste mesmo nível, por ter de certa forma essa tradição. Por isso a maior facilidade de católicos abrirem os olhos, notarem que o mundo é bem mais do que se imagina, enfim, deixar de falso moralismo e hipocrisia. Agora, meu querido, se você é da Universal do reino de Deus, Pentecostal Ungida sei lá onde, ou Só Jesus na Causa, o caso é grave, você precisa de tratamento de choque. Agora se você é da Associação Vitoria em Cristo, se você gosta do Pastor Silas Malafaia, esse canalha de merda, bom, sinto lhe dizer, teu Deus esta de brincadeira com a tua cara. Bradesco, Banco do Brasil e Itaú, não tem nada a ver com Deus, Deus não tem uma conta no banco, e o Pastor Silas malafaia só esta precisando manter o seu programa de televisão, bem como seu conforto, sua igreja, e seus fiéis pagadores, digo, seguidores. 

O próximo passo agora, é aprender sobre as religiões, e parar de frequentar o culto.

Abraço e até a próxima aula.

http://www.vitoriaemcristo.org/_gutenweb/_site/gw-noticias-detalhe/?cod=487
Pastor Silas Malafaia

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O "Pink Money", os estereótipos e a apropriação de "guetos" pelo Capital.

Apesar de há algum tempo já existente, poucos são aqueles familiarizados com um termo que, por dentro de todo o debate gerado pelo brutal aumento dos ataques contra homossexuais tanto nas ruas das principais capitais brasileiras quanto no Congresso por Bolsonaro's e evangélicos, adquire centralidade e merece uma atenção especial daqueles que buscam entender como o capitalismo pretende a "resolução" de algumas das principais expressões de sua crueldade enquanto sistema econômico e social. Tal termo é o "Pink Money".

Criado já há algum tempo, o termo, como se define na Wikipedia, faz referência ao "poder de compra" da comunidade LGBT. Suas origens, alcance e perspectivas podem ser sintetizados da seguinte forma: "Com a ascensão do movimento dos direitos gays, o pink money passou de uma franja de mercado e marginalizado para uma próspera indústria em muitas partes do mundo ocidental, como os Estados Unidos e Reino Unido."¹ 
Esta dinâmica de transformação, da qual já emana um profundo conteúdo ideológico e desnuda inicialmente a maneira pela qual os capitalistas buscam lidar e entender a comunidade GLBT, encontra em numerosos artigos na internet e blogs aprofundamento e desenvolvimento.
Na maioria destes pontuam-se as bilionárias cifras que envolvem o "consumo gay" e buscam, por incontáveis vias, alertar e pontuar a importância de entender o "mercado" para, assim, e não há nada mais ideológico do que isto, "tirar melhor proveito" dele.

O que (dizem ser) é o "consumo gay" e a utilidade dos Estereótipos

Basta uma busca rápida e uma olhada nos estúpidos programas do dito "humor" para entendermos quais são as predileções dos homossexuais e/ou quais as áreas de interesses destes segundo a ideologia burguesa. Segundo um site dado a refletir o impacto, benefícios e a necessidade do empresariado e marketeiros dispenderem atenções ao "consumo gay", as principais áreas de interesse da comunidade são a automobilística, tecnologia, turismo, moda e luxo.²  
Obviamente que toda a estética e referências envolvidas são recheadas de todo o tipo de estereótipos e chavões pejorativos os quais, historicamente, foram atribuídos aos gays.
O Sadomasoquista, o bombeiro, o "emplumado", o delicado, o espalhafatoso, todos são os "tipos ideias", dos quais, nenhum homossexual, bissexual ou transsexual pode escapar. 

Tal é e sempre foi a tendência de interpretação das minorias e dos grupos indesejáveis, por parte da ideologia dominante, que seja, estereotipá-los, transformando-os em elementos caricatos e identificáveis, passíveis de separação e segregação para, assim, "Guetorizá-los" e proteger o padrão de indivíduo, desejável, estável, heterossexual, casado, branco e que deve se constituir, necessariamente, como a regra da sociedade como um todo.
Este processo, todavia, não é novo, nem na história dos oprimidos, nem no caso da comunidade LGBT. 
Basta ligar a TV em qualquer canal propagador do sensacionalismo e evidenciador da barbárie cotidiana da sociedade de necessidade capitalista, para vermos quais são os estereótipos atribuídos aos Jovens negros, pobres e da periferia, enquanto ladrões, estupradores e bandidos; às mulheres, enquanto, em sua grande maioria, donas de casa, "esposas", submissas e resignadas e, se forem negras, enquanto domésticas e faxineiras (Não por retratem a triste realidade da maioria da População feminina deste país submetida aos piores e mais degradantes empregos, mas por reproduzirem-nas enquanto corretas, sem críticas); dos homossexuais como os, chamados socialmente, "tarados", escandalosos e descontrolados e segue-se uma longa linha de definições rígidas e absurdas...

Como dissemos, no entanto, tal processo serve como uma espécie de "definidor universal" e bloqueio da ideologia dominante, definindo o "distinto" e o "regular", o diferente e o normal, para garantir a manutenção de seu padrão desejável e colocar em seus devidos guetos o que "surge e é diferente" sendo que, invariavelmente, como em tudo no capital, tal processo terá suas implicações econômicas, que encontram uma expressão acabada em relação a comunidade GLBT no "Pink Money".

 Pink Money: Aspectos positivos para a comunidade GLBT em sua "integração"?

A transformação da comunidade Glbt em "mercado gay", necessariamente precisaria passar por um processo de "homogeneização" de interesses pela via da conformação de tipos ideias, estereótipos, que, como demonstramos, servem a um interesse essencialmente ideológico de separação daqueles agrupamentos de indivíduos de um todo, cujas características são tidas como ideais e desejáveis. 
Esta definição possui base histórica e, sendo assim, basta voltarmos 40 anos no tempo para observarmos o quão indesejáveis e segregados eram os homossexuais na Grande Nação da liberdade, os EUA, na qual, os ataques aos homossexuais nas ruas, praças e pontos de encontros, dentre eles o emblemático STONEWALL, ao qual iremos nos referir mais a frente,  pelos orgãos repressivos do Estado -Polícia- eram tão comuns, ou mais, quanto os espancamentos, prisões arbitrárias e assassinatos de jovens "afro-americanos", submetidos a um apartheid aberto, que começavam a se organizar nos Grupos que dariam origem aos “Panteras Negras”.

Esta transformação das ditas "diferenças" em "mercados" é uma das principais ferramentas de objetificação de agrupamentos de indivíduos com características distintas do padrão aceitável burguês e, igualmente, uma importante ferramenta de cooptação e "fagocitose" destes setores, outrora oprimidos e atacados. Vende-se, então, a ideia de que, para garantir-lhes espaço na sociedade, é necessário atender-lhes aos seus interesses, cujas fontes de referência são os numerosos estereótipos pré-estabelecidos, realizando, assim, um duplo objetivo aos capitalistas: A transformação dos setores oprimidos e marginalizados em números objetivos e fonte de consumo para determinados ramos da produção e a cooptação destes setores e "amortecimento" dos conflitos sociais, estes gerados pela própria ideologia capitalista que, naturalmente, por dentro de uma sociedade de opressão e exploração, não deixarão de existir. 

O resultado é o esperado e constatado em relação a muitas comunidades historicamente oprimidas, ou seja, seu isolamento em guetos constantemente discriminados e atacados, elemento extremamente desejável pelos capítalistas pois divide a calsse trabalhadora dentro dela própria, com heterossexuais discriminando homossexuais, etc; a cooptação de milhões destes oprimidos ao projeto de sua realização no consumismo e na obtenção dos bens e posições ideologicamente vendidos e, em momentos de agudização das tensões sociais; a retomada de uma escalada de violência e ataques àqueles que representam o "indesejável" e não mais podem ser "toleráveis"- existe termo mais ideologicamente reacionário e cínico do que este?- na sociedade.

Recentemente, vimos reportagens que nos colocam os números da barbárie cotidiana relegada aos GLBT's e que nos evidenciavam espancamentos cotidianos de jovens que moram nos morros dos Rio de janeiro. Da mesma forma, centenas de mortes continuam ocorrendo todos os anos e o número de espancamentos, só na região da avenida Paulista se mantém em níveis estratosféricos. No mesmo sentido, a bancada evangélica organiza milhares de pessoas em marchas contra os direitos GLBT's e propagam, ao lado dos adeptos- assumidos- da ideologia da ditadura militar e da extrema direita, o ódio e a morte aos gays, lésbicas e todos os de orientação não heterossexual, pelo bem da Família, da Ordem e da Propriedade Privada. Neste cenário, até mesmo os grandes avanços, como a recém aprovada União estável, perdem completamente seu brilho, frente à reacionária PROIBIÇÃO de homossexuais doarem sangue e o veto Homofóbico, perpetrado por Dilma, ao Kit-Anti-homofobia. Nos termos mais populares e simples possíveis, fica a pergunta: "De que merda de integração dos GLBT os marketeiros e cães do capitalismo de plantão estão falando?"

De volta a Stonewall (Por isso lutamos) e a liberdade de SER

A revolta de Stonewall, como ficou conhecida, foi um processo de resistência e confrontos ocorrido em Nova York, em 1969, como resposta aos corriqueiros ataques, prisões, espancamentos e prisões arbitrárias que ocorriam na região da cidade conhecida como Greenwich Village. Após o que seria "mais uma batida cotidiana policial" os moradores homossexuais, travestis e moradores de rua que residiam na região e se encontravam no Bar Stonewall, decidiram se levantar e reagiram, desta vez nos mesmos termos, aquele ataque cotidiano. Prenderam os policiais e provocadores dentro do Bar na primeira noite, enfrentaram-se com as tropas de choque detrás de barricadas por semanas lado a lado de artistas, jovens, trabalhadores e militantes negros que já haviam combatido a polícia nas manifestações anti-guerra e, sendo assim, deram passos decisivos na autodeterminação de seus destinos, aglutinando milhares ao seu lado.

O processo de Stonewall, no qual se desenvolveu uma auto-organização interessantíssima contra a repressão e sua segregação, foi o berço de formação de organizações de luta pelos direitos do que chamamos hoje de GLBT, organizações estas que passaram a retratar as mazelas e a opressão cotidiana e a, até mesmo, organizar ações de enfrentamento tático contra a repressão que ainda perdurava em nome do Esquadrão de Moral Pública da época, que, em numerosos Países tem numerosos nomes com o mesmo intuito, proibir, reprimir e, quando possível assassinar. Este exemplo, não poderia deixar de ser lembrado e, dele, não podemos deixar de buscar lições.

Obviamente que não propagamos aqui a condenação em relação a qualquer aspecto dos "estereótipos ideais" que criticamos. Os exaltamos para evidenciar o quão simplista e formatador é o movimento da ideologia burguesa a serviço dos interesses do capitalismo que transforma o indivíduo, cujas potencialidades são enormes e tendem ao infinito, em elementos formatados, rígidos, secos, limitados e reprimidos em todos os níveis, sobretudo pelos padrões machistas, homofóbicos e racistas que fundamentam esta ideologia.

Os lutadores de Stonewal diziam :  
"times were a-changin'. Tuesday night was the last night for bullshit.... Predominantly, the theme (w)as, "this shit has got to stop!"Participante anonimo. Ou seja, esta merda tem de parar. Em inglês, inspirador. 
A opressão e "guetorização" dos GLBTT's tem de terminar e, mesmo com o brilhante e inspirador exemplo de Stonewall, sabemos que ainda demos pouquíssimos passos no sentido de avançar para sua "liberação", sobretudo, porque sabemos que estas tarefas envolvem, como buscamos demonstrar, um questionamento mais profundo da sociedade de classes na qual estamos.

Apenas questionando os estereótipos, os "dever-ser", a dinâmica de apropriação de um lado e de segregação de outro estabelecida pelo capitalismo em relação aos "indesejáveis"; somente buscando construir uma sociedade que se livre de todo o culto à aparência e busque a essência; somente construindo escrupulosamente uma sociedade cuja produção esteja a serviço das necessidades da maioria da população e não do lucro de uma fração ultra-minoritária da sociedade, os capitalistas; somente construindo, hoje, no pequeno, polegada por polegada, uma Contra-moral, uma legítima moral revolucionária, que se paute pela Liberdade Sexual completa; somente construindo uma sociedade que se paute por uma moral que não se pauta na auto-repressão, no auto-flagelo, na discriminação, na segregação, mas sim na completa autodeterminação pensada e organizada coletivamente; somente assim, refletindo e construindo tudo isto e muito mais, é que avançaremos na perspectiva da superação de nossa opressão, seja qual for.
O capitalismo merece e PRECISA perecer


 O capitalismo é um sistema econômico e social Podre e decrépito, baseado na exploração, na mentira e na transformação das massas em objetos de uma ínfima minoria. A ideologia Burguesa teve muito esforço em caracterizar a doutrina marxista, no que diz respeito ao que prega acerca do desenvolvimento do individuo e acerca das questões cotidianas e "morais", como um sistema de idéias que pregava o Rígido, estreito e o castrador. Não é difícil lembrar da propaganda anti-comunista que colocava lado a lado milhares, com fardas verdes, pastas de dentes iguais, vivendo em ocas gigantes e completamente alienados.

Na realidade, é nesta inverdade que se evidencia o principal medo e este é o recurso ideológico mais desesperado e de apelo ao velho que a burguesia internacional lança mão. Hoje, milhões passam fome enquanto bilhões de alimentos são queimados todos os dias. Igualmente, bilhões estão relegados ao desemprego e observam a face cruel de suas mortes sem perspectiva. Milhares e milhares de recursos, terras e bens nas mãos de pouquíssimos capitalistas e bilhões de desalojados, desabrigados, desprovidos de terra, moradores de Rua, etc. As idéias, os costumes, os valores, o aceitável é um padrão que se vende em lojas e homogeniza as intenções e os desejos- ou a repressão destes-...

Lutamos pela liberação desta lógica de opressão. Pelo fim desta sociedade e por uma cuja produção esteja a serviço de produzir e garantir, sejam remédios, alimentos, casas, transportes, etc e etc, a maioria da população conforme precisem. Somos pela transformação desta ideologia castradora e pela completa liberdade sexual, pela libertação da produção artística, pelo livre desenvolvimento da individualidade de cada um, dentro de uma sociedade dirigida CONSCIENTEMENTE e coletivamente.

Digam-nos: O que lhes soa mais castrador e arcaico? O que a sociedade capitalista tem a nos oferecer?

STONEWALL e o exemplo de seus lutadores, se organizando de modo independente e se aliando aos setores de jovens e trabalhadores negros, das periferias, contra os patrões e capitalistas castradores representados pela Polícia, nos indicam um caminho diferente do "PINK MONEY", da "integração burguesa" e de toda a opressão que nos reservam os espectros do velho.

AVANTE!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

AS “GUEI” DESPOLITIZADAS, E O PRECONCEITO INVIZIBILIZADO.


Tim Maia já dizia “Este país não pode dar certo. Aqui prostitua se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia, e pobre é de direita”.

Não é curioso, como de modo geral, uma grande minoria (que paradoxo!), se revela tão pouco conhecedora de suas próprias causas? Já notaram negros fazendo piadas de negros, gordos, fazendo piadas de gordos, e loiras fazendo piadas de loiras? Estranho não é? Não seria estranho, se pensarmos que a melhor forma de fugir do preconceito, é transformá-lo numa grande piada. E nesse tom amistoso e simpático, transformar o cruel preconceito, em práticas veladas e invizibilizadas, de forma que estatisticamente falando, ele não exista. Alguns insistem em acreditar, que o preconceito foi enterrado sem chances de ressuscitar. Fazer parte de uma minoria é claramente à condição menos vantajosa que qualquer pessoa pode viver, mas ser minoria sob a ditadura da maioria ainda pode ser considerado a pior de todas as condições que uma pessoa pode ser submetida. Padrões de normalidade, convenções e paradigmas são as justificativas mais usadas para manter o poder de decisão nas mãos da maioria. Mas eis que a maioria, ainda não conseguiu entender, que só é maioria, por que não passam de uma massa acéfala e manobrada pelos muito bem politizados defensores, de uma família que não existe mais, de uma moral que não existe mais, de uma ideologia dominante, sob toda uma classe. Quando dentro de uma mesma classe vitima de preconceito existe uma manipulação de poder, e diferenças naturais entre si, a organização se torna um eterno e infrutífero debate, que nunca chega à fase de execução. Os negros tiveram uma vantagem nessa luta, negros não se escondem em armários, e pintar-se de branco, ia dar bandeira, então, por não ter onde se esconder, o jeito foi encarar a briga de frente. Enquanto o gueto for gueto, enquanto o gueto não tomar sua posição, não tiver opinião, e estiver mais preocupado com o mega hair e os cílios postiços, o ultimo álbum da Lady Gaga, ou como vai se produzir para a balada do final de semana, o gueto permanecerá gueto. Enquanto estiverem confortáveis em seus armários sórdidos, fazendo piadas de si mesmo, tendo medo de si mesmo, e dando desculpa a leveza e o humor da vida, que não pode se perder, uma minoria ainda menor sem sua ajuda, luta pelos seus direitos de ser livre. Enquanto te dizem que esta fora dos padrões de normalidade, você cria um preconceito de si mesmo, corre de si mesmo, e prefere acreditar que é tão normal quanto os outros da “maioria”, mas você não sabe, que normalidade, ou normas, são imposições extrínsecas, da própria maioria, na intenção de igualdade, inibe as diferentes individualidades. Normalidade e naturalidade são duas coisas distintas, isso deveria ser dito e compreendido, todos nós podemos seguir normas, basta querer, você pode ser normal, mesmo desejando internamente ser justamente o contrário. Mas por que ser algoz de si mesmo? Ser negro, por exemplo, é natural, se alguém diz que não é normal, ou que as normas impostas não permitem a negritude, o que há de se fazer? Tudo vai depender das normas criadas pelos homens da maioria, por que normas são leis, tem pena, tem julgamento, e isso é um modo como a sociedade encontrou para se organizar. Se nós não compreendermos os interesses que movem a sociedade, se não tomarmos consciência de nossa classe, se não tomarmos partido, se não sairmos de cima do muro, ou de dentro do armário, se não freqüentarmos a escola, as rodas de debate, se não lermos sobre o assunto, se ficarmos na inércia, esperando que os outros façam por nós, ou achando que votar, é fazer a sua parte, o resto fica a cargo de quem você votou, enquanto suas preocupações forem o teu umbigo, o que não tem nada a ver com política, enquanto política for algo que você odeia, os meus direitos vão correr um sério risco, de serem engolidos pela falsa maioria, e seus padrões de normalidade, suas tradições e convenções, seus paradigmas, e o preconceito invisível que nos cerca, tão dentro do armário quanto os cérebros de cebola que nos representam. É preciso ASSUMIR para si a responsabilidade e a seriedade necessária, antes que as normas invisíveis nos condenem ao silêncio eterno, e nos transformem em piadas, estereótipos, e personagens fictícios de novela de horário nobre.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O EMPIRISMO DA AMIZADE


Sobre qual a maior forma de entender a importância e o tamanho do conhecimento adquirido, é identificá-lo, de acordo com todas as experiências vividas, experimentadas, postas em prática, seja no âmbito da objetividade, ou da mera subjetividade, já que alguns a desprezam, com tanto ardor, neste mundo gerido a provas cientificas numa extremidade, e sandices religiosas em torno de uma fé maniqueísta noutra. Eu, que não sou pesquisador da amizade, menos ainda das relações interpessoais, reconheço que seria ousado dizer alguns pensamentos meus sobre esta dúbia temática, mas ousado, sei que sou, e no campo do empirismo, e das práticas, qualquer um, pode vomitar seus conhecimentos hermenêuticos, publicáveis ou não, nas redes sociais virtuais, ou mesmo reais, sendo ambas as redes tão entrelaçadas como são.
Não sei bem ao certo por que escrevo sobre amizade, sinto que tem relação com uma mistura de saber empírico, com uma não compreensão das entrelinhas. E talvez por não compreender a fundo como se dão estas relações na sua radicalidade, me pergunto e me surpreendo com as várias interpretações que acometem minhas próprias relações. Com as experiências vividas constatei dois tipos de amizades significativas no que tange os conflitos e as contradições imanentes as relações fraternais, a amizade coletiva, e a amizade individual compartilhada.
Amizade coletiva, em suma, diz respeito a relações que se mantém de modo interdependente entre mais de duas pessoas, três, quatro, ou até um grupo maior de amigos, que trazem em comum justamente as ligações criadas em função do grupo, e que não possuem independência ou individualidade, ou seja, neste caso, a amizade esta consolidada em uma convivência também coletiva, não permite continuidade para além de situações que se prendam nos assuntos comungados entres os integrantes deste modelo de amizade. Normalmente, neste caso, você liga para fulano e sicrano, que só sai contigo se beltrano também for. O grupo de amizade coletiva se mantém de modo situacional sem todos os integrantes, mas não de modo permanente. Conflitos gerados isoladamente podem refletir na continuidade dos laços, visto que a interdependência sujeita-se a todas as situações advindas deste modelo de amizade. Não se pode considerar este modelo de amizade, superficial, ou falsa, mas pode-se caracterizá-la enquanto frágil, por depender de muitos fatores externos, e vários temperamentos atuando sob uma mesma relação. A amizade coletiva, também pode ser vitimada pela própria amizade individual, que é responsável direta pela dicotomização de amizades coletivas.
A amizade individual se refere a outro tipo de relação, que se baseia em pilares um tanto mais profundos e estáveis. Porém não menos intensa nos conflitos, cheia de cobranças, ciúmes e possessividade. A amizade individual normalmente é mais duradoura, não depende da interferência nem da presença de terceiros. É movida pelo mais alto grau de sinceridade e cautela, tem base no companheirismo, tanto nos momentos de alegria, quanto nos de tristeza, diferente das amizades coletivas, que na maioria das vezes lhe causa uma sensação de vazio, e dá a impressão de solidão meio a multidão. Uma amizade individual só existe por que ambas as partes compartilham de preferências semelhantes, ideologias, visão de mundo, e características que se encaixam, são pessoas que podem ficar dias conversando, sobre um mundo de coisas sem o tédio, sem a obrigação, sem medo de o assunto acabar. Ou mesmo, são capazes de permanecerem no silêncio por varias horas, quando olhares falam por si sós. Amizade individual tem a vantagem de ser única, e representar um laço mais difícil de ser desatado. Mas não significa eternidade, também sofre seus desgastes, com menos interferências externas, e mais internas, produzidas da própria relação.
As amizades coletivas e individuais interferem uma na outra, por uma amizade coletiva, caracterizada pelos momentos divertidos e leves, pode ocorrer um distanciamento egoísta das amizades individuais, uma fuga da estabilidade, e também a amizade individual pode te deixar dividido entre os mundos distintos que se criam, e a impossibilidade destes caminharem juntos.
No fim das contas, entendemos tão pouco de tudo isso que rodeia as amizades, no fim, de empírico mesmo, só a solidão, por opção ou não, tão mais palpável que qualquer expectativa em outrem. Não é discurso derrotista, nem de vitima, são apenas constatações das vivencias e dos experimentos. E tudo isso só revela, que a amizade é um mal necessário, seja lá qual for o modelo, ninguém vive sem, mesmo que para isso, tenha que imaginá-la, ou inventá-la.
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