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sexta-feira, 15 de julho de 2011

AS “GUEI” DESPOLITIZADAS, E O PRECONCEITO INVIZIBILIZADO.


Tim Maia já dizia “Este país não pode dar certo. Aqui prostitua se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia, e pobre é de direita”.

Não é curioso, como de modo geral, uma grande minoria (que paradoxo!), se revela tão pouco conhecedora de suas próprias causas? Já notaram negros fazendo piadas de negros, gordos, fazendo piadas de gordos, e loiras fazendo piadas de loiras? Estranho não é? Não seria estranho, se pensarmos que a melhor forma de fugir do preconceito, é transformá-lo numa grande piada. E nesse tom amistoso e simpático, transformar o cruel preconceito, em práticas veladas e invizibilizadas, de forma que estatisticamente falando, ele não exista. Alguns insistem em acreditar, que o preconceito foi enterrado sem chances de ressuscitar. Fazer parte de uma minoria é claramente à condição menos vantajosa que qualquer pessoa pode viver, mas ser minoria sob a ditadura da maioria ainda pode ser considerado a pior de todas as condições que uma pessoa pode ser submetida. Padrões de normalidade, convenções e paradigmas são as justificativas mais usadas para manter o poder de decisão nas mãos da maioria. Mas eis que a maioria, ainda não conseguiu entender, que só é maioria, por que não passam de uma massa acéfala e manobrada pelos muito bem politizados defensores, de uma família que não existe mais, de uma moral que não existe mais, de uma ideologia dominante, sob toda uma classe. Quando dentro de uma mesma classe vitima de preconceito existe uma manipulação de poder, e diferenças naturais entre si, a organização se torna um eterno e infrutífero debate, que nunca chega à fase de execução. Os negros tiveram uma vantagem nessa luta, negros não se escondem em armários, e pintar-se de branco, ia dar bandeira, então, por não ter onde se esconder, o jeito foi encarar a briga de frente. Enquanto o gueto for gueto, enquanto o gueto não tomar sua posição, não tiver opinião, e estiver mais preocupado com o mega hair e os cílios postiços, o ultimo álbum da Lady Gaga, ou como vai se produzir para a balada do final de semana, o gueto permanecerá gueto. Enquanto estiverem confortáveis em seus armários sórdidos, fazendo piadas de si mesmo, tendo medo de si mesmo, e dando desculpa a leveza e o humor da vida, que não pode se perder, uma minoria ainda menor sem sua ajuda, luta pelos seus direitos de ser livre. Enquanto te dizem que esta fora dos padrões de normalidade, você cria um preconceito de si mesmo, corre de si mesmo, e prefere acreditar que é tão normal quanto os outros da “maioria”, mas você não sabe, que normalidade, ou normas, são imposições extrínsecas, da própria maioria, na intenção de igualdade, inibe as diferentes individualidades. Normalidade e naturalidade são duas coisas distintas, isso deveria ser dito e compreendido, todos nós podemos seguir normas, basta querer, você pode ser normal, mesmo desejando internamente ser justamente o contrário. Mas por que ser algoz de si mesmo? Ser negro, por exemplo, é natural, se alguém diz que não é normal, ou que as normas impostas não permitem a negritude, o que há de se fazer? Tudo vai depender das normas criadas pelos homens da maioria, por que normas são leis, tem pena, tem julgamento, e isso é um modo como a sociedade encontrou para se organizar. Se nós não compreendermos os interesses que movem a sociedade, se não tomarmos consciência de nossa classe, se não tomarmos partido, se não sairmos de cima do muro, ou de dentro do armário, se não freqüentarmos a escola, as rodas de debate, se não lermos sobre o assunto, se ficarmos na inércia, esperando que os outros façam por nós, ou achando que votar, é fazer a sua parte, o resto fica a cargo de quem você votou, enquanto suas preocupações forem o teu umbigo, o que não tem nada a ver com política, enquanto política for algo que você odeia, os meus direitos vão correr um sério risco, de serem engolidos pela falsa maioria, e seus padrões de normalidade, suas tradições e convenções, seus paradigmas, e o preconceito invisível que nos cerca, tão dentro do armário quanto os cérebros de cebola que nos representam. É preciso ASSUMIR para si a responsabilidade e a seriedade necessária, antes que as normas invisíveis nos condenem ao silêncio eterno, e nos transformem em piadas, estereótipos, e personagens fictícios de novela de horário nobre.

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