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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Engano ou racismo internalizado e invisibilizado?



Na ultima semana Michel Teló em solidariedade a onda de comentários racistas a Maju que apresenta as condições e previsões climáticas no Jornal Nacional, resolveu pintar metade da cara de preto.

Existe algum problema nisso?

Para a maior parte da população que se considerou #TodosMaju não há problema algum nessa manifestação, por que Michel Teló é um menino bom, e diante de sua índole, jamais faria algo racista.

A verdade é que ser racista não é necessariamente um engano, o racismo esta entranhado no imaginário e nas ações sociais. O racismo foi construído historicamente e se manifesta muitas vezes em nosso subconsciente, por tanto a maioria da população entende que ser racista é algo negativo e condenável na sociedade, e por saber disso sempre que comete uma ação racista nega veementemente, afinal de contas, quem quer ser considerado racista?

Assim como Michel Teló a população massiva não consegue compreender por que um homem branco pintar a cara de preto para se manifestar contra o racismo, nada mais é que o próprio racismo externalizado com tudo o que a de pior. É preciso entender aqui que não se trata de condenar Michel Teló pela sua atitude, e não se trata de procurar cabelo em ovo, ser implicante, ou ver racismo em tudo, como a maioria da população insiste em dizer, aquela velha história dos negros vitimistas.

A questão vai muito além da ação particularizada, ela se estende por exemplo aos comentários que trazem justamente a reportagem sobre o caso de Michel Teló na Folha, todos considerando um exagero dizer que a ação reproduz e reforça o racismo, e tratando os negros como vitimistas e extremistas, como quem diz, “negro vê racismo em tudo, negro não quer igualdade, negro quer privilégios”. É preciso dizer que negro não vê racismo em tudo, negro só vê o racismo que ele mesmo sente, que ele mesmo sabe e conhece desde quando ele nasceu, por que a cor da pele dele, não é uma tinta que sai com água, faz parte dele, e essa mesma cor de pele foi motivo de muito sofrimento diante do racismo, como o que passou a apresentadora da previsão do tempo Maju, ou já nos esquecemos do racismo que ela sofreu por conta da cor de pele dela?

A maioria da população não esta acostumada a problematizar o racismo, muito pelo contrário, para ela a simplificação e o reducionismo é a regra. O mesmo que pinta a cara de preto em manifestação contra o racismo, é o que diz que somos todos humanos e somos todos iguais, como se a ideia de que somos todos iguais fosse o suficiente para que efetivamente fossemos todos iguais dentro da sociedade. São os mesmos que dizem que o racismo acontece muito isoladamente, ou que para acabar com o racismo a gente precisa parar de falar dele, ou seja, os negros precisam silenciar-se, como sempre tiveram que fazer, nas senzalas, e nos quartos de empregados.

A população vê este caso de modo banalizado por que culturalmente a história do negro foi banalizada, foi tratada como desimportante. A escravidão já passou é hora de virar a página, dizem. Nas escolas muito pouco se estuda sobre a história e o papel dos negros na história do Brasil, tudo é visto do ponto de vista dos colonizadores e aristocratas, e deste modo, mesmo a maior parte da população sendo negra, e pobre ou classe média, vai reproduzir os discursos da classe dominante, que é o que ela aprendeu na escola.

A população não sabe o que significa o Blackface e pouco esta interessada em saber o que é isso, por que como eu disse anteriormente, para ela o fim do racismo depende justamente de não falar de racismo, então ela não esta disposta a estudar e a pesquisar sobre isso, para saber quais as influências disso na atualidade. O branco classe média esta menos interessado ainda em problematizar, pois ele não quer complicar, ele esta acostumado com os privilégios sociais de sua cor, e diante desses privilégios fica muito fácil reduzir o debate sobre o racismo, ao discurso do somos todos iguais, ou a pintar o rosto de preto e tentar promover campanha na internet.

Eu não vou falar sobre o Blackface e seu significado, quem quer saber que vá atrás, e quem não quer saber, a gente já sabe o por que. Além do que, existe uma coisa chamada emponderamento e visibilidade, quando um branco tenta liderar um movimento contra o racismo, ele está naturalmente reproduzindo aquilo que ele historicamente sempre fez, que é estar a frente, que é ter voz na sociedade, que é ter visibilidade, coisa que os negros nunca tiveram, e mesmo quando se trata de uma luta dos negros, brancos insistem em tomar a frente, como se soubessem o que é ser preto neste país. Ser preto neste país é muito mais que meia cara pintada num dia de sol. Ser preto neste país é fazer parte da maior população carcerária, é ser criminalizado, marginalizado, é ser perseguido nas lojas pelos seguranças, é ver a madame escondendo a bolsa em baixo do braço quando te vê, é ser abordado de forma violenta pela polícia e muitas vezes ser executado sem chance de defesa, por ela, ser preto neste país é ter menores salários, piores empregos, é ter sempre papel de motoristas e empregados nas novelas, é não ter representatividade nas grandes profissões, como direito ou medicina.

Michel Teló não é o culpado, é apenas o produto ou subproduto de uma sociedade racista, que nega se assumir enquanto tal. Uma sociedade que se constrói e se baseia na ignorância, na superficialidade, no reducionismo, na simplificação de tudo aquilo que ela não considera importante. Não é o negro que vê racismo em tudo, é o branco que finge não ver racismo em nada, por que o racismo não o afeta diretamente.



terça-feira, 7 de julho de 2015

O ciclo de monopólio da TCCC em Maringá

Monopólio do transporte público para a empresa TCCC por 30 anos
Isenção de impostos para a TCCC
Aumento do valor da passagem para utilizar a TCCC
Redução de linhas da TCCC na cidade
Paradas de Ônibus precárias
Falta de segurança com motoristas fazendo trabalho de cobrador
Novo aumento de passagem da TCCC iminente
Perseguição de gangues de taxistas a vans "irregulares"
Vans não podem prestar serviço por que a TCCC tem exclusividade de usurpar toda e qualquer moeda do usuário
Táxis são transporte ainda elitizado
Taxistas de Maringá vivem fazendo merda, cruzam sinal vermelho, andam em alta velocidade, são selvagens.
Pessoas não podem dirigir alcoolizadas, a solução de uma Van solucionaria o problema.
Mas a TCCC não abre mão de um centavo.
A TCCC tem negócio de muitos anos com a família Barros/Pupim
O atendimento a população é péssimo
O valor da passagem é a mais alta do Estado
Eu realmente tô tentando entender por que os usuários ainda não tacaram fogo e derrubaram os ônibus da TCCC
Se a TCCC fosse da Dilma o do Lula será que estariam revoltados?
Isso significa que o capitalismo tá dando certo?

sábado, 4 de julho de 2015

Redução da maioridade é combater as consequências não as causas.

Há quem acredite que sou contra a redução da maioridade penal por que defendo criminosos, e me justificam a decisão acertada de reduzir a idade penal para 16 anos por que eles já sabem muito bem o que fazem, mostrando casos de adolescente que já tem dezenas de homicídios cruéis nas costas, adolescentes que podem ora ou outra me vitimar.
Amigos, eu reconheço a crueldade de qual seja o crime, do simples furto, ao trágico assassinato a sangue frio. A desumanidade nas relações humanas me comove há muito mais tempo que você pode imaginar, não venha me tornar indiferente por pensar fora da caixa que você pensa.
Porém isso não é capaz de me fazer acreditar que a violência e a crueldade estão descolados de todo o sistema em que estamos inseridos. A violência e a crueldade são subprodutos de uma sociedade que historicamente lucra com o terror, com guerras, com o medo, com a pobreza. As soluções lançadas para a população são sempre atacar as consequências, nunca as causas, até por que as causas são a fonte de lucro e de domínio de um grupo sobre o outro.
O menor bandido, monstro, assim como o maior bandido, monstro são vitimas não por que são bonzinhos e legais, ou tranquilos, não adianta me dizer pra eu levar pra casa pra cuidar. Eles são vitimas por que são experiencias de laboratório, são verdadeiros frankensteins, foram deliberadamente transformados nos monstros que são, e se foram transformados, existe uma pergunta a fazer. Quem e o que o transformou em monstros?
Muitos filmes de zumbi são assim, mata-se zumbi do começo ao fim, para no fim do filme descobrir que um mentor não tão violento quanto comer um cérebro de alguém, mas muito ambicioso para criar quem o fizesse é que é, o verdadeiro vilão da história.
Que dizer, os monstros existem, eles causam o terror sim, mas enquanto a gente ficar lutando contra esses monstros que são criados e produzidos diariamente pelo sistema e não atacar o criador desses monstros vamos passar a vida com medo, aterrorizados, em clima de guerra, matando uns aos outros e dando lucros a classe dominante.
Enquanto 90% da população carcerária for pobre, e 60% for negra, enquanto o país for a terceira maior população carcerária do mundo, enquanto quem decide sobre isso forem golpistas, políticos velhos, brancos e ricos, enquanto essas decisões forem tomadas para satisfazer financiadores de campanha que são grandes empresas que lucram com o terror e com o medo e a violência versus segurança, enquanto a educação desse país não for no mínimo a terceira melhor do mundo, não existe possibilidade alguma de achar que reduzir a maioridade penal é solução, é justiça, por que não é, se trata apenas de um desejo selvagem e primitivo de vingança, de causar ao outro a mesma dor que o outro causou, ou coisa pior, pelo prazer de vê-lo gemer, gritar, agonizar, sufocar com o próprio sangue na garganta, punindo-o com a mesma violência que se repudia em nome da redução da maioridade penal.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Redução da maioridade penal, e outras atrocidades.

As pessoas a favor da redução da maioridade penal não estão por justiça nem por sensação de impunidade, nem pelo fim da violência e diminuição da criminalidade. Elas estão por vingança, e por entenderem que punição é a lei do olho por olho e dente por dente
Os perfis dos defensores dessa aberração se assemelham muito, os mesmos defendem outras atrocidades como:
Pena de morte, se possível por enforcamento ou fuzilamento em praça pública aos berros dos “homens de bem” dizendo “MATEM! MATEM!”.
Revogação da lei do desarmamento, para que possam “se defender” nessa sociedade hostil e violenta, como se vivêssemos ainda no velho oeste. E como fazem os paramilitares donos de grandes terras quando querem proteger “suas” propriedades.
Aprovar o estatuto da família, para poder discriminar legitimamente todas as formações familiares que não se enquadrem no padrão burguês capitalista.
Dia do orgulho hétero, por que acham realmente que ser hétero nessa sociedade heteronormativa está muito difícil.
São contra as cotas raciais, por que juram que essa é uma forma injusta, e que dá vantagem aos negros, vejam só, negros que num país de pouco mais de 500 anos passaram 300 sendo escravizados.
São contra politicas de redução da desigualdade como Bolsa Família, mas adoram pegar uma cartinha nos correios no natal pra fazer uma boa ação cristã e garantir um lugar no céu.
São contra o movimento LGBT, por que acham que os mesmos estão querendo privilégios sociais, e não igualdade, quando não acham segundo sua religião que os LGBTs não passam de aberrações e pecadores destinados a queimar no fogo do inferno. Cristãos são muito “bonzinhos”.
São contra a demarcação de terras indígenas, por que acham que os índios são sujos, fedidos e já tem terra demais, e não contribuem para a produção de “riquezas” desse país.
São a favor da separação do sul do resto do país, pois acham que o sul, branco, ariano, nazista/fascista de olhos azuis é que sustenta o resto do país e aqueles “nordestinos pobre e burros”.
São a favor da privatização dos serviços públicos por que acham que tudo que é privado tem qualidade. Amiguinhos, como está o serviço da TIM, e como está o plano da UNIMED?
São contra as feministas, por que elas são muito radicais. O machismo é super tranquilo, dá pra levar numa boa não é mesmo?
Acreditam sempre na história do golpe comunista, que é a mais antiga forma de manipular a opinião pública e retomar o domínio sobre as massas amedrontadas e sedentas por “segurança”.
São contra o socialismo, por que são tão simplistas que acham que quem tem e trabalhou muito vai ter que dividir com quem nunca trabalhou. Santa paciência da ignorância e burrice motivada, rogai por nós.
Acreditam em meritocracia, como se tudo se resumisse aos desejos e capacidades individuais, descoladas do modelo social ao qual estamos inseridos.
Defendem a família tradicional e a propriedade privada.
Fazem marcha pela liberdade com Deus.
Servem de massa de manobra para os golpes.
Acreditam na revista Veja.
Adoram Danilo Gentili, Rachel Sheherazade, Jair Bolsonaro, Malafaia, Marco Feliciano, Olavo de Carvalho...
Odeiam o PT.
Odeiam o Lula.
Odeiam a Dilma.
Odeia política.
Odeiam bandeiras partidárias.
Acham Hitler muito inteligente, apesar de ter usado para o mal.
Acreditam mesmo que o homem veio de uma relação incestuosa a partir de Adão e Eva.
Acreditam que o estado é laico, mas não é ateu.
Acreditam que numa democracia, as minorias devem se curvar aos desejos da maioria.
Quando vão argumentar sobre o comunismo ou socialismo dizem que “matou milhões e milhões de pessoas”, citam países que se denominam, ou que foi denominado comunista, mesmo não tendo as caracteristicas do mesmo, tentando desqualificar.
Se orgulham de serem de direita, e de serem capitalistas, como se fossem donos do capital, como se beneficiassem dos lucros.
Em fim, é um perfil que sinceramente me faz perder a fé na humanidade. É um perfil que se alastra feito erva daninha, e me faz ter uma vontade de não viver nesse mundo.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Família Tradicional



Essa é a família tradicional
Respeita os bons costumes
Defende a moral.
Diz que a família é homem e mulher
Do tipo margarina do comercial,
Crianças bem branquinhas, eugenia geral.
Se você não se encaixa, não tem que viver.
Bandido morto é bom, tem que morrer!
Menor já sabe bem, fez por merecer.
Cadeia, prisão, é a solução!
Pena de morte em vida pra socorrer,
As famílias em perigo, em sua mansão.

stop stupid , die my darling!

Pra ela estado é laico, mas não é ateu
Racismo ao contrário, ela diz que sofreu

Essa é a família tradicional
Respeita os bons costumes
Defende a moral.
Diz que dar o peixe, é bolsa esmola
E de barriga cheia, odeia a escola
É anticomunista, mas adora um fascismo
Diz que a evolução é pelo criacionismo.
O homem do barro, a mulher da costela
Adão e Eva e um macaco ateu
Cain matou Abel
Incesto eterno, fudeu!

stop stupid , die my darling!

Pra ela a biblia é lei
E todos tem que seguir
Inquisição moderna para o gay que assumir.

Essa é a família tradicional
Respeita os bons costumes
Defende a moral.
Pratíca o linchamento e se apega com “Deus”
Melhor aquele preto, antes ele que eu!
Odeia o pecado, não o pecador
Travesti morta, como manda o pastor!
Prega na igreja a matança geral
E cria uma cena de “bem contra o mau”.

stop stupid , die my darling

Pra ela todo mundo tem direitos iguais
Mas a minoria tá querendo demais!

Essa é a família tradicional
Respeita os bons costumes
Defende a moral.
Adora a polícia, o BOPE é herói
Intervenção militar, não favela não dói
Isenta de impostos nos templos reais
Hosana, Hosana, é privilégio demais!
Se banca da herança deixada dos pais,
Odeia as cotas, “o esforço é que faz”;
Meritocracia é mantra europeu
Neoliberalista “quem manda sou eu”
“Se aqui eu cheguei, você pode chegar”
“O capitalismo é um belo lugar”

stop stupid , die my darling

Pra ela existe ideologia de gênero
Doutrina crianças a virarem gays
Xvideos nas escolas e o menino efêmero
Vai virar viado em menos de um mês.

Essa é a família tradicional
Respeita os bons costumes
Defende a moral.
O desarmamento é um belo sinal
Do cristianismo fraternal.
O estupro, o assovio, iniciação sexual
É coisa de menino da universal
Meninas que se cuidem
A vagina é de deus
Meninos não respondem pelos atos seus.
Veste uma saia, bota um véu
Menino engole o choro
E traz seu troféu.

stop stupid , die my darling

Pra ela agrega estrangeiro europeu
“Haitiano só quer o dinheiro que é meu”

Essa é a família tradicional
Respeita os bons costumes
Defende a moral.
Pra ela o nordestino é guerreiro da Dilma
Separa o norte e o sul
Quero escravos de cima
Gente que não reclama desde a lei áurea
Lugar de mucama é dentro da senzala
Quarto de empregada é uma mera fachada
Direito trabalhista atrapalha a jornada.


stop stupid , die my darling

terça-feira, 16 de junho de 2015

REAGE VIADO!



O viado não sai da boate, não sai da balada, não sai dos barzinhos, não sai do glindr, não sai do hornet, não sai da UOL, mas não chame o viado para defender o direito das minorias, ele não tem tempo.
Hoje na Câmara Municipal de Maringá foi aprovado em primeira discussão em regime de urgência um projeto de emenda do vereador Luciano Brito do (PROS) no Plano Municipal de Educação (PME) que trata da alteração do termo gênero para sexo.
Eu como professor da rede municipal de educação de Maringá, e preocupado não somente com essa meta, mas com todas as outras que estão contidas no PME fiz questão de estar presente. 
Assim que cheguei na câmara municipal de maringá, que desde sua origem tem estampada no centro da plenária uma cruz, que desrespeita todas as outras religiões e não religiões, me deparei com a seguinte cena: Logo do portão já ouvi alguns gritos, me aproximei da porta e percebi uma movimentação e uma espécie de resmungo ecoando. Cheguei mais perto, não havia como entrar, a câmara estava lotada, completamente cheia, e mais próximo percebi uma espécie de oração, que estava no fim, no término, um AMÉM coletivo uníssono me arrepiou a espinha de ponta a ponta. A câmara municipal por um momento me pareceu qualquer templo religioso, menos uma câmara de vereadores. Eu queria muito sair dali, fugir, correr sem olhar para trás, acordar daquele pesadelo, mas logo ali na porta percebi um punhado de VIADO que REAGE, um grupo pequeno, e a única obrigação que eu tinha, era a de me manter firme , mesmo com o estomago revirando. 
Haviam muitos cartazes, alguns diziam por exemplo: “gênero não!”, “Contra ideologia de gênero nas escolas”, “forma comunistas”, entre outras. Uma menina, ainda criança no ombro do pai empunhava o cartaz com os dizeres “gênero não!”. 
Em vários momentos aquela massa teleguiada por pastores e padres vociferaram dizeres como “FAMÍLIA! FAMÍLIA!”, como se a questão de gênero tivesse alguma relação com o modelo de família a qual eles defendem e acreditam ser o único possível.
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O vereador Luciano Brito discursou 3 ou 4 vezes, e transbordou em proselitismo religioso, mencionou movimento neo-ditatorial, mencionou uma suposta “ideologia de gênero” que segundo ele estaria propondo construir ou incentivar alguma coisa que nem ele mesmo soube explicar, mas que facilmente ele entende como “ensinar as crianças a serem gays ou transgêneros”. Foram discursos longos encharcados de ignorância, desconhecimento, proselitismo, e agrado aos fiéis de sua igreja que lotavam a câmara. Ele foi ovacionado várias vezes, aplaudido sob o coro de ““FAMÍLIA! FAMÍLIA!”, e eu não conseguia entender ao certo, que tipo de família é essa que não permite qualquer outro tipo de família, que não permite que outras pessoas sejam felizes da forma que elas escolheram.
Os VIADOS REAGIRAM mesmo sendo um grupo pequeno, resistiram, reivindicaram e em todos os momentos, os VIADOS foram VAIADOS. Houve quem disse, que “esse viados são minorias, não tem nem que tá falando”, pasmem.
Fez proselitismo religioso também outros vereadores, como Dr. Sabóia, na mesma linha de Luciano Brito, defendeu o fim do termo gênero, sem sequer saber o que significa, seus argumentos como de costume estão baseados no que a bíblia diz. 
O vereador Flávio Vicente reproduziu o mesmo discurso sobre família ser constituída de homem e mulher e mais uma séria de impropérios impronunciáveis.
Falou Mario Verri, que tentou sair pela tangente, falou, falou e não disse nada, e ainda teve que ouvir um “VAI PRA CUBA” por ser do PT. 
Falou também o vereador Humberto Henrique do PT, que deixou claro que votaria pela alteração do termo gênero para sexo junto com Luciano Brito, Sabóia, assim como votaram TODOS os vereadores. 
Enfim, aquilo foi um circo dos horrores. Nunca na minha vida eu havia visto uma câmara de vereadores lotada para discutir o PME. E nunca estaria, se não tratasse dessa questão de gênero. Já alertei anteriormente, os padres e pastores estão fazendo uma cruzada “santa” em favor de uma família que nem eles mesmos conseguem sustentar. As câmaras não estão lotadas atoa, os fiéis estão seguindo as ordens, estão sendo orientados, e manipulados, como sempre foi feito nos templos e nas religiões. Uma multidão incapaz de pensar por si só, seguindo ordens, robôs, alienados e ignorantes.
Este crescimento do fundamentalismo religioso está cada dia mais assustador, e mais assustador são os discursos utilizados por estes fiéis, padres e pastores. A forma como eles estão se organizando, se infiltrando em todas as câmaras municipais, por todo o país, espalhando mentiras sobre o significado de gênero, argumentando da forma mais vil, desqualificando todo um trabalho buscando a igualdade, o fim do machismo, o fim da discriminação, a desconstrução de preconceitos e a inclusão dos transgêneros nas escolas, deve ser levada em consideração, não pode ser ignorada, não pode ser levada na brincadeira. A opinião nós podemos até relevar, mas intervenção no âmbito político, enfiando goela abaixo dogmas religiosos baseado em religião não pode ser admitido de maneira alguma.
Quando é que esses viados vão começar a entender que eles precisam REAGIR? Quando vão entender que enquanto viados tem a obrigação de se posicionar, de militar pelos direitos de toda e qualquer minoria? Quando vão entender a importância de estarem presentes não só nas baladas ou nos sites de encontros, mas também no âmbito politico debatendo, propondo a discussão, lutando, fazendo no mínimo volume, mostrando apoio, mostrando que existe, dando visibilidade ao movimento, que é mais que um movimento dos VIADOS, é um movimento por direito a quem nesta sociedade já nasce sem direitos, e é sempre silenciada quando os reivindica.
Eu to cansado de VIADO postando foto em festa, em balada, CAZAMIGA, jogando conversa fora, falando coisas sem importância, efêmeras, despolitizadas, ausentes, neutras, em cima dos muros da vida. Eu to cansado de preto defendendo o cristianismo sem ter a real noção de como o cristianismo escravizou e tratou os negros. Eu to cansado de mulher que se diz “feminina, e não feminista” como se tivesse sendo genial, e com uma incapacidade mental tão grande que não consegue entender que só tem os direitos que tem hoje, por que feministas os conquistaram, e não “femininas”. Tô cansado também de mulher que vai nessa igreja cristã que sempre pregou a submissão da mulher ao homem. Os únicos que deveriam ainda frequentar essa igreja e o cristianismo, são os homens, cis, héteros, brancos, eles sim combinam com esta religião e com esse deus. 
O resto minha gente, o resto devia estar brigando contra o machismo, contra o patriarcado, contra a dominação instalada há gerações de um gênero sobre o outro, de uma raça sobre a outra, de uma classe sobre a outra.
Ou esses VIADOS REAGEM, ou sinceramente, não tem mais como te defender.

domingo, 14 de junho de 2015

A caridade, o caridoso e a massagem no ego.

O caridoso e a caridade não existiriam, não fosse a desigualdade social. O caridoso e a caridade não fariam sentido se as políticas públicas objetivassem o fim das desigualdades. Como o caridoso poderia sentir-se privilegiado na doação, se não houvesse a necessidade da doação? A caridade vive da pobreza e da desigualdade. Para não morrer a caridade vocifera contra políticas efetivas de promoção real da igualdade. O caridoso apelidou o bolsa família de "Bolsa esmola" O caridoso apelidou as cotas raciais de "O nível das universidades vai cair" e "vitimismo". O caridoso apelidou a pobreza de "meritocracia", e de "deve-se ensinar a pescar, não deve-se dar o peixe". O que seriam dos caridosos sem os orfanatos, cheio de crianças pobres e negras? Mas o caridoso não exita em condenar as crianças pobres e negras da favela quando absorvidas pela criminalidade. A caridade não tem nada a ver com empatia, não tem a ver com se por no lugar do outro. A caridade é uma dependência sádica em estar numa posição superior de opressor, e poder massagear o ego com atitudes magnânimas, limitando e comandando até onde o oprimido pode ir.

Blasfêmia de cu, é rola.

Preguiça desse cristianismo que assassina trans todo dia, e vem com esse ar de choque moralista com interpretação de protesto fazendo alusão a crucificação de um personagem que só tem importância pra quem é cristão. A intenção de protesto é chocar mesmo, se fosse pra garantir direitos de quem já é privilegiado na sociedade a gente chamava de marcha contra a corrupção e andava entregando umas rosas brancas pedindo o fim da violência nos jardins, no Leblon ou em Ipanema. E se chocou tanto, é por que o fundamentalismo religioso está maior do que se pode imaginar. É uma junção de ignorância, incapacidade de interpretação, e incapacidade de se por concretamente no lugar do outro. Os LGBTTS não devem nenhum respeito com o cristianismo, muito menos com o fundamentalismo religioso, assim como negros nem sequer deveriam entrar numa igreja visto o que a igreja já fez, assim como índios, assim como as mulheres. Vai ter trans interpretando jesus sim, e se reclamar, mando fazer a paixão de cristo de salto alto e batendo o cabelo.

O Opressor pede respeito. Insisto, desrespeitem!


É muito fácil exigir respeito para que seja respeitado quando se vive beneficiado dos privilégios sociais. Proponho um exercício simples: Imaginemos que vivemos numa sociedade homonormativa, onde os heterossexuais são vistos como abominações, pecadores e antinaturais. Um mundo onde héteros são perseguidos pelas religiões, são marginalizados, rejeitados pelas famílias. Um lugar onde ser hétero signifique ter que viver escondendo sua sexualidade, fingindo ser o que não é. Então você e um grupo de héteros, cansados de serem perseguidos e assassinados, resolvem lutar, fazer dia do orgulho hétero, fazer protesto, sair as ruas, chamar a atenção, reivindicar direitos, reivindicar pelo direito a viver, o direito de não ser atacado nas ruas pelo que você é, o direito de amar quem você quiser, o direito de formar uma família, o direito a não ser demitido ou ser aceito no mercado de trabalho. E nesse protesto, pra chamar atenção para os héteros crucificados e mortos por serem héteros, resolvem encenar um episódio religioso, como a crucificação de cristo, e ai, a sociedade homonormativa começa a te odiar mais ainda, e a dizer que se você quer respeito, tem que respeitar a religião dos gays. Mesmo você fazendo parte de um grupo que corre o risco de ser morto diariamente por conta de discursos de ódio religiosos, por conta de interpretações de um livro daquela religião, e não só o risco de ser morto que é o pior, mas simplesmente correndo o risco de não poder ser quem você é, de ter que fingir uma vida inteira. Se fizer este exercício e continuar com o mesmo pensamento sobre a encenação na parada gay fazendo alusão a Cristo crucificado, faz-se necessário um processo intensivo de desconstrução de preconceitos.

Submeter e resistir.

Submeter-se tanto quanto resistir causam dor;
A submissão busca mudanças, a resistência busca transformações;
A submissão busca compensação, a resistência busca liberdade;
A submissão é individual, a resistência é coletiva;
A submissão escarnece como se fosse por uma boa causa;
A resistência escarnece por justas causas;
A submissão é a correnteza, a resistência é a piracema.
A submissão acredita saber a totalidade;
A resistência esta certa de não saber,
A submissão pressupõe começos, meios e fins;
A resistência não pressupõe nada.
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