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sábado, 26 de setembro de 2009

Uma pelada com Máuri de Carvalho

Dia desses uma amiga de sala estudando em um horário livre de seu trabalho, com os livros sobre sua mesa, foi surpreendida, com a surpresa de um amigo de trabalho também acadêmico, em relação a literatura que ela enquanto acadêmica do curso de Educação Física desfrutava bravamente. "Saviani?!", esta foi a indagação do amigo, que se identificou com o tema, mas não conseguiu associar Educação Física com E-D-U-C-A-Ç-Ã-O. Não somente esta minha amiga, mas outros companheiros de profissão relatam legitímas repressões, banalizações, pouco caso, desmerecimento, tendo como "agressores des-cerebrados" não somente os tais de senso comum, como também dos "de cultura erudita e senso crítico" acadêmicos da mesma instituição. Pois bem, eis que eu vitimado e especulado quanto a real complexidade e validade do meu curso, também já me deparei com tais comentários infelizes, como: "quantas voltas na quadra tiveram que dar hoje?" ou, "Vocês são responsáveis pela educação do corpo". Ainda relatos de acadêmicos que dizem ser repreendidos por outros quando entram na biblioteca, com frases do tipo "caiu alguma bola aqui dentro?" Ora, faça-me o favor, pseudo intelectuais só por que manejam tubos de ensaio, ou por que são obrigados a ficar trancafiados em uma sala de aula, não consenguem entender nem ao menos como qualquer atividade seja ela fisíca ou mental são capazes de conduzir conexões neurais, aumentando a capacidade cognitiva. O que se espera dentro de uma Universidade é exatamente caminhar para a emancipação dos pensamentos, abrindo caminhos para atingir conhecimentos até então inesistentes. O que se vê é a reprodução de uma sociedade desigual, dividida em classes, que supervaloriza postos inocupáveis, pelos que não possuem uma boa herança genética, ou economica, os filhos dos operários, dos trabalhadores. Os que por toda vida conseguiram tudo a base de muito mais persistência e enfrentamentos, e quando se enxergam dentro de uma Universidade pública, nela também visualizam as diferenças em todos os seus âmbitos. É comum encontrar dentro da universidade pessoas chegando de onibus ou a pé, mas também é comum, pick up, Jeep, carros importados, que para alguns fica difcíl até pronunciar o nome. Realidades distintas. Sim! Essas realidades percorrem por toda a vida, desde o ensino infantil e fundamental, até o ensino médio e superior. Não atoa eu sou completamente a favor da cota social e racial, que tanto alguns pseudo intelectuais tentam introjetar na cabeça dos "de senso comum" ser um reforço do preconceito com as classes. Pois bem, eis que que até o momento as classes sofreram todos os tipos de preconceito que realmente os prejudicaram, e na única vez que esse preconceito vem a favor dos mesmos, agora desprivilegiando os detentores da propriedade privada, um incomodo arrebatador põe em discussão a possibilidade de tornar a escola pública pouco a pouco o local onde todos deveriam estudar. Se os filhos dos médicos, advogados e governantes estudassem em escola pública, concerteza o ensino não estaria esse "bréjo duvidoso", e para que estes sigam para as escolas públicas uma boa solução seria esta, permitir que somente alunos de escolas públicas tenham o direto de frequentar universidades públicas. Pagar por um ensino melhor vai contra a constituição que prevê o ensino igual para todos. Esta é a universidade que queremos? Bem, lendo um trecho do livro de Máuri de carvalho, me deparei com algo interessante sobre o que gira em torno da educação física, voltando assim para o assunto inicial, que mais especificamente me diz respeito.


"Como se manifesta na Educação Física, mormente, nos Desportos a ausência da consciência filosófica da totalidade?

Vejam, é por demais comum vermos e ouvirmos desportistas (inclusive professores "doutores" Em educação física?) dizerem: "desporto é desporto; política é política, essas coisas não se misturam; em minhas aulas eu jamais faço política!". Ora, eu diria que o desporto, a politica e a ideologia são atividades fenomênicas distintas, autonômas, mas são superestruturais, isto é, crescem sobre a mesma base economica, a mesma infra estrutura e, como tal, refletem as contradições imanentes às relações sociais de produção que lhes dão origem. Por ai, é possivel perceber com uma certa facilidade, que há uma relação inequívoca entre desporto, política e ideologia. E mais: "como será possível construir estádios e piscinas, se os orçamentos de guerra ( no Brasil, o serviço da divida externa orçados em 20 bilhões de doláres/ano - gm) devoram as verbas necessárias ao esporte?" (Corbister, 1991, p, 284).
Logo, desprende-se o fato que aponta a subordinação dos desportos ( da saúde, da educação, do saneamento básico, etc.) a determinadas condições que o professor carente de uma consciência filosófica(embora saiba, pressupostamente, toda a sociologia do mundo) ignora, e não sabe que esta é uma  caracteristica do ausente filosófico, não haverá desportos para todos, a tão propalada massificação ou democratização dos desportos (como da educação, da saúde, do saneamento, etc.), sem verbas públicas, e sem uma política drástica de saturamento das "vias abertas" do Brasil.
O desporto é portanto inseparável da política eonomica, Há uma tese, a qual incorporei de há muito, que diz: o desportista que desconheçe esta ligação não somete deixa de servir a causa dos desportos, como se afasta dos meios de defendê-la. E sabem por quê? Por que não possuindo uma consciência filosófica da totalidade, consciência radical, não compreende que tudo se interrelaciona, e por que não sabe do interrelacionamento das coisas e dos homens, não lutará contra as políticas subservientes dos presidentes deste país frente ao filantropismo do FMI e do Banco Mundial.
Daí dizer-se que aos oprimidos cabe, sob os marcos do capitalismo, apenas a resignação à medida em que desejandopraticar desportos - paraquedismo, vôo, vela, polo, etc. - mas sem efetivar as condições das quais eles dependem ( elevação salarial, redução dos preços, investimentos governamentais massivos, suspensão do pagamento da divida, calote, sim! -, enfim, socialização dos meios de produção), não terão eles desportos nenhum (ou pelo menos nenhum daqueles mais sofisticados e retrocitados). Por tanto é pertinete cometar que a filosofia marxista, por levar a crítica às últimas consequencias, pode, por isso, ser definida como consciência critica da totalidade. Destarte, a consciência a-critica, a inconsciência, laborando em cima do abstrato e ensimesmada na especulação não consegue dar conta que é escrava do sistema capitalista. Pensa que é livre e o preço dessa sua "liberdade" é a heteronimia introjetada. Tal consciência, por não conhecer a realidade em suas minímas singularidades, não pode proferir a verdade, e por não poder evidenciar a verdade, não é livre. E por não ser livre, não é cidadã. E por não ser uma cidadã, por não ser livre, não dirá jamais a verdade.

Não compreender que a liberdade e a democracia têm sido, até o dia de hoje, liberdade e democracia para os possuidores e só migalhas do festim para os despossuídos (é) se alocar do lado das classes possuidoras e enganar o povo (O.C.t 38, 1984, p. 375)"


CARVALHO,  Máuri, de. Ilusões e devaneios: contribuição à crítica da Educação Física. - Vitória: UFES Centro de Educação Física e Desportos, 1995 279 p.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um tal de Lenin

"Falar de democracia pura, de democracia em geral, de igualdade, de liberdade, de universalidade, quando os operários e todos os trabalhadores estão famintos, desnudos, arruinados e torturados não só pela escravidão assalariada capitalista...enquanto os capitalistas e exploradores continuam possuindo a propriedade roubada e a maquina "existente" do Estado" (Lenin) ... é gastar saliva.


A lógica esta em nossas "fuças". O segredo de ser rico esta em neon. O que se esconde é somente aquilo que se tornou desimportante e banal, que de fato seria o mais importante numa realidade concreta.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Na primavera vou ser quem eu quiser

Só por que dizem que homens não choram, por que dizem que a cor não é essa, que o modo de andar não é o seu, e que as roupas estão totalmente erradas. Só por que não lembra o comum, por que não é o tradicional, robótico, padrão. Só por que dizem que comer rápido é não perder tempo cozinhando, por que fast food é a "onda" do momento. Só por que os olhos não são claros, e os livros não são lidos. Só por que comer sempre esta errado, gargalhar esta errado, gritar esta errado, estar em total desordem da ordem imposta a tua própria ordem. Só por que dizem que homens não devem ser sensiveis, e mulheres são frágeis, que homens não devem ser educados, e mulheres indelicadas. Só por que dizem que hoje é o dia das mães, dos pais, de Jesus Cristo ou o diabo a quatro. Só por que dizem que deve se dizer senhor e senhora, e que o hino nacional nos representa. Só por que dizem que o reino dos céus será dado aos pobres, só por que dizem que meninos não usam brincos, e meninas skate e bola.Ou só por que dizem que o salto 15 não esta mais na moda, e que na primavera você não deve sorrir nem cantar. Só por que dizem, sem saber de onde vem esta voz paradigmática. E quando disserem que não é quem pensa que é? Que não é humano? Que não é homem? Você o será? Ninguém disse para as flores desabrocharem na primavera, elas apenas são, apenas encantam, como são, independente de cores. Plantas não tem sexo, nem salto 15, e ninguém as diz o que elas devem ou não fazer, elas o fazem.



Que a primavera desabroche, rompa, quebre, desvele suas ilusões egoistas, e seus anseios sórdidos.





sábado, 19 de setembro de 2009

1° capitulo
Um garoto, não como os outros.


Entre as grandes árvores da pequena floresta da cidade interiorana Burkstiville, entre caminhos tortuosos e densos, no chão, uma mochila, e ao seu redor alguns livros caidos, não somente isso para intrigar, ao alto, quase que na copa das árvores, um garoto. Seus trajes: uniforme. Sim ele flutuava como uma pena, sem alterar em nada o silêncio estridente do ambiente. De forma amena, e mesmo assim aterrorizante, o jeito como seus braços estavam abertos lembravam Jesus crucificado, seu rosto inerte, inespressivo, e com os olhos bem fechados, e a sua volta somente o arrastar das folhas umas sobre as outras por intermédio do vento. Lá embaixo o caminho era o mesmo de sempre, no qual o garoto Edward transitava cotidianamente em direção a escola. Lá em cima, algo absurdamente fora do comum, e ao mesmo tempo tão normal, no silêncio inquebrável da pequena cidade de interior. Como um canto de passáro que quebra o silêncio na flora, os olhos bem fechados se abriram derepente, e é como se a lei da gravidade voltasse a reger, e da copa ao chão foi uma queda violenta, por alguns minutos permaneceu ali deitado sobre os livros e a mochila, confuso, tentando entender o que havia acontecido, machucado e maltrapilho recolheu suas coisas e seguiu caminho até a escola. Um vázio estampado no rosto, e um suar nas mãos que seguravam brutamente as alças da mochila nas costas, um enfrentamento de quem fugiria se pudesse, mas estava ali de fronte a todos os cruéis amigos da escola, por que todo adolescente é cruel e muitas vezes maligno, Edwuard sentiu-se observado de cima a baixo, sentiu-se reprovado, repugnante. Todos o perceberam, alguns sentiram pena, outros nojo ou simplesmente indifereça. Por sinal, talvez não tenha ficado bem claro, mas ele não era o garoto mais popular da escola, concerteza não. Talvez até o contrário, muitas vezes nem ao menos era notado, e quando era, o motivo transcendia em comportamentos estranhos, fora do comum, como chegar na escola com roupas rasgadas e sujas, ou seu isolamento, e falta de amigos. Na verdade podia contar com um amigo, Richard, o tipo de garoto que consegue transitar por todos os universos, o da crueldade, dos anonimos, estranhos e inteligentes. Um bom rapaz. Uma compahia salvacionista para Edward, que não compartilhava muitas amizades. Lentamente, ainda com olhar vázio sobe as escadas em direção aos armários, titubeia um pouco para encontrar suas chaves, e quando abre, coloca suas coisas, Richard aparece do teu lado, com um olhar de espanto.
- Amigão, tá num péssimo estado! O que houve?
-Uma pedra no meio do caminho, e um pouco de falta de equilibrio.
-Pedra grande por sinal, pensei que havia sido atropelado(risos)
-Não. A pedra era realmente grande.
-Tudo bem. Venha, a aula vai começar.
Foram então em direção a sala juntos, ao entrar todos se afastaram arrastando as carteiras, como jovens cruéis que são, fulminam com os olhos. Caminhou até seu lugar, sentou-se, permaneceu em total silêncio, a fim de que esqueçessem que ele estava ali. Logo entra a professora, com uma sequidão nos olhos, deseja um bom dia contido e duvidoso, e avista o estado de Edward. Em um tom arrogante, questiona:
-O que houve com você Edward?!
-Nada.
-Oras! como nada?! Melhor não perder tempo mesmo.
Volta os olhos a losa, indiferente. Nesta sala existe um outro garoto, eu diria o mais cruel de todos, Presley. Em suas atitudes, transcendem o seu não importar-se com ninguém. Inclusive com Edwuard, na verdade principalmente com ele, quase como um sádico prazer. Dentro de sala, só para seu prazer quebrou um pedaço de giz, e arremessou em direção a Edward, se assustou, mas nem olhou para trás. Mas a persiguição é persistente, e outro giz o acertou, todos seguravam os risos na classe sórdida. Edward virou-se e disse:
-Por que não joga a mãe de perna aberta?
Furioso Presley levantou-se em direção a ele, e com sangue no olhar perguntou:
-O que você disse seu idiota?! Repita.
Em defesa Edward se levanta e empurra-o e Presley cai sobre a carteira, a professora vê tudo e é dura.
-Você de novo Edward? Não pode simplesmente ser como os outros da classe?
Olha ao seu redor, nem ao menos diz qualquer palavra, pasmo, furioso, as carteiras abrem caminho para que ele passe, ele sai como um sopro de dragão, deixando berros e portas batendo. Depois de sair aborrecido com a arrogância da professora, que nunca o tratou com afeição, decidiu refletir um pouco, desta forma foi em direção ao lugar que mais o acalmava, o lugar perfeito. No meio das árvores, as águas cristalinas caiam sobre grandes pedras escuras, transformando-se num grande lago azul, cercado por um rasteiro gramado verde claro. Não iria para casa enquanto não desse horário do fim de aula, afinal sua mãe não poderia saber do que houve, deitou-se numa grande pedra, e ao som do riacho contra as pedras cochilou. Horas depois acordou, suspirou, pegou suas coisas, e seguiu até sua casa. Com o mesmo olhar vázio de sempre, lentamente subiu a  pequena escada de frente de sua casa, pôs a mão na maçaneta bem devagar, como quem não quer que ninguem perceba que chegou, com passos leves, mas em vão, sua mãe veio de encontro.
-Filho, vá logo suba e lave as mãos, o almoço está na mesa.
Ela meiga, suáve, tenta agradar incondicionalmente seu filho, as vezes acaba até sendo inocente e cega demais no que diz respeito a ele. Ele subiu, jogou a mochila na cama, sentou-se bem na ponta, tirou o tenis, trocou a roupa e foi até o banheiro, lavou as mãos, olhando no espelho banhou o rosto com água, era como se visse dentro de seus próprios olhos, um garoto perdido em si memso, solitário e sentiu ódio de si. Olhos trêmulos, molhados, formara, uma lágrima que nem teve ao menos chance de correr em teu rosto, foi interceptada abruptamente por sua mãos. Então desceu até a cozinha para o almoço. Cozinha simples, bem contemporânea, e ao mesmo tempo conservadora, as cozinhas de toda a cidade eram muito parecidas, eu diria que o sinal da religiosidade, dos costumes da pequena cidade. Ao redor da mesa Edward, seu pai e sua mãe. Quase nem tocou na comida como de costume. E seu pai também como de costume:
-Você nem tocou na comida.
-Não estou com fome.
Um diálogo impressionante.
-Sua mãe disse que não come nada o dia todo. O que esta havendo?...Estamos pensando em levá-lo ao médico. Você quase nem fala.
Com um olhar frio, ficou ali olhando seus pais, estático, sem saber o que dizer, mas logo seus lábios ressecados, avermelhados e quentes sussuraram:
-Não! Só estou sem fome...isso é tão ruim?
-Mas isso pode não te fazer bem,  é só isso que queremos pra você.
 Uma pausa. Um silêncio. Um desvio. Edward quer saber se pode passar a tarde na casa de Rich fazendo trabalho de escola. Sua mãe claro responde que sim, só pede que volte antes do anoitecer, para o jantar. Ele imediatamente se levanta e diz estar saindo. Sua mãe desajeitada com os pratos na mão:
-Nem ao menos vai comer a sobremesa?
-Guarde um pouco para quando eu voltar.
Chegando na casa do Rich, tocou a campanhia, sabendo que os pais dele não estavam em casa, logo Rich abre a porta o cumprimenta e os dois sobem até o quarto para iniciar o trabalho. O som no quarto é altissímo, uma desordem considerável, lençol ao chão, roupas na cabeçeira da cama, mochila na cama, revistas e gibis por todo o chão. Havia relamente um trabalho a ser feito, mas não fizeram nada além de ver revistas eróticas, gibis e ouvir música. Quase no fim da tarde, pouco antes de ir embora Rch disse que havia entrado no time de futebol da escola. Edward olhou reprendendo-o.
-Está louco! A única tática usada por aquele treinador e a de passar a bola para o Presley.
-Não quero deixar de fazer o que gosto por causa de um babaca como o Presley. E eu sei que você também gostaria de jogar.
-Pode ser, mas não vou ser humilhado agora também no futebol.
Rich insistiu muito para que seu amigo também entrasse no time, com muita resistência Edward decidiu por pensar no assunto, com grandes possibilidades de a resposta ser não. O sol já estava se pondo, o céu sofreu uma metarmofose entre cores laranja e rosa, o horizonte junto a ele formavam uma só imagem, enquanto caminhava para casa. Sua mãe lhe pergunta se fizeram o trabalho. Incerto, e um tanto quanto gago responde.
-Fo...foi pra isso que nos encontramos não é?
-Muito bem! Suba e tome seu banho. O jantar esta quase pronto.
Como sempre pegou sua toalha no quarto, caminhou pelo corredor até o banheiro, para o banho. Quando ascende a luz, seus olhos ardem, são luzes claras e pisos claros demais, logos seus olhos se acostumam, ele abre o box, tira a roupa e liga o chuveiro, os olhos saltam fora de sua cabeça de tão atentos, mas na verdade não está, apenas divaga no interrogatório sobre seu modo de ser que seus pais provavelmente farão na hora do jantar. Pensava e se ensaboava, terminou o banho, abriu o box, enrolou-se na toalha e seguiu até o quarto para vestir-se. Ao descer o jantar já estava na mesa e seus pais estavam lá olhando para ele. Não havia como fugir, restou sentar-se, calado e cabeça baixa, tinha mais medo de seu pai, dele partiam as perguntas medonhas.
-Amanhã vamos ao consultório do doutor Ryan.
Edward comia desesperadamente, sua boca estava cheia, mal respirava.
-Por que está comendo desta maneira filho?
-O problema era comer não é? Pois então, estou comendo.
Um pedaço de brócolis pendurado entre os dentes ao fim da fala. Seu pai não se conteve e sorriu.
-O problema não é somente esse filho, como qualquer pessoa normal você precisa de uma consulta.
-Mas eu não quero.
-Não tenha medo, é coisa simples.
Ele olhou para seu pai pensou no que adiantaria resistir, não respondeu mais nada. Seu silêncio foi seu sim. Depois assistiu um pouco de TV, e logo subiu para deitar-se, entrou em seu quarto e trancou a porta, olhou pela janela e por maior que fosse o calor um vento forte soprava balançando as cortinas. Deitado estava imcomodado com o calor, virou-se  e revirou-se na cama até que permaneceu olhando fixamente para o teto, que começou a girar, Edward transpirava muito, comecou a sentir-se pesado, seintiu-se como pesasse toneladas, começou a afundar na cama sendo engolido pelos lençóis, levado para um outro lugar. O céu estava limpido, um azul intenso, o sol brilhava escaldante, os camponeses trabalhavam muito, as crianças brincavam na lagoa, e as jovens camponesas ajudavam suas mães com os serviços domésticos. Foi então que um misterioso vento surgiu de tras das árvores, as folhas secas comelaram a voar sem rumo, o vento trouxe junto nuvens cinzentas, carregadas de raios e trovões. O céu azul e limpído começava a se fechar e um imenso teto formou-se sobre a cabeça dos camponeses que no desespero começaram a correr desnorteados. Naquele momento Edward sente-se incapaz de fazer qualquer coisa, um silêncio mutúo toma conta, as pessoas corriam lentamente, e ninguém o via ali, aquele teto já não parecia estar firme e derepente começou a desabar, as crianças berravam o nome de suas mães, as jovens saiam junto de suas mães em busca dos irmãos, os homens tentavam impedir a destruição da pequena vila onde moravam desde que nasceram.. Os raios caiam violentamente no caminho dos camponeses desesperados, transformando as casas feitas de palha com muito suor, em chamas, chamas que não se apagam com a chuva que de tão forte tapa a visão dos pobres e miseráveis camponeses. Tudo começa a rodar diante de seus olhos e Edward se desespera por não poder ajudar, é tudo muito lamentável. A destruição já não pode ser contida, nada nem ninguém sairá vivo de tamanha catastrofe, se alguém sair contará com fervor tudo o que passou pra sobreviver a tal tempestade. Derepente Edward acorda molhado de suor, ainda tonto levanta e caminha até a janela, percebe  uma chuva forte lá fora que bate e embaça os vidros, o quarto escuro é iluminado por relâmpagos, ele ficou ali por um bom tempo só observando. Percebeu então latidos, seus vizinhos haviam viajado, e o cachorro deles foi deixado preso, molhado ele latia numa lástima interminável, Edward estava ficando irritado com aquilo, não conseguia dormir, estava definitivamente furioso, de olhos fechados, os dentes rangendo brutalmente, todos os músculos do rosto se contraiam, sua artérias pareciam querer sair do corpo. No vizinho o cachorro latia, próximo a uma garagem onde estavam guardadas algumas ferramentas de jardinagem usadas pelo seu dono, Edward queria muito que os latidos tivessem um fim, uma foice suspensa na parede inesplicávelmente se soltou e abriu a coluna do cão em duas, e os latidos cessaram. Edward mais tranquilo conseguiu dormir.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tumor maligno

Eu penso que não adianta ouvir o que tem dentro, por que não há nada. Eu ouço a chuva lá fora, me sinto tão sujo aqui dentro. Não há palavras, nem contos, nenhuma bela história, que me transforme num belo personagem, pois realmente eu não sou. Meus olhos permanecem trêmulos, minha boca seca e quente e os erros continuam os mesmos, minha imagem, meu reflexo, minha sombra por mais que não me pareca comum, são definitivamente minhas. Por mais que ninguém queira, por mais que eu não seja, por mais tortos que sejam os meus passos, eis que eu nunca iria chegar em lugar algum, por que sempre me deram o endereço errado, ou talvez eu tenha sempre escolhido o caminho errado, ou ainda o caminho sempre se torne demasiadamente nostálgico antes mesmo que eu chegue no fim. Por que todo dia eu lembro, todos os dias eu lembro, por que todo dia eu choro por ser assim. Não é a pura imagem no espelho, é o que tem dentro que me distorçe, é o que vejo nos meus olhos que ninguem vê, mas que todos odeiam. É esta jornada nauseante, este caminho sem volta que eu insisto em errar todos os dias. É eu ser um ser humano do polegar opositor, capaz de um raciocínio subjetivo demais, que me faz olhar para traz e perceber o quão eu evolui para lugar algum, olhar para frente e perceber que todos estão tão distantes, e mais uma vez eu me encontro sozinho. É tentar entender o por que tudo o que há de mais importante, mais complexo, mais trabalhoso, não pode jamais passar por minhas mãos, e todas as naturalidades que refletem e partem de dentro do meu peito serão sempre refutadas e desconsideradas em um momento bizarro de desatenção com qualquer outra futilidade. É saber que preocupar-me com o mundo e com toda a miséria que me cerca me fazem ser infeliz e mesmo assim, eu me preocupo todo dia, é saber que a solução é algo do qual eu não faço nem idéia, e provavelmente morrerei sem saber. Eu penso que vivendo, e vendo tudo aquilo que me adoeçe e aduba meu cancêr, eu penso que o dormir e o acordar, que o ir e o voltar, e que o terminar como começou, como se nunca tivesse saido do lugar vai me matar lentamente. Eu penso que eu não estou onde eu gostaria, que eu não sou quem eu queria, eu penso que algo esta definitivamente muito errado, eu penso que toda está lógica demoniaca de sobrevivência a custa da felicidade, e toda esta maldita ansiedade, e toda esta vontade, intranquilidade, e o encurtamento, e a sindrome das pernas inquietas, as cores e toda a sexualidade, toda a falta, toda esta deficiência, o orgulho, a estupidez, a falta de sorte, a descrença, a diferença, tudo, me faz perder, perder a vontade, perder o que eu nunca tive, me faz ter saudade de tudo que eu ainda não vi. Uma saudade que dói, saudade do que foi tirado de mim, prévias saudades do que será levado, só saudades que doem, saudades de tudo que sempre é tão passageiro, saudade de como me tratou ontem, saudade de quando sorriu e disse que eu era importante. Saudade do cheiro da terra molhada, do fim do dia com tua chegada cansada, saudade de mim. De quando me ouviam.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Não é acaso.

Janela Lateral, margem, de lado, distante, deixado, esquecido, em um ponto neutro, imperceptível, mas não imune, pois o vento sopra aqui também, trás doenças, tristezas e decepções. Janela não é atoa, é por falta de porta, de espaço, de saída, de entrada, é por não fazer parte, mas presenciar de longe toda a arte, é de onde eu tudo vejo, vejo, vejo, vejo e não vivo. Fechar a janela não é tão simples, implica em dor fisica, em sangue, em medo e desapontamentos. Implica em solidão eterna, escuridão, um novo macábro. Covardemente eu mantenho a janela assim, como está, entreaberta, para não ser notado, para que não sintam pena, nem desprezo para que não joguem pedra, e que não instigue os curiosos. É uma janela sem cor, gelada e sem vida, é fato que poucos a percebem ali, como uma janela, com sua devida importância, por isso não arrisco meu rosto fora dela, ateariam fogo na primeira chance, queimariam minha mascára, e descobririam meus segredos. Minha casa não tem portas nem portões, não tem travas, mas esta sempre fechada, a janela nem é muito alta, mas é lateral, e o que esta de lado não tras beneficios, lucros, ganhos, não dá nada em troca, apenas fica ali, do lado, marginal.
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