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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O pessimismo teórico, o debate, e o abate da massa sarandiense.


Milton Santos já nos alertou para o uso das mídias e da globalização das tecnologias em favor da articulação das massas marginalizadas no documentário “Globalização MiltonSantos: O mundo global visto do lado de cá”, porém em um sentido voltado para a disseminação da cultura popular, e da intervenção da mesma na mídia. O que temos nas mãos é uma arma poderosa, o que nos falta grande parte das vezes é maturidade para lhe dar com tamanha capacidade de destruição, ou construção de uma nova realidade social que se baseie em conhecimentos construídos tanto empiricamente, quanto cientificamente. O estado neoliberal e o novo modelo de sociedade capitalista em sua essência carregam o mesmo ranço de sociedade classista e disputa de poderes que se construiu historicamente no desenvolvimento da sociedade, portanto a luta de classes é um elemento real, não podendo ser considerado uma condição superada, como alegam os "antipobres" e "antiesquerdas", que em uma condição de acefalia produzem o velho maniqueísmo, direita versus esquerda em forma de recorte, desprezando todo o processo que desembocou nesta condição fragmentada de homem e de sociedade. Compreender que os conceitos dissolvidos sobre sociedade de classes pela classe dominante estão mais sólidos do que nunca, é essencial. A ideologia de igualdade estabelecida hegemonicamente configura um estado de inércia, já que corresponde a uma pseudo igualdade disseminada enquanto verdade, enquanto realidade no mundo, nos países, nos estados, nos municípios, em Sarandi, por que a ideologia é universal e se assegura da globalização para construir o baluarte do capitalismo moderno, que se reconstrói não obstante das ideologias contrarias, absorvendo terminologias e significados que caracterizam a luta da classe explorada contra seus exploradores, e confundem, e ridicularizam os movimentos sociais. Assim, diante destas condições, partidos veem-se obrigados a “emburguesar-se”, a engravatar-se, a coligar-se, e a aliar-se para atender a demanda social que cada dia torna-se mais equivocada, imediatista e factual.
         O debate precede um confronto de ideias que convergem e divergem entre si, debates nem sempre precisam ser acalorados, da mesma forma que a serenidade da fala não garante sua legitimidade. Verdades e mentiras podem sair aos berros, ou em tom de veludo, isso não é fator determinante. O debate político de Sarandi não representou um debate de ideias, e de filosofias definidas e bem estruturadas, apenas refletiu escancaradamente a configuração da ideologia burguesa em conflito com a classe dominada representada teoricamente pelo candidato Professor Adauto, o máximo da resistência que temos entre os candidatos. A gestão de Carlos Alberto de Paula (PP) consolidou Sarandi como uma cidade de aparências e do progresso calcado no cimento, atendendo os interesses das loteadoras e construtoras. Obras grandiosas aos olhos de uma população estigmatizada pela despolitização marcaram a administração. Junto com o dito progresso, a ausência de políticas públicas voltadas à qualidade de vida da população, fazendo-nos padecer das agruras de qualquer cidade grande: violência crescendo em níveis alarmantes, trânsito caótico, bairros sem equipamentos públicos suficientes, faltam vagas nas creches e as enormes filas de espera para atendimento especializado de profissionais da saúde, parecem não ter solução. E foi essa linha de raciocínio que ele traçou seus argumentos no debate, um verdadeiro obreiro na cidade, com um senso político visivelmente inexistente, compartilha da filosofia PMDBista e PSDBista, um pensamento elitista e verminoso que se alia aos grandes empresários defendendo os interesses da classe dominante, e garantindo o estado mínimo para a conformação da massa sarandiense, quando o que precisamos é justamente quem esteja na causa dos trabalhadores que constroem com a força física, perdendo a dignidade e a qualidade de vida, a subsistência de toda a sociedade. O candidato Carlos Alberto de Paula é uma força reacionária, é uma extensão do Serra, do Russomano, do Garotinho, do Marco Feliciano, do Kassab, do Pupin e pasmem, do próprio Beto Richa, com apoio ou sem apoio, a ideologia é a mesma, é baseado numa ideia de governo assistencialista, que flexibiliza as responsabilidades da coisa pública, que favorece a instituição privada, que precariza a educação, a saúde e a cultura, e cujo único interesse pela população enxovalhada e humilhada, e culpabilizada pela sua condição de miséria, é a garantia de mão de obra, de força produtiva no mercado.  
         O candidato Walter Volpato demonstra o esvaziamento da consciência política, se enveredando por caminhos sinuosos que não garantem uma resistência, não passa de um objeto de extensão do governo estadual, um braço do Beto Richa em Sarandi seria ser conivente com toda a humilhação histórica com a classe de professores, é inadmissível conceber uma aliança entre classe oprimida e a classe opressora. Ele usa de argumentos tão vazios, como o de residir e construir seu patrimônio todo em Sarandi, como se isso o tornasse acima de qualquer suspeita, como se isso fosse garantia de honestidade, e de legalidade. Ser um grande empresário particular, administrar muito bem o próprio patrimônio se tornou entre os eleitores crucial nas eleições, o que não compreendem é que isso não é o bastante. Nós precisamos acreditar em partidos como o PSTU e PSOL que seguem a mesma linha na mesma coligação. É o partido Do Jean Willys, da Amanda Gurgel que calou o senado com seu discurso sobre a educação, que não é financiado por loteadoras, empreiteiras, empresários, que não tem a propaganda televisiva com a qualidade de imagem Full HD, que não esta preocupado com estética, com imagem, com futilidades e muito menos com os interesses da classe dominante. Que fazem história nos movimentos sociais, que estão do lado das minorias sufocadas pelos padrões sociais vigentes, e que preferem que o poder seja tomado por trabalhadores, por pobres, e não acreditam que só engravatados são capazes de administrar um governo. E se em Sarandi o máximo da resistência que temos é o candidato a prefeito Professor Adauto, e o candidato a vereador Bianco, é nossa obrigação enquanto povo estigmatizado pela violência e pela miséria permitir que nossos representantes saiam do nosso meio, da nossa essência. Não podemos cometer o equivoco substancial da valorização da propriedade privada, e eleger os donos, os pequenos burgueses, a fulana da loja, o fulano da loja de bicicleta, o ciclano dono de garagem de carro, o ciclano da autoescola, por que todos esses vermes são covardes, egoístas e traiçoeiros, e não pretendem representar o povo na prefeitura, e nem na câmara de vereadores, eles vão representar seus próprios interesses, ou de seus aliados políticos.





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