visualizações de página

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O ser convertido.


Ai, em um belo dia de sol, o infeliz, mal amado, sem qualquer resquício de personalidade, atribui a algum acontecimento que parta de uma coincidência, muito frequente dentro do mundo real, a ação de forças divinas e sobrenaturais, e resolve converter-se. Pelo que me parece, esta conversão vem nos últimos tempos ou se tornando frequente, ou tendo mais visibilidade, não sei ao certo. Esta conversão normalmente vem de alguém que teve em parte dos casos, motivações semelhantes a minha para seguir dentro da realidade concreta, que é o oposto de crendices e atribuições das causas factuais e reais a deuses, espíritos, ou forças superiores. Estas motivações partem do mesmo ponto, que trata justamente do sentimento de rejeição a forma como a sociedade esta constituída. No entanto, o caminho posterior a essa concepção de sociedade, é que toma rumos com diferenças abissais. Rejeitar a sociedade como esta constituída deveria motivar ações concretas e inteligentes rumo a transformação da mesma sociedade, e essas ações são ações humanas, e não dependem de orações, muito menos de pensamento positivo, ou intervenção de um ser superior e divino. Entretanto, o ser convertido em luz divina crê que, a sociedade não tem mais jeito, que o mundo deve ser destruído, para que ele dotado de toda sua bondade e benevolência possa gozar do paraíso prometido pelo teu deus. Com lucidez, a diversidade religiosa poderia ser de certa forma o enriquecimento cultural de um povo, suas danças, suas crenças, suas tradições, suas comidas, contudo, o que temos batendo na porta, é um tipo de ser humano ordinário e cretino, que no auge de sua covardia, depois de ter usado e abusado das coisas “mundanas” como dizem, tem a pachorra, de se dizerem convertidos, e pior, alucinados com suas novas condições bovinas partem numa cruzada bíblica, arrebanhando mais imbecis para compartilharem dessa nova vida, que caracterizam como voltada para deus e seus mandamentos bíblicos. No decorrer dessa nova vida, já imbecilizados em demasia, servem sem sombra de duvidas, a pastores com ideologias tão ordinárias e cretinas quanto sua própria conversão duvidosa. Tornam-se volume, massa de manobra e financiadores de interesses políticos e do jogo de poder. Assim aparecem como um obstáculo para a construção da liberdade, da igualdade, da diversidade e do senso critico. São instrumentos de disseminação de ódio, de ideologias segregacionistas, da hegemonia burguesa, e sequer se dão conta disso. A eles não interessa o salário duvidoso do pastor, não interessa o acumulo suspeito de riquezas das igrejas, por que já se perdeu qualquer capacidade de questionar a realidade. O que restou, foi um desejo incontrolável de seguir direto numa bola de fogo ao santo iluminado e abençoado paraíso prometido. Não interessam as dores e injustiças da terra, o que importa é sua salvação individual. Ele até tenta converter os outros com um discurso profético de que deus esta voltando, e caso não o ouça se arrependerá eternamente queimando no fogo do inferno. Curioso como essa bondade dele se contradiz em suas atitudes discriminatórias dentro da sociedade. O ser convertido se sente numa guerra, se sente perseguido por suas convicções religiosas, convicções essas, tão fugazes quanto à chama de um fósforo aceso. Ele alega que a constituição lhe garante direito à liberdade de expressão, e confunde liberdade de expressão com liberdade de ser imbecil, liberdade de ser cretino, liberdade de ser cínico, liberdade de ser covarde, liberdade de professar o ódio e o preconceito. Ai, com toda sua falta de capacidade de raciocínio, se encantam com discursos de pastores que por toda vida se empenharam em enganar, em ludibriar imbecis sem personalidade, buscando sentido para suas vidas vazias. Um pastor com uma bela oratória, eficaz em sua persuasão, retira a credibilidade da ciência, da lógica, da realidade, daquilo que é fato, enquanto da sentido a bíblia, com suas parábolas anacrônicas. Enquanto a ciência não se levantar, firmando suas concepções de modo contundente e popularizado, enquanto não se enraizar a cultura da pesquisa aprofundada, da investigação dos fatos, enquanto não houver uma estratégia de desmistificação dos paradigmas já cristalizados na sociedade, as conversões não cessarão, pois o medo da realidade abre as portas para um abraço forte na ignorância.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pedras na janela

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...