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sábado, 23 de fevereiro de 2013

De Paula sobre o percentual de votos, não passa de um Renan Calheiros



Em resposta aos falaciosos argumentos dos decrépitos e perniciosos defensores da gestão do Prefeito afastado Carlos de Paula, que em devaneios demonstram o caráter duvidoso que os regem alegando o percentual de votos que o elegeu, como argumento significativo para que o cidadão descontente se cale, se emudeça diante de quaisquer que sejam os fatos famigerados que envolvam essa trama política que perpassa por ações subitamente criminosas. Sinto-me na obrigação de ressaltar que se eleição popular fosse garantia de honestidade não teríamos Renan Calheiros no Senado eleito com 840.809 votos, e hoje presidente do Senado.

O que eu quero dizer com isso, é que o fato de o prefeito eleito ter tido uma quantidade considerável de votos, não deve ser justificativa suficiente para que nos tranquilizemos com relação às acusações sérias contra ele, como se ele tivesse garantida sua idoneidade. Se ele conseguiu por meio de estratégias políticas deprimentes, como usar a máquina pública em apoio de sua campanha eleitoral, e estabelecendo centenas de alianças e coligações políticas, chegar ao cargo de prefeito com a grande maioria de votos, devemos muito pelo contrário, manter-nos desconfiados, ressabiados, questionadores, inquietos, e vigilantes.

Esse fenômeno que faz com que grandes corruptos sejam eleitos, muitas vezes até com grande quantidade de votos ainda parece uma incógnita. Poderíamos levar em consideração uma alteração nas urnas, a compra de votos, manipulação de lideranças populares, enfim, uma centena de fatores que levassem a essa estapafúrdia alucinação popular. No entanto, existe um conjunto de fatores que coadunam para que este fenômeno se concretize, que parte da construção ideológica de um imaginário popular sobre política que se paute nas ideias da classe dominante. Dentre estas ideias, temos, por exemplo, a de que todos os políticos são iguais, e de que a corrupção já é algo quase que natural da política, e qualquer honestidade exigida, seria por parte do exigente a mais pura hipocrisia.

Essa concepção deve ser erradicada da face da terra com um belo e bruto chute no traseiro. Não precisamos ficar a mercê de um pensamento pré-histórico, inundado de ignorância e de analfabetismo político. Chega de deixar nas mãos da massa idiotizada a possibilidade de ser manipulada e ainda ter a pachorra de nos apontar como recalcados da política covarde e traiçoeira imposta pela corrupção advinda desse mau caráter burguês por causa de percentuais de votos.

Na verdade temos diversos exemplos de que ser eleito independentemente de quantidade de votos não garante honestidade, e não é justificativa para que a população permaneça estática, com o discurso do “rouba, mas faz”. Segundo uma matéria do Jornal Gazeta do Povo, o Paraná é o segundo estado brasileiro que mais teve prefeitos cassados por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa, entre o fim de 2008 a março deste ano, apontou um levantamento feito pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). No mesmo jornal outra matéria aponta que no Paraná existem 17 prefeitos eleitos com mandato ameaçado. Casos mais graves ocorrem em Colombo, Cambira, Bituruna e Joaquim Távora, onde candidato mais votado não tomará posse em janeiro. Veja abaixo uma tabela listando todos os prefeitos com mandatos ameaçados:



Desde 2008, o Paraná teve dez eleições suplementares. Relembre quais são e quais os prefeitos cassados:

Em 2009

Londrina - Antonio Belinati (PP)

Cândido de Abreu - Richard Golba (DEM)

Em 2010

Ângulo - Erivaldo Lourenço da Silva (PMDB),

Doutor Ulysses - Pedro Julio (PMDB

Enéas Marques - Valmor Vanderlinde (PP),

Tuneiras do Oeste - Walter Luiz Ligero (PMDB)

Em 2011

Itaperuçu - José de Castro França (PDMB)

Bituruna - Remi Ranssolin (PTB)

Kaloré - Adinan Canelo (PMDB)


Em 2012

Espigão Alto do Iguaçu - Osstap Andreiv (PSDB)

Desse modo, diante de todo o exposto neste texto, não há argumentos imbecilizados que possam ser justificáveis no convencimento da população em silenciar-se diante de percentuais de votação. Os 31.079 votos do Prefeito afastado Carlos Alberto de Paula não são justificativas para aguardarmos calados, o andamento das investigações do GAECO, muito menos para pedir sua volta. Como já mencionei no primeiro parágrafo deste texto, se eleição popular fosse garantia de honestidade Renan Calheiros hoje não seria presidente do Senado, mesmo depois do escândalo envolvendo seu nome. Renangate é o apelido dado ao escândalo de corrupção envolvendo o senador alagoano Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de receber ajuda financeira de lobistas ligados a construtoras, que teriam pago despesas pessoais, como o aluguel de um apartamento e a pensão alimentícia de uma filha do senador com a jornalista mineira Mônica Veloso, e mesmo assim ele foi eleito Senador com 840.809 votos em 2010.

O que devemos diante de possibilidades de irregularidades, é sermos enérgicos e radicais, e tratarmos com intolerância a corrupção. Se todos os políticos são iguais, vamos torná-los aquilo que eles devem ser, com nossas atitudes, nossas cobranças, nossos gritos estridentes na frente da prefeitura, na câmara municipal, ou em qualquer lugar que seja. Vamos nos fazer efetivamente presentes, até que eles mudem suas posturas. Nada pode justificar o silêncio e o conformismo diante da atual situação do prefeito afastado de Sarandi e de todo o seu grupo político que está envolvido em denuncias realmente sérias. Não devemos nos submeter mais uma vez a substituição do prefeito pelo seu vice como um “deja vu da corrupção”, em menção ao antigo episódio do Milton Martini. Por isso queremos Novas Eleições Já!



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