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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Desconstruir, para não repetir.

A repercussão nacional e internacional das ações perpetradas pela polícia militar do estado do paraná orquestradas pelo governador eleito Beto Richa e seu secretário de segurança Fernando Francischini efetivamente acenam com possibilidades de mudanças de consciência política e filosófica na sociedade e principalmente na classe de professores deste país? Não, não acenam! Ao que tudo indica, há uma necessidade de não partidarizar, e neutralizar a ideologia que se fragmenta na sociedade enquanto luta de classes. Existe em quem se mobiliza uma necessidade de se auto declarar apartidário, “nem de direita, nem de esquerda”, e isso só demonstra o tamanho do vazio ideológico a qual sucumbimos. Diante das últimas ações da polícia militar por todo o país ao enfrentar manifestações populares, o que me parece é haver uma incapacidade de análise dos dados de modo generalizado, juntamente com o equívoco de refletir sobre as ações partindo sempre do microcosmo e das particularidades, sem deixar de reproduzir os discursos hegemônicos, discursos estes que são os mesmos que ordenam a repressão policial. Há ainda questões conceituais que se distorcem, que frequentemente quando trazem definições ao modelo social vigente são cooptados pela classe dominante, tais como a luta de classes, direita, esquerda, liberalismo, capitalismo, socialismo, comunismo, Estado, leis, política, enfim, significados são alterados a serviço da manutenção do sistema enquanto tal.
Enquanto não houver a consciência de classe, enquanto os papéis sociais não forem realmente compreendidos, a história vai se repetir, vai se perpetuar, com Alváros Dias, Lerners, e Beto Richas. Se não compreendermos que o mesmo grupo político vem alternando no poder, com nomes diferentes, mas com os mesmos interesses, os únicos interesses em se manter no poder, e impor a classe dominada, a cultura dominante de exploração e expropriação, vamos continuar a reproduzir nossa condição de explorados e fragmentados em classes definidas pelo liberalismo econômico.
Apesar de chocar a população as ações da PM contra os professores trabalhadores no centro cívico de Curitiba, muitas ações truculentas de uma polícia militarizada são ignoradas pelo resto do país, em reintegrações de posse, desocupação de terras, casas, prédios, em invasões de favelas e periferias, em abordagens policiais de negros e pobres por todo o país. E mesmo chocado com as cenas de horror em Curitiba, dificilmente a população entenderá definitivamente qual o papel da polícia neste modelo social capitalista, que não tem nada a ver com segurança da população, restringe-se apenas a repressão, e proteção/manutenção do poder e de quem detêm o poder. A população ainda limita-se a sentir-se decepcionada e desacreditada com as ações violentas da polícia, quando na verdade, ações como estas deveriam ser esperadas e óbvias, diante do real papel que ela tem.
Neste momento se acometidos de um milagre da consciência de classe, nos percebêssemos todos pertencentes a mesma classe, a de trabalhadores, se aprendêssemos com os grandes donos do capital sobre corporativismo, teríamos o Brasil lotando as ruas de trabalhadores, sejam professores, funcionários públicos, do setor privado, garis, médicos, empregadas domésticas, advogados, que se fragmentam justamente por não compreenderem o seu verdadeiro papel na sociedade. Temos tanto a entender sobre democracia, e sobre o que democracia significa quando cooptada pelo capital, o caminho é longo, o caminho é árduo, é de desconstrução de conceitos e pré conceitos que vem se cristalizando historicamente. Descontruir não é tarefa simples, exige uma serenidade que poucos possuem, exige um conhecimento mais elaborado e mais amplo, exige uma visão de mundo mais libertária e transformadora.


Neste 1º de maio, dia do trabalhador, desejo consciência de classe, e desconstrução dos conceitos, para que possamos construir caminhos no mínimo diferentes, sejam “certos” ou “errados”, não importa, mas diferentes.

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