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domingo, 14 de junho de 2015

O Opressor pede respeito. Insisto, desrespeitem!


É muito fácil exigir respeito para que seja respeitado quando se vive beneficiado dos privilégios sociais. Proponho um exercício simples: Imaginemos que vivemos numa sociedade homonormativa, onde os heterossexuais são vistos como abominações, pecadores e antinaturais. Um mundo onde héteros são perseguidos pelas religiões, são marginalizados, rejeitados pelas famílias. Um lugar onde ser hétero signifique ter que viver escondendo sua sexualidade, fingindo ser o que não é. Então você e um grupo de héteros, cansados de serem perseguidos e assassinados, resolvem lutar, fazer dia do orgulho hétero, fazer protesto, sair as ruas, chamar a atenção, reivindicar direitos, reivindicar pelo direito a viver, o direito de não ser atacado nas ruas pelo que você é, o direito de amar quem você quiser, o direito de formar uma família, o direito a não ser demitido ou ser aceito no mercado de trabalho. E nesse protesto, pra chamar atenção para os héteros crucificados e mortos por serem héteros, resolvem encenar um episódio religioso, como a crucificação de cristo, e ai, a sociedade homonormativa começa a te odiar mais ainda, e a dizer que se você quer respeito, tem que respeitar a religião dos gays. Mesmo você fazendo parte de um grupo que corre o risco de ser morto diariamente por conta de discursos de ódio religiosos, por conta de interpretações de um livro daquela religião, e não só o risco de ser morto que é o pior, mas simplesmente correndo o risco de não poder ser quem você é, de ter que fingir uma vida inteira. Se fizer este exercício e continuar com o mesmo pensamento sobre a encenação na parada gay fazendo alusão a Cristo crucificado, faz-se necessário um processo intensivo de desconstrução de preconceitos.

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