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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A CÉLULA MATER DA FAMÍLIA DE COMERCIAL DE MARGARINA


Ao ler a  opinião   do leitor do diário,  Juarez Firmino  se posicionando contra à entrevista de um juiz do STF , favorável as decisões relacionadas à união estável entre iguais e a adoção por parte de casais homossexuais, senti-me consternado ao denotar que o preconceito velado ganha diversas justificativas infundadas, desinformam e estimulam o ódio em nome da moral e dos bons costumes da super valorizada família nos moldes tradicionais. Ele questiona o fato das crianças terem direito a optar por famílias tradicionais, desprezando a situação em que se encontram as crianças a espera de uma família. As crianças não precisam de famílias tradicionais, elas precisam de um lar, de amor, respeito e educação, e o provimento dessas condições nunca disse respeito à orientação sexual. A criança pode escolher uma família tradicional, porém eu me pergunto, a família tradicional escolhe a criança? Está claro que, a maioria dos casais busca crianças recém nascidas, de boa aparência, enquanto que as crianças mais velhas vão sendo deixadas de lado. Um estudante de direito deveria no mínimo conhecer os procedimentos utilizados para uma adoção, e compreender que orientação sexual não é fator determinante para definir quem pode e quem não pode adotar. Se a homossexualidade fosse uma opção como destaca Juarez, concomitantemente a heterossexualidade seria também uma opção, abrindo a possibilidade de escolha para ambos os lados, sendo assim, é preciso compreender que se, orientação sexual não é uma escolha, se torna impossível que uma criança se transforme em homossexual pelo simples fato de ter pais homossexuais. Se assim fosse, crianças, frutos de uma relação heterossexual, pertencente a um ambiente heterossexual jamais seriam homossexuais, o que não é verdade. A mídia é capaz de influenciar aquilo que provém dos desejos, do querer humano, não aquilo que é inato ao ser humano, que independe da vontade ou escolha.
Não dá mais para ignorar que o modelo de família mudou muito nos últimos tempos, e isso não é uma questão de ser antiquado ou moderno demais, isso diz respeito às condições que o Estado e o modelo social impõem. Muitos sabem que a origem da família diz respeito à questão econômica, a passagem de heranças materiais de uma geração para outra, porém, hoje família é constituída às vezes de pai e filho, às vezes de neto e avó, de marido e mulher, de amigos, sorte da criança que tem um ambiente acolhedor que se possa chamar de família realmente, não uma família de aparências, tradição e moralidade que na maioria das vezes não passa de uma bela fachada. Casais heterossexuais não são a garantia de um lar adequado para nenhuma criança, vide a quantidade de crianças abandonadas, maltratadas, violentadas, passando fome dentro do seio da tal família tradicional. Ou será que família tradicional não diz respeito as família pobres do país? As garantias são outras, dos quais profissionais capacitados, como os assistentes sociais, investigam a ponto de identificar se existem ou não a possibilidade da adoção.
Qualquer opinião que despreze o mínimo de conhecimento sobre o assunto se pauta no preconceito, que se vale de argumentos torpes, que não condizem com a realidade, distorcem os fatos de modo conveniente com os interesses próprios, como por exemplo, a péssima conduta de botar no mesmo saco homossexualidade e pedofilia, uma, orientação sexual, outra, doença comprovada. Muitos pedófilos são heterossexuais, muitos violentam os próprios filhos, isso é família tradicional? A miséria e a desagregação da família não têm nada a ver com a orientação sexual das pessoas. Todos querem opinar sobre os direitos de uma minoria, isso seria a ditadura da maioria? A imposição dos moldes tradicionais de família, a família que não é tão tradicional assim? Será que os gays estão impondo alguma coisa, ou somente estão lutando pelos seus direitos, enquanto cidadãos, pagadores de impostos, seres humanos, bons consumidores, e eleitores, votam e por isso merecem ser representados pelo Estado. Eles merecem constituir suas próprias famílias. A democracia não pode ser justificativa para relegar os direitos a ninguém. As pessoas não escolhem ser gays, mas podem muito bem escolher ter ou não filhos, isso sim é uma opção, e direito garantido, por exemplo, a casais heterossexuais com problemas de fertilidade.
Em um estado laico, moral religiosa só cabe mesmo em família tradicional, e não decidindo a vida de outros tantos. 

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