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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Bancada evangélica, o inseto teocrático do parlamento.


O zumbido da teocracia ensurdece na pós - modernidade a casa da democracia e do Estado laico, a bíblia se transfigura na constituição brasileira, e os pastores decidem a vida de um povo miscigenado, cheio de diferenças culturais, de raça, de classes, de sexo, como se num nazismo deliberado, as raças arianas fossem agora, as crentes em Deus, brancas, heteronormativas e conservadoras dos valores morais e dos bons costumes. Nada de prazeres sexuais, nada de quaisquer tipos de prazeres que não sejam aqueles que se tem ao receber o dízimo da igreja, do templo, do antro de fé e sabedoria divina, aquela que explica tudo o que a ciência não consegue explicar, ou seria o contrário? Cansei-me de assinar petições, cansei de me sentir de mãos atadas vendo os movimentos sociais que vão contra todo esse tipo de soberania teocrática sobre o povo brasileiro, se movimentando nas ruas, e em troca recebendo pedras, tiros, gás de pimenta, balas de borracha, socos e ponta pés, xingos e humilhações, enquanto risos internos, e gargalhadas espalhafatosas sem um pingo de vergonha se declaram no congresso com a mais pura falta de consideração com o cargo que se ocupa, são ridículos, e agem como se fossem donos do país e do povo que aqui habita, e só agem assim, por que ainda são mínimos os movimentos, apesar de não parecer, e de estar gradativamente aumentando, porém ainda falta articulação, falta planejamento para que os movimentos se tornem maiores e mais significativos. As classes estão fragmentadas bem como o sistema condicionou, os PM’s da Bahia são os mesmos que entram em confronto com civis que se manifestam reivindicando seus direitos, as classes não entram em consenso, e assumem brigas isoladas e individuais. Cada grupo defende seus próprios interesses, e o momento agora é justamente o de buscar apoio dos outros grupos, sem chantagens, sem alianças que mais tarde tragam a tona os mesmos problemas, é preciso de clareza, de um jogo limpo, onde as minorias se tornam maioria não por um ou outro direito, mas por todos eles. O poder sempre foi o poder, e sempre contou com a fácil manipulação da massa, mas diante de nossos olhos, um bando de fundamentalistas religiosos, capazes de decapitar pecadores, e queimar gays numa fogueira está tomando a frente desse poder que nunca foi honesto e integro, e agora se constitui na volta da inquisição e da caça as bruxas.
Como insetos que bebericam sobre as fezes, a frente evangélica, que não consigo entender como chegou ao poder, se empanturram com a ignorância e com o atraso do desenvolvimento dos direitos no Brasil, temas que são polemizados, justamente por essa cultura arcaica, démodé, cheia de “não me rele não me toque”, que é uma cultura burguesa, e faz da ideologia burguesa a ideologia de todas as classes, que se curvam aos seus valores do que é erudito, do que é certo, do que é moral, do que é natural, do que é normal, e assim regem a vida de todos nós. Nesse sentido, pessoas comuns, desinformadas, ignorantes, e sem discernimento suficiente ao ficarem de frente com temas como aborto, homossexualidade, ou ocupação de terras, se apegam a ideologia que já esta inculcada, a burguesa, que não admite novidades, movimentos contrários, adversidades, e que prima pelo privado, pelo poder de uns sobre os outros, usufruindo dos paradigmas a cerca disso.
Não são “moderninhos” como muitos alegam por ai, como alegaram que eram “rebeldes”, ou subversivos na ditadura, são pessoas com capacidade de discernir, e com coragem de expor claramente o contexto abusivo, traiçoeiro, covarde.
Qualquer cidadão comum sabe das injustiças, da pobreza, da corrupção, das diferenças entre ser rico e ser pobre, o que não sabem, é que só sabem aquilo que quem tem o poder, determina que possam saber. Sabem daquilo que é óbvio, mas são incapazes de interpretar, decodificar, e nesse sentido transformar. Por isso, lamentam individualmente, e não sabem de sua força. Enquanto isso, os insetos ignorantes, fundamentalistas religiosos, se descobrem no poder, se descobrem com a faca e o queijo nas mãos, e põe em cheque até mesmo o que há de mais moderno na sociedade, a eleição da primeira mulher a presidente de um país, transformando em jogo político os direitos de minorias, que são usados como moeda de troca, sabe-se lá por quais motivos.
O que me deixa bestificado é tudo isso acontecer mesmo tendo um Estado considerado laico. Sem esquecer que Estado LAICO não tem nada a ver com retirar Deus da vida das pessoas, pelo contrário, é justamente uma forma de garantir a diversidade de manifestações religiosas, fora do congresso. Imaginem só, se a maior parte do legislativo tivessem como religião o islamismo e aprovassem leis de acordo com suas respectivas religiões? O que a CNBB diria sobre isso? Por isso, é inconcebível que uma frente evangélica atue no congresso, baseados em suas crenças e em seus dogmas religiosos, sejam eles quais forem. 
Este movimento contra a homofobia é mais do que valorizar uma minoria especifica, tem a ver com a valorização e o respeito entre os seres humanos de modo geral, respeitando toda e qualquer diferença, seja física, social, política ou a sexual, que é a que esta em questão. Daí que partem os comentários muitas vezes contra este tipo de movimento, por alegarem ter no país uma série de outros problemas que seriam muito mais relevantes e mereceriam muito mais atenção por parte da sociedade civil, como a educação, a corrupção e a violência, mas o que é a marcha contra homofobia se não um movimento organizado justamente contra os políticos que não valorizam o respeito às classes minoritárias, e que usam de cargos públicos para se beneficiarem? O que é a marcha contra homofobia se não um momento de tornar a sociedade menos ignorante e mais educada em relação a um assunto que mesmo que indiretamente lhe diz respeito, vide os programas contra homofobia nas escolas? O que é a marcha contra homofobia se não um ato em repudio a violência contra as minorias, todas elas, não só os gays, mas os negros, as mulheres, as crianças, aos marginalizados socialmente?
Contudo, não adiante esperar de fundamentalistas que entendam e que se posicionem de outra forma que não a posição que tomaram contra tudo aquilo que consideram pecados mortais, não adianta esperar pacientemente que a massa tome o partido das minorias, das quais a própria massa faz parte, é necessária uma força ideológica tão efetiva quanto à ideologia burguesa, que vá contra, que se oponha, e que leve a outro nível de consciência. Se isso se faz com educação, eu acredito, contudo, chegamos numa situação extrema, e só a luta agressiva e violenta me parece ter resultados mais efetivos. Talvez a guerra pela paz seja um vício, ou um ciclo vicioso.

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Pedras na janela

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