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sábado, 4 de setembro de 2010

Do cais

Quando existe amor, quando existe a liberdade de mudar de amor, existe a possibilidade de dor. Quem é deixado de lado pode sim ser feliz, mas sua felicidade jamais será a mesma de quem o deixou. A sensação de traição, o sentimento de que tudo o que lhe foi dito pode ser nada mais que mentiras. É como do cais observar distante em alto mar o navio, do seu amor, junto de outra pessoa. Tendo como companhia somente a brisa do mar sobre o rosto. É desesperador imaginar que a todo o momento se corre esse risco, daí a vontade de desistir, o medo de começar de novo, é o medo de perder de novo. Quando nesse ponto, a reflexão sobre o que se viveu, sobre os fatos é inevitável. Pensar nas possibilidades de ter sido diferente, só se torna mais dolorido. É preciso tornar tudo isso nojento demais, para diminuir a sensação de perda. É preciso transformar o amor em ódio, diminuir o valor daquilo que não mais te pertence, para que se tenha tranqüilidade e desprendimento. Tem que trazer na mente, todas as outras experiências, para não perder o chão de vez. Não se trata de sequidão, ou indiferença, trata-se de necessidade de viver em paz, e para tanto, de alguma maneira é preciso deixar para trás, Terás vontade de brigar, bater, gritar, mas a sensatez não permitirá, de certo fará apenas o silêncio, deixando que se cumpra o que já esta escrito. Palavras neste momento só tornarão tudo mais denso para quem sempre se entendeu pelo olhar, palavras não dizem tudo o que um coração sente, muitas vezes camuflam verdades que seriam duras demais. Por isso do cais só resta observar o afastar do navio lentamente, até que ele se perca no horizonte. Triste é saber que quando voltar ao cais, já não estará mais ali, esperando.

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