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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Carlos de Paula e o processo de "idiotização" sarandiense.




Os maus dizeres da prole desinformada, entorpecida pelo assistencialismo torpe do coronelismo tupiniquim sarandiense, massificada pela ideologia elitista com prerrogativas da superficialidade de uma comunidade que anseia seu desenvolvimento baseada no desenvolvimento de uma ideia de imagem, de estética, produzida e reproduzida para criar a sensação de status quo que a miséria criada à base de paradigmas implora, se enveredam por Blogs e ruas, nas praças e na rede, contribuindo para a nauseante sensação de entender a maioria, mais uma vez, como o cume dos equívocos, dos engodos, e da reprodução da ignorância.
É indiscutível que o histórico político de Sarandi tem como bases fundamentais, aquelas que sustentam tal qual o histórico político da sociedade como um todo. Assola a mente de qualquer indivíduo que se dê o trabalho de analisar os pontos divergentes dessas questões, compreender as ações de cidadania cumprindo com seu papel hegemônico de conservação e manutenção de um Estado burguês, que cria leis burguesas, cultura burguesa, e consequente disso surge este conceito raso sobre as qualidades de que um político deve debelar para administrar um município.
A democratização dos direitos nos revela uma surpreendente cota de dissabores, das quais estamos sujeitos intencionalmente. Este tiro pela culatra vem de uma relação vertical com o Estado, e com a propriedade privada, estes são os que apertam o gatilho. A democratização da escola, por exemplo, criou uma escola utilitarista, instrumento do estado na produção de uma sociedade docilmente trabalhadora, com uma educação incontestavelmente distinta daquela ofertada as elites em outro momento. Junto à democratização dos direitos emergem indeléveis, a construção da ignorância, e a distorção dos conhecimentos, promovendo a conformação da massa, que amortecidas pela sensação da garantia dos direitos pelo estado, estagnam-se diante das mazelas políticas.
A popularização da comunicação e do conhecimento, o tornou menor do que ele deveria realmente ser. Informações reduzidas, imediatistas e desconexas é que chegam à população, se disseminando conceitos falsos sem historicidade. E neste momento que antecede as eleições municipais, há de se considerar a relevância da contextualização dos fatos que envolvem a mídia desnorteada, tendenciosa, que de tão livre permite posicionamentos antiéticos frente à dignidade humana, o mandato inusitado e a candidatura obscura do Carlos Alberto de Paula, seus feitos e desfeitos, e o processo histórico de desenvolvimento da cidade de Sarandi.
A expansão do município se deu, ao contrário do que ocorreu em Maringá, de forma completamente desordenada, sem nenhum planejamento urbanístico ou conjunto de legislação que pudesse definir um plano para a ampliação e o parcelamento da cidade. Em consequência deste descontrole, há grandes vazios urbanos que separam áreas mais próximas ao centro de outras zonas ocupadas, que estão ilhadas em plena zona agrícola. Vale registrar que, historicamente, o município foi vítima da ação de despejo adotada pelo prefeito de Maringá, no período entre l.961 a 1.964, onde as pessoas eram conduzidas para fora dos limites da cidade. Segundo Caniatto (1995), em sua pesquisa realizada através de um projeto de extensão da Universidade Estadual de Maringá, nos anos de 1982 a 1987, a Prefeitura Municipal de Maringá entrou com a polícia e tratores na Favela do Cemitério, derrubando os barracos onde moravam várias famílias oferecendo-lhes uma indenização espúria para deixarem a área. Assim, seus pertences eram colocados em caminhões e deixados na beira da estrada em municípios vizinhos.
                Desta forma não fica difícil entender a configuração do município atual, e sua sede de vingança, de tornar-se tão desumana e elitizada quanto seu algoz histórico, Maringá. Criou-se no imaginário popular a concepção de que Sarandi só será legitimada quando seguir os passos da metrópole vizinha, até bosque esta sendo criado, o nome talvez seja Parque do Andi, referindo-se ao Parque do Ingá. Ironias a parte é desse imaginário que começamos a entender as obrigações inerentes a função de um gestor político enquanto pontos que devam ser levados em consideração em sua candidatura, quando essas obrigações devem ser entendidas apenas como cumprimento efetivo de um papel atribuído a determinado político, ou seja, o conceito popular que vem se construindo se fundamenta no que eles nomeiam de benfeitorias. E isso é o que se pode esperar de uma população assistencialista, que acredita que fazer o bem, tem a ver com doação, com voluntarismo e moralismo. Li em algum Blog o enaltecimento dessas benfeitorias: “A criação da Guarda Municipal, a construção da UPA e do Hospital Municipal, a derrubada do Mutirão e a criação do Residencial Mauá e outros empreendimentos populares, a ampliação do sistema de esgoto que foi e vem sendo feita, os asfaltamentos dos bairros, organização do transito e construção das creches”, que, primeiro devem ser analisadas e discutidas individualmente, no entanto, partem da compreensão supracitada, de que as obrigações inerentes, seriam motivos suficientes para que alguém pudesse de reeleger automaticamente. Ora, e onde fica o ativismo político? A compreensão das desigualdades sociais, o histórico de lutas e a identidade com a classe oprimida? Elegemos os burgueses por que nos consideramos incapazes de gerir a sociedade? Inculcamos a noção de que o poder deve permanecer nas mãos dos ricos, pois tomamos como natural essa designação, e essa superioridade de classes. As benfeitorias pseudo realizadas pelo atual gestor político Carlos Alberto de Paula, não o garantem exímio. Por tanto, há de se considerar que seu condenável envolvimento com o favorecimento de uma instituição privada em detrimento da comunidade, é ponto significativo para sua desqualificação enquanto candidato a prefeito. O simples fato de existir a possibilidade de sua impugnação, deveria ser motivo suficiente para o desqualificarmos, até por que parte de um fato concreto, comprovado que trata da criação de leis em favor de interesses individuais e privados, que ferem na constituição, a garantia da impessoalidade, da honestidade e da moralidade da coisa pública, e por si só deveria torná-lo inelegível independente da corrida eleitoral e da comparação entre candidatos. O processo é bem claro ao descrever as atitudes do Carlos Alberto de Paula, como inconstitucionais:

"(...) denota-se claramente que a Lei nº 1231/205 e a Lei Complementar nº 131/2006, ambas de Sarandi, foram editadas com claro escopo de favorecer a instalação de um posto de gasolina por pessoa jurídica previamente identificada e determinada - L. Menegatti & Cia Ltda excepcionando, somente para ela, a aplicação da Lei Complementar Municipal nº 71/2001, que fixa, de forma genérica, a proibição da instalação de postos de gasolina num raio mínimo de 500 metros de um estabelecimento para outro (cf. fl. 06 dos autos em apenso).
Aliás, a falta de generalidade, abstração e impessoalidade dos atos normativos questionados, justamente por favorecerem pessoa jurídica determinada, impede até mesmo o controle concentrado de constitucionalidade.
(...) Nesse contexto resta evidenciado que a Lei nº 1231/2005 e a Lei Complementar nº 131/2006, ambas de Sarandi, investem contra os princípios constantes dos artigos 5, caput, e 37, caput, da Constituição Federal."

Por tanto não se trata de uma jogada política da oposição como vem sendo disseminado em Blogs tendenciosos e imaturos, ou até mesmo nas emissoras compradas para veicular a favor do interesse burguês. Trata-se, de um processo jurídico real, que envolve inconstitucionalidade e descaso com a coisa pública, e que transcende o recapeamento de ruas principais desprezando a existência de tantos outros bairros muito mais necessitados do asfaltamento, ou a UPA que é um investimento do Governo Federal, e não tem absolutamente nada a ver com a boa vontade do Carlos de Paula, ou ainda qualquer movimento a favor da higienização social como o fim do mutirão, e o remanejamento das famílias, ou ainda quaisquer outras “benfeitorias” realizadas no arcabouço de suas atribuições obrigatórias. 

Um comentário:

  1. Muito bem fundamentando teoricamente o texto, denunciando toda a prática coronelista e o processo de alienação e massificação da política na cidade. Está de parabéns...

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