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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Carlos de Paula, o reacionário revolucionário.



O astuto reacionário, historicamente vem absorvendo os significados de terminologias que em sua essência transbordam o sentido revolucionário. Com a democratização e pseudoigualdade de direitos, essa faceta estratégica teve que ser aprimorada, no sentido de endossar os discursos neoliberais de igualdade, liberdade e fraternidade, como se tivessem um significado unilateral e intransferível. A internalização dos valores burgueses ao longo da historia nos incorporou ideias imbecilizadas a respeito das relações políticas e econômicas que tem intima relação com todas as outras relações que estabelecemos dentro da organização social vigente, o capitalismo. Estas ideias imbecilizadas são as mesmas que nos fazem entender política enquanto algo alheio ao nosso cotidiano, e consequentemente, entendê-la como de fato ela se constitui nos discursos neoliberais, enquanto clientelismo, assistencialismo, disseminando a cultura do estado mínimo para os pobres, que devem se manter atados, a ideia estapafúrdia de estarem sendo atendidos da melhor maneira pelas políticas públicas, e a manutenção do poder econômico nas mãos das grandes indústrias, os donos do capital. Faz parte ainda desse discurso neoliberal a privatização do espaço público e a precarização do mesmo, construindo a ideia de que os cidadãos tem que se responsabilizar pelo seu bem estar social. Esta cada vez mais enraizada no imaginário social que se você quer um serviço de qualidade há de se pagar muito caro por isso, não espere isso da coisa pública. Faz parte ainda desse discurso à necessidade de higienização das periferias, o estado mínimo consiste em propiciar as famílias que vivem em condição de miséria, e esteticamente comprometem a aparência da cidade, a possibilidade de viver feliz em um conjunto habitacional, com casas padronizadas, minúsculas, enquanto isso corrobora com os loteamentos infinitos gerando renda na verdade para os grandes proprietários de terras. Faz parte desse imaginário, a doce ilusão de fazer parte das transformações, e eu me pergunto transformações para quem? Um exemplo claro é a construção de um condomínio de luxo em terras sarandienses, o ECOGARDEN SARANDI que tem seus portões principais voltados para o limite da cidade com Maringá, o que é muito conveniente, e no fim das contas as polêmicas que emergiram se atentam somente a questão superficial que estava sendo disseminada pela mídia, de que o condomínio se chamava ECOGARDEN MARINGÁ, como se isso realmente fizesse a diferença. A diferença real que existe, tem relação, com a disparidade de se ter um condomínio de luxo numa cidade que transfere os habitantes de um conjunto miserável, para casas populares como se estivesse fazendo a benfeitoria secular e legitimadora da própria campanha política. Carlos de Paula é realmente revolucionador no quesito reacionário, nunca se viu alguém conseguir transcender a ideia de conservar o sistema de modo tão embelezador, usando a máquina pública para sua autopromoção, tendo sua campanha financiada pelas grandes loteadoras que visionárias compreendem nos projetos de Carlos de Paula para a cidade, um ótimo negócio para a lógica capitalista de exploração desmedida das riquezas e da força de trabalho alheia. Existe um projeto que deve ser de conhecimento de poucos, com o objetivo de transferir o centro da cidade para a área que hoje se encontra o cemitério da cidade, o quinze. Muitos empresários já iniciaram a compra de terras por lá, enquanto isso felicitamos a burguesia pelo conjunto habitacional Mauá, e pelas reformas estéticas da cidade, que em comparação com prefeitos anteriores, não há o que se discutir. A coligação a transformação continua, é do DEM partido que endossa discursos discriminatórios contra minorias como o caso dos homossexuais, é do PMDB do Kassab que higieniza as favelas queimando-as no fogo do seu inferno particular, tem o apoio do Beto Richa que fez escola tratando os professores como tratou Lerner e Alvaro Dias no passado, é do PP de Roberto Pupin e Silvio Barros que visavam construir um sistema de incineração do lixo na cidade, indiferentes aos aspectos ambientais e aos trabalhadores da reciclagem de Maringá, e por fim, é do PP que tem o candidato a prefeito Roberto Pupin impugnado, assim como o próprio Carlos de Paula, que também corre o risco de ter sua candidatura impugnada por beneficiar por meio da criação de leis os interesses da propriedade privada. 

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