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quarta-feira, 14 de março de 2012

ONDE HÁ FUMAÇA, HÁ FOGO.


Uma foto, um fato, um pelego, um boato. Existe um medo generalizado com relação a manifestações publicas, a greves e reivindicações dos direitos. O medo vem da covardia e da preguiça de pensar, e se mistura com as conseqüências reais, concretas que uma greve pode acarretar. A greve é uma manifestação legitima dos trabalhadores, garantido pela constituição, é um direito, nós podemos. Porém existe uma cultura amedrontada, com receios de que esse tiro saia pela culatra. Não é por menos, alguns dos nossos direitos realmente podem ser um tiro no pé. A greve de modo particular pode ou não ser uma possibilidade quando uma determinada classe da sociedade não esta satisfeita com as condições impostas. Quando existe um movimento organizado, com assembléias, informações e ações que reivindicam melhorias, existe também um movimento contrario movimento este que tenta minar e desqualificar a legitimidade de se ter acesso as melhorias por meio de quaisquer manifestações, organizadas ou não. Um dia ouvi falar sobre uma palavra, a catarse, e como exemplo, para explicar o seu significado, teve o quadro de um trabalhador na fila de INSS que justamente estava com seus funcionários em greve, este precisava de atendimento para conseguir ter suas necessidades garantidas, e num momento de surto, de explosão de sentimentos, diante de todas as mazelas advindas do modelo social capitalista, o trabalhador simplesmente tacou gasolina e tacou fogo no INSS, a catarse do individuo, uma manifestação solitária de seus direitos, regada por depredação de espaço público, infração de regras e leis, enfim, o individuo, trabalhador, requerendo seus direitos foi autuado e respondeu processo por isso. Vejamos como as necessidades é que fazem com que tomemos as atitudes que tomamos independente se do ponto de vista de organização social, isso é moral ou amoral, legal ou ilegal, sendo assim, do ponto de vista capitalista, onde se valorizam o individualismo e o imediatismo, as necessidades dos outros, em momento algum são vistas como minhas necessidades, e se cada um segue um rumo diferente lutando por necessidades individuais a possibilidade de se ter as necessidades atendidas são remotas, visto que somos subjugados a todo o momento, e estamos à mercê de uma justiça não tão justa assim.
Atear fogo no INSS a principio parece tão amoral e ilegal quanto queimar pneus na frente de uma Universidade, e isso tudo carregado da falácia moralista que os ignorantes pequenos burgueses, acéfalos e subprodutos do capitalismo constroem a cerca de qualquer movimento que ameace a zona de conforto, a estabilidade, o cotidiano, a mediocridade de uma vida retilínea, que independe aparentemente dos salários dos profissionais da educação ou da própria precarização do ensino. Estes mesmos acéfalos vociferam contra todo movimentos e contras as pessoas que defendem e organizam, contra quem toma partido, contra quem levanta bandeira, eles querem a neutralidade, querem um interminável dialogo, um fogo brando, uma discussão morna, como se já não tivesse mais do que discutido. Quantas movimentações, manifestações, chamadas, alertas não forma feitas pelos organizadores deste movimento a favor da educação e por conseqüência melhoria para a Universidade Estadual de Maringá? Como alguém ousa levantar a questão de que não foi discutido com a comunidade acadêmica, que a maioria não decidiria por greve, ou que estão agindo arbitrariamente só por jogadas políticas, e como sempre agora os comedores de criançinhas da vez são PSTU e PSOL, ocupando o lugar de “comunistazinhos” safados. “Eu vejo o futuro repetindo o passado, eu vejo um museu de grandes novidades” como diria o saudoso Cazuza, é assim que eu me sinto.
Seria óbvio demais, porém quem não quer entender, não entende mesmo. Por que diabos alguém do ou com consentimento do DCE atearia fogo em pneus nos portões da UEM, sabendo que a espreita tem pelegos loucos para desqualificar a gestão? Não meus queridos! Não estou dizendo que foi um capataz do Beto Richa que fez isso, estou dizendo que gente muito menos gabaritada, com objetivos bem menores, como o de desqualificar todas as ações do movimento, e desmobilizar toda uma classe, seria sim capaz de atear fogo, fazer noticia, e fazer manobra de massa sem nem precisar da rede globo de televisão para tanto, a boiada já está tão treinada, que não precisa nem de ordens, seguem ao pasto por instinto.
Seria muito bom não precisar entrar no mérito de uma foto que causou tanto alvoroço, e que conseguiu pelo menos em algumas pessoas, poucas creio eu, tirar o foco do que realmente esta acontecendo de importante, um movimento pela educação e pela dignidade dos profissionais, que por conseqüência tem relação com os próprios estudantes. Estes mesmos estudantes que se racham entre os que têm clareza de pensamentos e entendem a importância de movimentar-se, e os que banalizam o movimento, o desqualificam, e se justificam apolíticos e neutros, são os que dizem não gostar de política se manifestando e tomando um partido, contra seus próprios interesses, é contraditório, porém faz sentido quando não se sabe ao certo se sabem o que realmente importa, pois o individualismo e o imediatismo conseguem produzir essa inversão de valores, essa fragmentação de necessidades.
Qualquer aprofundamento teórico com relação à divisão de classes e do trabalho para explicar o dia fatídico de hoje seria visto como importante por muitas pessoas que já entendem estas relações e que se identificam com as responsabilidades de se fazer política diariamente, no entanto seria encher lingüiça para uma pequena parcela de bois a caminho do pasto.
De fato não deve ser fácil para quem decidi tomar a frente das lutas, organizar e por a cara a tapa, eu não fiz isso, mas respeito e me sinto sim representado por todo aquele que movimenta céus e terras por ideais dos quais eu acredito, não importa como, por que eu sei que não há movimento sem conseqüências concretas. 

6 comentários:

  1. "Que tipo de pessoa comenta um texto de duas páginas com a palavra "chato"? :s"
    Provavelmente alguém que leu tudo e simplesmente achou o que você escreveu demagógico, pseudo anti-moralista e desnecessário.

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  2. Moço, manifestações são válidas, mas você é muito reclamão.

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  3. Querido (a)
    Pode achar o que bem entender, pode até inventar palavras novas, mas não espere que eu responda alguém que não se dá o trabalho nem ao menos de se identificar.

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  4. Me desculpe por escrever palavras que você não compreende.
    Eu simplesmente não me identifiquei por saber que você gosta de um drama e não pretendo entrar em uma discussão no âmbito pessoal ao ponto de ser utilizado nomes chulos, como "cobra peçonhenta". Eu apenas discordo de algumas das suas idéias, o que é comum.

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  5. Veja que bacana, vc sabe do que eu gosto. Obrigado pela atenção destinada a mim, eu realmente não mereço tanto, fique a vontade para discordar ou concordar com o que quiser. Afinal de contas a rede permite que se opine no conforto de casa, no conforto do anonimato. Parabéns pela coragem.Mas caso ainda tenha alguma opinião para colocar aqui que não seja identificada, simplesmente será apagada bem como as anteriores.

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Pedras na janela

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