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quarta-feira, 18 de maio de 2011

AS REDES SOCIAIS VIRTUAIS E AS TÁTICAS NEOLIBERAIS: HASHTAGS, UM NOVO MOVIMENTO ORGANIZADO.




Por Rodrigo Eduardo 

Entenda-se por redes sociais virtuais todas as redes que preconizam relações interpessoais que se dinamizam num plano fundido pela realidade e pela subjetividade, que ora representam a realidade, ora representam uma idéia de realidade a qual fazemos em detrimento de abstrações acerca do ser humano, enquanto ser individual, e ser coletivo. Dentre as necessidades de inter relação, entre os homens, bem como as relações entre todos os seres vivos nos atentamos as relações que buscam um reconhecimento e uma identificação dentro de uma cultura, e um seguimento social, recorrendo por tanto, as contradições imanentes ao modelo de sociedade a qual as redes sociais virtuais estão inseridas, a sociedade capitalista.
Neste sentido, considerar as relações destas redes sociais virtuais com o modelo de sociedade capitalista, e seus sentidos de livre comércio, exploração da natureza, desenvolvimento de tecnologias, fragmentação das relações, valorização dos sentidos de competição, e produção de mais valia, nos indica um patamar de desarmonia eloqüente, que se interpela sob os aspectos disseminados pela ideologia neoliberal, e pela comoção da burguesia frente a todo e qualquer tipo de instrumento advindo da construção histórica do homem e do seu modo de produção. Nestes meandros, sabendo que este instrumento de lazer da sociedade moderna, ainda que não seja uma exclusividade para a atuação do profissional de Educação Física, trata da ocupação do tempo livre do homem, e, por conseguinte da classe trabalhadora, no sentido da formação em construção, desde a infância, juventude e fase adulta.
Assim, pode-se levar em consideração também o desenvolvimento das forças produtivas, e os avanços tecnológicos, bem como a influência dos meios de comunicação no processo de relações humanas, que indiretamente fazem menção aos meios de comunicação de caráter virtual, como Facebook, Orkut, Twitter, Web Mensenger, entre outros. E neste sentido algumas inquietações emergiram a respeito da temática, como por exemplo: Como esses meios virtuais de relações humanas podem se transformar em instrumentos a favor da manutenção da ordem social capitalista? Esse novo modelo de relações interpessoais pode ser considerado instrumento desarticulador da classe trabalhadora? Existem possibilidades educacionais para esses instrumentos enquanto forma de resistência a ideologia dominante?
Essas inquietações se dão no âmbito de uma sociedade marcada pela inclusão digital, pelo acesso livre aos meios de comunicação, inclusive da classe menos abastada, no que sugere uma forma de ocupação do tempo livre destes, bem como, as atividades de recreação, lazer, que são consumidas de modo a retratar as condições materiais, reproduzindo a divisão de classes e do trabalho, aspecto inerente ao modo de produção capitalista. Assim, estes instrumentos de comunicação são capazes de proporcionar a falsa sensação de liberdade, e a falsa sensação de inserção social, de modo que na maioria das vezes sugere uma fuga da realidade solitária do individuo que se sujeita a jornadas de trabalho ainda intensas, ou mesmo a indivíduos com dificuldades de se relacionar socialmente. Desta forma uma espécie de perfil virtual é criado, representando ou não um determinado sujeito social, que se abstém em grande parte de momentos de contato fora do meio virtual, assim podendo se distanciar dos movimentos de sua própria classe.
Há muito tempo os movimentos sociais tiveram seu auge com a juventude revolucionária ocupando as ruas, movimentando-se em prol de seus ideais. Coerentes ou não, existia o tal movimento histórico capaz de mudar a realidade concreta, o fora Collor é um exemplo clássico destes movimentos.
Com o passar dos anos, e essência destes movimentos estudantis se enfraqueceu de modo geral. A juventude perdeu a capacidade de discutir assuntos relevantes para a sociedade, e perderam o ímpeto revolucionário, sucumbindo-se ao derradeiro jeito conformista de ser, despreocupado com as questões políticas e sociais, e quando preocupados, incapazes de se organizar coletivamente.

Esta situação vem se modificando nos últimos tempos, isso me remete ao modo como Milton Santos no filme “Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá” tratava e explicava as fases da globalização, e o uso dos recursos midiáticos e das tecnologias mais acessíveis em prol dos grupos marginalizados, favelados, ou grupos minoritários, como os negros, os gays, entre outros.
É claro que esse movimento parte de uma sociedade pseudo  democrática, que permite opiniões e movimentos contrários, levando o cinismo do preconceito ignorante, e os próprios detentores do poder repressivo, podem movimentar-se neste embate. No Twitter as mais famosas hashtags ficam visíveis para todos os internautas, e representam os assuntos mais comentados, independente de serem comentários contra ou a favor. Uma minoria que vem ocupando veementemente este espaço, são da classe GLBTT, e pondo hashtags como #ForaBolsonaro que remete ao Deputado homofóbico que vai contra as leis que favorecem os homossexuais, utilizando-se de argumentos religiosos, e pautado no modelo de família cristã, e em recortes da bíblia sagrada, bem como em sua ignorância em relação aos assuntos que permeiam os reais motivos de alguém ser homossexual. Outra hashtags que perdurou por um bom tempo entre os primeiros, segue o mesmo tema, e trata da #uniãohomoafetiva, e foi muito discutido no dia em que o STF – Supremo Tribunal Federal levou para votação a legalização da união estável entre pessoas do mesmo sexo, sem distinções, com os casais heterossexuais. Na seqüência tivemos o #diacontrahomofobia e a #marchacontrahomofobia , o que mostra que o assunto esta realmente em pauta, independente das opiniões geradas a respeito do tema. Assim sendo, nota-se ao ler os comentários que em grande parte há uma avalanche de pessoas compactuando com este movimento que mais do que valorizar uma minoria especifica, tem a ver com a valorização e o respeito entre os seres humanos de modo geral, respeitando toda e qualquer diferença, seja física, social, política ou a sexual, que é a que esta em questão. Daí que partem os comentários muitas vezes contra este tipo de movimento, por alegarem ter no país uma série de outros problemas que seriam muito mais relevantes e mereceriam muito mais atenção por parte da sociedade civil, como a educação, a corrupção e a violência, mas o que é a #marchacontrahomofobia se não um movimento organizado justamente contra os políticos que não valorizam o respeito às classes minoritárias, e que usam de cargos públicos para se beneficiarem? O que é a #marchacontrahomofobia se não um momento de tornar a sociedade menos ignorante e mais educada em relação a um assunto que mesmo que indiretamente lhe diz respeito, vide os programas contra homofobia nas escolas? O que é a #marchacontrahomofobia se não um ato em repudio a violência contra as minorias, todas elas, não só os gays, mas os negros, as mulheres, as crianças, aos marginalizados socialmente? Enfim, este microcosmo chamado rede virtual social, ganhou tais características, que lhe fazem transcender para o macro social, ou melhor ainda, incita as discussões que antes estavam mortificadas em universidades, entre pessoas de senso comum, que por mais leigas que sejam, vão ter a oportunidade de não estarem somente a mercê dos dogmas pastoreiros das igrejas ungidas em cristo, e da mídia manipuladora, abrindo-se um espaço gigantesco para pagar os efeitos da globalização com a mesma moeda.

As redes sociais virtuais tornaram-se hoje um meio de organização social que permite reinvidicar mesmo que simbolicamente os direitos destas minorias, ou ainda divulgar indignação contra qualquer tipo de injustiça gerada no meio social. Tudo isso pode acontecer por meio de postagens de vídeos, textos em Blogs, frases no Twitter, ou até chamadas ao protesto real, ao vivo por intermédio do Facebook. Virou noticia nos jornais de televisão a organização dos internautas contra o aumento abusivo do combustível em alguns pontos do país. Os internautas por meio de uma ferramenta do Facebook agendaram um evento em forma de manifestação de modo bem organizado e pré - estabelecido.  A idéia era marcar um encontro em algum posto especifico e abastecer a 50 centavos, pedir nota fiscal, e pagar ou com uma nota de 50 reais ou no cartão, o que dificultaria muito a vida dos funcionários e dos donos dos estabelecimentos. Isso tudo quer dizer que o movimento social partiu de um primeiro movimento social virtual.


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