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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

De todos os dias estes são os piores



Nos últimos dias eu tenho acordado com poucas expectativas, e isso se estende em grande a parte as pessoas, ao mundo, as atitudes, aos laços. Há muito tempo que tanta coisa havia deixado de ser problema, há muito tempo que eu aprendi a ser quem sou sem temor, há muito tempo aprendi que basta ter em quem confiar e tudo se torna tão mais simples e enriquecedor. Há um bom tempo eu tenho aprendido tanto na vida, sobre mim, sobre as pessoas, sobre o mundo. Entretanto, o que pensar quando tudo o que se aprende não supera a realidade se despedaçando na sua frente? O que fazer quando não se encontra mais um alicerce, uma base, algo sólido. Sim, o que fazia tanto sentido torna-se vazio, uma imensidão de nada. Mas por que pessoas um dia preenchem de forma tão intensa, por que o mundo te deixa na mão, com suas expectativas, com seus planos? 


Hoje eu acordei e procurei tentar entender o que esta havendo, dei play numa música animada "All the lovers" corri lá fora, e achei que ia encontrar um belo sol, achei que ia abrir os braços e respirar profundamente, e renovar minhas energias para uma nova jornada, mas não, a chuva era intensa, trovões, relâmpagos e muitos ventos. "É isso!" eu pensei, é dessa realidade que eu estou falando, é desse jeito que as coisas tem de darem sempre erradas que eu nunca me acostumo. Um dia você acorda contente com o seu trabalho, depois de ter feito tudo com tanto amor e tanta dedicação, observa que o dia tem tudo pra dar certo, o céu límpido, e uma brisa encantadora, eis que já se precipita um demônio e lhe diz que depois de tudo teu lugar não é mais ali, que a partir de então estas a disposição. E eu lhe pergunto, a disposição do que? Do desemprego, da ilusão, dos péssimos inimigos ao meu redor? Mas ainda não acabou, muita coisa ainda há de acontecer, ainda há de esperar o conforto, a sensibilidade, e o que recebe? A indiferença, a desconfiança, a infidelidade, a troca.

Hoje eu acordei, e já não eram mais as mesmas coisas de ontem, já havia perdido a segurança, os planos e a vontade de lutar que adquiri com tanto esforço, para assim tão subitamente ter que voltar a estaca zero. Mas isso não basta, ainda me vi no espelho, e não consegui me encontrar, lá só restava alguém distante, alguém com quem perdi o contato a muito tempo, mas que voltou a me assombrar. O orgulho de não ser nada nem ninguém. e no fim de tarde desse mesmo dia eu dancei "all the lovers" , sim eu rodei a casa toda, e ela estava vazia em todos os cantos, em todos os móveis, em todos os retratos, em todos os livros, e eu chorei, chorei por que esse dia não existia de verdade, e nunca existiu, foi sempre uma criação inconsciente e inesperada da minha mente. 

Hoje eu acordei com esperança, se me dissessem apenas um signo de amizade, eu reviveria tudo em segundos como se nunca houvesse tido barreiras. Eu teria voado se fosse preciso, eu aceitaria tudo, e esqueceria tudo. Hoje eu encontrei em vários lugares do mundo vida, vida como a minha, pessoas como eu, e me animei. Contudo, elas não eram reais, existiam apenas na TV, nos Twitters, só na minha cabeça, bem como sempre foi. A culpa foi minha de fazer do amigo imaginário, algo tão real a ponto de conseguir tocar.




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