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quinta-feira, 23 de julho de 2009

E me valeu o dia!


Sim! Acho que já ta chegando a hora de amadurecer, de olhar o mundo com outros olhos.




Não! Parece fazer tão pouco tempo que o maior e mais longe não passava da esquina de casa. Pois eis que o futuro chegou, eis que ser adulto não é mais uma fantasia de criança. Ter passado por tudo aquilo que foi ser menino, me tornou um homem. É dificíl esquecer que ser ancioso hoje é diferente do simples nervosismo do primeiro dia de aula, do amanhecer do dia, do esperar os amigos sentado na beira da rua. Não era somente eu o menino muleque, era também o sol tão moço e virtuoso, e queimava com a tenra e amena luz da infância. Os caminhos terminavam em si mesmos e eram tão misteriosos. Quanta coisa haveria de mudar? Não poderia imaginar quem eu seria, porém desde ali já haviam sonhos de um imaginário forjado e ao mesmo tempo tão concreto. A penumbra também pintou muitas vezes os fins de tarde e o medo da noite, e de seus mistérios, seus mitos assombravam saborosamente, como quem adora um filme de terror, e depois se "borra" antes de dormir. Eu era pequeno como a casa lá do fundo, grande como tudo o que me cercava, inquieto, mas tão calado. Ficou distante os dias cicatrizados então, inesqueciveis os bons, os maus. A rua da minha casa sem mim parace tão vazia hoje, a infãncia dos outros não a preenche como antes, é fato que na minha época existia televisão, contudo não era isso somente, ainda era possivel a criatividade sensata e disprovida de malícia. Dali de onde eu podia ver, dali da minha janela eu vi muitas pessoas passando, indo e voltando. Não acho que eu tenha ficado parado só na janela, mas de certa forma eu sempre voltava independente de onde eu fosse. O destino é sinuoso, e as novidades muitas vezes me assustam, apesar disso fui me transformando, sendo lido e re-lido. Eu estou aqui, tão próximo de mais um episódio pirata da minha vida, de possibilidades das quais nunca sonhei ter, porém também nunca sonhei que fosse ser necessário. Me recordo o quanto eu gostava de imaginar, de supor, de criar em minha mente os desejos egocêntricos, porém tão universais. Ainda sinto o perfume da infância, o doce giz de cera que coloria o pequeneo grande mundo no inicio do aprendizado, era ainda o pré. O pré- vida, o pré- conhecimento, o pré- sonho, que se transformou em pré- conceito. Não posso dizer que sou mais criança, não posso dizer que minha experiência valida meus erros, cheguei no meio do camimho, não da vida, do caminho mesmo, onde as escolhas ganham uma proporção deliberadamente mais importante do que nunca. Só que mesmo percebendo tudo isso tudo ainda parece ser a mesma coisa, tudo parece nada e tão pouco, como parece que tudo já se foi e hoje existem somente outras coisas. As estações já não são tão definidas, já não tomo mais banho de chuva, e já não ando mais de carrinho de rolemã, minha imaginação não é mais tão fértil. As férias não são almejadas pelos mesmos motivos de antes, hoje elas se opõe ao trabalho, antes elas tinham apenas seu valor concreto/real que é o de vive-las. No fim de tudo isso, aliás no meio, eu noto que minhas palavras parecem de quem esta terminando, contudo não é isso, eu realmente quero continuar, só que não assim como está, tem que ser como esteve, com uma pitada de coisas novas e boas. Seria o presente então regado de passado mas com o adubo do futuro. E se está chegando a minha data, se chegou o meu bolo, se ascenderam as velinhas e puxaram minha orelha contando os anos de vida, é por que eu ainda estou por aqui. Parabéns para os que me cercam por todo esse tempo, quem cercou e quem vai cercar.




Um comentário:

  1. Sem comentários!
    Muito boa a forma de abordar um tema que todos pensamos, com que sonhamos, mas segredamos muitas de nossas incertezas. Gosto tanto da forma que trata pela escrita alguns assuntos

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Pedras na janela

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