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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Na primavera vou ser quem eu quiser

Só por que dizem que homens não choram, por que dizem que a cor não é essa, que o modo de andar não é o seu, e que as roupas estão totalmente erradas. Só por que não lembra o comum, por que não é o tradicional, robótico, padrão. Só por que dizem que comer rápido é não perder tempo cozinhando, por que fast food é a "onda" do momento. Só por que os olhos não são claros, e os livros não são lidos. Só por que comer sempre esta errado, gargalhar esta errado, gritar esta errado, estar em total desordem da ordem imposta a tua própria ordem. Só por que dizem que homens não devem ser sensiveis, e mulheres são frágeis, que homens não devem ser educados, e mulheres indelicadas. Só por que dizem que hoje é o dia das mães, dos pais, de Jesus Cristo ou o diabo a quatro. Só por que dizem que deve se dizer senhor e senhora, e que o hino nacional nos representa. Só por que dizem que o reino dos céus será dado aos pobres, só por que dizem que meninos não usam brincos, e meninas skate e bola.Ou só por que dizem que o salto 15 não esta mais na moda, e que na primavera você não deve sorrir nem cantar. Só por que dizem, sem saber de onde vem esta voz paradigmática. E quando disserem que não é quem pensa que é? Que não é humano? Que não é homem? Você o será? Ninguém disse para as flores desabrocharem na primavera, elas apenas são, apenas encantam, como são, independente de cores. Plantas não tem sexo, nem salto 15, e ninguém as diz o que elas devem ou não fazer, elas o fazem.



Que a primavera desabroche, rompa, quebre, desvele suas ilusões egoistas, e seus anseios sórdidos.





sábado, 19 de setembro de 2009

1° capitulo
Um garoto, não como os outros.


Entre as grandes árvores da pequena floresta da cidade interiorana Burkstiville, entre caminhos tortuosos e densos, no chão, uma mochila, e ao seu redor alguns livros caidos, não somente isso para intrigar, ao alto, quase que na copa das árvores, um garoto. Seus trajes: uniforme. Sim ele flutuava como uma pena, sem alterar em nada o silêncio estridente do ambiente. De forma amena, e mesmo assim aterrorizante, o jeito como seus braços estavam abertos lembravam Jesus crucificado, seu rosto inerte, inespressivo, e com os olhos bem fechados, e a sua volta somente o arrastar das folhas umas sobre as outras por intermédio do vento. Lá embaixo o caminho era o mesmo de sempre, no qual o garoto Edward transitava cotidianamente em direção a escola. Lá em cima, algo absurdamente fora do comum, e ao mesmo tempo tão normal, no silêncio inquebrável da pequena cidade de interior. Como um canto de passáro que quebra o silêncio na flora, os olhos bem fechados se abriram derepente, e é como se a lei da gravidade voltasse a reger, e da copa ao chão foi uma queda violenta, por alguns minutos permaneceu ali deitado sobre os livros e a mochila, confuso, tentando entender o que havia acontecido, machucado e maltrapilho recolheu suas coisas e seguiu caminho até a escola. Um vázio estampado no rosto, e um suar nas mãos que seguravam brutamente as alças da mochila nas costas, um enfrentamento de quem fugiria se pudesse, mas estava ali de fronte a todos os cruéis amigos da escola, por que todo adolescente é cruel e muitas vezes maligno, Edwuard sentiu-se observado de cima a baixo, sentiu-se reprovado, repugnante. Todos o perceberam, alguns sentiram pena, outros nojo ou simplesmente indifereça. Por sinal, talvez não tenha ficado bem claro, mas ele não era o garoto mais popular da escola, concerteza não. Talvez até o contrário, muitas vezes nem ao menos era notado, e quando era, o motivo transcendia em comportamentos estranhos, fora do comum, como chegar na escola com roupas rasgadas e sujas, ou seu isolamento, e falta de amigos. Na verdade podia contar com um amigo, Richard, o tipo de garoto que consegue transitar por todos os universos, o da crueldade, dos anonimos, estranhos e inteligentes. Um bom rapaz. Uma compahia salvacionista para Edward, que não compartilhava muitas amizades. Lentamente, ainda com olhar vázio sobe as escadas em direção aos armários, titubeia um pouco para encontrar suas chaves, e quando abre, coloca suas coisas, Richard aparece do teu lado, com um olhar de espanto.
- Amigão, tá num péssimo estado! O que houve?
-Uma pedra no meio do caminho, e um pouco de falta de equilibrio.
-Pedra grande por sinal, pensei que havia sido atropelado(risos)
-Não. A pedra era realmente grande.
-Tudo bem. Venha, a aula vai começar.
Foram então em direção a sala juntos, ao entrar todos se afastaram arrastando as carteiras, como jovens cruéis que são, fulminam com os olhos. Caminhou até seu lugar, sentou-se, permaneceu em total silêncio, a fim de que esqueçessem que ele estava ali. Logo entra a professora, com uma sequidão nos olhos, deseja um bom dia contido e duvidoso, e avista o estado de Edward. Em um tom arrogante, questiona:
-O que houve com você Edward?!
-Nada.
-Oras! como nada?! Melhor não perder tempo mesmo.
Volta os olhos a losa, indiferente. Nesta sala existe um outro garoto, eu diria o mais cruel de todos, Presley. Em suas atitudes, transcendem o seu não importar-se com ninguém. Inclusive com Edwuard, na verdade principalmente com ele, quase como um sádico prazer. Dentro de sala, só para seu prazer quebrou um pedaço de giz, e arremessou em direção a Edward, se assustou, mas nem olhou para trás. Mas a persiguição é persistente, e outro giz o acertou, todos seguravam os risos na classe sórdida. Edward virou-se e disse:
-Por que não joga a mãe de perna aberta?
Furioso Presley levantou-se em direção a ele, e com sangue no olhar perguntou:
-O que você disse seu idiota?! Repita.
Em defesa Edward se levanta e empurra-o e Presley cai sobre a carteira, a professora vê tudo e é dura.
-Você de novo Edward? Não pode simplesmente ser como os outros da classe?
Olha ao seu redor, nem ao menos diz qualquer palavra, pasmo, furioso, as carteiras abrem caminho para que ele passe, ele sai como um sopro de dragão, deixando berros e portas batendo. Depois de sair aborrecido com a arrogância da professora, que nunca o tratou com afeição, decidiu refletir um pouco, desta forma foi em direção ao lugar que mais o acalmava, o lugar perfeito. No meio das árvores, as águas cristalinas caiam sobre grandes pedras escuras, transformando-se num grande lago azul, cercado por um rasteiro gramado verde claro. Não iria para casa enquanto não desse horário do fim de aula, afinal sua mãe não poderia saber do que houve, deitou-se numa grande pedra, e ao som do riacho contra as pedras cochilou. Horas depois acordou, suspirou, pegou suas coisas, e seguiu até sua casa. Com o mesmo olhar vázio de sempre, lentamente subiu a  pequena escada de frente de sua casa, pôs a mão na maçaneta bem devagar, como quem não quer que ninguem perceba que chegou, com passos leves, mas em vão, sua mãe veio de encontro.
-Filho, vá logo suba e lave as mãos, o almoço está na mesa.
Ela meiga, suáve, tenta agradar incondicionalmente seu filho, as vezes acaba até sendo inocente e cega demais no que diz respeito a ele. Ele subiu, jogou a mochila na cama, sentou-se bem na ponta, tirou o tenis, trocou a roupa e foi até o banheiro, lavou as mãos, olhando no espelho banhou o rosto com água, era como se visse dentro de seus próprios olhos, um garoto perdido em si memso, solitário e sentiu ódio de si. Olhos trêmulos, molhados, formara, uma lágrima que nem teve ao menos chance de correr em teu rosto, foi interceptada abruptamente por sua mãos. Então desceu até a cozinha para o almoço. Cozinha simples, bem contemporânea, e ao mesmo tempo conservadora, as cozinhas de toda a cidade eram muito parecidas, eu diria que o sinal da religiosidade, dos costumes da pequena cidade. Ao redor da mesa Edward, seu pai e sua mãe. Quase nem tocou na comida como de costume. E seu pai também como de costume:
-Você nem tocou na comida.
-Não estou com fome.
Um diálogo impressionante.
-Sua mãe disse que não come nada o dia todo. O que esta havendo?...Estamos pensando em levá-lo ao médico. Você quase nem fala.
Com um olhar frio, ficou ali olhando seus pais, estático, sem saber o que dizer, mas logo seus lábios ressecados, avermelhados e quentes sussuraram:
-Não! Só estou sem fome...isso é tão ruim?
-Mas isso pode não te fazer bem,  é só isso que queremos pra você.
 Uma pausa. Um silêncio. Um desvio. Edward quer saber se pode passar a tarde na casa de Rich fazendo trabalho de escola. Sua mãe claro responde que sim, só pede que volte antes do anoitecer, para o jantar. Ele imediatamente se levanta e diz estar saindo. Sua mãe desajeitada com os pratos na mão:
-Nem ao menos vai comer a sobremesa?
-Guarde um pouco para quando eu voltar.
Chegando na casa do Rich, tocou a campanhia, sabendo que os pais dele não estavam em casa, logo Rich abre a porta o cumprimenta e os dois sobem até o quarto para iniciar o trabalho. O som no quarto é altissímo, uma desordem considerável, lençol ao chão, roupas na cabeçeira da cama, mochila na cama, revistas e gibis por todo o chão. Havia relamente um trabalho a ser feito, mas não fizeram nada além de ver revistas eróticas, gibis e ouvir música. Quase no fim da tarde, pouco antes de ir embora Rch disse que havia entrado no time de futebol da escola. Edward olhou reprendendo-o.
-Está louco! A única tática usada por aquele treinador e a de passar a bola para o Presley.
-Não quero deixar de fazer o que gosto por causa de um babaca como o Presley. E eu sei que você também gostaria de jogar.
-Pode ser, mas não vou ser humilhado agora também no futebol.
Rich insistiu muito para que seu amigo também entrasse no time, com muita resistência Edward decidiu por pensar no assunto, com grandes possibilidades de a resposta ser não. O sol já estava se pondo, o céu sofreu uma metarmofose entre cores laranja e rosa, o horizonte junto a ele formavam uma só imagem, enquanto caminhava para casa. Sua mãe lhe pergunta se fizeram o trabalho. Incerto, e um tanto quanto gago responde.
-Fo...foi pra isso que nos encontramos não é?
-Muito bem! Suba e tome seu banho. O jantar esta quase pronto.
Como sempre pegou sua toalha no quarto, caminhou pelo corredor até o banheiro, para o banho. Quando ascende a luz, seus olhos ardem, são luzes claras e pisos claros demais, logos seus olhos se acostumam, ele abre o box, tira a roupa e liga o chuveiro, os olhos saltam fora de sua cabeça de tão atentos, mas na verdade não está, apenas divaga no interrogatório sobre seu modo de ser que seus pais provavelmente farão na hora do jantar. Pensava e se ensaboava, terminou o banho, abriu o box, enrolou-se na toalha e seguiu até o quarto para vestir-se. Ao descer o jantar já estava na mesa e seus pais estavam lá olhando para ele. Não havia como fugir, restou sentar-se, calado e cabeça baixa, tinha mais medo de seu pai, dele partiam as perguntas medonhas.
-Amanhã vamos ao consultório do doutor Ryan.
Edward comia desesperadamente, sua boca estava cheia, mal respirava.
-Por que está comendo desta maneira filho?
-O problema era comer não é? Pois então, estou comendo.
Um pedaço de brócolis pendurado entre os dentes ao fim da fala. Seu pai não se conteve e sorriu.
-O problema não é somente esse filho, como qualquer pessoa normal você precisa de uma consulta.
-Mas eu não quero.
-Não tenha medo, é coisa simples.
Ele olhou para seu pai pensou no que adiantaria resistir, não respondeu mais nada. Seu silêncio foi seu sim. Depois assistiu um pouco de TV, e logo subiu para deitar-se, entrou em seu quarto e trancou a porta, olhou pela janela e por maior que fosse o calor um vento forte soprava balançando as cortinas. Deitado estava imcomodado com o calor, virou-se  e revirou-se na cama até que permaneceu olhando fixamente para o teto, que começou a girar, Edward transpirava muito, comecou a sentir-se pesado, seintiu-se como pesasse toneladas, começou a afundar na cama sendo engolido pelos lençóis, levado para um outro lugar. O céu estava limpido, um azul intenso, o sol brilhava escaldante, os camponeses trabalhavam muito, as crianças brincavam na lagoa, e as jovens camponesas ajudavam suas mães com os serviços domésticos. Foi então que um misterioso vento surgiu de tras das árvores, as folhas secas comelaram a voar sem rumo, o vento trouxe junto nuvens cinzentas, carregadas de raios e trovões. O céu azul e limpído começava a se fechar e um imenso teto formou-se sobre a cabeça dos camponeses que no desespero começaram a correr desnorteados. Naquele momento Edward sente-se incapaz de fazer qualquer coisa, um silêncio mutúo toma conta, as pessoas corriam lentamente, e ninguém o via ali, aquele teto já não parecia estar firme e derepente começou a desabar, as crianças berravam o nome de suas mães, as jovens saiam junto de suas mães em busca dos irmãos, os homens tentavam impedir a destruição da pequena vila onde moravam desde que nasceram.. Os raios caiam violentamente no caminho dos camponeses desesperados, transformando as casas feitas de palha com muito suor, em chamas, chamas que não se apagam com a chuva que de tão forte tapa a visão dos pobres e miseráveis camponeses. Tudo começa a rodar diante de seus olhos e Edward se desespera por não poder ajudar, é tudo muito lamentável. A destruição já não pode ser contida, nada nem ninguém sairá vivo de tamanha catastrofe, se alguém sair contará com fervor tudo o que passou pra sobreviver a tal tempestade. Derepente Edward acorda molhado de suor, ainda tonto levanta e caminha até a janela, percebe  uma chuva forte lá fora que bate e embaça os vidros, o quarto escuro é iluminado por relâmpagos, ele ficou ali por um bom tempo só observando. Percebeu então latidos, seus vizinhos haviam viajado, e o cachorro deles foi deixado preso, molhado ele latia numa lástima interminável, Edward estava ficando irritado com aquilo, não conseguia dormir, estava definitivamente furioso, de olhos fechados, os dentes rangendo brutalmente, todos os músculos do rosto se contraiam, sua artérias pareciam querer sair do corpo. No vizinho o cachorro latia, próximo a uma garagem onde estavam guardadas algumas ferramentas de jardinagem usadas pelo seu dono, Edward queria muito que os latidos tivessem um fim, uma foice suspensa na parede inesplicávelmente se soltou e abriu a coluna do cão em duas, e os latidos cessaram. Edward mais tranquilo conseguiu dormir.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Tumor maligno

Eu penso que não adianta ouvir o que tem dentro, por que não há nada. Eu ouço a chuva lá fora, me sinto tão sujo aqui dentro. Não há palavras, nem contos, nenhuma bela história, que me transforme num belo personagem, pois realmente eu não sou. Meus olhos permanecem trêmulos, minha boca seca e quente e os erros continuam os mesmos, minha imagem, meu reflexo, minha sombra por mais que não me pareca comum, são definitivamente minhas. Por mais que ninguém queira, por mais que eu não seja, por mais tortos que sejam os meus passos, eis que eu nunca iria chegar em lugar algum, por que sempre me deram o endereço errado, ou talvez eu tenha sempre escolhido o caminho errado, ou ainda o caminho sempre se torne demasiadamente nostálgico antes mesmo que eu chegue no fim. Por que todo dia eu lembro, todos os dias eu lembro, por que todo dia eu choro por ser assim. Não é a pura imagem no espelho, é o que tem dentro que me distorçe, é o que vejo nos meus olhos que ninguem vê, mas que todos odeiam. É esta jornada nauseante, este caminho sem volta que eu insisto em errar todos os dias. É eu ser um ser humano do polegar opositor, capaz de um raciocínio subjetivo demais, que me faz olhar para traz e perceber o quão eu evolui para lugar algum, olhar para frente e perceber que todos estão tão distantes, e mais uma vez eu me encontro sozinho. É tentar entender o por que tudo o que há de mais importante, mais complexo, mais trabalhoso, não pode jamais passar por minhas mãos, e todas as naturalidades que refletem e partem de dentro do meu peito serão sempre refutadas e desconsideradas em um momento bizarro de desatenção com qualquer outra futilidade. É saber que preocupar-me com o mundo e com toda a miséria que me cerca me fazem ser infeliz e mesmo assim, eu me preocupo todo dia, é saber que a solução é algo do qual eu não faço nem idéia, e provavelmente morrerei sem saber. Eu penso que vivendo, e vendo tudo aquilo que me adoeçe e aduba meu cancêr, eu penso que o dormir e o acordar, que o ir e o voltar, e que o terminar como começou, como se nunca tivesse saido do lugar vai me matar lentamente. Eu penso que eu não estou onde eu gostaria, que eu não sou quem eu queria, eu penso que algo esta definitivamente muito errado, eu penso que toda está lógica demoniaca de sobrevivência a custa da felicidade, e toda esta maldita ansiedade, e toda esta vontade, intranquilidade, e o encurtamento, e a sindrome das pernas inquietas, as cores e toda a sexualidade, toda a falta, toda esta deficiência, o orgulho, a estupidez, a falta de sorte, a descrença, a diferença, tudo, me faz perder, perder a vontade, perder o que eu nunca tive, me faz ter saudade de tudo que eu ainda não vi. Uma saudade que dói, saudade do que foi tirado de mim, prévias saudades do que será levado, só saudades que doem, saudades de tudo que sempre é tão passageiro, saudade de como me tratou ontem, saudade de quando sorriu e disse que eu era importante. Saudade do cheiro da terra molhada, do fim do dia com tua chegada cansada, saudade de mim. De quando me ouviam.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Não é acaso.

Janela Lateral, margem, de lado, distante, deixado, esquecido, em um ponto neutro, imperceptível, mas não imune, pois o vento sopra aqui também, trás doenças, tristezas e decepções. Janela não é atoa, é por falta de porta, de espaço, de saída, de entrada, é por não fazer parte, mas presenciar de longe toda a arte, é de onde eu tudo vejo, vejo, vejo, vejo e não vivo. Fechar a janela não é tão simples, implica em dor fisica, em sangue, em medo e desapontamentos. Implica em solidão eterna, escuridão, um novo macábro. Covardemente eu mantenho a janela assim, como está, entreaberta, para não ser notado, para que não sintam pena, nem desprezo para que não joguem pedra, e que não instigue os curiosos. É uma janela sem cor, gelada e sem vida, é fato que poucos a percebem ali, como uma janela, com sua devida importância, por isso não arrisco meu rosto fora dela, ateariam fogo na primeira chance, queimariam minha mascára, e descobririam meus segredos. Minha casa não tem portas nem portões, não tem travas, mas esta sempre fechada, a janela nem é muito alta, mas é lateral, e o que esta de lado não tras beneficios, lucros, ganhos, não dá nada em troca, apenas fica ali, do lado, marginal.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

História, todo momento, todo sofrimento, todo argumento, e cada sentimento. Tudo que há, pode-se acabar, em minutos. Eu que achei que já havia me encontrado, ainda não sei onde estou. Eu posso sentir seu choro em minha pele, teu sofrimento inerte, rasgado por lâminas cegas e lentas. Que não rasgam somente meus sonhos, nem tão somente a mim, te rasgam também. E isso é o que mais me dói, pois enquanto a mim, toda imensa, infinita e transbordante dor, possivelmente seria mais proveitosa, se fosse só em mim. Não me acostumo mais a "sequidão" humana, do homem, dele, tua. Não me acostumo com este estado de alegria inversa, com essa melodia melódica, tóxica, mórbida, que me agride, que me divide e faz chorar. Todo o frio que sinto, que queima minha boca e toca meu corpo, é pouco de fronte a espada gelada, cravada em meu peito, por minhas próprias mãos atadas. Bons demais para mim, despojados demais, educados e descarados demais. Concerteza bem melhores, bem mais hábeis, engraçados, amigos, humanos, distraídos e espertos. Meu grito é calído, esmaecente, incoerente, não pode ser sentido, nem digerido e muito menos engolido a seco. E a vida é monótona demais para ser descrita tal como ela é realmente, é monótona demais para que eu pare de imaginá-la, cria-la e recriá-la como se fosse outra a cada dia estúpido. É preciso ter coragem para sonhar, e para acordar também. Minha maturidade insosa somado ao bobo que sou me encoraja a procurar o não, a negação de tudo o que se sonha, permitindo que outros o realizem sem culpa alguma. Com outros, melhores. Bem melhores. Outros que maduros, imaturos ou podres, vestem uma marca necessária, e vendem o que se quer possuir, todo o estilo alternativo padrão, demode que não sai de moda, revolucionário que não incomoda, Nike shox por bota, ao pé que não se desbota, que chora a vida que leva, que leva tudo embora. Olha Mãe, não se demore a esperar, teu filho pode um dia não voltar, como um dia se pegou a imaginar, pode ser morto na esquina, ou vivo em qualquer outro lugar. Toda esta desfragmentação linguistíca, esse modo embaralhado, difuso e mal contado é pra não se intimidar. E qualquer defeito físico, implicíto ou explicíto que eu venha apresentar, eu tenho meus mentais e até sexuais, casuais, banais, que não pode-se explicar. São defeitos como os teus, basta espelhos pra enxergar.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Lapso


É com obviedade que se pode perceber o erro em ser generoso o tempo todo. Provavelmente será feito de bobo. Eis que eu sou um bobo. Pedagógicamente refletindo quanto minhas atitudes frente as pessoas ao meu redor, notei que ou sou indubitavelmente grosseiro, ou cedo até a alma como um chiclé. Isso se trata de pessoas no geral, não de relacionamentos amorosos, que fique bem claro. Minha frieza é hot on cold, quando o assunto permeia laços afetivos mais estreitos, porém, sou do tipo que não dá o braço a torcer, orgulhoso, digamos que "nasci de olho junto" no quisito emocional. Mal caráter mesmo. Meu medo é parecer bobo, e no fim acabo sendo sempre. Medo do não, será algum complexo mal resolvido? Não sei. Eu queria falar de coisas que eu sei, queria saber de coisas. Sei que não dá pra ficar no plano das angústias egocêntricas, ninguém gosta disso, nem mesmo eu, porém não sei ser tão legal assim. Juro que faço o que posso por quem eu realmente quero bem, fique claro, eu não quero o bem de todos. Se essa vida não fosse um flerte, um lapso, quase tão rápido quanto um susto, quanto um grito eu desejaria ser mais paciente, mais tolerante e mais talentoso. Talvez se eu fosse menos eu, não? Acho que nunca vou ser claro o suficiente, minha cabeça as vezes pareçe girar em cima do pescoço, e tudo passa a ser somente mais um amontoado de letras, de sonhos. Esqueçi hoje de ser poético. Perdão! foi só um "xiste", que não altera em nada, quase como minha vida. Um lapso.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O amor que lhe convém.


Uma coisa boa, que não tem como explicar, toda essa dor, que permite o seu olhar. Sempre ao alcançe de tudo que não há, sem sentimentos, coração, sem emoção. Uma coisa atoa, distante de você, sem saber por que tanto tempo a esperar. Se você soubesse de todas as minhas segundas intenções, cansei de falar de amor, me toma, me ascenda, seja como for. Amar ainda faz parte do passado, sem recados no espelho, sem você do meu lado ao acordar, sem o afago de quem quer me consolar. Uma coisa soa, estranha dentro de mim, já não sei se posso continuar assim, é a história mais bonita que você não escreveu, tava lendo noutro livro, com teu gosto salivei. Agora não me deixe mais, eu não saberia andar por aí, sozinho. Pra dizer que você não tem importância, eu tive que mentir pra mim mesmo, só pra fazer jus ao signo do avesso. Essa sua voz grossa, não me intimida mais, toda indiscrição será bem vinda, é a remoção dessa cortina, que apaga e me reduz a ser humano, simples, digno insano. Me dê a mão, não tenha medo, todo respeito vem de nós, e do que somos, crianças, homens, bobos, e todo amor vem de quem o inventou da forma como queira, como lhe convém, do meu amor eu já não posso mais exemplificar, é diferente mesmo, causa espanto mesmo, distoa mesmo, encanta mesmo. Do meu amor, eu já cansei de brigar, mas cada um tem o amor, a dor, que lhe diz respeito, cada qual com seu sujeito, com seu despeito. Se lhe interessar a quem eu amo, isso significa que ou me ama, ou me odeia, pois de onde mais meu amor lhe despertaria interesse? Cada um ama como quer, tem gente que mata por amor, tem gente que morre por ele, alguns amam pessoas, outros amam coisas. Cansei de falar de amor, mas minha boca só profere ditos malditos de amor, talvez por que amor seja banal, carnal, carnaval, temporal, ou talvez por que eu não saiba falar de outra coisa. Ou ainda por que eu entenda que exista uma certa falta. Não pra mim! Desculpem minha pouca humildade, mas eu que tenho este amor distoante, tenho amor. E você que pensa em combinar o amor, perde tempo com mera decoração fútil e não ama ninguém. Cansei de falar de amor.

domingo, 26 de julho de 2009

24 Anos!










Fazem 23 horas que eu completei 24 anos, realmente não me sinto mais velho, nem mais preparado. Estou aqui como estava até ontem. Mas eu confesso que tudo isso esta me inspirando a tomar decisões radicais. Mudar, e chocar. Excitante demais. To tão orgulhoso de ter os amigos e a familía que eu tenho. Ultimamente eles tem me ensinado tanto. Uma delas é saber exatamente o valor disso, e não ter medo de agradeçer jamais.




Surpresa foi a festa, mas não é nenhuma surpresa que eu amo todos.




Ano que vem sem surpresas, pois eu pretendo abalar as estruturas aos 25 anos.




















Até lá!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

E me valeu o dia!


Sim! Acho que já ta chegando a hora de amadurecer, de olhar o mundo com outros olhos.




Não! Parece fazer tão pouco tempo que o maior e mais longe não passava da esquina de casa. Pois eis que o futuro chegou, eis que ser adulto não é mais uma fantasia de criança. Ter passado por tudo aquilo que foi ser menino, me tornou um homem. É dificíl esquecer que ser ancioso hoje é diferente do simples nervosismo do primeiro dia de aula, do amanhecer do dia, do esperar os amigos sentado na beira da rua. Não era somente eu o menino muleque, era também o sol tão moço e virtuoso, e queimava com a tenra e amena luz da infância. Os caminhos terminavam em si mesmos e eram tão misteriosos. Quanta coisa haveria de mudar? Não poderia imaginar quem eu seria, porém desde ali já haviam sonhos de um imaginário forjado e ao mesmo tempo tão concreto. A penumbra também pintou muitas vezes os fins de tarde e o medo da noite, e de seus mistérios, seus mitos assombravam saborosamente, como quem adora um filme de terror, e depois se "borra" antes de dormir. Eu era pequeno como a casa lá do fundo, grande como tudo o que me cercava, inquieto, mas tão calado. Ficou distante os dias cicatrizados então, inesqueciveis os bons, os maus. A rua da minha casa sem mim parace tão vazia hoje, a infãncia dos outros não a preenche como antes, é fato que na minha época existia televisão, contudo não era isso somente, ainda era possivel a criatividade sensata e disprovida de malícia. Dali de onde eu podia ver, dali da minha janela eu vi muitas pessoas passando, indo e voltando. Não acho que eu tenha ficado parado só na janela, mas de certa forma eu sempre voltava independente de onde eu fosse. O destino é sinuoso, e as novidades muitas vezes me assustam, apesar disso fui me transformando, sendo lido e re-lido. Eu estou aqui, tão próximo de mais um episódio pirata da minha vida, de possibilidades das quais nunca sonhei ter, porém também nunca sonhei que fosse ser necessário. Me recordo o quanto eu gostava de imaginar, de supor, de criar em minha mente os desejos egocêntricos, porém tão universais. Ainda sinto o perfume da infância, o doce giz de cera que coloria o pequeneo grande mundo no inicio do aprendizado, era ainda o pré. O pré- vida, o pré- conhecimento, o pré- sonho, que se transformou em pré- conceito. Não posso dizer que sou mais criança, não posso dizer que minha experiência valida meus erros, cheguei no meio do camimho, não da vida, do caminho mesmo, onde as escolhas ganham uma proporção deliberadamente mais importante do que nunca. Só que mesmo percebendo tudo isso tudo ainda parece ser a mesma coisa, tudo parece nada e tão pouco, como parece que tudo já se foi e hoje existem somente outras coisas. As estações já não são tão definidas, já não tomo mais banho de chuva, e já não ando mais de carrinho de rolemã, minha imaginação não é mais tão fértil. As férias não são almejadas pelos mesmos motivos de antes, hoje elas se opõe ao trabalho, antes elas tinham apenas seu valor concreto/real que é o de vive-las. No fim de tudo isso, aliás no meio, eu noto que minhas palavras parecem de quem esta terminando, contudo não é isso, eu realmente quero continuar, só que não assim como está, tem que ser como esteve, com uma pitada de coisas novas e boas. Seria o presente então regado de passado mas com o adubo do futuro. E se está chegando a minha data, se chegou o meu bolo, se ascenderam as velinhas e puxaram minha orelha contando os anos de vida, é por que eu ainda estou por aqui. Parabéns para os que me cercam por todo esse tempo, quem cercou e quem vai cercar.




quarta-feira, 15 de julho de 2009

Pra não esquecer ...




Pra não esquecer que neste blog existe amor, pra não esquecer daqueles que usam do amor pra educar,


pra não esquecer daqueles que gostam do que eu gosto, e daqueles que gostam de mim.


Pra quem gosta de Chico Buarque,


Pra quem gosta de Eliz Regina,


Pra quem gosta de Legião Urbana,


Pra quem gosta de Tom Jobim,


Pra quem gosta de Pimentas do Reino,


Pra quem esta apaixonado,


Pra quem quer se apaixonar,


Pra quem acredita que é com amor que se transforma,


É com amor que se briga,


É com amor que se bate,


É com amor que se quebra as pernas dos desiludidos, esquecidos e mal caráter.


Pra não esquecer que é da minha calmaria, da minha fala mansa,


da sensibilidade, do afago, do carinho, da segurança, do conforto e do respeito


que se da rasteira no ódio da indiferença e solidão.


É pra não esquecer de você que eu insisto em te escrever


sem que saiba, sem que leia, sem que ouça...


Pois cada palavra, cada sentimento, cada piscar de olhos,


cada olhar vázio esta cheio de você...


cheio de amor, cheio de vontade de extrapolar as barreiras do descaso,


do preconceito, dos padrões perfeitos, dos bons e submissos sujeitos...


Cada passo não planejado, cada murro em ponta de faca,


cada remada contra a maré, é em você que eu penso,


é em amor que eu penso,


é em você que eu penso,


é em amor,


só amor.









Quando- Myllena



Quando eu quis me aproximar

Você fingiu que não me via

Quando eu fui me declarar

Você fugiu para outra esquina

E quando eu quis parar você


E quando eu fui te convencer...


Quando a minha mão firmou


Você sorriu, eu trepidava


Quando o furacão passou


A tua boca é que ventava


Se eu parasse o tempo ali


E eu não tivesse mais que ir


Você me acompanhava e me daria a mão?


Na sua calmaria Eu iria ser vulcão


E quando o sol se for E o frio me tocar


É com você que eu vou estar


Quando a minha mão firmou


Você sorriu, eu trepidava


Quando o furacão passou


A tua boca é que ventava


Se eu parasse o tempo ali


E eu não tivesse mais que ir


Você me acompanhava e me daria a mão?


Na sua calmaria Eu iria ser vulcão


E quando o sol se for E o frio me tocar


É com você que eu vou estar...



domingo, 5 de julho de 2009

Todos choram, quem mata, e quem morre.


"Quem não tem nada a perder não sabe quando parar"




Que tipo de história real é essa que faz tanto sucesso quanto a ficção? Quem são as verdadeiras vitímas? E quem são os verdadeiros culpados? Acho que a teoria do caos nunca fez tanto sentido ao que diz respeito as consequências do ato de hoje em detrimento do amanhã. Se não se tem uma casa pra voltar, uma familía a quem se ama, cama, amigos, escola, conforto, direitos, e se o pouco que se tem é tirado abruptamente, se vê-se sem nada a perder, qual o sentido de zelar pelas leis que não te trazem nenhum beneficío? Qual o sentido em ser "cidadão"? Qual sentido em manter as molas propulsoras deste sistema vil? As vezes a morte brutal nos telejornais são tão banalizadas, e as vezes são tão destacadas, comentadas, especuladas, e nós como bons "cidadãos" que somos não conseguimos nunca questionar além daquilo que nos é noticíado. As vezes eu me pergunto se quem matou é realmente o criminoso. É dificíl explicar esta situação que se inverte mentalmente dentro de mim. É como se eu quisesse inocentar os culpados do ato em si, em sua prática mais concreta, porém não se pode esqueçer que o ato em si foi preconizado por uma história que pode explicá-lo e talvez não justifique. O fato é que existe uma sinergia as avessas, que de certa forma confluem para o progresso positivista de uma sociedade mercadológica, miserável, desigual em um sentido único, a manutenção e a continuidade destes versos catastróficos permeados pela violência de jornal de horário nobre. Eu me pergunto insistentemente quem realmente são as vitímas, por que quem não tem nada a perder realmente não sabe quando parar. Apesar de tudo grande parte acha ter algo a perder, são as molas que sustentam o consenso. Entretanto o conflito que assusta vem mostrando suas garras afiadas dia após dia, e se só por ele e nele é que se pode fazer transformação, que assim seja. Eu sei muito bem onde eu estou pisando, mas isso não impede que eu tropeçe.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Insuportável


Desculpa meu querido blog! Por te usar como privada sempre nos meus piores momentos. Quem mais aceitaria tudo isso? meu semblante é de derrota, cansaço, nesse descompasso chamado vida. Desculpa sinceramente não te compensar com nada, é que a verdade é uma só, me esqueçi completamente como se demonstra afeto. Se eu tivesse um terapeuta com certeza ele me internaria. Insuportável se produz as relações das quais sempre terminam, se esvaem, se transformam em magoas, em solidão, em névoa. Dificíl concordar que o espelho mostra quem realmente você é, mesmo que de forma invertida, eu costumo olhar pra ele e procurar outra pessoa. Minha imagem definitivamente me cansa, minha voz e meu semblante, minha vida e meus sonhos. Insuportável é escrever isso tudo mudo, pálido, inerte. Tanto que eu quis, que te quis, quis...e sempre tão distante.

sábado, 13 de junho de 2009

Mais um fim de tarde


Ao fim da tarde um sopro de tristeza veio me afagar as avessas. A idéia de que algumas coisas já não fazem o mesmo sentido. Bateu uma vontade imensa de não ser quem eu sou, de viver uma outra vida. Tem uma coisa que anda me deixando bastante entristecido, o fato de não ser levado a sério. Sabe quando se procura em todos os lados e lugares e a única certeza é que surgirá uma piada em meio suas desgraças? Não é que eu queira fazer da minha própria vida um inferno, porém desabafar me faria tão bem. É que eu realmente nem sei mais como fazer isso. E acabo fazendo eu mesmo da minha vida uma comédia, uma piada sem importância. Tô cansado de disputar para ver quem tem mais problemas, mais sofrimento. Concerteza a minha intenção nunca foi essa. O que eu sempre quis realmente foi não ter nada pra reclamar. Eu queria o que há de mais simples. Queria que todas as questões e dúvidas ao meu respeito fossem esclarecidas. É claro que eu ando falando pouco, juro por Deus que a culpa não é minha. É o simples fato de cansar de brigar pra falar. Desistindo mesmo. Nas coisas que eu faço eu percebo que já não tem um pingo de valor. Que falta faz alguém disposto a ouvir, que falta faz. E por isso eu acabo não ouvindo quem realmente precisa também, isso se torna uma corrente frustrante e solitária. Voltei pra casa tão cedo quando o que eu mais queria era estar com vocês, sem rumo, sem dar explicações. Não sei quando, nem sei se um dia vai ser possível toda essa indepêndencia, entretanto eu sonho com ela todos os dias. Já sei quem eu sou e sem comformismo tento me aceitar, mudando somente o que é passível de mudança. Gostaria de poder fazer tantas pessoas felizes. Uma especialmete que ainda não existe. E uma outra que existem muito antes de mim, e que é meu porto. É necessário essa mudança que eu espero, preciso que entre na minha vida, junto com um futuro bom. Eu desenhei meu futuro dentro de mim. Necessito exteriorizá-lo, mas pra isso não queria ter que fazer um esforço sobre humano. Queria que tudo fosse mais natural. Tudo o que é anti natural, que pra mim é natural. Queria todas as cores reunidas, você do meu lado, um lar e fins de tarde ao teu lado.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Carta ao molestador


Venho interpôr com sangue meu calvário injusto. Pare de me cortar insistentemente só pelo prazer de ver meu sangue jorrar em bicas. Minha inocência já não tem a mesma pureza devido a globalização da sordides e o alastramento ininterrupto da ignorância e dos ignorantes. Meu ópio, transcende no meu modo demode ao se expor. Eu deliberadamente já vi muito sangue derramado por muito menos que isso, já vi o veneno sair pelos póros, a pus sair pela boca, e senti medo. Ao pai que mata o filho com fumaça de cigarro, a mãe que condena ao câncer sua fonte de alimento. E ao filho que aprende cedo como se destrói a pauladas o significado da vida. Ao ódio banalizado nas ruas em meio as crianças despudoradas e obscenas. Ao vento gelado da madrugada que mata as almas esquecidas. Ao teu olhar que salta por sobre a linha paralela do oprimido. A conivência indiscriminada com o descaso desumano arraigado na inconciência dos paupérrimos quando se trata de sentir e de agir. Ao conforto de estar distante da atrocidade desenfreada em terra santa. E aos que corroboram para a manutenção do calvário de imprudências e devastações. Aos que cultivam e alimentam o pré- conceito a respeito do que é nada mais, nada menos que um ser humano. Aos que ostentam o disperdicío comprando o glamour fútil e retrógrado. Ao consumo desproporcional, incoerente e doentio de imbecis que nem ao menos sabem o que querem, mas tem de tudo. Aos desejos internalizados intensificando a sensação de culpa pelos que já pagam por ela. A você estúpido que acredita não fazer parte de tudo isso, que não gosta de politíca, que abomina injustiça, mas é injusto todos os dias. A você pérfido assassino indireto e intolerante que acredita estar por cima da carne seca só por que te classificam como classe média, e não enxerga que só existem duas classes, a dominante, e a dominada. Pelo fim sem dor para um recomeço sem cor, sexo ou classe.

Querer o Horizonte


Cansei de sempre querer, e de ter quando muito, o pouco que você pode me dar, sua amizade. Tua presença me satisfaz, mas meu desejo me corroe, e não poder te ter, é incompreensível para as lágrimas recorrentes. Não confiar no "próprio taco" é tão frustrante, ver-se menor do que se é me pulveriza, me torna repulsivo, e inconstante. Não se trata de pessimismo, vale lembrar que se eu não tivesse esperança nem vivo eu estaria. Estar te vendo de um ponto do qual você não me enxerga é deprimente, é vil. Beber pra te ter é vil. Ver tudo certo ao redor, e saber que o mundo só gira para mim enquanto que todos estão sãos e salvos me põe no gume cego da faca. Se preocupar com o que você vai ver quando me enxergar por inteiro é terrorismo para mim. Imaginar como poderia ser maravilhoso é ilusão. Acreditar na ilusão é sofrer por mais alguns dias sem tua presença real. Não todos. Porque sofrimento sempre pode ser substituido por outro. Não adianta me dizer que eu não era a mesma pessoa que conheceu antes, sem querer eu mascaro o meu "espirito de porco" enrustido, e estrago com a péssima surpresa do eu real. Eu sem nada. Eu sem tudo. Esperar que acreditem que se poderia ser melhor me deixa em caos, me deixa apreensivo, ancioso. Me arrumo todo pra você e enquanto isso repara em um outro boné, que cobre uma outra face. E como esquecer quem já cometeu os erros mais sórdidos, pensando todos os dias em um beijo fatal. Tudo o que u digo tem que ser muito bem pensado. Improvisar não é minha arma mais eficaz, por isso eu escrevo.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Saudade do que ainda não vi


A sensação é de perder o ônibus! Sabe quando tá tudo marcado, certo, certo pra viagem, e no dia você atrasa e perde o ônibus? Bom já sonhei milhões de vezes eu correndo atrás do ônibus que ia me levar para a praia sem nuca conseguir embarcar. Eram sonhos decepcionantes. Eu tinha muito desses sonhos quando era criança e ainda não conhecia o mar, e nunca tinha feito uma viagem. A impressão que eu tinha era que eu nunca consegui chegar ao ônibus em meus sonhos simplesmente por que o destino era algo que eu desconhecia completamente. Como sonhar com algo que nunca se viu? Isso explica muita coisa sabe. Até hoje essa sensação de perder o ônibus na última hora me "apurrinha as idéias". O fato é que eu meio que ando desejando, sonhando ou entenda como quiser, coisas das quais eu desconheço. Bem, eu já sei que existe, já vi por fotos, contudo não sei nem ao menos qual o perfume do que desejo. É fato que ninguém disse nada de bom, nem mesmo se tem propaganda, e mesmo assim, desejo. É engraçado falar daquilo que sentimos, que desejamos sem saber realmente do que se trata. Eu sei que existe, não dá pra negar. Mas e se eu perder o ônibus? E se eu chegar atrasado? Por enquanto eu continuo sonhando aqui, Meu medo é tornar isso realidade e continuar a perder a viagem.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Só um toque

Minha última postagem no "pimentas nos meus olhos é refresco" foi repleta de informações equivocadas destacadas por uma visitante do blog"Manguita" que também é fanzona da trupe romântica. Hoje não vou dar informação nenhuma, se quiserem sabe sobre a banda pesquisem, tenham autonomia.

Eu acho uma pena que as pessoas não saibam curtir quem fala de amor, quem fala com o coração. Quem toca pra dizer, pra desabafar, pra chorar. É uma pena que não se ouça em cada esquina pessoas falando de amor, cantarolando melodias de amor e de amizade. É uma pena serem tão poucos. Se todos ouvissem mais, sentissem mais e consumissem menos, tivessem mais saudade. Eu tenho medo de que o amor seja extinto de vez. Ou ainda de que as pessoas se confundam e confundam este sentimento com qualquer outro que não o seja.

Sabe eu adoro quando eu saio por ai cantarolando Pimentas e alguém continua a música. Isso faz meus olhos brilharem concerteza. Oh paixão! isso abre minha guarda, , me desvirtua completamente. O problema é que isso é incrivelmente raro.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nunca mais


Saudade do abraço que já não existe mais. O sorriso que alegra-se em fotos,

mas não alegra-se em risos. O tormento da noite fria sem mãe, sem cobertor.

O choro é interno, é difuso em lembranças. É o esforço pra não esqueçer do rosto...

mas é o tentar esqueçer quando tudo esta frio e escuro. É o esperar a entrada de sempre pela porta da sala, esperar pela bronca segura, sentado no cais da solidão...

É estar rodeado de irmãos e mesmo assim sentir tanta falta, pois em cada um se estampa

a imagem do que se perdeu, do que se foi por entre os dedos. É a cada fim de tarde

saber que ela não volta mais... que o sol vai se por, e as lágrimas vão esfriar sem suas mãos quentes para secá-las. É cortar os pulsos todos os dias em pensamento e desejar estar longe daqui e mais próximo de quem te ama de verdade.

Cada verão nos distância mais e mais, como se fosse uma despedida eterna, sem lenços, sem risos, sem vozes.

Imaginar acordar com seus gritos dizendo que já passou da hora, ou te ouvir lá fora cantarolando

tua canção predileta. Tudo isso que sempre me fez tão seguro de mim mesmo. Saber que estava lá, e quando eu não soubesse o caminho, saber que me guiaria. Tão diferente de acordar no vázio dos comodos, sem a vida, sem a tua vida.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

À primeira vista


Tento me fazer sempre simpático, sorridente..


mas acabo sempre enfiando os pés pelas mãos.


normalmente eu falo a coisa errada na hora errada


e pouco é importante a minha opnião...


porém o meu silêncio também me pune com a indiferença...


Acabo me saindo então antipático, orgulhoso e de poucos amigos...


ou talvez seja minha cara amassada que assuste tanto.


Eu juro que tento me olhar no espelho e encontrar o que repele tanto a afeição por mim


Já até tentei usar de técnicas de como ser amigável e simpático no primeiro encontro


É fato que eu sei das técnicas. É fato que não consigo necessariamente por em prática.


As vezes me sinto quase como um héctoplasma antisocial, um fantasma pairando sobre


a popularidade alheia, tal qual parece tão peculiar, e tão distante.


Existem fatores negativos inerentes a minha pessoa das quais não pude escapar,


como cabelo ruin, cara de travesti espancado a tamancadas, perninhas tortinhas, corzinha escurinha, barriga grandinha entre outras coisas. Mas tem muita gente com caracteristicas bem mais estigmatizadas com uma simpátia digna de ser miss. O que faz cair por terra minhas


poucas justificativas. Resta então o meu temperamento um tanto quanto sombrio, com um humor negro não muito sagaz, uma pouca capacidade de dizer coisas que sejam relevantes


e que agradem o grande público, e o pequeno também. Realmente no primeiro momento eu não sei me portar muito bem, e por mais que tente passar uma boa imagem, ou que não tente absolutamente nada, o fato é que o que fica é uma péssima impressão sobre mim.


Sobre meus conceitos, sobre meus desejos, sobre tudo.


Provavelmente um dia se você superou o primeiro impacto comigo, eu ouvirei de ti o quanto odiou me conheçer à primeira vista.
Eu também.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Coisa

Tinha tanta coisa,
tinha dinheiro, tinha compromisso
tinha que dar aula, tinha que limpar a casa
tinha camiseta, tinha mordomia
tinha trabalho, tinha amigos
tinha amores, tinha brigas
tinha crianças, tinha sabores
tinha vento.

Tinha tanta coisa
tinha alegria, tinha comida
tinha viagem, tinha tênis
tinha calçinha
tinha medo, tinha galinha
Tinha tanta coisa
tinha estrada, tinha balada
tinha remédio, tinha melão
tinha café, tinha colher
tinha marido, tinha mulher
Tinha tanta coisa sem saber por que
Tinha tanta coisa
pelo prazer de ter
tinha tanta coisa
mas não era nada
O homem virou coisa
coisa humanizada.

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