A vida vem como um sopro, que de tão leve, não deveria pesar tanto.
Ela vem de pouco em pouco, e de tão breve, demora tanto.
Nela da tempo de criar amor, amor se cria
Nela da tempo de criar a dor, a dor se cria
Só não faça da vida, eterna apatia.
Ela vai desconstruir suas verdades
Suas metades.
A vida vem pra nunca mais voltar, de tudo que passa, só ficará
De tudo que fica só lamentar
Com todas as penas, não voará.
Amor, te leve, que de tão leve se esvaiu.
A morte breve, e de tão breve, nos consumiu.
A morte então acontece, e de tão fria, não deveria queimar tanto.
Ela vem como rabo de foguete, melancolia, percebida em qualquer canto.
Nela da tempo de criar amor, amor se cria
Nela da tempo de criar a dor, a dor se cria
Só não se cria essa melodia
Disfarçada de poesia.
Ela vai desconstruir as duas metades
É capaz de engolir, as suas verdades.
A vida vem pra nunca mais voltar, de tudo que passa, só ficará
De tudo que fica só lamentar
Com todas as penas, não voará.
Amor, te leve, que de tão leve se esvaiu.
A morte breve, e de tão breve, nos consumiu.
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Senhora de Vênus
Tarântulas, tamanduás, e ela, sabem.
Tumultuar pra disfarçar, sem ter margem.
Ela partiu, em parte, desiludiu em marte.
Mulher carnívora, voraz e escrava.
Se humilhar não faz mais parte dessa válvula
De escape.
Desalmada, encontrei no meu penar.
Aquela senhora, de historias pra contar.
Sorridentes, e salvaguardadas.
Senhora de Vênus
Meu sonhos pequenos, são só seus
Seus olhos morenos, seu corpo pequeno não é meu.
Me vejo no espelho e acordo assustado
A idade é de Deus.
Na crença perene de estar convergente com seus ideais
Respostas decentes não partem correntes
Mulheres são crentes e choram demais
Mulher que sabe o que quer. Mulher, mulher, mulher.
Senhora de Vênus, teu canto é de ninar.
Mulheres pequenas que vestem problemas
Não podem mais respirar.
Sem hora, sem tempo, senhora de Vênus
Que desce das nuvens em passos disfarçados
Invertem boatos, descrevem-se os atos.
Senhora dos fatos. Sem hora pro lar.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Reconhecida, mente.
Um homem não é um homem, se não for outro homem.
Outro homem que te faça homem, que te faça humano.
Que te reconheça.
...Um homem que desfaça o ontem, que se faz humano.
Que se estabeleça.
Um homem sozinho, não é um homem, nem sobre homem.
Nem sobre ontem, nem sobre hoje, nem sobre terça.
Não passa de ser irreconhecível.
Pois não há quem o reconheça.
Um homem que mente precisa de gente
Precisa de mais do que lhe pareça.
O homem que diz, precisa do homem que ouve
O homem que escreve, precisa do homem que lê
O homem que vive, precisa se reconhecer.
Reconhece-te no outro
E quando o outro é invisível ou ausente
Reconhece-te em ti mesmo.
Com a humanidade não reconhecida, mente.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Promessas
Vamos fugir, não vamos deixar nada pra ninguém.
Não deixe tantas coisas, pra depois.
Não tenha medo, dessa coisa de nós dois.
Nós temos tanto tempo pra acabar
Não termine esse momento sem pensar
Mensagens escritas, no meu celular.
Me dizem que não passou de promessas
Foram essas, que eu nunca esqueci.
Decida esse momento devagar
Não faça do meu mundo um inferno
Não adianta mais dizer eterno
Aquilo que não passa de um penar
Vem da boca pra fora como ar
Se sente, mas não tem como tocar.
Eu peço que me esqueça, eu peço mais.
Não seja meu amigo e se desfaz.
Faz algum tempo que eu notei
Eu acho que no fundo o que eu pensei
Não vale nem a pena, eu sei.
Então me deixe aqui sozinho
Não me engane com o seu carinho
Eu já estou tão insatisfeito.
Então me deixe aqui comigo
Não venha me propor ser meu amigo
Eu nunca disse que eu era perfeito.
Não posso mais viver de ser trocado
Não sei como viver sem ser usado
Eu troco minha roupa no mercado
Eu vejo todo mundo me roubar.
Eu vendo minha alma pro diabo
Eu ando disfarçando o disfarçado
Não tenho canto pra te acomodar
Com esse seu vazio no olhar
E essa sua mania de pensar
E termina o que sempre nunca começa
E me deixa esse balde de promessa
Pra que eu posso nos meus sonhos me encharcar.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Poema da permissão
Solicito o direito de nascença, o direito da descrença.
Aos bem aventurados amansados pelo fruto do trabalho árduo,
Elevo meus pensamentos desordenados
E o meu pouco cortejo aos seus abonos salariados.
Minha felicidade se mede em cifras
Quando em cifras se enervam pulmões áridos.
Respirar é condição de existência.
Aceitar é condição de demência.
Não reclamas pelo sol quente, nem pela chuva cotidiana.
São obras divinas, dizem os ocos otimistas.
Trabalham feito máquinas, vivem cheios de ressalvas
Tiram férias vão às praias
E me pedem intimistas.
Não abro mão, ó bem sucedidos!
Jesus te ama, dizem ungidos.
Reduzem o caos, te reduzem.
Reduzem suas reflexões, suas ideias.
Reduzem o seu modo de ver o mundo.
Chamam-te de pessimista
E numa redoma de vidro pronta a ofender
Vociferam: seu comunista!
Deem-me ó felizes algozes dos desafortunados
O direito a repudiar a desigualdade e a injustiça
Concedam-me o direito a existir como aprendi
De indignar-se com o óbvio, relutante a tua missa.
Não sou cordeiro, tampouco ei de me sacrificar.
Com o décimo terceiro salário
Com as férias reduzidas
E a visão empobrecida,
Pela manutenção, dessa classe,
Já enriquecida.
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Poesia seca
São tantas poesias secas
São tantas vidas vazias
Que eu passo a frente dos dias
Como quem clama ouvir nostalgias
Exclamam: Viver de passado é museu!
Quem dera excluir da memória
Interceptar a história
Romper o que já se envolveu.
O que se cativa, se gruda, se finca
Como bomba de napalm
Arde, incendeia
Marca na pele, como gado
A tatuagem que se frustra, se trinca
Tudo que vive de passado.
A ideia construída do outro
É o aborto prematuro
O reflexo do passado
Inventando um futuro.
Saudosista de meia pataca
Nostalgia pela culatra
Lembra mesmo do que não viveu
Perpassou por casas vazias
Conheceu pessoas sombrias
Reclamou o que nunca foi seu.
O passado é abstrato em forma de aroma
Tem conteúdo, tem preenchimento
Vem cheio de coisas uteis
Desusadas, abandonadas
Termina com laços fúteis
Poesias, degoladas.
O passado é uma carta escrita com amor
Faz sentido, tem sentimento
Escreveu-se cheia de atitudes
Desonradas, descartadas
Termina com “desvirtudes”
Vidas rasas, amassadas.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Absorvo
Feito guardanapo velho de papel
absorvo.
Absorvo feito gente grande capaz de abstrações.
Inerte a observar as promessas incertas
absorvo.
Feito quem observa o horizonte inalcançável
absorvo.
Feito esponja usada toda em fel
absorvo.
Absorvo o observável, e intocável
absorvo.
Absorvo feito gente grande capaz de abstrações.
Inerte a observar as promessas incertas
absorvo.
Feito quem observa o horizonte inalcançável
absorvo.
Feito esponja usada toda em fel
absorvo.
Absorvo o observável, e intocável
Pelo prazer de não morrer, absorvo.
Feito terra regada em lama, a sete palmos
absorvo.
E quando absorver for insuportável
talvez exploda.
Feito terra regada em lama, a sete palmos
absorvo.
E quando absorver for insuportável
talvez exploda.
sábado, 13 de outubro de 2012
Como andam as pessoas
As pessoas, andam sem tempo.
Elas andam com pressa.
As pessoas andam sem senso.
Elas não se interessam.
As pessoas andam só vendo.
Elas andam com pressa.
As pessoas andam sem senso.
Elas não se interessam.
As pessoas andam só vendo.
Só lendo, mas não interpretam.
As pessoas andam na linha.
Seguem passos de robô.
Elas andam mecânicas.
Elas andam irônicas.
Elas andam sorrindo demais.
Elas andam correndo demais.
As pessoas andam fugindo.
Elas andam ruindo.
As pessoas, não param.
Elas andam se destruindo.
Elas não se relacionam.
Elas não se emocionam.
Elas não ouvem.
As pessoas andam no mesmo rumo.
Na mesma fila, cabeça com cabeça.
vazio com vazio.
andam no curso do rio.
As pessoas andam na linha.
Seguem passos de robô.
Elas andam mecânicas.
Elas andam irônicas.
Elas andam sorrindo demais.
Elas andam correndo demais.
As pessoas andam fugindo.
Elas andam ruindo.
As pessoas, não param.
Elas andam se destruindo.
Elas não se relacionam.
Elas não se emocionam.
Elas não ouvem.
As pessoas andam no mesmo rumo.
Na mesma fila, cabeça com cabeça.
vazio com vazio.
andam no curso do rio.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
O desinteressar
Definitivamente
Ando
desinteressado pelo desinteressante
O
aviltante desinteresse que desinteressa
Tornei-me
desatento, sonolento.
Definitivamente
Ando
despreocupado e nauseante
Com
cada papo de muita pressa
Calei-me
o intento, ao seu contento.
Definitivamente
Ando
descolado e desconcertante
O
contagiante constrangimento que se expressa
Interessei-me
pelo vento, ao relento.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Vivacidade
Tomei
vivacidade
Cada
gole uma gota de tristeza
Cada
gota uma pitada de falta
Cada
pitada um cisco de morte.
Apossei-me
da vida
Cada
toque um tom de sutileza
Cada
tom, tiro pela culatra.
Cada
tiro um risco de sorte.
Falseei-me
pela verdade
Cada
história um conto de mesa
Cada
conto uma dose de malta
Cada
dose um gado de corte
Vivi,
possui, fingi.
Engoli,
toquei, contei.
Cortei,
joguei e morri.
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Comprimido
Comprimido,
Cura algumas dores
Duas cartelas, dois amores
Comprimido,
Dentro do peito
Sopro de ar, elo desfeito
Comprimido,
Explodes as mágoas
Cura algumas dores
Duas cartelas, dois amores
Comprimido,
Dentro do peito
Sopro de ar, elo desfeito
Comprimido,
Explodes as mágoas
Comprime nas celas tudo que fores.
Comprimido,
Engoles algumas palavras
Verteis lágrimas pelo sujeito
Comprimido,
Engoles algumas palavras
Verteis lágrimas pelo sujeito
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Canção pra nunca mais.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Amanhã a gente conversa, esse papo, já não interessa.
Eu recebo do fruto o bagaço
Eu exclamo com peito de aço
Amanhã a gente se estressa nesse passo, cheio de pressa.
Amanhã, a gente se vê, não quero mais sofrer.
Correndo atrás vertiginosamente
Eu tenho o meu orgulho, mas hoje estou carente.
Estou tão inseguro, e preciso te dizer.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Hoje você foi tão duro, tão maduro, e eu em cima do muro.
Hoje você disse tudo, que eu precisava ouvir.
E eu me senti tão pequeno, pensando no nosso futuro.
Você foi um sopro de calma, e eu precisava rir.
Sentar e sair
Seguir e sentir
Voltar e partir
Não dá pra esquecer.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Mas amanhã, eu apareço, pedindo aconchego
Quem sabe às vezes me esqueço desse orgulho e peço arrego
Eu digo da boca pra fora, por que eu nunca vou embora.
Mas repito feito um disco, naquilo que eu insisto.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Canção sem mim.
Cantava na calçada uma canção na tua voz
Criava uma parada, que desata tantos nós
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem
Relaxa põe o tênis e sai logo pra cantar
Iluminando os bairros, com seu brilho no olhar
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem
Balança nessa dança desconectada sim
Desista desses sonhos e conforme-se com o fim
Lá fora existe dor, existem redentores sim
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem
Sem sombra sem saber
Assim a solidão convém
Pare lá em casa tome um chá
Seja refém
Desse papo, desse laço, descompasso arrematou
Desse lado há um sonho tão amargo que ceifou
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem
Sem ti, sem direção
Sem mim, na contramão
Sem fim, sem ilusão.
O gato.
Cama, gato, fama, rastro
Caducado todo o corpo nu
Línguas e desfiles rasos
Sem imposição
Gatos magros recalcados
Desestimulados encontrados
Nesse chão
Fatos machos bem bolados
Casos raros
Meio em extinção
Ligo o computador e vejo a sua foto
Remoendo o passo, cada passo do teu traço
Gato fique bem, mas preste atenção
Eu sou tão arisco, o risco é iminente
E pode ser que a gente
Se arranhe no portão
Mia como mio, mio como mia
E a gente come o dia e de repente acabou.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Ela correu atrás
Ela passou a vida toda trabalhando e não viu o sol
Ela passou a vida toda reclamando e não se excedeu
Ela passou a vida toda batalhando por um sonho, que nunca
foi seu.
Agora ela esta com sono, e não sabe como proceder.
Ela dorme o dia inteiro no trabalho que não é mais seu.
E não esquece o marido arrependido que nunca aprendeu.
E têm dois filhos tão distintos, quantos filhos que não são tão
seus.
Ela merece mais, mas sempre foi demais.
Ela correu atrás, mas nunca teve paz.
Ela nunca sambou na esquina com as amigas
Ela passou a vida toda nesse vai e vem
Ela lavava passava roupa muito bem
Mas de domingo feriado ela não ia além
Não sabia se divertir, para fugir.
Não fazer nada era transgredir
A sua rotina que não era boa pra ninguém.
Tava cansada, desanimada, com essa vida dissimulada.
Ela marcava na sua agenda aquele tempo de solidão
Tava sentada lá na calçada
Observando a lentidão.
Ela passou a vida inteira construindo um castelo de areia
Ela passou a vida inteira, de costas para o mar.
Ignorava a grande onda, disposta a arriscar.
Bastou um sopro no seu rosto, Ela não soube chorar.
Ela criou seus filhos, todos de costas para o mar.
Ignoravam a certeza e a beleza no olhar
Só aprenderam na frieza, não sabem como confortar.
Ela chegou mais cedo do trabalho e foi procurar
Fazer o seu trabalho, de esposa do lar.
Ela esqueceu de viver a própria vida.
E agora vive uma vida desmedida
Sem rumo sem hora pra acabar.
Não desliga nem muda sua rotina
Ela chora por dentro sem parar.
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