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sábado, 31 de janeiro de 2015

Oxigênio


Que penetre em minhas vias mentais
Que infle minhas carótidas cognitivas
Que pulse o sangue,
Oxigene minhas ideias
Transforme minhas duvidas em motivações
A exalar as frustrações carbônicas,
Dispensáveis.
Inunde dentro de mim,
Faça transbordar a vontade de lutar
Oxigene o senso de justiça
E mate em mim a banalidade
A naturalização de tudo isso.
Oxigene a tomada de partido
O posicionamento, a busca por conhecimento.
E não me deixes cair em alienação.
Inspire-me a regozijar da revolta e rebeldia
Do pensamento contrario
E contraditório.
De estar fora da ordem
De refletir sob a desordem.

Oxigene-me. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

A nova Sarandi e a segregação socioespacial financiada pelo Estado.



A segregação socioespacial é um dos principais aspectos que caracterizam as grandes metrópoles , mas também pode ser vista nas metrópoles menores e até em pequenas cidades que seguem a mesma lógica, um exemplo claro dessa segregação no espaço urbano é a cidade de Maringá, com seus bairros nobres e seu novo centro. O fenômeno da segregação socioespacial, entendido dentro da lógica capitalista contraditória, configura-se pela apropriação dos melhores espaços da cidade pela minoria rica e o afastamento da população de baixa renda para os espaços mais precários e desqualificados da cidade. Assim, a segregação socioespacial reflete as desigualdades econômicas, sociais e de classe características do sistema capitalista, influenciando nas formas de ocupação residencial, na oferta de serviços e na infraestrutura.

Nesse sentido, o principal meio encontrado pelos menos favorecidos para satisfazer a necessidade de moradia é a autoconstrução, que reflete o descaso do poder público no investimento de infraestrutura e serviços, implicando em condições de moradia indignas e precárias. Sendo assim, o Estado atua como um dos principais agentes segregadores, atuando em favor dos interesses dos capitalistas, em detrimento dos interesses da população pobre. O Estado, como agente legal do direcionamento da habitação de acordo com as classes sociais, favorece os interesses das classes altas, inviabilizando o acesso das melhores áreas da cidade às classes menos favorecidas e omitindo-se em relação aos principais problemas dos espaços periféricos de habitação. Além disso, vale destacar outra ação segregacionista do Estado, com a construção de conjuntos habitacionais populares em lugares distantes do centro da cidade, com oferta precária e insuficiente de serviços básicos à população, como ocorreu em Maringá com a construção de Conjuntos Habitacionais extremamente distantes do centro da cidade e da infraestrutura oferecida pelo poder público.

Outro importante agente segregador é o proprietário fundiário, que tem interesse no aumento do valor de troca da terra e para isso pressiona o poder público para o investimento em infraestrutura, em troca do aumento dos impostos cobrados. Assim, é notável a articulação e a ação conjunta desses dois agentes que colaboram, fundamentalmente, para a segregação socioespacial.

Outro ponto não menos importante é identificar diante desse modo de organização urbano social, como o poder público esta a serviço não da população, mas sim das empreiteiras, das loteadoras, das grandes industrias, e dos grandes empresários, bem como a serviço dos próprios interesses.

No caso de Maringá, temos claro e límpido como a água jorrando da fonte com a chegada do fim de ano, como a segregação sócioespacial é gritante. O poder publico investe consideravelmente no embelezamento do centro da cidade e dos bairros já ocupados pela classe mais abastada de Maringá. É possível verificar na segurança massiva no centro com a circulação constante de policiais, nos canteiros e flores maravilhosas que enfeitam essas partes especificas da cidade, na limpeza, na condição do asfalto sempre impecável, nos eventos oferecidos, enfim, o dinheiro é injetado numa única parte da cidade, no entanto ele é arrecadado igualmente de todos os habitantes da cidade, não existe taxação das grandes fortunas. Enquanto isso o morador dos bairros periféricos, caso queira se beneficiar de toda essa beleza de fim de ano, pelo menos temporariamente já que jamais terá condições de morar no centro da cidade muito menos nos bairros nobres, este, tem que se deslocar do seu bairro até o centro da cidade onde se concentram os grandes investimentos em infraestrutura, que valorizam significativamente os proprietários de terrenos, estabelecimentos, imóveis que se localizam nesses locais. Os canteiros de Maringá, não são para os moradores de Maringá, pelo menos não para todos.


E nesse mesmo sentido vem esse projeto da nova Sarandi, como um modelo de organização socioespacial segregacionista, que ignora as mazelas de uma Sarandi já existente para beneficiar os interesses de um pequeno grupo que tem muito a ganhar, com esse novo espaço, que antes mesmo de existir já vale um bom dinheiro. Se realmente houvesse o interesse em beneficiar a população de Sarandi, os investimentos deveriam ser obviamente destinados a Sarandi que já é uma realidade, e não numa ideia de uma nova e distante cidade. Se toda essa infraestrutura, se todo esse projeto, se todo esse planejamento fosse com o objetivo de revitalizar a Sarandi que já existe, valorizando quem já tem suas moradias há anos, quem já tem seus comércios há anos e que há anos sofrem com a precarização do serviço público, eu acreditaria nesse projeto. Mas se esse projeto esta sendo idealizado para um espaço vazio, distante do espaço que já é uma realidade, quer dizer que esse projeto não é para o morador de Sarandi, esse projeto vai de encontro aos interesses das loteadoras, de grandes empresários, de gente com bala na agulha para estar se apropriando dessa nova Sarandi que vai receber toda a infraestrutura que a velha Sarandi não tem, sem deixar escapar o detalhe, de que o dinheiro utilizado para isso, vem do contribuinte da velha Sarandi. Desta forma os moradores reais de Sarandi não podem corroborar com essa ideia de nova Sarandi, já que esta não é para os mesmos. Não importa o quão o discurso seja bonito, não importa o quão o discurso nos diga que a nova sarandi vem no sentido de melhorar também a velha Sarandi, Mentira! A ordem jamais deveria ser essa, primeiro a nova e consequentemente a velha, muito pelo contrário, primeiro deve-se organizar e se investir no que já existe, e se for necessário a expansão que isso ocorra naturalmente, e não forçadamente com interesses espúrios de se auto beneficiar como vem fazendo há tempos a administração liderada pelo prefeito Carlos de Paula junto com seus vários comparsas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

COMUNIDADE ESCOLAR DE MARINGÁ: O CURRAL ELEITORAL DOS BARROS

Os professores, pedagogos, supervisores e diretoras da rede municipal, em sua grande maioria vem reproduzindo um discurso que vem da esfera federal, mais especificamente no congresso nacional. É o discurso que assume um conceito vazio de democracia. Não sabemos por parte dos servidores se é má-fé, ou se a reprodução do discurso parte da total alienação no que diz respeito ao entendimento sobre os conceitos reais de democracia. Esse discurso tem como base de sustentação a democracia representativa, como única via da democracia. O discurso reproduzido na esfera municipal sobre democracia, no caso da reivindicação da volta das eleição de diretores para as escolas tem se pautado na democracia enquanto mera procuração cedida aos vereadores e prefeito na tomada de decisões políticas. No entanto esse conceito de democracia é tudo aquilo que abominamos diariamente, quando pedimos para ter voz, quando pedimos para sermos ouvidos, quando reiteramos que temos direitos de decidir e de participar das escolhas que nos cabem, quando achamos que as politicas publicas não estão sendo concretizadas, então, ainda no que tange a democracia representativa, essa representação não pode ser uma procuração em branco avalisando quaisquer decisões que sejam tomadas pelo prefeito ou pelos vereadores, e no ambito federal pelos deputados e senadores.
No próximo dia 18 de novembro os servidores municipais de Maringá farão uma paralisação decidida em assembléia. Não meus caros, a paralisação não caiu do céu, não brotou do chão, como muitos desavisados acham, ela foi decidida por um grupo de servidores que resoveu tirar a bunda do sofá de casa e se encaminhar até a camara de vereadores para se enpoderar dos seus direitos. Foram poucos, mas o suficiente para decidir. Com a decisão da paralisação o que tem se visto no cotidiano escolar é o terrorismo barato tipico da família Barros e tipico deste modelo nauseante de manutenção do poder do qual se utilizam os piores politicos. Sim, é da Família Barros que estamos tratando, o Pupin, e a grande massa volumosa de vereadores deste municipio rezam a cartilha barrosa. Essa cartilha faz parte justamente de um conjunto de ações que certificam a manutenção do poder nas mãos da família Barros, seja por eles diretamente ou por laranjas, como o Pupin, e não obstante, outros que vem com uma tentativa sórdida de se desenhar no cenario enquanto oposição a tudo isso, como vem fazendo convenientemente o presidente da camara de vereadores de Maringá, Ulisses Maia. E nessa linha como fazem estratégicamente outros vereadores que ora se dizem estar com o povo, ora votam contra o povo. Contradições, muito hegemonicas eu diria.
Esse terrorismo, ou perseguição no ambito escolar, do qual eu faço parte, mas que pode ser relatado por outros servidores em outros ambitos de diferentes maneiras sobre a decisão de paralisar na próxima terça só é possível por que a administração fez muito bem o dever de casa, com o cerceamento da participação democratica nas decisões politicas, cada vez mais estamos sujeitos e submetidos aqueles que indicados pela admistração seguem como capatazes aterrorizando em nome de uma falsa democracia o direito dos trabalhadores de se mobilizar e de reivindicar melhores condições de trabalho. Por isso, a campanha e a paralisação pode ser pelo vale alimentação, mas que fique claro, essa paralisação deve fazer parte de algo muito maior, que é a retomada da participação popular nas decisões politicas da nossa sociedade. Se tivessemos o direito de eleger a direção das escolas garantidos, hoje não precisariamos estar submetidos ao envenenamento terrorista plantado contra os servidores, a fim de intimidá-los, de coagí-los, caso paralisem.

O que temos hoje nas escolas municipais de Maringá, são professores em sua maioria cada dia mais emburrecidos, alienados, conformados, que se justificam de todas as maneiras possíveis para desviar-se do dever de lutar pela redemocratização das escolas, e por melhores condições de trabalho, inclusive na questão salarial. Professores que alegam que já lutaram demais, e que nuca obtiveram sucesso; outros amedrontados com a coação da administração, outros dizem ter outras coisas para fazer, como se todas as outras coisas tivessem mais importância que a participação popular na construção de uma real democracia, isso por que resolvi nem mencionar que existe uma outra via democratica além da representativa, que é a democracia participativa, que exigiria muito mais dispendio de energia do povo. Mas o povo tá tão cansado não é mesmo, que dar procuração em branco anda parecendo uma boa opção. Professores e comunidade, preciso alertá-los, os sorrisos matinais e vespertinos das diretoras nas escolas na hora da entrada, são milimetricamente calculados e decididos politicamente por quem quer manter a educação enquanto grande curral eleitoral, é estratégico, não deixem se enganar por esse entendimento abominável de democracia que tentam efiar goela abaixo.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O RANCOR DA BANCADA CONSERVADORA, E O ATAQUE A PARTICIPAÇÃO POPULAR TRAVESTIDO DE ÓDIO AO PARTIDO DOS TRABALHADORES.


As eleições se findaram, contudo os ataques aos direitos civis vem se intensificando dentro do congresso nacional com o aval dos separatistas e antipetistas que se alastram com um ódio rançoso em terra brasilis, como quem acaba de chegar da monarquia portuguesa no ano de 1500. Posso sentir o cheiro fétido, dos cavalos e carruagens, trazendo todo o colonialismo mais vil.

Estamos lhe dando com um congresso vingativo, conservador, aristocrático, truculento, cínico, escravocrata, que se empoderou ainda mais de suas bandeiras fascistas, autoritárias, antidemocráticas e raivosas depois das eleições de 2014. Esse empoderamento se deu pela oxigenação do ódio irracional a candidata Dilma e ao partido dos trabalhadores. Esse ódio foi inflado de todas as maneiras possíveis, como vem sendo desde sempre, e com o governo do PT se mantendo no poder, a irracionalidade, a brutalidade deve ser avalizada pelo povo que preencheu seus próprios esvaziamentos de um ódio, muito fortemente ligado aquilo que podemos chamar de ideologia da classe dominante.

Assim, como primeira ação do congresso nacional, tivemos o veto ao decreto 8243 que institucionaliza uma política que já existe e aprofunda a democracia na medida em que aproxima a sociedade civil e o Estado. A presidente Dilma Rousseff assinou, no último dia 21, um decreto que institui a Política Nacional de Participação Social. De acordo com o decreto “fica instituída” a política, “com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”.

A priori, estamos falando de modo resumido da transição da democracia representativa que reproduz propositalmente e muito convenientemente uma comodidade na sociedade civil, que ao se ver representada por meia duzia de parlamentares, e ignorante ao tema política se abstêm completamente do seu poder de decisões dentro daquilo que é mais importante na organização social e politica, para uma tentativa embrionária da democracia participativa, que possibilitaria um maior poder de decisão ao povo, ou seja, uma mudança significativa na forma de fazer política, mesmo que ainda mantendo as relações e condições dadas da realidade concreta, de uma sociedade capitalista.

Nas redes sociais se referindo ao veto no congresso nacional, Antonio Imbassahy disse:

“Vitória da democracia!
Acabamos de derrotar na Câmara dos Deputados, o decreto bolivariano da presidente Dilma, que retira do Congresso Nacional atribuições constitucionais transferindo-as para 'conselhos populares'. Ao impedirmos que o voto de cada eleitor brasileiro valha menos que uma cantada da presidente, demos um claro sinal para Dilma e o PT: o Brasil não aceita o chavismo da Venezuela e não vai se submeter ao autoritarismo repudiado por mais de 50 milhões de brasileiros que nas urnas do ultimo domingo fizeram sim as mudanças.”

É preciso se atentar para as estratégias sórdidas de ganhar o aval da população até mesmo quando se trata de uma ação que significa um claro ataque aos direitos civis e a participação popular nas decisões politicas do país. Os jargões mais utilizados na atualidade pela classe burguesa, são “bolivariano” e “chavismo”, e em conjunto com toda a estrutura organizacional da classe burguesa, dentre elas o monopólio da comunicação, nos vemos a mercê da reprodução de idéias idiotizadas e descoladas da realidade na tentativa de explicar o que é uma clara tentativa de pulverizar o partido dos trabalhadores do cenário politico. Dá-se todo dia essa tentativa com capas da Veja, da Isto É, da Época, do Jornal Nacional, da rede Globo e suas filiadas como um todo.

Justifica-se o veto ao decreto, com uma possível ditadura petista, onde movimentos sociais institucionalizados teriam mais poder que o próprio congresso, como o MST, a UNE, e outros movimentos sociais que seriam encabeçados por militantes do PT, o que é tão pernicioso quanto a disseminação indiscriminada e esvaziada dos termos “chavismo” e “bolivarianismo”, numa clara tentativa de justificar o injustificável. Numa falta abissal de compreensão de que os movimentos sociais, somos nós, são aqueles “partidinhos” de esquerda que vocês odeiam, aqueles que vivem batendo panelas e brigando por direitos, que vivem diariamente nas ruas, infernizando a vida dos políticos, justamente com a intenção de participar da vida politica do país. Agora se você acha que eles são encabeçados por militantes do PT, tire essa bunda gorda do sofá e vá militar nos movimentos sociais, quero ver quantos dias você aguenta.

Me permito, repetir, vocês são com toda certeza uma porção de ABERRAÇÕES COGNITIVAS, reproduzindo feito papagaios coisas das quais não tem o menor conhecimento, falam de inflação, de dólar, de recessão, de economia, como se fossem peritos, mas não fazem mais nada do que repetir aquilo que os donos das mídias transmitem incessantemente como alimento do ódio e do rancor ao partido dos trabalhadores, que sim faz todo tipo de concessão para se manter no poder, mas faz concessões que fique claro, a justamente aqueles que estão no poder, aqueles que são a própria concessão.

O partido dos trabalhadores carrega consigo o ranço do socialismo, o ranço do golpe comunista, e apesar de não ser absolutamente nada disso, deve servir como exemplo para nós que lutamos pelo socialismo. Esse ódio produzido e enlatado pela burguesia contra o partido dos trabalhadores, é um ódio a toda ideia socialista, é um ódio a toda ideia de revolução e de inversão da piramide social. Hoje é um ódio dessa pseudo e enfadonha esquerda, o PT, mas só por que ela se tornou visível e importante no cenário politico, no entanto, qualquer que seja a esquerda que sair do submundo, da invisibilidade, dos guetos, dos movimentos sociais, será criminalizada, será vitima brutal desse ódio irracional inflado e oxigenado cotidianamente no imaginário social.




domingo, 27 de abril de 2014

Uma pedra, um abismo.



Já passou algum tempo, desde a ultima vez que me vi, e hoje não me reconheço entre as relações, e já não me reconheço nas linhas escritas. Estranho que por um período as mesmas linhas definiam meus traços e afagavam meus infortúnios, como um colo de mãe, como um ombro amigo.
Hoje compartilho comigo mesmo pensamentos difusos e embaralhados, que me lembram somente aquilo que já foi, mas não delineiam uma espécie de futuro real, concreto. O hoje é uma pedra enorme a beira de um abismo que se equilibra quase que contrariando as leis da física. Pesada demais pra sair do lugar, insegura demais para se deixar cair na imensidão.
Se deixar cair, ou manter-se inanimado são questões estruturantes no que tange a auto percepção, um olhar a si mesmo de fora do corpo, sem ser notado. Perceber-se enquanto protagonista de sua própria história, torna-se frustrante, quando a normalidade cerceia as possibilidades, tornando o todo uma pilha de estilhaços, impossíveis de voltarem a ser, aquilo que já foram.
Ser o inteiro que eu sinto como diria “O teatro Mágico” exigiria não só de mim, mas de todo o resto. E todo o resto está tão despreparado quanto eu, pra compreender a totalidade. A realidade esta sendo compreendida de modo fragmentado, numa série de factoides confusos, misturado com um emaranhado de informações, opiniões e visões de mundo distorcidas pelo modelo social construído historicamente.
Parafraseando novamente “O teatro mágico”, o que eu tenho feito pra tentar ser ouvido, é justamente não dizer nada, é deixar um pouco do silêncio dizer por mim, “Pra dizer às vezes, que às vezes não digo”. Mas a maioria já perdeu qualquer sensibilidade de ler o outro, de estudar e compreender o outro, e de certa forma, essa insensibilidade vem me contagiando, como uma doença feroz que toma todo corpo, que afeta a alma, que corrompe o coração.
O que reflete no outro é o egoísmo exacerbado, um desejo insano de autoafirmação recorrente em todos os meios. Todos estão esperando sua vez de expor fatidicamente suas neuroses, suas crises, seus devaneios, em contrapartida se recusam previamente a ouvir tudo aquilo que não seja sobre si mesmo.
Esse conjunto de incompatibilidades com o resto do mundo me fixa ainda mais a beira do abismo, e inerte, sinto o frio na barriga a cada vento que sopra me empurrando em direção ao nada. O nada pode ser tanta coisa, como pode ser coisa alguma. Mas ao olhar para trás, o lado oposto do abismo, o ponto estável do passado uma espécie de náusea me tonteia, me deixa sem norte, e me faz ter cada vez menos desejo de falar.

No entanto, como diria Milton Nascimento “Estou só e não resisto, muito tenho pra falar”, e todo esse falar vem inflando no peito, seguido do medo e do desejo de voltar. Calar todas as angustias e todos os anseios, quando já se calam tantas outras confusões, é como um injeção letal, uma morte silenciosa, uma morte esperada, sem enterro nem nada.

domingo, 3 de novembro de 2013

Padrões

Não vamos reparar no tempo, não tenho argumentos pra tanta indecisão.
Nem tempo, tenho tanto medo, de chegar bem perto.
De certo estou na contra mão.
Eu tive no padrão do tempo,
Um padrão isento de uma solução.
Não vamos reparar no rótulo, não tenho nenhum caso inóspito, desinformação.
E quem dirá que toda essa causa, não merece atenção?
E quem dirá que todo esse tempo, paradigmático estava na dissolução.
Em passos largos, regredindo em fatos.
Discutindo em atos, o que não tem discussão.
Já cansei desse formato, tão quadrado, perfurado.
Não cair em tentação, já não vale mais a pena.
A minha oração, a minha oração.
É pra que ninguém ore mais por mim.
Creia tanto assim, que o mal e o bem,
São coisas tão distintas
Tão maniqueístas.
E dentro de mim, existem tantas vidas.
Vidas desmedidas, sem padrões, confusões.
Assim, o tempo do padrão, não me é solução.

E nunca quis dizer, nada.

domingo, 21 de julho de 2013

Uma pena que não plana


Já parou pra pensar quantos lugares que nos dizem livres, que nunca fomos e nunca sequer sentiremos o aroma, não saberemos das suas curvas, das suas depressões, das suas cores, das suas histórias?
Quantas histórias não vividas sonhadas caíram na imensidão frustrante da falta de tempo, da falta de chances, da falta de tato?
Quantos filmes tristes foram motivos de choro, de um soluçar constrangedor por não entender como um filme pode lhe emocionar mais do que sua própria vida?
Já pensou em toda imensidão de coisas e pessoas que jamais conhecerá e que jamais tocará, as quais com imensa reciprocidade nunca saberão da tua existência?
Hoje eu pensei em toda essa mágoa contida, que extravasa no vazio de uma historia que não é a minha, contada num outro lugar, onde daqui, enquanto expectador, de olhos lacrimejados, insisto no sonho de protagonizar o meu próprio enredo.
Há tempos a inquietude acompanha meus passos, distorce minhas certezas, contradiz meus argumentos, e me faz ter vontade de expressar-se. Há pouco tempo que uma força estranha e desanimadora tem bloqueado até mesmo que a inquietude em mim, seja combustível para continuar, na única certeza que eu achava que tinha.
Deste modo, o mundo em que vivo, e que já se desconstruiu inúmeras vezes diante dos meus olhos, agora me parece inerte, e não corresponde ao meu pulsar, o meu pulsar não corresponde ao meu querer.
O mundo, dentre todas as possibilidades de fragmentação, me causa a sensação de permanecer em um estado de deslocamento, ou ainda de descolamento, entre o real, o concreto, e as ideias. E por permanecer neste conflito é que me pergunto, o quanto deixei de crescer por não tomar da mesma dose e do mesmo remédio que tomam os normais, que se sentem livres todos os dias.
Aqui, nesta prisão, eu nunca entendi de fato como é ser livre. O conceito de liberdade se apresenta desfocado, quase esmaecendo diante da minha compreensão vazia e tardia.
Não é poesia, é falta dela. Não é lamentação, é não ter pelo que lamentar. É a tentativa em vão de sair de si e das suas angustias, num voo ampliado em busca de entender o mundo e sua totalidade, e não entender coisa alguma, voltar-se mais uma vez para si, e sentir pena. Uma pena que não plana.

Assim vai se construindo uma reticência cíclica, uma historia confusa e estática. Muitas vezes uma historia que parece ter movimento, e que no entanto permanece sempre no mesmo lugar.

domingo, 5 de maio de 2013

Quarteirão



Ele era pequeno e o seu mundo era um quarteirão
Desenhava ruas na sua mesma rua,
Cidade era o calçadão.
Não havia prédios, só os que via na televisão.
Na sua rua havia tantas pessoas
Algumas delas quase boas
Outras tinham seus mistérios
Seu medo eram cemitérios
Pessoas mortas e a escuridão
Era criança, era infância de ilusão
Tinha amigos, só os vícios que não eram bons
Ele vivia tão sozinho, mas tinha um irmão
Seus pais não eram tão distintos
Saiam cedo pelo portão
Seu dia era de um menino só
Menino de rua na contra mão
O dia demorava a passar
E a páscoa depois do carnaval
Era o medo do que era mal.
Ele era pequeno, e o seu mundo era o seu quintal
Imaginava uma moto
E uma pedra era o teu pedal
Descalço acordava com os pássaros
E a cada dia um espaço sideral.



sábado, 13 de abril de 2013

Redução da maioridade penal, coisa de boçal.



A rede globo é tão óbvia na sua canalhice em manipular a opinião pública, que se a opinião pública tivesse um pingo de vergonha na cara, não chafurdava na própria merda.

A emissora claramente seguindo a linha de reprodução dos ideais hegemônicos burgueses, não faz qualquer questão de esconder o seu desejo de manipular a opinião da plebe, revestida do desejo internalizado de se encaixar no quadro paternalista, heteronormativo e eurocêntrico de família nuclear tradicional e conservadora, que no ápice de sua imbecilidade apoiam que a panaceia para os problemas de violência no país se concentram na redução da maioridade penal para dezesseis anos.

É natural que esta plebe idiotizada que se orgulha da ascensão social, e acreditam invariavelmente na meritocracia, e na escalada até o status de “donos do capital” como verdade absoluta e irrefutável, comunguem não só deste desejo em prol da redução da maioridade penal, como compartilhem também de ideias que defendem a pena de morte, e são os mesmos que acham que bandido bom é bandido morto, são os mesmos que acham que o Estado é Laico, mas não é ateu (sic), são os mesmos que são contra o casamento igualitário, são os mesmos que acham que o movimento social, as greves e as manifestações populares nunca vão dar em nada e não passam de baderna, são os mesmos que acham que existe uma “ditadura gay” no Brasil, são os mesmos que chamam pessoas engajadas no movimento em busca de direitos LGBTTS como Jean Wyllys, por exemplo, de “gayzistas” em referencia ao nazismo, que provavelmente desconhecem conceitualmente, são os mesmos contra as cotas raciais, que acham que não existe racismo no Brasil, são os mesmos que acham que os índios já em terras demais, que eles tem que se contentar em estarem vivos, são os mesmos que são contra o MST, e acreditam piamente que os grandes latifundiários trabalharam mesmo honestamente para acumular o tanto de terras que possuem, e encharcados de boçalidade reproduzem exatamente aquilo que a mídia e os donos do capital querem.

A rede globo em meio à discussão do projeto de lei pela redução da maioridade penal investe pesado no seu posicionamento, trazendo como argumento os casos diários de adolescentes que cometem crimes. O ultimo caso, foi o do adolescente de classe média que foi assassinado por outro adolescente na porta de casa. Veja como a rede globo é didática, primeiro ela mostra o caso, enfatizando que o assassino é um adolescente, e depois traz a discussão a respeito da redução da maioridade penal. Qualquer paquiderme entenderia o recado, e é ai que esta o problema, os paquidermes entendem o recado que a globo quer passar, e além de entender, assimilam como verdade absoluta, e passam a comungar da mesma ideia, como se não houvesse outras formas de pensar e refletir sobre o assunto. A rede globo quis dizer o seguinte: Se a lei que reduz a maioridade penal para dezesseis anos existisse, o garoto que assassinou o outro garoto de classe média, responderia criminalmente como qualquer outro adulto, e seria mais um encarcerado nas penitenciarias do país.

Só me ajudem a entender, por favor, por que eu devo ter problemas cognitivos sérios para entender a lógica. Os crimes reduziriam como? O envolvimento dos jovens nos crimes reduziria como? Os assassinatos praticados por adolescentes reduziriam como? Quando todos os jovens, filhos de pobres e negros estiverem detidos? Esta é a solução que esta em pauta? É de se perder a fé na humanidade, que de humana parece cada vez ter menos.

A falta de consciência de classe cria esta abertura abissal para estes pensamentos idiotizados que parte de uma classe média desorientada e crente que a luta de classes não existe, o que existem são as classes, e depende só do esforço individual passar de uma classe para outra.

Eu estou cansado da imbecilidade orgulhosa dessa gente, que bate no peito e defende um Brasil higienista, medieval e medíocre. 

terça-feira, 26 de março de 2013


Retratação aos vereadores

No ultimo post do Blog a respeito da ordem do dia da câmara questionei o diálogo entre os projetos e solicitações ao executivo com as reais necessidades da população, sob o julgo de não estarem numa real convergência, e sendo assim, não passarem de justificativas para manter sob tutela parte da população como curral eleitoral permanente. Num trecho do texto de modo geral me referi aos vereadores como “canalhas”, adjetivo o qual a princípio se refere não a este ou aquele, mas sim a atuação histórica de muitos que por ali passaram. No entanto, sob o direito a interpretar o texto livremente, recebi o E-mail de um vereador, que pediu retratação. E não só por isso, mas também por entender que realmente cometi um equívoco ao generalizar, e por não ter receio de corrigir o erro, reitero que o adjetivo que desqualifica os vereadores, não condiz realmente com o objetivo do Blog, que é justamente o de denunciar, cobrar e construir criticas sem perder o bom senso.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Ordem do dia na Câmara não passa de manutenção de curral eleitoral na cidade




A câmara municipal de Sarandi legisla completamente fora da realidade. A lógica é a mesma lógica instaurada pelo modelo organizacional capitalista sobre o trabalho produtivo. Os projetos e os ofícios que entram em discussão não refletem a realidade, e demonstram claramente a falta de diálogo com a população.
Existe tão somente uma necessidade de criar projetos e solicitar ao executivo uma gama de imbecilidades inúteis aumentando o arcabouço político dos candidatos na cooptação de votos e eleições posteriores, mantendo o curral eleitoral.
Aos desavisados de plantão, ao ler a ordem do dia da câmara municipal, certamente se dará por satisfeito, e entenderá que o trabalho dos vereadores esta efetivamente sendo cumprido, entretanto com um olhar mais aprofundado e questionador, notaremos um total despreparo para lidar com os cargos por parte dos vereadores. Os vereadores sob um olhar inocente estão perdidos, atirando para todos os lados, preenchendo o horário de serviço com qualquer porcaria de projeto, ou qualquer solicitação perniciosa para o executivo, no intento de mostrar trabalho.
A ordem do dia desta segunda feira dia 25, não foi diferente. A população sarandiense começa a lidar com um retrocesso de nível federal, e talvez estimulado por essa abertura, sentiram-se aqui no governo local, com o direito de legislar de acordo com suas convicções religiosas, desprezando a diversidade religiosa, e a não crença.  O ITEM IX – PROJETO DE LEI Nº 2220/2013, do edil JOSÉ ROBERTO GRAVA, Tendo como Co-Autor o edil AILTON RIBEIRO MACHADO, o qual Inclui no Calendário Oficial de Eventos do Município, o “Dia do Jovem Cristão”, deixar claro quais são as prioridades dos vereadores, e entre elas estão, proselitismo religioso, e a violação da laicidade do Estado, que não deve legislar baseado em paixão religiosa.
Por outro lado, o ITEM III – REQUERIMENTO Nº 059/2013, do edil ERASMO CARDOSO PEREIRA, Ofício ao Senhor Prefeito, solicitando que viabilize a aquisição de 02 (duas) Máquinas de Ultrassom, sendo uma para a Clinica Materno Infantil, e outra para a futura instalação do Hospital de Especialidades. Este me parece mais nitidamente deslocado da realidade da saúde de Sarandi. As denuncias de falta de médico na UPA são frequentes, e a situação em que a saúde se encontra, vai além da nossa compreensão banal sobre as políticas públicas. Os funcionários estão com medo de serem agredidos pela população que em sua essência não tem discernimento pra responsabilizar quem realmente deve ser responsabilizado, e por ventura em situações de desespero pela péssima administração incorrem no risco de cometer atrocidades irreversíveis contra os funcionários da UPA que funcionam como testas de ferro para os verdadeiros culpados.
Os canalhas que legislam no município não tem qualquer compromisso com a realidade, com a diversidade, com os verdadeiros interesses e necessidades da população. Legislam sem compromisso, desinteressados, como se estivessem fumando um cigarro e tomando um whisky tranquilamente na poltrona.


domingo, 24 de março de 2013

Paradigmas


Paradigmatizou, e nunca mais se ouviu.
E solidificou uma verdade vil.
E se cristalizou. Não se modificou.
Virou porta retrato, guardado feito guardanapo.

E se contradisse, e se posicionou.
Depois neutralizou
Tomou partido, pelo status quo.

Como eu poderia cobrar de você?
Algo que eu não poderia lhe dar, sem saber.
Como eu poderia julgar, sem te ver?
E me ponho no mesmo lugar, pra dizer.
Que eu to do teu lado
Caminhando braço a braço

Mas não tente me convencer
Dessa crença e desse viver
Desse seu cadeado, desse seco orvalho.
Desse Deus condenado, desse bicho acuado.

Cada homem crescido já sabe
Que o omisso já tomou partido
E que o neutro tá contra você
Não me lance argumento sem base
Para não colidir sem doer

Se não há colisão não há vida
Senão a discussão é perdida
A contradição é sanguínea
E corre na veia a sofrer

Perambulando nos homens
A conformação escondida
Em cada frase sem nome
De uma igreja tolhida

Paradigmatizou, e nunca mais se ouviu.
E solidificou uma verdade vil.
E se cristalizou. Não se modificou.
E nunca duvidou daquilo que não viu.

segunda-feira, 4 de março de 2013

CÂMARA DE VEREADORES DE SARANDI ABOMINA E SUGERE PUNIÇÃO A LIBERDADE DE EXPRESSÃO





Na ultima sessão da câmara de vereadores a preocupação era a de desmentir e desqualificar a carta escrita pelos padres e distribuída via jornal impresso para os fiéis da igreja católica de Sarandi em algumas paróquias. Para tanto c e Aílton Machado não mediram esforços ao vociferarem contra a carta, contra os argumentos dos padres, e contra qualquer questionamento que parta da população. Demonstrando-se assim, claramente opostos a manifestação da opinião popular, institucional ou até mesmo da imprensa, que ouse contradizer, cobrar, ou apontar erros na atual administração e na própria condução da câmara de vereadores de Sarandi.

A câmara de vereadores se manteve em silêncio, corroborando com a mazela política até ontem, se esquivando de todas as formas de responder o que o grupo popular questionava a respeito do atual panorama político, das denuncias contra o Carlos de Paula (PDT), e contra o secretário da Educação professor Manoel. Somente depois de terem suas condutas vis, expostas por uma instituição com credibilidade perante a população, e de certa forma atingindo uma grande parte dos moradores de Sarandi, foi que os excelentíssimos vereadores se propuseram a disparar impropérios em defesa de causa própria.

Os maiores impropérios partiram do presidente da câmara Rafael Pszybylski e do vereador Aílton Machado, ecoando sobre o silêncio vazio e obscuro dos outros vereadores, e dos presentes na câmara.

Com repugnância nauseante disparou Rafael Pszybylski nunca ter ouvido falar em afastamento pelos motivos alegados pela justiça que investiga o caso de Carlos de Paula, e prometeu nos próximos dias apresentar uma cópia do artigo em que Carlos de Paula esta sendo enquadrado, para que a população também possa compartilhar de seu ponto de vista camarada e companheiro em respeito ao desvio de verba e o uso da maquina publica em benefícios próprios, denuncias as quais o prefeito afastado, nega veementemente envolvimento. Segundo o presidente da Câmara Rafael Pszybylski o afastamento de Carlos Alberto de Paula é incompreensível, disse também que os vereadores não podem ser cobrados no sentido de tomarem um posicionamento, ou investigarem o caso, justificando a ação do GAECO, que tomou o caso para si, e por estar em segredo de justiça, que leva os vereadores a não saberem como proceder.

Rafael alegou que os vereadores e a imprensa não estão sendo omissos como diz a carta escrita pelos padres. Como não estão sendo omissos? E que história é essa que nós não temos o que cobrar? Temos sim o que cobrar. A carta escrita pelos padres foi direta ao mencionar a aprovação de diárias para viagens enquanto o dinheiro da educação foi desviado, enquanto a cidade amarga em problemas estruturais, de saneamento básico, enquanto alunos estão sem uniformes. Rafael foi de um totalitarismo imenso ao declarar que não é o povo, não são os padres, não é a imprensa quem deve dizer o que deve ou não ser aprovado, mencionando que isso diz respeito ao tribunal de contas que fiscaliza a câmara. Declarou ainda serem totalmente legais as diárias para viagens, bem como as diárias para deputados, e citou vários outros cargos como desembargadores, a fim de defender o indefensável. Não se trata de legalidade, se trata de respeito, se trata de ética, se trata de coerência. Como podem ser aprovadas diárias na situação política em que se encontra o município de Sarandi? O questionamento é legitimo.

Aílton Machado vociferou munido de seu microfone contra liberdade de expressão, um direito constitucional. Sugeriu que a câmara deve se posicionar punindo no que for cabível quem ousar se manifestar contra o prefeito e a autoridade dos nobres vereadores. Disparates foram exclamados em tom de ditadura, clamando pela opressão da liberdade de expressão, chegando a pedir indiretamente aos vereadores a possível punição, por exemplo, dos padres por terem escrito a referida carta. Entre discursos demagogos em tom eleitoreiro e devaneios egocêntricos destacou que não é por ser uma pessoa pública que as pessoas podem falar o que quiserem dele, e disse ainda que é uma autoridade e que tem que ser respeitado por isso. Mal sabe ele a diferença entre autoridade e autoritarismo.

Depois de presenciar mais uma sessão cheirando ao azedume do cinismo, cheio de ataques à liberdade de expressão, cheio de defesas ao orgulho ferido dos vereadores em detrimento das cobranças da carta dos padres, percebo cada vez mais nitidamente o tamanho do buraco negro em que os cidadãos sarandienses mergulharam de cabeça.

Como fez diferença a ausência de eleitores votando nas ultimas eleições. Vereadores foram eleitos com menos de mil votos, numa cidade com grande quantidade de eleitores. Qual a representatividade desses vereadores na câmara municipal? Quando penso que o jogo político azedo e covarde desse grupo político que cavalga nas costas dos sarandienses conseguiu sorrateiramente derrubar o vereador mais votado, e único que hoje faria real oposição, não se sujeitando a votos combinados previamente como vem acontecendo frequentemente na câmara, tenho vontade de estapear a cara de cada cidadão, para acorda-los desse transi, desse sono que impede qualquer movimento, qualquer reação, qualquer esboço de indignação.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Descaso com o PETI pode justificar os índices de violência entre os jovens de Sarandi.


As políticas publicas de modo geral são estratégias para o amortecimento das desigualdades sociais buscando amenizar a condição de indignação da população diante das condições impostas pelas lutas de classes. Nesse viés, as políticas sociais negligenciadas podem produzir na sociedade consequências brutais, que sem força motriz para uma revolta organizada e com objetivos definidos, ganham outras definições bem mais assustadoras, enquanto produção de uma parcela da população privada de dignidade humana, e completamente sem referencias dos valores comuns entre os homens. Negligenciar, portanto os programas sociais, cabíveis dentro do modelo social vigente, pode ser o estopim para a reprodução da violência entre os jovens dentro da sociedade.

O município de Sarandi apresenta um índice alarmante de violência por conta de tráfico de drogas noticiados diariamente nas mídias locais. A morte entre os jovens de forma violenta por envolvimento com o tráfico fica cada dia mais rotineiro. Adolescentes iniciam cedo uma ficha criminal, e vão traçando caminhos nem sempre de sucesso como insiste em pregar o modelo de bem estar capitalista ao relacionar o sucesso com o poder de consumo e poder econômico financeiro. Os jovens de nossa cidade estão envolvidos nessa rede perversa dos interesses burgueses, e o que nós sabemos é que as condições de dignidade humana têm intima relação com a produção da violência e da marginalidade entre os jovens. O que caracteriza essa dignidade humana supracitada perpassa pela quebra da estrutura familiar, estrutura econômica financeira, que consequentemente desemboca em outras quebras, como estrutura psicológica e estrutura educacional.

Entre as políticas sociais do município temos o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) que foi implantado no município de Sarandi no ano de 2001. Em 2002 iniciou suas atividades de forma descentralizada, funcionava em localidades diferenciadas, utilizando para isso salas de aula de escolas municipais e o PROMEC. No ano de 2004 verificou-se a necessidade de um único local para o atendimento das crianças e adolescentes incluídas no programa, instalando-se então, no prédio onde funcionava o Centro Profissionalizante Luiz Zanchim. O PETI tem como objetivo atender à crianças e adolescentes em sistema de jornada ampliada no período em que não estão na escola. Sua equipe técnica é formada por coordenador, pedagogo, assistente social, psicóloga e educadores. Esta equipe desenvolve com os educandos atividades físicas, culturais e intelectuais. Esses educadores têm como premissa a socialização e formação para cidadania.

Essa descrição acima consta no perfil nas redes sociais sobre o PETI. O que na verdade não passa de uma idealização do que deveria ser, e não do que realmente é. O panorama atual conta com o diretor e cozinheiras, pelo menos nos primeiros meses de 2013.  Já há alguns anos que o PETI vem sofrendo com o descaso do poder público, seja por desinteresse, ou por falta de tato com o programa que recebe repasses do Governo Federal. Em vários momentos de sua existência sofreu por falta de profissionais, entre eles, pedagogos, assistente social e psicólogo. O programa também se manteve várias vezes na conta de estagiários sem orientação de profissionais da área.

O PETI na verdade sobrevive capengando, recebendo a conta gotas a verba que seria para conter o avanço da violência entre os jovens, que no PETI poderiam ser protegidos dos possíveis riscos sociais iminentes as condições já ressaltadas neste texto. Hoje o PETI divide espaço com uma espécie de central de atendimentos que seria viabilizado pela secretaria de assistência social do município. Ou seja, algumas famílias recebem a bolsa PETI, outras não, pois estariam cadastradas não no PETI, mas sim nesta outra forma de atendimento. No entanto, se todas as famílias cadastradas se englobassem no PETI, todos teriam o direito a bolsa. Poucas crianças estão frequentando nestes primeiros meses do ano, e a falta de profissionais é um dos principais motivos.

Se o programa existe, e se os repasses estão sendo feitos pelo governo federal, o que falta realmente é uma administração competente, que torne o programa viável. Se existir um contingente de funcionários disponível para trabalhar em prol do programa, com assistência social, visitando as famílias, e tornando a rede de proteção a dignidade humana algo efetivo, em comunicação com as outras instituições, percebendo que estas mesmas famílias se encontram em vários programas. Se existir psicólogo para auxiliar nesse resgate da dignidade, pedagogos e educadores, o programa poderá reverter em pessoas dignas, aquelas que em potencial seriam marginalizadas pelo sistema, e terminariam muitas vezes envolvidas com o crime.
Segundo o site do MDS, foram repassados 12 mil reais no mês de dezembro para o programa, este dinheiro como bem sabemos não chega diretamente para o PETI, é repassado pelo governo local, o que não sabemos ao certo, é se este valor esta sendo repassado integralmente ao programa. Sabemos que 12 mil reais não é muito, entretanto se for todo empregado em prol do programa, e se com sensibilidade o governo local atentar-se e comover-se empenhando-se, decididamente o programa não estaria tão fragilizado como se encontra atualmente.

Existem informações que em meados de abril uma verba será destinada a reforma do prédio que abriga o programa. Outras informações são de que professores terceirizados irão atuar no programa, além de psicólogo e assistente social do município. A terceirização de qualquer função pública, ainda mais quando se trata de educação e risco social parece uma maneira de resolver o problema sem planejamento, de modo paliativo. E isso pode ter consequências desagradáveis, pois desresponsabiliza o poder público em partes. Não podemos discutir esta questão pontual descolada da realidade da educação de Sarandi, com falta de professores, e professores mal pagos. O PETI não pode ser uma estrutura a parte, deve caminhar paralelamente com as outras estruturas fundantes do ser social.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Diárias aprovadas, discursos demagogos e a inércia do movimento popular.

Foto - Hilário Gomes



Mais uma vez, enquanto muitos estavam preocupados com seus problemas particulares, totalmente alheios, voltando do trabalho, vendo televisão, preparando o jantar, buscando o filho na escola, se preparando para a aula na escola ou na faculdade, enfim, todos aqueles afazeres diários, comuns à vida de qualquer pessoa, na Câmara Municipal de Sarandi uma série de atrocidades estavam se concretizando sob o aval dessa inércia do movimento popular. Muitos se indignam em suas casas, muitos se perguntam o que podem fazer. Muitos até pensam em fazer, mas definitivamente, nada fazem. E assim torna-se extremamente confortável aos vereadores eleitos aprovarem o que bem entendem, mesmo que isso seja totalmente contra os interesses reais da população. População essa que nem se quer sabe o que esta acontecendo, nem se quer se preocupa em saber o que é de seu interesse ou não.

Hoje na câmara dos vereadores de Sarandi foi aprovado o projeto que concede diárias aos secretários, vice-prefeito, procurador jurídico e chefe de gabinete, e quem afinal de contas sabe o que isso significa? O que nós sabemos é que uma fatia do dinheiro público vai servir para pagar a estadia de secretários em possíveis viagens. Como você eleitor vai saber qual o objetivo e qual a importância de um secretário utilizar-se dessa diária para pagar suas viagens?

Eu sei que parece não ser da nossa conta, no entanto se pensarmos bem, esta conta quem esta pagando é você. Eis a questão então, você concorda de fato em pagar para que secretários possam viajar sem que você saiba qual o motivo desta viagem?

Inicialmente foi dito aos presentes que o projeto havia sido tirado de pauta para ser melhor analisado, o que configurou claramente uma estratégia para dispersar os presentes, no entanto prosseguindo a sessão o projeto retornou a pauta como num passe de mágica. No fim das contas, o projeto de concessão de diárias foi aprovado mesmo sob protestos dos poucos presentes na câmara municipal, o único que votou contra foi o vereador Nelson Lima que vem se posicionando como bode expiatório dessa trama repulsiva que vem sendo tecida pelo grupo político dominante da cidade. Até agora essa trama vem minando as possibilidades reais de articulação da população. O fato de o Vereador Nelson Lima ter pedido a CPI para investigação do prefeito afastado sob suspeita de fraude em licitação da educação sem discutir e pedir apoio da população não passou de uma estratégia para acabar com as possibilidades de haver realmente a CPI, pois agora a não ser que haja um fato novo, uma CPI proposta pelo povo não será aceita pela câmara, visto que já votaram contra uma vez.
Seguindo esta lógica, hoje mais uma vez Nelson Lima votou contra as diárias, no entanto, tudo isso não passa de uma conveniente ação para desarticular o movimento contrário. Os votos para este tipo de projeto já chegam para discussão claramente combinados, para que a decisão final seja em prol dos interesses deles e contra a população. Ocasionalmente os vereadores Nildão, Nito e Rafael faltaram a sessão, o que seria muito conveniente.

Os vereadores também aprovaram um projeto que veta os exames que detectam anemia nos alunos das escolas municipais de Sarandi. Ou seja, eles votaram contra a saúde das crianças que estudam nas escolas municipais de Sarandi, sem motivo algum, sem qualquer justificativa plausível. Isso é simplesmente inaceitável!

O vereador Erasmo do PCdoB que de oposição não tem absolutamente nada, apresentou uma solicitação fajuta para que se peça a ALL a diminuição da buzina do trem que cruza a cidade. Ora, que diabos de discussão imbecil é essa? Percebem a contradição? Assuntos realmente relevantes são tratados com descaso, são aprovados rapidamente, sem discussão e sem justificativas, enquanto uma solicitação de diminuição das buzinas de trem merece uma fala de justificativas do vereador Erasmo. Quanta patifaria! Só me resta sentir náuseas.

Não contente, o vereador Aílton resolveu fazer também um discurso completamente demagógico, quase como alguém que pleiteia se eleger, no caso dele já eleito, deve ser uma mistura de vaidade com o desejo de manipular a opinião popular a seu favor. Rasgou seda para o projeto do Nelson Lima sobre o PROERD, como se realmente fosse uma preocupação dele, disse mil asneiras, e no fim das contas, incomodado com a manifestação dos presentes na câmara de vereadores iniciou a vitimização, acusando os presentes de não terem educação, de não terem bom senso, e de não os deixarem falar. Pergunto-lhes, onde afinal de contas esta faltando bom senso? A população é quem não tem voz alguma na câmara de vereadores, são eles que falam asneiras sem dar atenção alguma aos reclames da população. São eles que solicitam diminuição de buzina de trem, e nós que não temos bom senso? São eles que vetam exames para alunos das escolas de Sarandi e nós que não temos bom senso? São eles que concedem diárias para viagens irrelevantes de secretários e nós que não temos bom senso? Afinal de contas, qual o conceito de bom senso desse vereador Aílton Machado?

Eu vou dizer o que é bom senso minha gente. Bom senso é parar de ficar depositando no outro uma responsabilidade que é nossa. É sair de casa para ir à câmara de vereadores olhar na cara de cada um, e exigir que eles façam o que a população quer, e não o que eles bem entendem. É parar de se indignar de casa, e meia hora depois esquecer o que esta acontecendo na tua cidade. Bom senso é compartilhar essas informações, e todas as informações sobre o que estão votando e aprovando no município. Mas não basta ver na rede, não basta curtir na rede, não basta compartilhar na rede, é preciso se posicionar de verdade, é preciso lotar aquela casa de leis profanada a cada sessão. Bom senso mesmo é sair da inércia.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

De Paula sobre o percentual de votos, não passa de um Renan Calheiros



Em resposta aos falaciosos argumentos dos decrépitos e perniciosos defensores da gestão do Prefeito afastado Carlos de Paula, que em devaneios demonstram o caráter duvidoso que os regem alegando o percentual de votos que o elegeu, como argumento significativo para que o cidadão descontente se cale, se emudeça diante de quaisquer que sejam os fatos famigerados que envolvam essa trama política que perpassa por ações subitamente criminosas. Sinto-me na obrigação de ressaltar que se eleição popular fosse garantia de honestidade não teríamos Renan Calheiros no Senado eleito com 840.809 votos, e hoje presidente do Senado.

O que eu quero dizer com isso, é que o fato de o prefeito eleito ter tido uma quantidade considerável de votos, não deve ser justificativa suficiente para que nos tranquilizemos com relação às acusações sérias contra ele, como se ele tivesse garantida sua idoneidade. Se ele conseguiu por meio de estratégias políticas deprimentes, como usar a máquina pública em apoio de sua campanha eleitoral, e estabelecendo centenas de alianças e coligações políticas, chegar ao cargo de prefeito com a grande maioria de votos, devemos muito pelo contrário, manter-nos desconfiados, ressabiados, questionadores, inquietos, e vigilantes.

Esse fenômeno que faz com que grandes corruptos sejam eleitos, muitas vezes até com grande quantidade de votos ainda parece uma incógnita. Poderíamos levar em consideração uma alteração nas urnas, a compra de votos, manipulação de lideranças populares, enfim, uma centena de fatores que levassem a essa estapafúrdia alucinação popular. No entanto, existe um conjunto de fatores que coadunam para que este fenômeno se concretize, que parte da construção ideológica de um imaginário popular sobre política que se paute nas ideias da classe dominante. Dentre estas ideias, temos, por exemplo, a de que todos os políticos são iguais, e de que a corrupção já é algo quase que natural da política, e qualquer honestidade exigida, seria por parte do exigente a mais pura hipocrisia.

Essa concepção deve ser erradicada da face da terra com um belo e bruto chute no traseiro. Não precisamos ficar a mercê de um pensamento pré-histórico, inundado de ignorância e de analfabetismo político. Chega de deixar nas mãos da massa idiotizada a possibilidade de ser manipulada e ainda ter a pachorra de nos apontar como recalcados da política covarde e traiçoeira imposta pela corrupção advinda desse mau caráter burguês por causa de percentuais de votos.

Na verdade temos diversos exemplos de que ser eleito independentemente de quantidade de votos não garante honestidade, e não é justificativa para que a população permaneça estática, com o discurso do “rouba, mas faz”. Segundo uma matéria do Jornal Gazeta do Povo, o Paraná é o segundo estado brasileiro que mais teve prefeitos cassados por compra de votos ou uso eleitoral da máquina administrativa, entre o fim de 2008 a março deste ano, apontou um levantamento feito pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). No mesmo jornal outra matéria aponta que no Paraná existem 17 prefeitos eleitos com mandato ameaçado. Casos mais graves ocorrem em Colombo, Cambira, Bituruna e Joaquim Távora, onde candidato mais votado não tomará posse em janeiro. Veja abaixo uma tabela listando todos os prefeitos com mandatos ameaçados:



Desde 2008, o Paraná teve dez eleições suplementares. Relembre quais são e quais os prefeitos cassados:

Em 2009

Londrina - Antonio Belinati (PP)

Cândido de Abreu - Richard Golba (DEM)

Em 2010

Ângulo - Erivaldo Lourenço da Silva (PMDB),

Doutor Ulysses - Pedro Julio (PMDB

Enéas Marques - Valmor Vanderlinde (PP),

Tuneiras do Oeste - Walter Luiz Ligero (PMDB)

Em 2011

Itaperuçu - José de Castro França (PDMB)

Bituruna - Remi Ranssolin (PTB)

Kaloré - Adinan Canelo (PMDB)


Em 2012

Espigão Alto do Iguaçu - Osstap Andreiv (PSDB)

Desse modo, diante de todo o exposto neste texto, não há argumentos imbecilizados que possam ser justificáveis no convencimento da população em silenciar-se diante de percentuais de votação. Os 31.079 votos do Prefeito afastado Carlos Alberto de Paula não são justificativas para aguardarmos calados, o andamento das investigações do GAECO, muito menos para pedir sua volta. Como já mencionei no primeiro parágrafo deste texto, se eleição popular fosse garantia de honestidade Renan Calheiros hoje não seria presidente do Senado, mesmo depois do escândalo envolvendo seu nome. Renangate é o apelido dado ao escândalo de corrupção envolvendo o senador alagoano Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de receber ajuda financeira de lobistas ligados a construtoras, que teriam pago despesas pessoais, como o aluguel de um apartamento e a pensão alimentícia de uma filha do senador com a jornalista mineira Mônica Veloso, e mesmo assim ele foi eleito Senador com 840.809 votos em 2010.

O que devemos diante de possibilidades de irregularidades, é sermos enérgicos e radicais, e tratarmos com intolerância a corrupção. Se todos os políticos são iguais, vamos torná-los aquilo que eles devem ser, com nossas atitudes, nossas cobranças, nossos gritos estridentes na frente da prefeitura, na câmara municipal, ou em qualquer lugar que seja. Vamos nos fazer efetivamente presentes, até que eles mudem suas posturas. Nada pode justificar o silêncio e o conformismo diante da atual situação do prefeito afastado de Sarandi e de todo o seu grupo político que está envolvido em denuncias realmente sérias. Não devemos nos submeter mais uma vez a substituição do prefeito pelo seu vice como um “deja vu da corrupção”, em menção ao antigo episódio do Milton Martini. Por isso queremos Novas Eleições Já!



Links:



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Página da Câmara Municipal de Sarandi na Internet desatualizada.


Página da Câmara Municipal de Sarandi na Internet desatualizada.



A página da Câmara Municipal de Sarandi reflete a não transparência e a forma obscura como vem sendo tratados os assuntos de interesses da comunidade. Não é novidade que os vereadores de Sarandi não fazem qualquer oposição ao governo local, e agem com cumplicidade apadrinhando projetos de interesses escusos do poder executivo, e até mesmo em prol dos próprios interesses dos vereadores. O mais recente Projeto de Lei por exemplo, é o que concede diárias aos funcionários do executivo, secretários, cargos de confiança, enfim, claramente um absurdo diante do panorama atual que se desenha no município pintado por desvios de verbas e uso da maquina pública em benefícios próprios.

Também não é novidade que os projetos apresentados na câmara de vereadores não passam de projetos que autorizam que o poder executivo cumpra nada mais, nada menos que aquilo que faz parte de suas obrigações, o que leva a entender que tais projetos não passam de uma maneira de angariar a confiança de alguns pontos da cidade garantindo a elegibilidade para os próximos mandatos. Se levarmos em consideração que não são preciso muitos votos para se eleger vereador em Sarandi, aprovar projetos que beneficiem algumas quantias de eleitores em potencial podem garantir tais interesses. Sem contar os votos claramente comprados.

Diante de tudo isso, aqueles que querem realmente fiscalizar o trabalho dos nossos representantes, que honestamente, não são nenhum pouco de confiança, encontram-se com dificuldades num primeiro momento de participar das sessões da câmara, por conta do horário não ser compatível com os horários de quem trabalha. Segundo por que sair do trabalho para ver a patacoada que acontece naquele antro de ações cretinas e enjoativas não é para qualquer estômago. Perder tempo para ver sessões cretinas que demoram cerca de 10 minutos, onde projetos são aprovados mecanicamente sem qualquer discussão, e onde a oração inicial admite a paixão religiosa que não poderia ser expressa num ambiente onde a laicidade deve prevalecer durar mais tempo que a própria sessão, é no mínimo nauseante e repugnante.

A canalhice perde os limites, o que força o cidadão preocupado com as questões políticas da cidade a procurar se manter atualizado através da internet, já que estamos no século 21, e existe esta possibilidade de acesso. Contudo o que encontramos na internet é uma pagina desatualizada, com projetos desatualizados, onde nada funciona. Não existe uma relação contendo todos os projetos em andamento na câmara, nem os aprovados, nem os que serão discutidos, não existe um cronograma com relação aos projetos em vias de discussão, não existe absolutamente nada. É um extremo vazio de sentido e de transparência. Existem os atalhos que não te levam a lugar algum, e isso me leva a fazer uma analogia com os próprios vereadores, que não passam de atalhos, e que televam sabe onde? Nada diferente de onde leva aquele pernóstico site/portal/página da câmara de vereadores.

Precisamos urgentemente de novos horários de sessão, e de transparência e atualização efetiva na página, precisamos cobrar isso, por que é um direito nosso. Não dá mais pra ser cúmplice dos ratos que invadiram a casa de leis. Não dá mais para abençoar de casa a política corrupta instalada feito vírus nesta cidade.




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