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sábado, 13 de outubro de 2012

Como andam as pessoas

As pessoas, andam sem tempo.
Elas andam com pressa.
As pessoas andam sem senso.
Elas não se interessam.
As pessoas andam só vendo.
Só lendo, mas não interpretam.
As pessoas andam na linha.
Seguem passos de robô.
Elas andam mecânicas.
Elas andam irônicas.
Elas andam sorrindo demais.
Elas andam correndo demais.
As pessoas andam fugindo.
Elas andam ruindo.
As pessoas, não param.
Elas andam se destruindo.
Elas não se relacionam.
Elas não se emocionam.
Elas não ouvem.
As pessoas andam no mesmo rumo.
Na mesma fila, cabeça com cabeça.
vazio com vazio.
andam no curso do rio.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O redentor pobre e negro que o Brasil vai chamar de Jesus.

Em tempos de julgamento de mensalão, em tempos de eleição, em tempos em que paira sobre mim a desconfiança e a inquietação diante dos fatos mais banais, surge na capa da VEJA(uma revista ordinária financiada pela corrupção) o ministro relat
or do processo, Joaquim Barbosa, ainda criança, negro, e pobre, como o redentor da justiça, da moralidade, da honra dos brasileiros. Os brasileiros que assim como na cidade de Gotham City do filme Batman, constituem uma população extremamente corrompida, hipócrita e falso moralista. Essa população que se exime de suas responsabilidades e tem por costume eleger heróis para fazer aquilo que não são capazes. Elegem santos, deuses, Jesus, alguém sempre tem que estar se sacrificando para salvar a sociedade da sua podridão, das suas mazelas. Em um ato que seria louvável a massa popular passou a adorar, e considerar o Ministro um herói. Mas por que ele seria um herói? Por fazer aquilo que lhe foi designado, só por isso? Por não ser corrupto como todos os outros? É inquestionável que a conduta do ministro é digna, no entanto torná-lo um herói, é admitir o quão podre a sociedade é, e compreender que a sociedade se vitimiza, e não sabe viver sem heróis e sem vilões. É um eterno conto de fadas contado pela classe dominante. Já faz tempo que estou me incomodando com a quantidade de pessoas "heroificando" o ministro, não que ele não mereça congratulações, mas isso mostra o quão frágil o caráter da sociedade se encontra. Heroificar o ministro não vai ser redenção de vocês seus tolos, aprendam de uma vez por todas a tomarem as rédias de suas vidas, e parem de depositar em seres "superiores" suas próprias responsabilidades por conta da falta de desonestidade em que estão imersos.




Essa conversa é sobre a classe explorada, não sobre a classe média em pseudoascensão social.



Queridos maringaenses de classe média, que moram em um bairro onde a especulação imobiliária constrói uma muralha invisível entre as classes. Você que mora na zona 07, na zona 02, na zona 04, na zona 05, no centro ou novo centro, entre outros bairros considerados nobres, onde as políticas publicas, chegam como num passe de mágica, onde existem belos jardins e canteiros centrais: eu sei que é difícil quando alguém nos faz enxergar nossos próprios privilégios, mas deixa eu tentar mais uma vez.
Eu não me importo com o quão “difícil” será para você adquirir mais bens, mais terrenos para construir uma porção de casas geminadas de péssima qualidade para vender sonhos para os mais pobres que você. E não me importo o quão “difícil” será construir verdadeiras mansões para garantir a continuidade do seu conforto.
Não me importo o quão “difícil” será para você fazer uma viagem para o nordeste todo fim de ano, parcelado a perder de vista, para que você possa relaxar e esquecer os problemas diários.
Eu não me importo com o quanto de empregos sua pequena empresa esta gerando para essa cidade, e o quanto sua benevolência clientelista e solidária esta espalhada em suas orações no conforto de seu lar, tomando uma bela taça de vinho, saboreando alguns petiscos, e crente que sabe falar sobre política.
Eu não me importo com o quão “difícil” o transito esta se tornando para você que possui em sua casa um carro para cada membro familiar, e que tem a pachorra de falar de sustentabilidade, de meio ambiente, com toda a hipocrisia que aprendeu com seu rico dinheiro.
Essa conversa não é sobre o seu plano de saúde defasado, nem sobre como a democratização e popularização da saúde privada fez com que essa situação se tornasse insustentável para a concretização do seu desejo de se sobrepor ao restante da classe que sofre nas filas do SUS.
Eu sei que praticamente todas as conversas deste mundo são sobre você, sobre seus anseios de consumo, e você está acostumado com isso, então deve ser um baque não ser o centro das atenções. Mas, seja forte! É verdade: nós não estamos falando sobre você.
Quando você chora em defesa de uma cidade conservadora das tradições, dos bons costumes e da moralidade cristã e alega que em suas condições de classe média em pseudoascensão o governo neoliberal da família Barros foi símbolo de progresso em 8 anos, suas lágrimas não me comovem. Porque o que me comove são as lágrimas daqueles que nascem e crescem sem qualquer perspectiva para alimentar os mesmos anseios que você. É sobre essas pessoas que estamos falando e não sobre você.
Quando você esperneia pelos mil reais gastos todos os meses com a mensalidade da escola ou do cursinho dos seus filhos e que agora se revelam “inúteis”, eu não me comovo. Porque o que me comove são as milhares de famílias inteiras que se sustentam durante um mês com metade da quantia gasta em uma dessas mensalidades. É sobre essas pessoas que estamos falando, não sobre você.
Quando você argumenta que, na verdade, seus pais só pagam seu cursinho porque trabalham muito ou porque você ganhou um desconto pelas boas notas que tira, eu não me comovo. Porque o que me comove são as pessoas realmente pobres, que mesmo trabalhando muito mais do que os seus pais, ainda assim não podem dispor de dinheiro nem para comprar material escolar para os filhos, quem dirá uma mensalidade escolar por mais barata que seja. É sobre essas pessoas que estamos falando, não sobre você.
Quando você vocifera aos quatro cantos do mundo que todos têm os mesmos direitos, que a sociedade é igualitária, e que só dependem das pessoas por meio do trabalho, e do esforço individual o sucesso financeiro. Na verdade, eu sinto uma leve vontade de desistir da raça humana, eu confesso, mas só para manter o estilo do texto eu preciso dizer que o que me comove é olhar para as periferias da cidade e identificar que as condições de subsistência e existência não são as mesmas de quem nasceu nos bairros “nobres”, que a educação não é a mesma, que o acesso a saúde não é a mesma, e que essa conversa de “não pode dar o peixe, tem que ensinar a pescar” é conversa de vermes da classe média em pseudoascensão social, que acreditam que um dia vão se tornar donos dos meios de produção e do capital. É conversa de quem acredita que se alguém esta andando de Audi é pelo simples fato de ser um gênio, e despreza o fato de por nascença não necessariamente precisar trabalhar para ter um Audi.

Quando você defende a candidatura do Pupin, e diz que ele é honesto, e que a oposição esta tentando derrubá-lo pelo fato de ter tido sua candidatura sob judice, e quase ser impugnado, e chora dizendo que ele junto com o Silvio Barros devem continuar a mudança, eu não me comovo. Na verdade, eu sinto ânsia de vômito ao perceber o quanto a classe média em pseudoascensão social é egoísta, covarde e traiçoeira, o quanto pensa no próprio umbigo. Esta conversa não é sobre seus interesses particulares, não é sobre o que é melhor para o seu desenvolvimento individual, ou o desenvolvimento dos seus negócios, não é sobre a construção de novos shoppings ou centros comerciais, não é sobre a derrubada de patrimônios históricos como a antiga rodoviária para transformar em estacionamentos para que você tenha mais conforto ou dê mais conforto ao ritmo de consumo maringaense. Essa conversa é sobre uma classe explorada que sai de madrugada de suas casas, de bicicleta, ou de ônibus, que são obrigados a deixarem seus filhos o dia todo em creches, em programas sociais, e que ao final do mês são humilhados com salários de menos de 600 reais, e que se veem obrigados a decidir entre comer, entre estudar, entre morar, por que não podem ter tudo. E ainda tem que ouvir, que só passam por isso por que não “correram atrás”.

Se a coisa vai ficar tão ruim assim se formos governados por partidos socialistas, ao invés de nos submetermos mais uma vez ao governo aristocrático da família Barros que passa a coroa ao príncipe do inferno Pupin, proponho então aos medíocres da classe média em pseudoascensão social que troquem de lugar com os moradores da periferia, que ganhem os péssimos salários que ganham que sejam discriminados nos shoppings, e nos bairros nobres por não trajarem roupas de grife, que não tenham acesso a educação privada, que não tenham mais planos de saúde e tenham que enfrentar as filas do SUS, que fiquem a mercê da falta de dignidade humana e do trafico de drogas, e depois disso tudo me diga qual o tipo de governo buscará para resolver seus problemas, isso sem mencionar a massificação da ideologia burguesa que estará penetrando sua mente. Ah, você não pode esperar tanto tempo? Então, porque os pobres podem esperar até mais, já que todos sabemos que o problema da desigualdade social no Brasil não é algo que pode ser resolvido de ontem pra hoje?
Então, por favor, reconheça o seu privilégio de classe média em pseudoascensão social e tire ele do caminho, porque essa conversa não é sobre você. Já existem espaços demais no mundo que têm a sua figura como estrela principal, já passou da hora de mais alguém nesse mundo brilhar.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O pessimismo teórico, o debate, e o abate da massa sarandiense.


Milton Santos já nos alertou para o uso das mídias e da globalização das tecnologias em favor da articulação das massas marginalizadas no documentário “Globalização MiltonSantos: O mundo global visto do lado de cá”, porém em um sentido voltado para a disseminação da cultura popular, e da intervenção da mesma na mídia. O que temos nas mãos é uma arma poderosa, o que nos falta grande parte das vezes é maturidade para lhe dar com tamanha capacidade de destruição, ou construção de uma nova realidade social que se baseie em conhecimentos construídos tanto empiricamente, quanto cientificamente. O estado neoliberal e o novo modelo de sociedade capitalista em sua essência carregam o mesmo ranço de sociedade classista e disputa de poderes que se construiu historicamente no desenvolvimento da sociedade, portanto a luta de classes é um elemento real, não podendo ser considerado uma condição superada, como alegam os "antipobres" e "antiesquerdas", que em uma condição de acefalia produzem o velho maniqueísmo, direita versus esquerda em forma de recorte, desprezando todo o processo que desembocou nesta condição fragmentada de homem e de sociedade. Compreender que os conceitos dissolvidos sobre sociedade de classes pela classe dominante estão mais sólidos do que nunca, é essencial. A ideologia de igualdade estabelecida hegemonicamente configura um estado de inércia, já que corresponde a uma pseudo igualdade disseminada enquanto verdade, enquanto realidade no mundo, nos países, nos estados, nos municípios, em Sarandi, por que a ideologia é universal e se assegura da globalização para construir o baluarte do capitalismo moderno, que se reconstrói não obstante das ideologias contrarias, absorvendo terminologias e significados que caracterizam a luta da classe explorada contra seus exploradores, e confundem, e ridicularizam os movimentos sociais. Assim, diante destas condições, partidos veem-se obrigados a “emburguesar-se”, a engravatar-se, a coligar-se, e a aliar-se para atender a demanda social que cada dia torna-se mais equivocada, imediatista e factual.
         O debate precede um confronto de ideias que convergem e divergem entre si, debates nem sempre precisam ser acalorados, da mesma forma que a serenidade da fala não garante sua legitimidade. Verdades e mentiras podem sair aos berros, ou em tom de veludo, isso não é fator determinante. O debate político de Sarandi não representou um debate de ideias, e de filosofias definidas e bem estruturadas, apenas refletiu escancaradamente a configuração da ideologia burguesa em conflito com a classe dominada representada teoricamente pelo candidato Professor Adauto, o máximo da resistência que temos entre os candidatos. A gestão de Carlos Alberto de Paula (PP) consolidou Sarandi como uma cidade de aparências e do progresso calcado no cimento, atendendo os interesses das loteadoras e construtoras. Obras grandiosas aos olhos de uma população estigmatizada pela despolitização marcaram a administração. Junto com o dito progresso, a ausência de políticas públicas voltadas à qualidade de vida da população, fazendo-nos padecer das agruras de qualquer cidade grande: violência crescendo em níveis alarmantes, trânsito caótico, bairros sem equipamentos públicos suficientes, faltam vagas nas creches e as enormes filas de espera para atendimento especializado de profissionais da saúde, parecem não ter solução. E foi essa linha de raciocínio que ele traçou seus argumentos no debate, um verdadeiro obreiro na cidade, com um senso político visivelmente inexistente, compartilha da filosofia PMDBista e PSDBista, um pensamento elitista e verminoso que se alia aos grandes empresários defendendo os interesses da classe dominante, e garantindo o estado mínimo para a conformação da massa sarandiense, quando o que precisamos é justamente quem esteja na causa dos trabalhadores que constroem com a força física, perdendo a dignidade e a qualidade de vida, a subsistência de toda a sociedade. O candidato Carlos Alberto de Paula é uma força reacionária, é uma extensão do Serra, do Russomano, do Garotinho, do Marco Feliciano, do Kassab, do Pupin e pasmem, do próprio Beto Richa, com apoio ou sem apoio, a ideologia é a mesma, é baseado numa ideia de governo assistencialista, que flexibiliza as responsabilidades da coisa pública, que favorece a instituição privada, que precariza a educação, a saúde e a cultura, e cujo único interesse pela população enxovalhada e humilhada, e culpabilizada pela sua condição de miséria, é a garantia de mão de obra, de força produtiva no mercado.  
         O candidato Walter Volpato demonstra o esvaziamento da consciência política, se enveredando por caminhos sinuosos que não garantem uma resistência, não passa de um objeto de extensão do governo estadual, um braço do Beto Richa em Sarandi seria ser conivente com toda a humilhação histórica com a classe de professores, é inadmissível conceber uma aliança entre classe oprimida e a classe opressora. Ele usa de argumentos tão vazios, como o de residir e construir seu patrimônio todo em Sarandi, como se isso o tornasse acima de qualquer suspeita, como se isso fosse garantia de honestidade, e de legalidade. Ser um grande empresário particular, administrar muito bem o próprio patrimônio se tornou entre os eleitores crucial nas eleições, o que não compreendem é que isso não é o bastante. Nós precisamos acreditar em partidos como o PSTU e PSOL que seguem a mesma linha na mesma coligação. É o partido Do Jean Willys, da Amanda Gurgel que calou o senado com seu discurso sobre a educação, que não é financiado por loteadoras, empreiteiras, empresários, que não tem a propaganda televisiva com a qualidade de imagem Full HD, que não esta preocupado com estética, com imagem, com futilidades e muito menos com os interesses da classe dominante. Que fazem história nos movimentos sociais, que estão do lado das minorias sufocadas pelos padrões sociais vigentes, e que preferem que o poder seja tomado por trabalhadores, por pobres, e não acreditam que só engravatados são capazes de administrar um governo. E se em Sarandi o máximo da resistência que temos é o candidato a prefeito Professor Adauto, e o candidato a vereador Bianco, é nossa obrigação enquanto povo estigmatizado pela violência e pela miséria permitir que nossos representantes saiam do nosso meio, da nossa essência. Não podemos cometer o equivoco substancial da valorização da propriedade privada, e eleger os donos, os pequenos burgueses, a fulana da loja, o fulano da loja de bicicleta, o ciclano dono de garagem de carro, o ciclano da autoescola, por que todos esses vermes são covardes, egoístas e traiçoeiros, e não pretendem representar o povo na prefeitura, e nem na câmara de vereadores, eles vão representar seus próprios interesses, ou de seus aliados políticos.





quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O desinteressar


Definitivamente
Ando desinteressado pelo desinteressante
O aviltante desinteresse que desinteressa
Tornei-me desatento, sonolento.

Definitivamente
Ando despreocupado e nauseante
Com cada papo de muita pressa
Calei-me o intento, ao seu contento.

Definitivamente
Ando descolado e desconcertante
O contagiante constrangimento que se expressa
Interessei-me pelo vento, ao relento.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Vivacidade


Tomei vivacidade
Cada gole uma gota de tristeza
Cada gota uma pitada de falta
Cada pitada um cisco de morte.

Apossei-me da vida
Cada toque um tom de sutileza
Cada tom, tiro pela culatra.
Cada tiro um risco de sorte.

Falseei-me pela verdade
Cada história um conto de mesa
Cada conto uma dose de malta
Cada dose um gado de corte

Vivi, possui, fingi.
Engoli, toquei, contei.
Cortei, joguei e morri.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Comprimido



Comprimido,
Cura algumas dores
Duas cartelas, dois amores

Comprimido,
Dentro do peito
Sopro de ar, elo desfeito

Comprimido,
Explodes as mágoas
Comprime nas celas tudo que fores. 

Comprimido,
Engoles algumas palavras
Verteis lágrimas pelo sujeito

Aos homens direitos, direitos humanos!


Afinal, quem são os homens que devem ter os seus direitos enquanto humanos garantidos? Talvez os homens, homens. Sim, os homens do sexo masculino, do gênero, macho. Talvez, um homem branco, sim, com a pele clara, nada de miscigenação. Talvez, um homem alto, isso mesmo, um homem macho, branco, alto e magro. Talvez seja exagero dizer que o estereótipo de homem direito, perpasse por tantos estigmas, por tantos padrões sociais, e recaiam na ideologia dominante como principal elemento coadunador da ideia burguesa e da prática inversa como base dos direitos humanos. Como se não bastasse todos os fenômenos sociais estarem reféns do modelo social, os direitos humanos, também estão. Estamos vivendo um momento histórico onde as conquistas dos direitos dentro da sociedade estão sendo mais do que invisibilizados, estão sendo contrapostos enquanto um abuso de liberdade, estão sendo banalizados como se ter direitos fosse um exagero. A liberdade esta levando a culpa, o direito esta levando a culpa pelas mazelas que constituem o modelo de organização social capitalista, que tem como base fundamental a desigualdade sócio econômica, e que gera em seu ventre a  eterna contradição, a luta de classes, a violência, a falta de referências. A sociedade em sua maioria embebecida da ideologia dominante reproduz a lógica burguesa de tempo, de produtividade, de consumo, de liberdade, de superação, de ascensão social, de individualização e responsabilização pelos fracassos gerados pelo próprio sistema. O fracasso na educação, o fracasso no trabalho, na cidadania, na dignidade, na saúde, são debelados aos próprios homens, e nessa perspectiva, inculcados dessa lógica, o homem direito acredita que suas conquistas e sua acumulação de bens dependem exclusivamente do teu próprio esforço, do trabalho assalariado, depende de acordar cedo todos os dias, de ser hábil, criativo, disposto, dinâmico, depende de uma doação integral a expropriação efetuada pelos donos do capital. Essa lógica neoliberal corroborada com o entrave das religiões, que conformam a massa, com a suposta condição determinada por forças divinas, torna os homens cada vez mais desarticulados, fragmentados, e reduzidos a sua condição coisificada de objeto de consumo ou consumidor, onde os direitos ganham a mesma conotação, o direito de se vender, o direito de comprar, o direito de possuir, o direito de estabelecer dentro da sociedade relações de poder que distinga uma classe em detrimento de outra. É nessa distinção demoníaca entre as classes, que insurgem os paradigmas a respeito de quem pode ter direitos, e de quem não pode, como se ter direitos fosse uma condição determinada pelas condições sócio econômicas, pelo status dentro da sociedade, pela frequência na missa aos domingos, pelo moralismo disseminado, pelo conservadorismo e tradicionalismo da sociedade hipócrita cristã e evangélica. Quantas vezes ouvi de dementes sociais coisas do tipo “ nasci pobre, passei por várias dificuldades, e sou uma pessoa boa, portanto todos podem ser, basta querer”, e isso, é o que querem que pensemos, que tudo é uma questão de superação, de vontade, de esforço individual, porém sinto lhes informar que não é. Não basta querer, não basta trabalhar a vida toda, não basta fazer orações todas as noites, não basta ser otimista, ou voluntário social, amigo da escola, não basta. Não basta acreditar que os prazeres da vida precisam ser precedidos todos de sacrifícios, é preciso entender que as condições não são determinadas por uma força oculta, pelo contrario, existem forças reais, concretas, palpáveis, que distanciam os homens do pensamento reflexivo sobre sua existência e suas condições de vida sobre a terra. Os direitos humanos são claramente direcionados para todos os humanos, mesmo aqueles que não seguiram os padrões morais estabelecidos e construídos socialmente, os direitos humanos não defendem os direitos de bandidos, defendem os direitos dos humanos, que tem suas dignidades violentadas, e por isso os direitos humanos muito provavelmente não vão atuar defendendo ricos, empresários, políticos, por que estes, pouco provável sofreram essa violação a sua dignidade, na maioria das vezes estes são os violadores da dignidade dos que não podem comprar, possuir, ordenar. Essa compreensão a respeito dos direitos humanos e da liberdade baseada na ideologia burguesa esta equivocada e precisa ser repensada.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O MUNDO DESENHADO LÁ FORA



Eu sempre pintei as portas abertas, sonhando com a liberdade de ser tudo aquilo que obviamente na minha imaginação, não era mais que merecimento, é complexo analisar a realidade, e perceber que nas pinturas, as portas continuam ali, abertas, mostrando um horizonte, infelizmente idealizado demasiadamente para não ser estático como esta. Refletir hoje sobre a evolução do ser, e ao mesmo tempo a depressão do corpo, é tocar as contradições inevitáveis que cerceiam minha sanidade mental, me encontro numa linha tênue desequilibrado sobre o ódio mortal do sistema que me fez sentir-se tão impotente mesmo diante do desvelamento de suas facetas mais cruéis e diante da realidade que cronologicamente não me permite sofrer, não me permite o isolamento, não me permite a fuga, a resignação para retornar fortalecido. As mãos estão atadas, é estar assim, na mira da cruz e da espada, entre viver a realidade, submetendo-se a ela, ou continuar olhando o desenho na parede, idealizando o mundo. O duro de idealizar, é que volta e meia a realidade bate na porta insistentemente querendo entrar, é assustadoramente convincente voltar. Na ideia, as pessoas do meu mundo, se interessam pelo que tens a dizer, demonstram real preocupação, querem estar contigo de verdade, se interessam pelo que você é, não pelo que você tem, ainda no mundo ideal, elas te levam a sério, discutem coisas importantes para o mundo, tem diálogos, sabem se divertir, mas sabem que existem oscilações de humor. No mundo ideal, as pessoas são objetivas, são diretas, elas dizem o que realmente querem, o que realmente pensam, e elas sabem ouvir isso de você, sem que precise pedir. No mundo ideal eu não preciso ficar trancado com medo das barbaridades que vou encontrar, vou ver, que vou ouvir, existe vida inteligente aos montes, vidas que não precisam se esforçar para aparecer, o brilho de todos, iluminam igualmente. No mundo ideal a capacidade de compreensão das pessoas é fantástica, é poético, não preciso exacerbar-se com explicações desnecessárias. Lá fora, o mundo real, te força a conviver com a indiferença diária, com a solidão, com o desinteresse, com a superficialidade, com a incompreensão. O mundo real é cheio de competitividade, exigem uma habilidade de ser falso, de sorrir em demasia, de ser simpático o tempo todo, de agradar o tempo todo, quanto maior o “Net working” maior a garantia de felicidade, as relações sofrem um esvaziamento continuo, a desconfiança é uma constante. No mundo real, o sistema lança suas garras sobre você, prende seu cérebro, seu corpo, vai te adoecendo, dores musculares, enjoos, lapsos de memória, indisposições frequentes, uma imensa vontade de dormir eternamente, de jogar tudo para o alto, de esquecer tudo aquilo que aprendeu, de ser um idiota completo, esquecer qualquer orgulho, rastejar por atenção, dizer asneiras, cumprir horário, seguir a manada. Na verdade, a vida anda sendo um jogo intenso entre o real e o ideal, e partir da realidade material concreta anda sendo de uma desvantagem inócua pra mim, partir da realidade neste momento incide na destruição da mesma.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Canção pra nunca mais.



Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Amanhã a gente conversa, esse papo, já não interessa.
Eu recebo do fruto o bagaço
Eu exclamo com peito de aço
Amanhã a gente se estressa nesse passo, cheio de pressa.
Amanhã, a gente se vê, não quero mais sofrer.
Correndo atrás vertiginosamente
Eu tenho o meu orgulho, mas hoje estou carente.
Estou tão inseguro, e preciso te dizer.

Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.

Hoje você foi tão duro, tão maduro, e eu em cima do muro.
Hoje você disse tudo, que eu precisava ouvir.
E eu me senti tão pequeno, pensando no nosso futuro.
Você foi um sopro de calma, e eu precisava rir.

Sentar e sair
Seguir e sentir
Voltar e partir
Não dá pra esquecer.

Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.

Mas amanhã, eu apareço, pedindo aconchego
Quem sabe às vezes me esqueço desse orgulho e peço arrego
Eu digo da boca pra fora, por que eu nunca vou embora.
Mas repito feito um disco, naquilo que eu insisto.

Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.
Não, vou mais voltar, não, vou mais voltar.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Canção sem mim.



Cantava na calçada uma canção na tua voz
Criava uma parada, que desata tantos nós
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem

Relaxa põe o tênis e sai logo pra cantar
Iluminando os bairros, com seu brilho no olhar
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem

Balança nessa dança desconectada sim
Desista desses sonhos e conforme-se com o fim
Lá fora existe dor, existem redentores sim
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem

Sem sombra sem saber
Assim a solidão convém
Pare lá em casa tome um chá
Seja refém
Desse papo, desse laço, descompasso arrematou
Desse lado há um sonho tão amargo que ceifou

E assim eu ia bem, de mim, vivia sem
E assim eu ia bem, de mim, vivia sem
Sem ti, sem direção
Sem mim, na contramão
Sem fim, sem ilusão.

O gato.



Cama, gato, fama, rastro
Caducado todo o corpo nu
Línguas e desfiles rasos
Sem imposição
Gatos magros recalcados
Desestimulados encontrados
Nesse chão
Fatos machos bem bolados
Casos raros
Meio em extinção
Ligo o computador e vejo a sua foto
Remoendo o passo, cada passo do teu traço
Gato fique bem, mas preste atenção
Eu sou tão arisco, o risco é iminente
E pode ser que a gente
Se arranhe no portão
Mia como mio, mio como mia
E a gente come o dia e de repente acabou.

Decisão de decidir.



Eu sei que deve ser extremamente complexo para algumas pessoas decodificar a realidade, independente da manta ideológica que cobre intencionalmente os vossos olhares desatentos a respeito da minha decisão de decidir. Entendendo o conceito de liberdade de escolhas proposto diante da histórica disputa de poderes, onde os dominados obviamente viam-se dominados, e submetidos aos conceitos de liberdade dos dominadores, e assim concluo que as minhas escolhas, não necessariamente foram decisões minhas. Entendo as relações de poder, e a determinação das condições materiais de existência, responsáveis pelos caminhos dos quais tive que traçar, e os que ainda vêm pela frente, e visto a decisão de decidir sobre a minha vida, sem o intermédio da relativização, do idealismo e da metafísica, causo uma impressão equivocada em algumas pessoas. Eu confesso que a decisão de decidir, é eminentemente dolorosa, é como largar um vício, é deixar o ópio, e seguir lúcido. A lucidez lhe permite observar todos os horrores nitidamente, e claro, humanamente no processo de transição do ser e da consciência acrítica para critica, as dores são físicas, emergem as doenças psicossomáticas, emergem os questionamentos, a indignação, emerge a necessidade de proposições, emergem as inquietações, no entanto, estou ciente de que a decisão de decidir significa apontar um feixe de luz com uma lanterna pequena no breu total, assusta as possibilidades do que se pode encontrar. O que algumas pessoas, muitas até solidárias as minhas demonstrações públicas de inquietação, precisam compreender, é que definitivamente não esta faltando Deus na minha vida, eu sei que é duro entender isso, contudo a minha decisão de decidir implica justamente em des/responsabilizar qualquer força oculta daquilo que pelo contrario brota da realidade concreta, daquilo que é determinado pelas condições materiais de existência, e que claro, diante dessas condições, não há como se prostrar a realidade todos os dias indiferente, omisso, neutro, e de certa forma isso é atormentador. O que tem que ficar claro, é que apesar de todos os motivos concretos para que doenças psicossomáticas como a depressão fizessem parte da minha vida, como atualmente faz parte da vida de tantas outras pessoas, não se trata do meu caso. Meu caso não é por enquanto de tratamento psicológico, muito menos a necessidade de um reencontro com Deus, e isso não significa necessariamente que eu despreze a subjetividade humana, e a necessidade que outras pessoas ainda sentem de permanecerem afincos ao ópio. É preciso frisar também que não se trata de uma decepção com Deus, não é uma briga, não é um “estou de mal” até que conceda a mim tudo aquilo que eu desejo, na verdade essa concepção parte de quem justamente de modo unilateral despreza qualquer possibilidade da não existência de Deus, e a minha decisão de decidir desabrochou na tomada de ciência da realidade, não foi um processo rápido, afinal tem a ver com aprendizagem e construção de visão de mundo diante dos fatos como eles são, sem partir da ideia de como deveriam ser. E o fato é que assim como a crença para quem crê é inquestionável, o não crer para mim também é. As discussões de liberdade estão tão limitadas, que trazem em seu arcabouço o ranço do dominador, determinando e cerceando como se fosse natural,e quando você se opõe, causa um desarranjo social tão grande, que a grande massa instrumentalizada pelos paradigmas, trata de iniciar uma conversão, uma cura, uma salvação.

sábado, 1 de setembro de 2012

Quando o dia chega.


Hoje é um daqueles dias em que nos lembramos do quanto temos a perder, do quanto o tempo passou e nós não fizemos absolutamente nada para que as coisas de que tanto gostávamos não fossem efêmeras. Eu tenho sentido constantemente a dor da perda, eu confesso, é tão salgado quanto à água do mar trincando de onda em onda as miseras lágrimas cristalizadas no rosto. Hoje é um daqueles dias, onde você como num sonho extremamente esquizofrênico se percebe transitando em meio à realidade, descolado do teu corpo físico, impotente diante dos fatos, sem poder tocar, sem poder gritar, e colérico só faz perder, mais e mais. Escapuliu a tenra idade junto à inocência, junto aos sonhos soberbos. Concedeu-se o dano de todas as chances, o dano da coragem de ter sido, os danos às relações límpidas, concedeu-se que todos os caminhos nos levassem para um único destino, como se não fossemos capazes de decidir. E de fato, não somos. Não é um tratado sobre a morte, mas é a mortificação de todos os laços, de todos os nós, e na falta da dimensão, da totalidade, agimos irresponsavelmente, algumas vezes, indiferentemente, como se não sentíssemos definitivamente nada. E ai, sentimos o vazio gélido na espinha, um frisson às avessas, submetidos ao câncer indelével da perda, e percebemos que o dia chegou.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Carta aos merdas nojentos.


Aos machistas homofóbicos teocráticos imbecis paternalistas nojentos que vociferam feito porcos, suas opiniões sanguinárias e truculentas, justificando suas convulsões diarreicas cerebrais como liberdade de expressão, igualdade e democracia, e aos dementes formadores de opinião, que cerceiam a cabeça vazia da massa idiotizada, criada por pais conservadores, com uma vida baseada em concepções reverberadas na ignorância impetuosa, que insiste em se manifestar em todos os cantos, fazendo meu estômago embrulhar, minhas tripas girarem dentro de mim, com essa capacidade desumana de tratar assuntos de extrema importância como meros assuntos de mesa de bar, como se tudo fosse piada, e como cinismo dos falsos moralistas, que vivem em cima do muro com sua neutralidade cristão, bondosa carismática, evangélica de saia, que reafirma todos os preconceitos e todos os ódios mais obscuros que podem partir de um individuo de polegar opositor que se diz evoluído o bastante, para disseminar todas essas desgraças verbais que se reverberam em ações violentas que pipocam por todos os cantos do mundo. Esse bando de merda, depositada na organização social, que bebericam volta e meia do próprio vomito, como se fossem verdadeiros vermes almejando o súbito poder do macho pai de família, que concebe um mundo de mulheres passivas, ordeiras, coisificadas, prontas a serem servidas ao bel prazer dos poderosos homens dinossauros, dos quais sinto vergonha, repudio desespero, inquietação, a cada palavra vazia, a cada ato impensado, a cada defesa demente e inconsciente das barbaridades oficializadas pela maioria padronizada, encaixotada,  descontextualizada, que seguem bovinamente a ideia de serem livres, livres para cravar no peito dos que lutam pela igualdade, uma espada, e essa espada, não se enganem, quem faz questão de segurar, são esses cínicos miseráveis, que na égide de sua neutralidade, se escondem por baixo desses discursos neoliberais de conformação, assistencialistas e voluntários, essa espécie de gente que não gosta de opinar, mas que opina a cada estrofe de bíblia, a cada frase nojenta penalizada com a pobreza, a cada foto chocante de animal mal tratado compartilhada publicamente para esconder o tamanho da pilantragem, da covardia. São traiçoeiros, e adoram chamar as feministas de radicais, os esquerdistas de radicais, e tudo o que se opõe a essa lógica desumanizadora. Entendam seus vermes, ser radical para mim é um elogio, é característica de quem busca a raiz, a origem, a história, é característica de quem se posiciona, toma partido, e não fica igual barata tonta, levando ponta pé de todos os lados, e ao mesmo tempo querendo se padronizar enquanto porco, enquanto boi. Chega de aceitar diplomaticamente toda e qualquer opinião ignorante, descabida, idiota, podre, nauseante, seja lá de quem for, seja do imbecil mais próximo, seja de um escritor de merda, de um jornal de merda como a Gazeta do Povo, e seja dos imbecis que compartilham dessas mesmas opiniões, ou seja só dos que preferem se manter silenciados, abrindo a boca só pra não dizer nada que possa gerar discussão.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Ela correu atrás


Ela passou a vida toda trabalhando e não viu o sol
Ela passou a vida toda reclamando e não se excedeu
Ela passou a vida toda batalhando por um sonho, que nunca foi seu.
Agora ela esta com sono, e não sabe como proceder.
Ela dorme o dia inteiro no trabalho que não é mais seu.
E não esquece o marido arrependido que nunca aprendeu.
E têm dois filhos tão distintos, quantos filhos que não são tão seus.
Ela merece mais, mas sempre foi demais.
Ela correu atrás, mas nunca teve paz.
Ela nunca sambou na esquina com as amigas
Ela passou a vida toda nesse vai e vem
Ela lavava passava roupa muito bem
Mas de domingo feriado ela não ia além
Não sabia se divertir, para fugir.
Não fazer nada era transgredir
A sua rotina que não era boa pra ninguém.
Tava cansada, desanimada, com essa vida dissimulada.
Ela marcava na sua agenda aquele tempo de solidão
Tava sentada lá na calçada
Observando a lentidão.
Ela passou a vida inteira construindo um castelo de areia
Ela passou a vida inteira, de costas para o mar.
Ignorava a grande onda, disposta a arriscar.
Bastou um sopro no seu rosto, Ela não soube chorar.
Ela criou seus filhos, todos de costas para o mar.
Ignoravam a certeza e a beleza no olhar
Só aprenderam na frieza, não sabem como confortar.
Ela chegou mais cedo do trabalho e foi procurar
Fazer o seu trabalho, de esposa do lar.
Ela esqueceu de viver a própria vida.
E agora vive uma vida desmedida
Sem rumo sem hora pra acabar.
Não desliga nem muda sua rotina
Ela chora por dentro sem parar.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Carlos de Paula, o reacionário revolucionário.



O astuto reacionário, historicamente vem absorvendo os significados de terminologias que em sua essência transbordam o sentido revolucionário. Com a democratização e pseudoigualdade de direitos, essa faceta estratégica teve que ser aprimorada, no sentido de endossar os discursos neoliberais de igualdade, liberdade e fraternidade, como se tivessem um significado unilateral e intransferível. A internalização dos valores burgueses ao longo da historia nos incorporou ideias imbecilizadas a respeito das relações políticas e econômicas que tem intima relação com todas as outras relações que estabelecemos dentro da organização social vigente, o capitalismo. Estas ideias imbecilizadas são as mesmas que nos fazem entender política enquanto algo alheio ao nosso cotidiano, e consequentemente, entendê-la como de fato ela se constitui nos discursos neoliberais, enquanto clientelismo, assistencialismo, disseminando a cultura do estado mínimo para os pobres, que devem se manter atados, a ideia estapafúrdia de estarem sendo atendidos da melhor maneira pelas políticas públicas, e a manutenção do poder econômico nas mãos das grandes indústrias, os donos do capital. Faz parte ainda desse discurso neoliberal a privatização do espaço público e a precarização do mesmo, construindo a ideia de que os cidadãos tem que se responsabilizar pelo seu bem estar social. Esta cada vez mais enraizada no imaginário social que se você quer um serviço de qualidade há de se pagar muito caro por isso, não espere isso da coisa pública. Faz parte ainda desse discurso à necessidade de higienização das periferias, o estado mínimo consiste em propiciar as famílias que vivem em condição de miséria, e esteticamente comprometem a aparência da cidade, a possibilidade de viver feliz em um conjunto habitacional, com casas padronizadas, minúsculas, enquanto isso corrobora com os loteamentos infinitos gerando renda na verdade para os grandes proprietários de terras. Faz parte desse imaginário, a doce ilusão de fazer parte das transformações, e eu me pergunto transformações para quem? Um exemplo claro é a construção de um condomínio de luxo em terras sarandienses, o ECOGARDEN SARANDI que tem seus portões principais voltados para o limite da cidade com Maringá, o que é muito conveniente, e no fim das contas as polêmicas que emergiram se atentam somente a questão superficial que estava sendo disseminada pela mídia, de que o condomínio se chamava ECOGARDEN MARINGÁ, como se isso realmente fizesse a diferença. A diferença real que existe, tem relação, com a disparidade de se ter um condomínio de luxo numa cidade que transfere os habitantes de um conjunto miserável, para casas populares como se estivesse fazendo a benfeitoria secular e legitimadora da própria campanha política. Carlos de Paula é realmente revolucionador no quesito reacionário, nunca se viu alguém conseguir transcender a ideia de conservar o sistema de modo tão embelezador, usando a máquina pública para sua autopromoção, tendo sua campanha financiada pelas grandes loteadoras que visionárias compreendem nos projetos de Carlos de Paula para a cidade, um ótimo negócio para a lógica capitalista de exploração desmedida das riquezas e da força de trabalho alheia. Existe um projeto que deve ser de conhecimento de poucos, com o objetivo de transferir o centro da cidade para a área que hoje se encontra o cemitério da cidade, o quinze. Muitos empresários já iniciaram a compra de terras por lá, enquanto isso felicitamos a burguesia pelo conjunto habitacional Mauá, e pelas reformas estéticas da cidade, que em comparação com prefeitos anteriores, não há o que se discutir. A coligação a transformação continua, é do DEM partido que endossa discursos discriminatórios contra minorias como o caso dos homossexuais, é do PMDB do Kassab que higieniza as favelas queimando-as no fogo do seu inferno particular, tem o apoio do Beto Richa que fez escola tratando os professores como tratou Lerner e Alvaro Dias no passado, é do PP de Roberto Pupin e Silvio Barros que visavam construir um sistema de incineração do lixo na cidade, indiferentes aos aspectos ambientais e aos trabalhadores da reciclagem de Maringá, e por fim, é do PP que tem o candidato a prefeito Roberto Pupin impugnado, assim como o próprio Carlos de Paula, que também corre o risco de ter sua candidatura impugnada por beneficiar por meio da criação de leis os interesses da propriedade privada. 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Carlos de Paula e o processo de "idiotização" sarandiense.




Os maus dizeres da prole desinformada, entorpecida pelo assistencialismo torpe do coronelismo tupiniquim sarandiense, massificada pela ideologia elitista com prerrogativas da superficialidade de uma comunidade que anseia seu desenvolvimento baseada no desenvolvimento de uma ideia de imagem, de estética, produzida e reproduzida para criar a sensação de status quo que a miséria criada à base de paradigmas implora, se enveredam por Blogs e ruas, nas praças e na rede, contribuindo para a nauseante sensação de entender a maioria, mais uma vez, como o cume dos equívocos, dos engodos, e da reprodução da ignorância.
É indiscutível que o histórico político de Sarandi tem como bases fundamentais, aquelas que sustentam tal qual o histórico político da sociedade como um todo. Assola a mente de qualquer indivíduo que se dê o trabalho de analisar os pontos divergentes dessas questões, compreender as ações de cidadania cumprindo com seu papel hegemônico de conservação e manutenção de um Estado burguês, que cria leis burguesas, cultura burguesa, e consequente disso surge este conceito raso sobre as qualidades de que um político deve debelar para administrar um município.
A democratização dos direitos nos revela uma surpreendente cota de dissabores, das quais estamos sujeitos intencionalmente. Este tiro pela culatra vem de uma relação vertical com o Estado, e com a propriedade privada, estes são os que apertam o gatilho. A democratização da escola, por exemplo, criou uma escola utilitarista, instrumento do estado na produção de uma sociedade docilmente trabalhadora, com uma educação incontestavelmente distinta daquela ofertada as elites em outro momento. Junto à democratização dos direitos emergem indeléveis, a construção da ignorância, e a distorção dos conhecimentos, promovendo a conformação da massa, que amortecidas pela sensação da garantia dos direitos pelo estado, estagnam-se diante das mazelas políticas.
A popularização da comunicação e do conhecimento, o tornou menor do que ele deveria realmente ser. Informações reduzidas, imediatistas e desconexas é que chegam à população, se disseminando conceitos falsos sem historicidade. E neste momento que antecede as eleições municipais, há de se considerar a relevância da contextualização dos fatos que envolvem a mídia desnorteada, tendenciosa, que de tão livre permite posicionamentos antiéticos frente à dignidade humana, o mandato inusitado e a candidatura obscura do Carlos Alberto de Paula, seus feitos e desfeitos, e o processo histórico de desenvolvimento da cidade de Sarandi.
A expansão do município se deu, ao contrário do que ocorreu em Maringá, de forma completamente desordenada, sem nenhum planejamento urbanístico ou conjunto de legislação que pudesse definir um plano para a ampliação e o parcelamento da cidade. Em consequência deste descontrole, há grandes vazios urbanos que separam áreas mais próximas ao centro de outras zonas ocupadas, que estão ilhadas em plena zona agrícola. Vale registrar que, historicamente, o município foi vítima da ação de despejo adotada pelo prefeito de Maringá, no período entre l.961 a 1.964, onde as pessoas eram conduzidas para fora dos limites da cidade. Segundo Caniatto (1995), em sua pesquisa realizada através de um projeto de extensão da Universidade Estadual de Maringá, nos anos de 1982 a 1987, a Prefeitura Municipal de Maringá entrou com a polícia e tratores na Favela do Cemitério, derrubando os barracos onde moravam várias famílias oferecendo-lhes uma indenização espúria para deixarem a área. Assim, seus pertences eram colocados em caminhões e deixados na beira da estrada em municípios vizinhos.
                Desta forma não fica difícil entender a configuração do município atual, e sua sede de vingança, de tornar-se tão desumana e elitizada quanto seu algoz histórico, Maringá. Criou-se no imaginário popular a concepção de que Sarandi só será legitimada quando seguir os passos da metrópole vizinha, até bosque esta sendo criado, o nome talvez seja Parque do Andi, referindo-se ao Parque do Ingá. Ironias a parte é desse imaginário que começamos a entender as obrigações inerentes a função de um gestor político enquanto pontos que devam ser levados em consideração em sua candidatura, quando essas obrigações devem ser entendidas apenas como cumprimento efetivo de um papel atribuído a determinado político, ou seja, o conceito popular que vem se construindo se fundamenta no que eles nomeiam de benfeitorias. E isso é o que se pode esperar de uma população assistencialista, que acredita que fazer o bem, tem a ver com doação, com voluntarismo e moralismo. Li em algum Blog o enaltecimento dessas benfeitorias: “A criação da Guarda Municipal, a construção da UPA e do Hospital Municipal, a derrubada do Mutirão e a criação do Residencial Mauá e outros empreendimentos populares, a ampliação do sistema de esgoto que foi e vem sendo feita, os asfaltamentos dos bairros, organização do transito e construção das creches”, que, primeiro devem ser analisadas e discutidas individualmente, no entanto, partem da compreensão supracitada, de que as obrigações inerentes, seriam motivos suficientes para que alguém pudesse de reeleger automaticamente. Ora, e onde fica o ativismo político? A compreensão das desigualdades sociais, o histórico de lutas e a identidade com a classe oprimida? Elegemos os burgueses por que nos consideramos incapazes de gerir a sociedade? Inculcamos a noção de que o poder deve permanecer nas mãos dos ricos, pois tomamos como natural essa designação, e essa superioridade de classes. As benfeitorias pseudo realizadas pelo atual gestor político Carlos Alberto de Paula, não o garantem exímio. Por tanto, há de se considerar que seu condenável envolvimento com o favorecimento de uma instituição privada em detrimento da comunidade, é ponto significativo para sua desqualificação enquanto candidato a prefeito. O simples fato de existir a possibilidade de sua impugnação, deveria ser motivo suficiente para o desqualificarmos, até por que parte de um fato concreto, comprovado que trata da criação de leis em favor de interesses individuais e privados, que ferem na constituição, a garantia da impessoalidade, da honestidade e da moralidade da coisa pública, e por si só deveria torná-lo inelegível independente da corrida eleitoral e da comparação entre candidatos. O processo é bem claro ao descrever as atitudes do Carlos Alberto de Paula, como inconstitucionais:

"(...) denota-se claramente que a Lei nº 1231/205 e a Lei Complementar nº 131/2006, ambas de Sarandi, foram editadas com claro escopo de favorecer a instalação de um posto de gasolina por pessoa jurídica previamente identificada e determinada - L. Menegatti & Cia Ltda excepcionando, somente para ela, a aplicação da Lei Complementar Municipal nº 71/2001, que fixa, de forma genérica, a proibição da instalação de postos de gasolina num raio mínimo de 500 metros de um estabelecimento para outro (cf. fl. 06 dos autos em apenso).
Aliás, a falta de generalidade, abstração e impessoalidade dos atos normativos questionados, justamente por favorecerem pessoa jurídica determinada, impede até mesmo o controle concentrado de constitucionalidade.
(...) Nesse contexto resta evidenciado que a Lei nº 1231/2005 e a Lei Complementar nº 131/2006, ambas de Sarandi, investem contra os princípios constantes dos artigos 5, caput, e 37, caput, da Constituição Federal."

Por tanto não se trata de uma jogada política da oposição como vem sendo disseminado em Blogs tendenciosos e imaturos, ou até mesmo nas emissoras compradas para veicular a favor do interesse burguês. Trata-se, de um processo jurídico real, que envolve inconstitucionalidade e descaso com a coisa pública, e que transcende o recapeamento de ruas principais desprezando a existência de tantos outros bairros muito mais necessitados do asfaltamento, ou a UPA que é um investimento do Governo Federal, e não tem absolutamente nada a ver com a boa vontade do Carlos de Paula, ou ainda qualquer movimento a favor da higienização social como o fim do mutirão, e o remanejamento das famílias, ou ainda quaisquer outras “benfeitorias” realizadas no arcabouço de suas atribuições obrigatórias. 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Despertar



O risco marcado com traço pálido
Escrito em métricas de um sonho cálido
Em trovas sem provas de papo cínico
Um povo cansado, de caso clínico                                                                                                                          
Humano desumano, ama como máquina
Criando seus conceitos como bases sórdidas
Moeda por moeda indecifrável código
Aos casos e descasos dessa velha fábrica
Produz ignorantes no seu risco bêbado
Despertam seus mortos em um passo fúnebre
Enterram-se os vivos num evento mórbido
Celebra indiferença como caso fático
E traça outras metas com seu traço lógico
Cobrindo a verdade com um lenço cósmico
Sem despertar pra nada num silêncio mórbido
Incorporou horror como se fosse lírico
Morreu de antemão depois de um gole fórmico.
Sonhou inconsciente desse papo cínico
Riscou marcando o sonho com seu traço cálido
E despertou do sonho decorando o código
Se viu ignorante no espelho bêbado
Que refletiu seu rosto em um traço lógico
Contaminando tudo com mentiras sólidas
Moeda por moeda como um gole fórmico
Matando o despertar em seu tracejo cósmico
E celebrando a vida indiferente e fúnebre
Semeia a pobreza de um ventre mórbido
Morreu e agonizou dentro de uma fábrica
E nunca despertou desse seu sonho lógico
E Terminou no chão com um semblante pálido
E vomitou em todos, o seu suco fórmico.
E despertou em todos o seu papo cínico
E convenceu a todos como espelho bêbado
Morreu de ante mão no consultório clínico
Humano desumano ama como máquina
Constrói relações como se fosse código
Contaminando tudo com mentiras sórdidas
Envenenou seu par tomando um gole fórmico
Brindando o despertar de um assunto fúnebre
Riscando o meu penar com seu tracejo cósmico
Morreu de antemão sem despertar pro lógico.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Sensações


Eu estou extremamente decepcionado, enormemente descontente com as pessoas, com essa incapacidade de compreensão, com toda essa falta de sensibilidade, de compaixão, de verdade. Eu estou cansado de ver alguém morrendo por dentro, me sentindo tão impotente, sentindo que vou morrer junto, e observando deste ponto, o quanto algumas pessoas poderiam fazer diferença e, no entanto, são tão indiferentes, tão vazias, cruéis e superficiais. Sinceramente não dá para sorrir o tempo todo, não dá para ser simpático o tempo todo, não dá para ser feliz o tempo todo. Mas as pessoas fazem questão de demonstrarem toda essa explosão de felicidade, e no fundo, são tão podres, tão mesquinhas, tão mentirosas e cínicas, que eu só consigo sentir vontade de vomitar. Essa indiferença me causa dores físicas, dores intensas, dores que me cegam, que me deixam incapaz de enxergar a solução sozinho. Eu estou cansado de ser todo ouvidos sempre, e ter sempre que me resguardar, por que as pessoas perguntam sim o que você tem, mas elas não são capazes o suficiente de ouvir e compreender, elas perguntam por curiosidade, por educação, ou por que perceberam que estão falando demais, e ouvindo de menos, e precisam fingir que estão interessadas. Sim, elas estão interessadas, nos próprios problemas, na sua própria vida, nas coisas mais banais, nos problemas mais superficiais possíveis, não são capazes de se aprofundar em nada, não são capazes de observar e de sentir nada que não seja seus próprios egos, sua própria vaidade. Eu estou enojado dessa gente que acha que a vida é um eterno piquenique, que tudo está bom, que tudo é obra de Deus, que tudo é maravilhoso, e deve ser mesmo, basta ignorar tudo ao redor, para ser feliz assim, todos os dias. Basta fingir que se preocupa, que dá ouvidos, que se sensibiliza. São nauseantes as pessoas querendo dizer o que você esta sentindo, se nem ao menos sabem quem você é de verdade. Elas resolvem seus problemas por você, como se elas realmente soubessem quais são seus verdadeiros problemas, elas são padronizadas, e acham que um “vai ficar tudo bem” é o suficiente. Tem gente que acha que precisa saber os detalhes mais sórdidos para saber o que podem fazer, e tem gente que sabe e não move se quer um dedo. As pessoas só querem mesmo é estar bem informadas, mas não sabem o que  fazer com as noticias, inventam todas as desculpas pra te deixar na mão. E assim, eu realmente vou aprendendo a ser tão vazio quanto elas, tão podre quanto elas. 

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