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quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tem evangélico por aqui? Queira se retirar!

Bom, meus caros, já faz algum tempo, vem crescendo um asco dentro de mim, no que diz respeito as religiões e seus seguidores, eu gostaria de não generalizar, e não vou fazer. Eu gostaria (Um desejo profundo meu, quase utópico) que todas as pessoas fossem capazes de pensar por si só, mas isso, deve ser pedir demais. Fato é que elas acreditam pensar por si, porém, são tão suscetíveis, tão maleáveis, tão manipuladas, que eu ando me sentindo no dever, de dar um tapa (Simbolicamente falando) bem dado na cara desse povo, que mais parece rato de laboratório, do que gente. 
O dever é informar? Não, é muito mais árduo, é alfabetizar socialmente, politicamente, religiosamente, culturalmente, enfim, ensinar o beabá completo. (seria bom se fosse por osmose) No entanto, eu que não acredito em milagres, penso que seria um, enfiar juízo na cabeça desse povo, já que o espaço esta vazio mesmo. Nessa ansia de ser pedagógico com os ensinamentos, lhes trago o primeiro passo, leia o texto abaixo do Pastor Silas Malafaia, e tente apontar por sí só os erros, os absurdos, os interesses, e se possível, o que esta na entrelinhas do seu "pedido especial".

"Um pedido especial
A maior alegria do nosso ministério é poder servir a Cristo; é saber que fomos chamados por Ele para propagar o evangelho e ajudar a expandir o Reino de Deus. Entretanto, ninguém consegue fazer algo sozinho. Se hoje nosso programa de televisão pode ser assistido por mais de um bilhão de pessoas, apoiamos diversos projetos sociais e promovemos eventos evangelísticos, é porque contamos com a contribuição de parceiros liberais. Somos profundamente gratos por isso.

Um dos lemas desse ministério é ser transparente em suas ações. Por isso, fazemos questão de prestar contas dos recursos investidos, seja pelo programa de TV ou pela revista Fiel, enviada aos Parceiros Ministeriais mensalmente. Agora temos um novo desafio. 

Todo dia 15 e 20, temos de pagar milhões de reais às emissoras de televisão para manter o Vitória em Cristo no ar, um programa que alcança todo o território nacional e é transmitido dublado em inglês para mais de 200 nações. No entanto, ainda não conseguimos levantar os recursos necessários para honrar nosso compromisso neste mês. 

Gostaríamos, então, de pedir uma oferta especial, segundo o que você propuser em seu coração. Lembre-se, a oferta é voluntária e um ato de fé e amor. Não é uma obrigação. Como sabemos que você é uma pessoa de visão na obra do Senhor, esperamos contar com sua liberalidade para nos ajudar nesse grande investimento. 

Desde já agradecemos por sua compreensão. Que Deus multiplique sua semente e produza frutos em sua vida e na de sua família.

Muito obrigado por tudo!"

Pr. Silas Malafaia

Depósito em nome da Associação Vitória em Cristo:
Bradesco: Agência – 0663-7 / Conta – 92177-7
Banco do Brasil: Agência – 0296-8 / Conta – 225822-6
Itaú: Agência – 6002 / Conta – 36367-6

E ai, gostaram? Se você não viu nada de incomum neste texto, no minimo você é evangélico. Agora se me disser que se ao invés de um pastor, fosse um padre, você relevaria, meu querido, mais que maleável e sucetivel, você seria um tremendo hipócrita. É claro, que em nível de sucetibilidade os católicos, sob minha análise, tem um indice menor, visto que culturalmente, seja verdade ou mentira, se firmou como uma tradição, e berra aos quatro cantos ser a maior religião, com mais adeptos e blá blá blá, o que pode ser uma ótima justificativa para alguém ser usado, enganado, manipulado. Isso conta muito. Algumas religiões podem ser considerdas neste mesmo nível, por ter de certa forma essa tradição. Por isso a maior facilidade de católicos abrirem os olhos, notarem que o mundo é bem mais do que se imagina, enfim, deixar de falso moralismo e hipocrisia. Agora, meu querido, se você é da Universal do reino de Deus, Pentecostal Ungida sei lá onde, ou Só Jesus na Causa, o caso é grave, você precisa de tratamento de choque. Agora se você é da Associação Vitoria em Cristo, se você gosta do Pastor Silas Malafaia, esse canalha de merda, bom, sinto lhe dizer, teu Deus esta de brincadeira com a tua cara. Bradesco, Banco do Brasil e Itaú, não tem nada a ver com Deus, Deus não tem uma conta no banco, e o Pastor Silas malafaia só esta precisando manter o seu programa de televisão, bem como seu conforto, sua igreja, e seus fiéis pagadores, digo, seguidores. 

O próximo passo agora, é aprender sobre as religiões, e parar de frequentar o culto.

Abraço e até a próxima aula.

http://www.vitoriaemcristo.org/_gutenweb/_site/gw-noticias-detalhe/?cod=487
Pastor Silas Malafaia

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O "Pink Money", os estereótipos e a apropriação de "guetos" pelo Capital.

Apesar de há algum tempo já existente, poucos são aqueles familiarizados com um termo que, por dentro de todo o debate gerado pelo brutal aumento dos ataques contra homossexuais tanto nas ruas das principais capitais brasileiras quanto no Congresso por Bolsonaro's e evangélicos, adquire centralidade e merece uma atenção especial daqueles que buscam entender como o capitalismo pretende a "resolução" de algumas das principais expressões de sua crueldade enquanto sistema econômico e social. Tal termo é o "Pink Money".

Criado já há algum tempo, o termo, como se define na Wikipedia, faz referência ao "poder de compra" da comunidade LGBT. Suas origens, alcance e perspectivas podem ser sintetizados da seguinte forma: "Com a ascensão do movimento dos direitos gays, o pink money passou de uma franja de mercado e marginalizado para uma próspera indústria em muitas partes do mundo ocidental, como os Estados Unidos e Reino Unido."¹ 
Esta dinâmica de transformação, da qual já emana um profundo conteúdo ideológico e desnuda inicialmente a maneira pela qual os capitalistas buscam lidar e entender a comunidade GLBT, encontra em numerosos artigos na internet e blogs aprofundamento e desenvolvimento.
Na maioria destes pontuam-se as bilionárias cifras que envolvem o "consumo gay" e buscam, por incontáveis vias, alertar e pontuar a importância de entender o "mercado" para, assim, e não há nada mais ideológico do que isto, "tirar melhor proveito" dele.

O que (dizem ser) é o "consumo gay" e a utilidade dos Estereótipos

Basta uma busca rápida e uma olhada nos estúpidos programas do dito "humor" para entendermos quais são as predileções dos homossexuais e/ou quais as áreas de interesses destes segundo a ideologia burguesa. Segundo um site dado a refletir o impacto, benefícios e a necessidade do empresariado e marketeiros dispenderem atenções ao "consumo gay", as principais áreas de interesse da comunidade são a automobilística, tecnologia, turismo, moda e luxo.²  
Obviamente que toda a estética e referências envolvidas são recheadas de todo o tipo de estereótipos e chavões pejorativos os quais, historicamente, foram atribuídos aos gays.
O Sadomasoquista, o bombeiro, o "emplumado", o delicado, o espalhafatoso, todos são os "tipos ideias", dos quais, nenhum homossexual, bissexual ou transsexual pode escapar. 

Tal é e sempre foi a tendência de interpretação das minorias e dos grupos indesejáveis, por parte da ideologia dominante, que seja, estereotipá-los, transformando-os em elementos caricatos e identificáveis, passíveis de separação e segregação para, assim, "Guetorizá-los" e proteger o padrão de indivíduo, desejável, estável, heterossexual, casado, branco e que deve se constituir, necessariamente, como a regra da sociedade como um todo.
Este processo, todavia, não é novo, nem na história dos oprimidos, nem no caso da comunidade LGBT. 
Basta ligar a TV em qualquer canal propagador do sensacionalismo e evidenciador da barbárie cotidiana da sociedade de necessidade capitalista, para vermos quais são os estereótipos atribuídos aos Jovens negros, pobres e da periferia, enquanto ladrões, estupradores e bandidos; às mulheres, enquanto, em sua grande maioria, donas de casa, "esposas", submissas e resignadas e, se forem negras, enquanto domésticas e faxineiras (Não por retratem a triste realidade da maioria da População feminina deste país submetida aos piores e mais degradantes empregos, mas por reproduzirem-nas enquanto corretas, sem críticas); dos homossexuais como os, chamados socialmente, "tarados", escandalosos e descontrolados e segue-se uma longa linha de definições rígidas e absurdas...

Como dissemos, no entanto, tal processo serve como uma espécie de "definidor universal" e bloqueio da ideologia dominante, definindo o "distinto" e o "regular", o diferente e o normal, para garantir a manutenção de seu padrão desejável e colocar em seus devidos guetos o que "surge e é diferente" sendo que, invariavelmente, como em tudo no capital, tal processo terá suas implicações econômicas, que encontram uma expressão acabada em relação a comunidade GLBT no "Pink Money".

 Pink Money: Aspectos positivos para a comunidade GLBT em sua "integração"?

A transformação da comunidade Glbt em "mercado gay", necessariamente precisaria passar por um processo de "homogeneização" de interesses pela via da conformação de tipos ideias, estereótipos, que, como demonstramos, servem a um interesse essencialmente ideológico de separação daqueles agrupamentos de indivíduos de um todo, cujas características são tidas como ideais e desejáveis. 
Esta definição possui base histórica e, sendo assim, basta voltarmos 40 anos no tempo para observarmos o quão indesejáveis e segregados eram os homossexuais na Grande Nação da liberdade, os EUA, na qual, os ataques aos homossexuais nas ruas, praças e pontos de encontros, dentre eles o emblemático STONEWALL, ao qual iremos nos referir mais a frente,  pelos orgãos repressivos do Estado -Polícia- eram tão comuns, ou mais, quanto os espancamentos, prisões arbitrárias e assassinatos de jovens "afro-americanos", submetidos a um apartheid aberto, que começavam a se organizar nos Grupos que dariam origem aos “Panteras Negras”.

Esta transformação das ditas "diferenças" em "mercados" é uma das principais ferramentas de objetificação de agrupamentos de indivíduos com características distintas do padrão aceitável burguês e, igualmente, uma importante ferramenta de cooptação e "fagocitose" destes setores, outrora oprimidos e atacados. Vende-se, então, a ideia de que, para garantir-lhes espaço na sociedade, é necessário atender-lhes aos seus interesses, cujas fontes de referência são os numerosos estereótipos pré-estabelecidos, realizando, assim, um duplo objetivo aos capitalistas: A transformação dos setores oprimidos e marginalizados em números objetivos e fonte de consumo para determinados ramos da produção e a cooptação destes setores e "amortecimento" dos conflitos sociais, estes gerados pela própria ideologia capitalista que, naturalmente, por dentro de uma sociedade de opressão e exploração, não deixarão de existir. 

O resultado é o esperado e constatado em relação a muitas comunidades historicamente oprimidas, ou seja, seu isolamento em guetos constantemente discriminados e atacados, elemento extremamente desejável pelos capítalistas pois divide a calsse trabalhadora dentro dela própria, com heterossexuais discriminando homossexuais, etc; a cooptação de milhões destes oprimidos ao projeto de sua realização no consumismo e na obtenção dos bens e posições ideologicamente vendidos e, em momentos de agudização das tensões sociais; a retomada de uma escalada de violência e ataques àqueles que representam o "indesejável" e não mais podem ser "toleráveis"- existe termo mais ideologicamente reacionário e cínico do que este?- na sociedade.

Recentemente, vimos reportagens que nos colocam os números da barbárie cotidiana relegada aos GLBT's e que nos evidenciavam espancamentos cotidianos de jovens que moram nos morros dos Rio de janeiro. Da mesma forma, centenas de mortes continuam ocorrendo todos os anos e o número de espancamentos, só na região da avenida Paulista se mantém em níveis estratosféricos. No mesmo sentido, a bancada evangélica organiza milhares de pessoas em marchas contra os direitos GLBT's e propagam, ao lado dos adeptos- assumidos- da ideologia da ditadura militar e da extrema direita, o ódio e a morte aos gays, lésbicas e todos os de orientação não heterossexual, pelo bem da Família, da Ordem e da Propriedade Privada. Neste cenário, até mesmo os grandes avanços, como a recém aprovada União estável, perdem completamente seu brilho, frente à reacionária PROIBIÇÃO de homossexuais doarem sangue e o veto Homofóbico, perpetrado por Dilma, ao Kit-Anti-homofobia. Nos termos mais populares e simples possíveis, fica a pergunta: "De que merda de integração dos GLBT os marketeiros e cães do capitalismo de plantão estão falando?"

De volta a Stonewall (Por isso lutamos) e a liberdade de SER

A revolta de Stonewall, como ficou conhecida, foi um processo de resistência e confrontos ocorrido em Nova York, em 1969, como resposta aos corriqueiros ataques, prisões, espancamentos e prisões arbitrárias que ocorriam na região da cidade conhecida como Greenwich Village. Após o que seria "mais uma batida cotidiana policial" os moradores homossexuais, travestis e moradores de rua que residiam na região e se encontravam no Bar Stonewall, decidiram se levantar e reagiram, desta vez nos mesmos termos, aquele ataque cotidiano. Prenderam os policiais e provocadores dentro do Bar na primeira noite, enfrentaram-se com as tropas de choque detrás de barricadas por semanas lado a lado de artistas, jovens, trabalhadores e militantes negros que já haviam combatido a polícia nas manifestações anti-guerra e, sendo assim, deram passos decisivos na autodeterminação de seus destinos, aglutinando milhares ao seu lado.

O processo de Stonewall, no qual se desenvolveu uma auto-organização interessantíssima contra a repressão e sua segregação, foi o berço de formação de organizações de luta pelos direitos do que chamamos hoje de GLBT, organizações estas que passaram a retratar as mazelas e a opressão cotidiana e a, até mesmo, organizar ações de enfrentamento tático contra a repressão que ainda perdurava em nome do Esquadrão de Moral Pública da época, que, em numerosos Países tem numerosos nomes com o mesmo intuito, proibir, reprimir e, quando possível assassinar. Este exemplo, não poderia deixar de ser lembrado e, dele, não podemos deixar de buscar lições.

Obviamente que não propagamos aqui a condenação em relação a qualquer aspecto dos "estereótipos ideais" que criticamos. Os exaltamos para evidenciar o quão simplista e formatador é o movimento da ideologia burguesa a serviço dos interesses do capitalismo que transforma o indivíduo, cujas potencialidades são enormes e tendem ao infinito, em elementos formatados, rígidos, secos, limitados e reprimidos em todos os níveis, sobretudo pelos padrões machistas, homofóbicos e racistas que fundamentam esta ideologia.

Os lutadores de Stonewal diziam :  
"times were a-changin'. Tuesday night was the last night for bullshit.... Predominantly, the theme (w)as, "this shit has got to stop!"Participante anonimo. Ou seja, esta merda tem de parar. Em inglês, inspirador. 
A opressão e "guetorização" dos GLBTT's tem de terminar e, mesmo com o brilhante e inspirador exemplo de Stonewall, sabemos que ainda demos pouquíssimos passos no sentido de avançar para sua "liberação", sobretudo, porque sabemos que estas tarefas envolvem, como buscamos demonstrar, um questionamento mais profundo da sociedade de classes na qual estamos.

Apenas questionando os estereótipos, os "dever-ser", a dinâmica de apropriação de um lado e de segregação de outro estabelecida pelo capitalismo em relação aos "indesejáveis"; somente buscando construir uma sociedade que se livre de todo o culto à aparência e busque a essência; somente construindo escrupulosamente uma sociedade cuja produção esteja a serviço das necessidades da maioria da população e não do lucro de uma fração ultra-minoritária da sociedade, os capitalistas; somente construindo, hoje, no pequeno, polegada por polegada, uma Contra-moral, uma legítima moral revolucionária, que se paute pela Liberdade Sexual completa; somente construindo uma sociedade que se paute por uma moral que não se pauta na auto-repressão, no auto-flagelo, na discriminação, na segregação, mas sim na completa autodeterminação pensada e organizada coletivamente; somente assim, refletindo e construindo tudo isto e muito mais, é que avançaremos na perspectiva da superação de nossa opressão, seja qual for.
O capitalismo merece e PRECISA perecer


 O capitalismo é um sistema econômico e social Podre e decrépito, baseado na exploração, na mentira e na transformação das massas em objetos de uma ínfima minoria. A ideologia Burguesa teve muito esforço em caracterizar a doutrina marxista, no que diz respeito ao que prega acerca do desenvolvimento do individuo e acerca das questões cotidianas e "morais", como um sistema de idéias que pregava o Rígido, estreito e o castrador. Não é difícil lembrar da propaganda anti-comunista que colocava lado a lado milhares, com fardas verdes, pastas de dentes iguais, vivendo em ocas gigantes e completamente alienados.

Na realidade, é nesta inverdade que se evidencia o principal medo e este é o recurso ideológico mais desesperado e de apelo ao velho que a burguesia internacional lança mão. Hoje, milhões passam fome enquanto bilhões de alimentos são queimados todos os dias. Igualmente, bilhões estão relegados ao desemprego e observam a face cruel de suas mortes sem perspectiva. Milhares e milhares de recursos, terras e bens nas mãos de pouquíssimos capitalistas e bilhões de desalojados, desabrigados, desprovidos de terra, moradores de Rua, etc. As idéias, os costumes, os valores, o aceitável é um padrão que se vende em lojas e homogeniza as intenções e os desejos- ou a repressão destes-...

Lutamos pela liberação desta lógica de opressão. Pelo fim desta sociedade e por uma cuja produção esteja a serviço de produzir e garantir, sejam remédios, alimentos, casas, transportes, etc e etc, a maioria da população conforme precisem. Somos pela transformação desta ideologia castradora e pela completa liberdade sexual, pela libertação da produção artística, pelo livre desenvolvimento da individualidade de cada um, dentro de uma sociedade dirigida CONSCIENTEMENTE e coletivamente.

Digam-nos: O que lhes soa mais castrador e arcaico? O que a sociedade capitalista tem a nos oferecer?

STONEWALL e o exemplo de seus lutadores, se organizando de modo independente e se aliando aos setores de jovens e trabalhadores negros, das periferias, contra os patrões e capitalistas castradores representados pela Polícia, nos indicam um caminho diferente do "PINK MONEY", da "integração burguesa" e de toda a opressão que nos reservam os espectros do velho.

AVANTE!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

AS “GUEI” DESPOLITIZADAS, E O PRECONCEITO INVIZIBILIZADO.


Tim Maia já dizia “Este país não pode dar certo. Aqui prostitua se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia, e pobre é de direita”.

Não é curioso, como de modo geral, uma grande minoria (que paradoxo!), se revela tão pouco conhecedora de suas próprias causas? Já notaram negros fazendo piadas de negros, gordos, fazendo piadas de gordos, e loiras fazendo piadas de loiras? Estranho não é? Não seria estranho, se pensarmos que a melhor forma de fugir do preconceito, é transformá-lo numa grande piada. E nesse tom amistoso e simpático, transformar o cruel preconceito, em práticas veladas e invizibilizadas, de forma que estatisticamente falando, ele não exista. Alguns insistem em acreditar, que o preconceito foi enterrado sem chances de ressuscitar. Fazer parte de uma minoria é claramente à condição menos vantajosa que qualquer pessoa pode viver, mas ser minoria sob a ditadura da maioria ainda pode ser considerado a pior de todas as condições que uma pessoa pode ser submetida. Padrões de normalidade, convenções e paradigmas são as justificativas mais usadas para manter o poder de decisão nas mãos da maioria. Mas eis que a maioria, ainda não conseguiu entender, que só é maioria, por que não passam de uma massa acéfala e manobrada pelos muito bem politizados defensores, de uma família que não existe mais, de uma moral que não existe mais, de uma ideologia dominante, sob toda uma classe. Quando dentro de uma mesma classe vitima de preconceito existe uma manipulação de poder, e diferenças naturais entre si, a organização se torna um eterno e infrutífero debate, que nunca chega à fase de execução. Os negros tiveram uma vantagem nessa luta, negros não se escondem em armários, e pintar-se de branco, ia dar bandeira, então, por não ter onde se esconder, o jeito foi encarar a briga de frente. Enquanto o gueto for gueto, enquanto o gueto não tomar sua posição, não tiver opinião, e estiver mais preocupado com o mega hair e os cílios postiços, o ultimo álbum da Lady Gaga, ou como vai se produzir para a balada do final de semana, o gueto permanecerá gueto. Enquanto estiverem confortáveis em seus armários sórdidos, fazendo piadas de si mesmo, tendo medo de si mesmo, e dando desculpa a leveza e o humor da vida, que não pode se perder, uma minoria ainda menor sem sua ajuda, luta pelos seus direitos de ser livre. Enquanto te dizem que esta fora dos padrões de normalidade, você cria um preconceito de si mesmo, corre de si mesmo, e prefere acreditar que é tão normal quanto os outros da “maioria”, mas você não sabe, que normalidade, ou normas, são imposições extrínsecas, da própria maioria, na intenção de igualdade, inibe as diferentes individualidades. Normalidade e naturalidade são duas coisas distintas, isso deveria ser dito e compreendido, todos nós podemos seguir normas, basta querer, você pode ser normal, mesmo desejando internamente ser justamente o contrário. Mas por que ser algoz de si mesmo? Ser negro, por exemplo, é natural, se alguém diz que não é normal, ou que as normas impostas não permitem a negritude, o que há de se fazer? Tudo vai depender das normas criadas pelos homens da maioria, por que normas são leis, tem pena, tem julgamento, e isso é um modo como a sociedade encontrou para se organizar. Se nós não compreendermos os interesses que movem a sociedade, se não tomarmos consciência de nossa classe, se não tomarmos partido, se não sairmos de cima do muro, ou de dentro do armário, se não freqüentarmos a escola, as rodas de debate, se não lermos sobre o assunto, se ficarmos na inércia, esperando que os outros façam por nós, ou achando que votar, é fazer a sua parte, o resto fica a cargo de quem você votou, enquanto suas preocupações forem o teu umbigo, o que não tem nada a ver com política, enquanto política for algo que você odeia, os meus direitos vão correr um sério risco, de serem engolidos pela falsa maioria, e seus padrões de normalidade, suas tradições e convenções, seus paradigmas, e o preconceito invisível que nos cerca, tão dentro do armário quanto os cérebros de cebola que nos representam. É preciso ASSUMIR para si a responsabilidade e a seriedade necessária, antes que as normas invisíveis nos condenem ao silêncio eterno, e nos transformem em piadas, estereótipos, e personagens fictícios de novela de horário nobre.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O EMPIRISMO DA AMIZADE


Sobre qual a maior forma de entender a importância e o tamanho do conhecimento adquirido, é identificá-lo, de acordo com todas as experiências vividas, experimentadas, postas em prática, seja no âmbito da objetividade, ou da mera subjetividade, já que alguns a desprezam, com tanto ardor, neste mundo gerido a provas cientificas numa extremidade, e sandices religiosas em torno de uma fé maniqueísta noutra. Eu, que não sou pesquisador da amizade, menos ainda das relações interpessoais, reconheço que seria ousado dizer alguns pensamentos meus sobre esta dúbia temática, mas ousado, sei que sou, e no campo do empirismo, e das práticas, qualquer um, pode vomitar seus conhecimentos hermenêuticos, publicáveis ou não, nas redes sociais virtuais, ou mesmo reais, sendo ambas as redes tão entrelaçadas como são.
Não sei bem ao certo por que escrevo sobre amizade, sinto que tem relação com uma mistura de saber empírico, com uma não compreensão das entrelinhas. E talvez por não compreender a fundo como se dão estas relações na sua radicalidade, me pergunto e me surpreendo com as várias interpretações que acometem minhas próprias relações. Com as experiências vividas constatei dois tipos de amizades significativas no que tange os conflitos e as contradições imanentes as relações fraternais, a amizade coletiva, e a amizade individual compartilhada.
Amizade coletiva, em suma, diz respeito a relações que se mantém de modo interdependente entre mais de duas pessoas, três, quatro, ou até um grupo maior de amigos, que trazem em comum justamente as ligações criadas em função do grupo, e que não possuem independência ou individualidade, ou seja, neste caso, a amizade esta consolidada em uma convivência também coletiva, não permite continuidade para além de situações que se prendam nos assuntos comungados entres os integrantes deste modelo de amizade. Normalmente, neste caso, você liga para fulano e sicrano, que só sai contigo se beltrano também for. O grupo de amizade coletiva se mantém de modo situacional sem todos os integrantes, mas não de modo permanente. Conflitos gerados isoladamente podem refletir na continuidade dos laços, visto que a interdependência sujeita-se a todas as situações advindas deste modelo de amizade. Não se pode considerar este modelo de amizade, superficial, ou falsa, mas pode-se caracterizá-la enquanto frágil, por depender de muitos fatores externos, e vários temperamentos atuando sob uma mesma relação. A amizade coletiva, também pode ser vitimada pela própria amizade individual, que é responsável direta pela dicotomização de amizades coletivas.
A amizade individual se refere a outro tipo de relação, que se baseia em pilares um tanto mais profundos e estáveis. Porém não menos intensa nos conflitos, cheia de cobranças, ciúmes e possessividade. A amizade individual normalmente é mais duradoura, não depende da interferência nem da presença de terceiros. É movida pelo mais alto grau de sinceridade e cautela, tem base no companheirismo, tanto nos momentos de alegria, quanto nos de tristeza, diferente das amizades coletivas, que na maioria das vezes lhe causa uma sensação de vazio, e dá a impressão de solidão meio a multidão. Uma amizade individual só existe por que ambas as partes compartilham de preferências semelhantes, ideologias, visão de mundo, e características que se encaixam, são pessoas que podem ficar dias conversando, sobre um mundo de coisas sem o tédio, sem a obrigação, sem medo de o assunto acabar. Ou mesmo, são capazes de permanecerem no silêncio por varias horas, quando olhares falam por si sós. Amizade individual tem a vantagem de ser única, e representar um laço mais difícil de ser desatado. Mas não significa eternidade, também sofre seus desgastes, com menos interferências externas, e mais internas, produzidas da própria relação.
As amizades coletivas e individuais interferem uma na outra, por uma amizade coletiva, caracterizada pelos momentos divertidos e leves, pode ocorrer um distanciamento egoísta das amizades individuais, uma fuga da estabilidade, e também a amizade individual pode te deixar dividido entre os mundos distintos que se criam, e a impossibilidade destes caminharem juntos.
No fim das contas, entendemos tão pouco de tudo isso que rodeia as amizades, no fim, de empírico mesmo, só a solidão, por opção ou não, tão mais palpável que qualquer expectativa em outrem. Não é discurso derrotista, nem de vitima, são apenas constatações das vivencias e dos experimentos. E tudo isso só revela, que a amizade é um mal necessário, seja lá qual for o modelo, ninguém vive sem, mesmo que para isso, tenha que imaginá-la, ou inventá-la.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A "Brogodó" não é ficção.

Como lidar com uma sociedade civil decrépita e imersa em seus dogmatismos mais nojentos, quando esta se baseia na velha escola, no coronelismo dos sertões, mas sem os heróis do cangaço? Como dormir e acordar todos os dias sendo individuo humano do polegar opositor, com raciocínio lógico diferente dos animais irracionais no país do fundamentalismo religioso, das piadas congressistas, da política do “uma mão lava a outra”, e das chantagens absurdas que ninguém mais faz questão de esconder? Como lutar contra o aval a intolerância e corrupção de uma sociedade sem escrúpulos, egoísta, traiçoeira e covarde, que não admite seus preconceitos, e é capaz de matar em nome de um Deus, e nem se quer levam a sério os dez mandamentos sagrados de sua religião? Como não se decepcionar diariamente com uma sociedade tão vazia de sensatez, de tato, de dignidade, de humanidade, de igualdade?
Essa gente prefere as crianças mortas, acuadas, vilipendiadas, apontadas e condenadas nas escolas, nas ruas, e em suas próprias casas, em nome de um Deus sem educação, sem amor, sem compaixão, sem verdade. Estamos à mercê do Deus do cinismo, da covardia, da violência, da miséria humana. É o Deus às avessas. Que Deus é esse que eu nunca conheci? Mas ouvi falar, que em seu nome, muito sangue foi derramado em vão, muitos inocentes morreram, por mero capricho do coronelismo, da burguesia, do erudito, da alta sociedade, das diferenças.
Hoje eu estou insuportavelmente indignado, de dividir o mesmo espaço que os deputados que votaram a favor da nova emenda do código florestal, e de dividir o mesmo espaço que uma penca de deputados que fazem manha como se fossem bebês, com chantagens absurdamente inaceitáveis para um ambiente pautado na ética e no respeito a população. Mas oras, isso seria pedir demais não é mesmo? Ética de deputados? Não seria não! Isso é o mínimo que deveríamos exigir, mas onde nós temos voz nesse país de araque? No twitter disputando espaço com a sociedade civil despolitizada, encalacrada em suas verdades imutáveis, em seus paradigmas insossos e nauseantes? Deixa-me perplexo que nesse amontoado de trogloditas que habitam este país que mais parece com a cidadezinha fictícia da novela das seis chamada “Brogodó”, não tenha um rei do cangaço, que faça com as próprias mãos a justiça verdadeira, se assim não for, morrem somente os inocentes, vitimados pela violência fruto dos nossos algozes suplantados no governo, com o aval da própria sociedade que sofre as dores do parto da CNBB, do Jair Bolsonaro, do Palocci, do Sarney, Aldo Rebelo, e uma lista enorme de descerebrados que representam outros tantos, “Brogodó” a fora, digo, Brasil a fora. CHEGA! COMCLAMO O CAPITÃO HERCULANO PARA DAR FIM A ESSE CONGRESSO DE MERDA!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

AS REDES SOCIAIS VIRTUAIS E AS TÁTICAS NEOLIBERAIS: HASHTAGS, UM NOVO MOVIMENTO ORGANIZADO.




Por Rodrigo Eduardo 

Entenda-se por redes sociais virtuais todas as redes que preconizam relações interpessoais que se dinamizam num plano fundido pela realidade e pela subjetividade, que ora representam a realidade, ora representam uma idéia de realidade a qual fazemos em detrimento de abstrações acerca do ser humano, enquanto ser individual, e ser coletivo. Dentre as necessidades de inter relação, entre os homens, bem como as relações entre todos os seres vivos nos atentamos as relações que buscam um reconhecimento e uma identificação dentro de uma cultura, e um seguimento social, recorrendo por tanto, as contradições imanentes ao modelo de sociedade a qual as redes sociais virtuais estão inseridas, a sociedade capitalista.
Neste sentido, considerar as relações destas redes sociais virtuais com o modelo de sociedade capitalista, e seus sentidos de livre comércio, exploração da natureza, desenvolvimento de tecnologias, fragmentação das relações, valorização dos sentidos de competição, e produção de mais valia, nos indica um patamar de desarmonia eloqüente, que se interpela sob os aspectos disseminados pela ideologia neoliberal, e pela comoção da burguesia frente a todo e qualquer tipo de instrumento advindo da construção histórica do homem e do seu modo de produção. Nestes meandros, sabendo que este instrumento de lazer da sociedade moderna, ainda que não seja uma exclusividade para a atuação do profissional de Educação Física, trata da ocupação do tempo livre do homem, e, por conseguinte da classe trabalhadora, no sentido da formação em construção, desde a infância, juventude e fase adulta.
Assim, pode-se levar em consideração também o desenvolvimento das forças produtivas, e os avanços tecnológicos, bem como a influência dos meios de comunicação no processo de relações humanas, que indiretamente fazem menção aos meios de comunicação de caráter virtual, como Facebook, Orkut, Twitter, Web Mensenger, entre outros. E neste sentido algumas inquietações emergiram a respeito da temática, como por exemplo: Como esses meios virtuais de relações humanas podem se transformar em instrumentos a favor da manutenção da ordem social capitalista? Esse novo modelo de relações interpessoais pode ser considerado instrumento desarticulador da classe trabalhadora? Existem possibilidades educacionais para esses instrumentos enquanto forma de resistência a ideologia dominante?
Essas inquietações se dão no âmbito de uma sociedade marcada pela inclusão digital, pelo acesso livre aos meios de comunicação, inclusive da classe menos abastada, no que sugere uma forma de ocupação do tempo livre destes, bem como, as atividades de recreação, lazer, que são consumidas de modo a retratar as condições materiais, reproduzindo a divisão de classes e do trabalho, aspecto inerente ao modo de produção capitalista. Assim, estes instrumentos de comunicação são capazes de proporcionar a falsa sensação de liberdade, e a falsa sensação de inserção social, de modo que na maioria das vezes sugere uma fuga da realidade solitária do individuo que se sujeita a jornadas de trabalho ainda intensas, ou mesmo a indivíduos com dificuldades de se relacionar socialmente. Desta forma uma espécie de perfil virtual é criado, representando ou não um determinado sujeito social, que se abstém em grande parte de momentos de contato fora do meio virtual, assim podendo se distanciar dos movimentos de sua própria classe.
Há muito tempo os movimentos sociais tiveram seu auge com a juventude revolucionária ocupando as ruas, movimentando-se em prol de seus ideais. Coerentes ou não, existia o tal movimento histórico capaz de mudar a realidade concreta, o fora Collor é um exemplo clássico destes movimentos.
Com o passar dos anos, e essência destes movimentos estudantis se enfraqueceu de modo geral. A juventude perdeu a capacidade de discutir assuntos relevantes para a sociedade, e perderam o ímpeto revolucionário, sucumbindo-se ao derradeiro jeito conformista de ser, despreocupado com as questões políticas e sociais, e quando preocupados, incapazes de se organizar coletivamente.

Esta situação vem se modificando nos últimos tempos, isso me remete ao modo como Milton Santos no filme “Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá” tratava e explicava as fases da globalização, e o uso dos recursos midiáticos e das tecnologias mais acessíveis em prol dos grupos marginalizados, favelados, ou grupos minoritários, como os negros, os gays, entre outros.
É claro que esse movimento parte de uma sociedade pseudo  democrática, que permite opiniões e movimentos contrários, levando o cinismo do preconceito ignorante, e os próprios detentores do poder repressivo, podem movimentar-se neste embate. No Twitter as mais famosas hashtags ficam visíveis para todos os internautas, e representam os assuntos mais comentados, independente de serem comentários contra ou a favor. Uma minoria que vem ocupando veementemente este espaço, são da classe GLBTT, e pondo hashtags como #ForaBolsonaro que remete ao Deputado homofóbico que vai contra as leis que favorecem os homossexuais, utilizando-se de argumentos religiosos, e pautado no modelo de família cristã, e em recortes da bíblia sagrada, bem como em sua ignorância em relação aos assuntos que permeiam os reais motivos de alguém ser homossexual. Outra hashtags que perdurou por um bom tempo entre os primeiros, segue o mesmo tema, e trata da #uniãohomoafetiva, e foi muito discutido no dia em que o STF – Supremo Tribunal Federal levou para votação a legalização da união estável entre pessoas do mesmo sexo, sem distinções, com os casais heterossexuais. Na seqüência tivemos o #diacontrahomofobia e a #marchacontrahomofobia , o que mostra que o assunto esta realmente em pauta, independente das opiniões geradas a respeito do tema. Assim sendo, nota-se ao ler os comentários que em grande parte há uma avalanche de pessoas compactuando com este movimento que mais do que valorizar uma minoria especifica, tem a ver com a valorização e o respeito entre os seres humanos de modo geral, respeitando toda e qualquer diferença, seja física, social, política ou a sexual, que é a que esta em questão. Daí que partem os comentários muitas vezes contra este tipo de movimento, por alegarem ter no país uma série de outros problemas que seriam muito mais relevantes e mereceriam muito mais atenção por parte da sociedade civil, como a educação, a corrupção e a violência, mas o que é a #marchacontrahomofobia se não um movimento organizado justamente contra os políticos que não valorizam o respeito às classes minoritárias, e que usam de cargos públicos para se beneficiarem? O que é a #marchacontrahomofobia se não um momento de tornar a sociedade menos ignorante e mais educada em relação a um assunto que mesmo que indiretamente lhe diz respeito, vide os programas contra homofobia nas escolas? O que é a #marchacontrahomofobia se não um ato em repudio a violência contra as minorias, todas elas, não só os gays, mas os negros, as mulheres, as crianças, aos marginalizados socialmente? Enfim, este microcosmo chamado rede virtual social, ganhou tais características, que lhe fazem transcender para o macro social, ou melhor ainda, incita as discussões que antes estavam mortificadas em universidades, entre pessoas de senso comum, que por mais leigas que sejam, vão ter a oportunidade de não estarem somente a mercê dos dogmas pastoreiros das igrejas ungidas em cristo, e da mídia manipuladora, abrindo-se um espaço gigantesco para pagar os efeitos da globalização com a mesma moeda.

As redes sociais virtuais tornaram-se hoje um meio de organização social que permite reinvidicar mesmo que simbolicamente os direitos destas minorias, ou ainda divulgar indignação contra qualquer tipo de injustiça gerada no meio social. Tudo isso pode acontecer por meio de postagens de vídeos, textos em Blogs, frases no Twitter, ou até chamadas ao protesto real, ao vivo por intermédio do Facebook. Virou noticia nos jornais de televisão a organização dos internautas contra o aumento abusivo do combustível em alguns pontos do país. Os internautas por meio de uma ferramenta do Facebook agendaram um evento em forma de manifestação de modo bem organizado e pré - estabelecido.  A idéia era marcar um encontro em algum posto especifico e abastecer a 50 centavos, pedir nota fiscal, e pagar ou com uma nota de 50 reais ou no cartão, o que dificultaria muito a vida dos funcionários e dos donos dos estabelecimentos. Isso tudo quer dizer que o movimento social partiu de um primeiro movimento social virtual.


terça-feira, 17 de maio de 2011

Esses dias tão estranhos

A cada dia que se passa me sinto mais e mais impaciente, não que as pessoas não mereçam minha impaciência, mas eu não mereço estar nesse estado de impaciência. Cada dia mais me sinto mais distante da tranqüilidade, da felicidade. Só consigo enxergar a felicidade ao me redor, mas não junto de mim. Ela esta nos sorrisos despreocupados, nos abraços, nos beijos, nas gargalhadas, nas piadas inconvenientes, nas rodas de conversa, no entusiasmo, nas perspectivas, na confiança, na altivez, na beleza, mas não esta em mim. Não dá mais pra traduzir isso tudo, não dá mais pra falar disso tudo, por que na verdade nunca deu, afinal todo mundo esta tão preocupado com seus próprios problemas, com suas próprias felicidades, que se torna indiferente qualquer outra coisa que a principio não lhe diga respeito. Eu já não suporto a insistência em saber o que eu tenho, se eu estou mal, ou o porquê da minha cara não ser das melhores. Quantas vezes vou ter que explicar as mesmas coisas? Quantas vezes vou ter esclarecer as mesmas duvidas? Quantas vezes vou ter que falar com as paredes? Minha cara é feia sim, é genética, é a força voraz do tempo e dos descuidos de uma vida desinformada e desperdiçada, é o como as coisas são, é como eu sou. Parem! Parem de achar que o mundo gira ao redor de vossas senhorias, parem de achar que o motivo das minhas caras feias são justamente vossas excelências. Os senhores não sabem de nada, não sabem da metade do que se passa aqui dentro. Eu to cansado primeiramente de mim mesmo, depois, com o passar do tempo, por isso, e por tantas outras coisas, são vocês que me cansam. Vocês que acham que não mudaram uma vírgula sequer, dizem que eu que mudei, e de tão monossilábicos que se tornaram, fizeram me calar diante de tanto cinismo. Sim é claro que eu mudei, mas como não mudaria se vi mudanças tão drásticas em relação a mim? Não cabe mais citá-las por aqui, to tão cansado de gente supondo ser o centro da minha vida, que isso acarretaria em mais um bocado de desconforto. E já basta o desconforto social, moral, político, psicológico em que me encontro.

domingo, 8 de maio de 2011

Minha gratidão e os meus erros

Há momentos em que nos damos conta de que o erro maior, é errar sem dar-se conta dos erros cometidos. Erros maiores tem a ver com quem ama-se incondicionalmente, e quem demonstra esse amor concreto das mais diversas formas. Um dia temos que olhar para dentro de acordo com a forma que as pessoas te vem. As vezes elas são tão excepcionais, extraordinárias, atenciosas e amorosas, que a sua capacidade de retribuição começa a tornar-se abalada. Hoje eu comecei a perceber que sinto medo de não dar conta de demonstrar para as pessoas que eu gosto, e que gostam de mim, de modo equivalente, o quanto sou grato por esse gostar, e o quanto eu gosto gratuitamente, independente de gratidão. Por que eu sempre soube que não se trata de troca, e talvez por isso eu tenha dado tão pouco as pessoas que amo. Pouco de mim, pouco do meu tempo, pouco da minha criatividade, pouco do meu trabalho, pouco do que elas merecem verdadeiramente. Uma palavra amiga, uma carta, um presente fora de hora, um abraço inesperado, algo que consiga realmente traduzir aquilo que esta dentro do coração. Eu sei de tudo isso, e hoje reconheço que eu talvez não esteja merecendo mesmo que as pessoas gostem de mim, e nesses momentos eu vejo o quanto elas gostam de mim, e eu não sei o por que elas gostam, mas eu gosto que elas gostem, que elas estejam comigo, que elas façam parte da minha vida, e tenho medo de perder tudo isso, simplesmente por não saber retribuir a altura tanta dedicação, tanta naturalidade, tantas virtudes, tanta atenção, tanto tempo, tanto amor. Eu gostaria que elas entendessem, que não é ingratidão, muito menos pouco caso, por que eu entendo perfeitamente o sentido da presença de vocês na minha vida, e tudo isso não passa de um jeito estabanado de ser, sem jeito pra lidar com o que se ama. Me desculpem sinceramente, me perdoem, pelos erros injustificáveis. Eu só gostaria de nunca nesta vida perder ninguém.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Nenhuma escola é uma ilha

É exatamente isso que eu RODRIGO gostaria de ter escrito, entretanto, alguém com mais argumentos, sensibilidade e inteligência tratou de deixar de lado essa comoção de senso comum, que é o estado bestificado que a maioria da população fica diante de tragédias, com aquela cara de: "O que é mesmo que se passa?" , superlotam seus Orkuts, facebooks e Twitters com homenagens, lutos, e mais um bando de 'chororô' que nunca sai da estaca zero. Vamos sair da estaca zero? Vamos ler um texto grande e importante?
 por Ana Flávia C. Ramos, em Tabnarede
Tragédias como a ocorrida na Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, sempre provocam grande comoção pública, indignação e, obviamente, tristeza pelas muitas crianças perdidas no atentado. Além desses sentimentos, tais fatos provocam também um grande tsunami de “especialistas”, mobilizados em velocidade estonteante pela mídia, para dar laudos e explicações quase matemáticas sobre as motivações do assassino. O atirador Wellington Menezes de Oliveira, segundo as informações desses “cientistas da tragédia” (que variam de “criminólogos” a policiais militares), era tímido, solitário, filho adotivo, “usuário” constante do computador (a “droga” dos tempos modernos segundo os “analistas”), ateu, islâmico, fanático, fundamentalista, portador do vírus da AIDS e, provavelmente, vítima de bullying na escola.
Certamente não há como contestar que todo ato humano, e por isso histórico, se explica a partir da análise de uma cadeia de relações complexas. Como digo aos alunos, nada tem resposta simples e direta. Entretanto, o tipo de questão levantada para entender o terrível ato de Wellington Menezes de Oliveira diz muito mais sobre nós mesmos do que sobre ele. Todos os nossos preconceitos estão embutidos nessas respostas. De fato, não sabemos, e talvez nunca saibamos, por que exatamente ele atirou contra cada uma das crianças (em sua maioria meninas), assim como não sabemos sobre as reais motivações dos muitos atentados como esse, ocorridos em países como Estados Unidos e Dinamarca. Mesmo depois de tudo o que se discutiu, ainda é difícil, por exemplo, explicar Columbine (abril de 1999).
Uma das coisas que mais tem me chamado a atenção é a recorrência da explicação que elege o bullying escolar como um dos fatores que podem desencadear esse tipo de ato violento. A explicação não é nova, Columbine é prova disso. Há mais de dez anos atrás, dois meninos entram em uma escola, de capa preta (quase como em um filme hollywoodiano) e atiram em seus colegas. “Especialistas”, gringos agora, se apressam em dizer as razões: divórcio nas famílias, videogames, filmes violentos, Marilyn Manson, porte de armas facilitado e, como não poderia faltar, bullying na escola.
É inegável que o bullying é uma realidade. É indiscutível que ele é extremamente nocivo e doloroso aos alunos que sofrem com ele. É evidente que há urgência em iniciar um debate para saber como sanar o problema. Mas a pergunta que fica é: o que de fato é o bullying? Ele é um sinal (histórico) de que? E ainda mais: ele é um problema restrito à escola? Por que os alunos são tão cruéis com seus colegas?
Michael Moore, cineasta norte-americano explosivo, tentou dar a sua interpretação para o atentado de Columbine com o documentário Bowling for Columbine (2002).  Moore, ao invés de repetir os clichês da mídia, foi implacável na destruição do senso comum das justificativas moralistas para o evento. Item por item, desde a desagregação da família, Manson, até a polêmica questão do porte de armas foram desconstruídos em sua narrativa. O foco centrou-se em respostas muito mais interessantes, localizadas não nos dois jovens assassinos, mas na sociedade americana. O imperialismo militarista dos Estados Unidos, a ação violenta em outros países, a política do medo (incentivada pelo Estado e pela grande mídia), que reforça e superestima dados sobre a violência urbana, sobre o fim de mundo, e, principalmente, a intolerância com todo tipo de diferença. Racismo, preconceito, homofobia, conflitos religiosos e luta de classes são só alguns dos ingredientes do caldeirão de ódios em que se transformou a sociedade americana.
Como crescer no Colorado, na “livre” América, e não ser conspurcado por esses valores? Como não idolatrar armas e achar que elas são um meio prático de solucionar problemas? Como viver imune a uma sociedade individualista, capitalista, que divide os seus cidadãos o tempo todo em “winners” e “losers”? E mais ainda, como não se deixar levar por uma sociedade que até hoje não consegue lidar com a diferença entre brancos e negros? Uma sociedade que até os anos 1960 não oferecia direitos, oportunidades e tratamentos iguais a todos os seus cidadãos, tem o que para oferecer ao pensamento dos estudantes? Os americanos, ainda hoje, estão preparados para o respeito à diferença? A relação que eles mantêm com os muçulmanos diz muito. Definitivamente a liberdade e o respeito ainda não se transformaram em uma unanimidade por lá.
É claro que mesmo Moore não chega a dar respostas definitivas sobre a questão. E mais ainda: é evidente que ele considera a forma pela qual a instituição ESCOLA trata seus alunos (hierarquias e classificações hostis), ignorando muitas vezes o bullying, tem sua responsabilidade no massacre. Assim como é nítido que a venda facilitada de armas e munição são coadjuvantes importantes da história. Mas Moore foi corajoso ao lançar em cada um dos americanos a responsabilidade da tragédia e discutir aquilo que ninguém teve coragem (ou má fé) de fazer. Nem a mídia, nem o governo, nem a sociedade. É preciso encarar os “monstros”, com franqueza, e não apenas “satanizar” o ambiente escolar, para dar algum significado para esses eventos.
Ontem no Terra Magazine o antropólogo Roberto Albergaria afirmou que a mídia e a sociedade brasileira desejavam o impossível: explicações para um “desvario sem significado”. Segundo ele, o que Wellington Menezes praticou foi o que os estudos franceses chamam de “violência pós-moderna”, caracterizada por uma ruptura irracional, sem explicação. De fato, talvez tenha sido um “ato irracional”, fruto de um momento de insanidade. Mas acredito que esse tipo de resposta não nos ajuda a resolver coisas importantes sobre nós mesmos. A tragédia no Realengo, a meu ver, pode e deve ser início de um debate importante sobre a nossa sociedade.
A tragédia na escola do Rio de Janeiro acontece num contexto bastante relevante. Em outubro de 2009, Geyse Arruda foi hostilizada por seus colegas de faculdade porque, segundo eles, ela não sabia se vestir de modo “apropriado” para freqüentar as aulas. Em junho de 2010, Bruno, goleiro do Flamengo, é suspeito de matar a ex-namorada, Elisa Samudio, por não querer pagar pensão ao filho. Suposta garota de programa, Samudio foi hostilizada na opinião de muitos brasileiros. Após rompimento, Mizael Bispo, inconformado, mata sua ex-namorada Mércia Nakashima em maio de 2010. Em novembro de 2010, grupos de jovens agridem homossexuais na Avenida Paulista, enquanto Mayara Petruso incita o assassinato de nordestinos pelo Twitter. E mais recentemente, em cadeia nacional, Jair Bolsonaro faz discurso de ódio contra homossexuais e negros. Tudo isso instigado e complementado pelo discurso intolerante, preconceituoso, conservador e mentiroso do candidato José Serra à presidência da República. A mídia? Estava ao lado de Serra, corroborando em suas artimanhas, reforçando preconceitos contra Dilma, contra as mulheres e contra os tantos mais “adversários” do candidato tucano.
Wellington matou mais meninas na escola carioca. Se, por um lado, jamais saberemos as reais razões que o fizeram agir dessa forma, por outro sabemos o quanto a sociedade brasileira tem sido, no mínimo, indulgente com atos de intolerância, machismo, ódio e preconceito contra mulheres, negros e homossexuais. Se não há uma ligação direta entre esses diversos acontecimentos, eles pelo menos nos fazem pensar o quanto vale a vida de alguém em um contexto de tantos ódios? Quantas mulheres morrerão hoje vítimas do machismo? Quantos gays sofreram violência física? Quantos negros sentirão declaradamente o ódio racial que impregna o nosso país? O que é o bullying se não o prolongamento para a escola desse tipo de mentalidade? Quantas pessoas apoiaram as declarações de ódio de Bolsonaro via Facebook? Aquilo que acontece no ambiente escolar nada mais é do que um microcosmo do que a sociedade elege como valores primordiais. E o Brasil, que por tanto tempo negou a “pecha” de racista e preconceituoso, vê sua máscara cair.
Não adianta culpar o bullying, achando que ele é um problema de jovens, um problema das escolas. Não adiante grades e detectores de metal nas entradas ou a proibição da venda de armas. Como professora, sei que o que os alunos reproduzem em sala nada mais é do que ouviram da boca de seus pais ou na mídia. Não adianta pedir paz e tolerância no colégio enquanto a mídia e a sociedade fazem outra coisa. Na escola, o problema do bullying é tratado como algo independente da realidade política, econômica e social do país. Mas dá pra separar tudo isso? Dá pra colocar a questão só em “valores” dos adolescentes, da influência do malvado do computador ou dos videogames? Ou é suficiente chamar o ato de Wellington de uma “violência pós-moderna” sem explicação? Das muitas agressões cotidianas, a da escola do Realengo é apenas uma demonstração da potencialidade de nossos ódios. A única coisa que me pergunto é: teremos a coragem de fazer esse tipo de discussão?
Ana Flávia C. Ramos é professora, historiadora pela Unicamp


quarta-feira, 13 de abril de 2011

IMAGINE

Imagine só, se as chuvas fossem ácidas, se rios e lagos fossem poluídos, se os homens fossem tão embrutecidos, violentos, distraídos. Imagine só, se os homens fossem dignos de indiferença, imagine só se houvessem imprudências, Imagine só se existisse a miséria, gente pobre caída pelas ruas, passando frio e fome, Imagine só, se o Deus fosse o Deus da guerra e da destruição, se houvessem diferenças, e discriminação, imagine só.  Imagine só, se houvessem as desigualdades, minorias que não se fazem presentes na sociedade, imaginem só, se os gays fossem mortos nas ruas, se os negros fossem abordados como bandidos condenados ao cárcere privado do racismo algoz dos brancos puritanos, quase virgens e insanos. Imagine só, se existissem prostitutas com seus corpos tão desnudos, vendendo alma e corpo pra comer um pouco, ou pra manter somente a luxuria dos seus gostos. Imagine só, se fossemos coniventes com tantas mortes, se desejássemos o poder, como seria? Imagine só, se o dinheiro fosse o fruto de tanto ódio, e de tanto prazer. Imagine só se acreditássemos em diferentes padres e pastores, políticos e doutores. Imagine só se houvessem classes diferentes, a dos pobres indigentes, e a dos ricos competentes. Imagine só como seria, trabalhar todos os dias, sem horário pra voltar. Imagine só como seria produzir riquezas para outrem, e nunca poder usufruir. Imagine só como seria, ter aposentadoria em seu leito de morte, depois de tanta luta e pouca sorte. Imagine só, se existisse um padrão de família e paradigmas tão fortes quanto nossos próprios desejos, a ponto de nos crucificarmos por isso. Imagine só se as pessoas fossem tão egoístas a ponto de não se preocuparem com as desgraças alheias, imagine só se houvessem crianças nas ruas, fumando e roubando, imagine se o transito fosse um local de ódio e liberação de fúria. Imagine se houvessem igrejas pregando fé em troca dos seus bens materiais. Imagine só se a maioria das pessoas detestasse política, e elegesse personagens do humor pastelão como forma de protesto. Imagine só se fossem eleitos deputados pró ditadura, pró preconceito, pró racismo para nos representar. Imagine só ricos e pobres ocupando o mesmo espaço, desejando as mesmas mercadorias. Imagine só se fossemos tão vulneráveis a mídia estratégica e manipuladora. Imagine só se as geleiras estivessem descongelando, se os terremotos estivessem destruindo vidas, chuvas devastando tudo e todos. Imagine só. Agora imagine só se isso tudo fosse verdade, que a crueldade e estupidez humana fossem real, como seria?

terça-feira, 5 de abril de 2011

UM ABISMO, ALGUNS ENTULHOS, E UM CAFÉ BEM AMARGO.



Não, nada dura para sempre. Nem os bons, nem os maus momentos, o que ficam são apenas memórias, traumas, lembranças, sabores, saudades, que podem perdurar por um longo tempo, período, espaço, após a abrupta rachadura no solo firme, mas que o tempo insiste em amenizar, esmaecer dentro do arquivo de imagens de tudo aquilo que um dia fez parte do nosso ser. Quando digo nosso, refiro-me impreterivelmente a relação que os amigos, amores, constroem em conjunto, e desgastam isoladamente, a cada dia, com um entulho diferente, que para alguns talvez torne-se uma montanha de entulhos como obstáculo irreversível, a princípio. Quando nos assentamos à beira do abismo em pleno por do sol, eu de um lado e você de outro, percebemos o quão vemos as mesmas coisas, o sol é o mesmo, o fundo do abismo é o mesmo, o horizonte é o mesmo, o que muda é a distância inevitável entre nós, inatingível, inalcançável. Esta inclinação que nos põe em pontos opostos, já teve seus dias de solo plano, seguro, e confortável, e até chegamos a acreditar que tremores não seriam capazes da precipitação inevitável e quase antinatural da qual nos sucumbimos, não tão alegres assim, pois resguardamos numa caixinha de jóias, as nossas fotos de quando éramos felizes, os nossos “eu te amo” ainda se encontram espalhados por ai para quem quiser ver, e todos vêem, e não compreendem que findou-se numa bela e longa erosão, abismo, vácuo, aquela velha e nova relação de fraternidade que veio das profundezas das afinidades humanas, aquelas que parecem te ligar ao ser humano distinto, como se fosse um irmão de sangue. É impossível apagar aquilo que foi importante na tua vida, mas é possível tornar tudo aquilo uma doce lembrança, basta ter a sensatez de ir para o outro lado do abismo, antes que os conflitos derrubem alguém de lá, mesmo o lado sendo o mesmo. E foi nesse viés que se deu e que se dá qualquer tipo de relação, onde mais de uma pessoa estão inseridas, os conflitos são quase que um brinde, é como tomar um café amargo, e sentir na garganta aquele arranhado quente, mas conflitos partem do principio de que a realidade é composta por contradições, e se constitui de um movimento espiral, assim são as relações humanas, elas tendem a não se dar de forma tão objetiva e racional, então ser amigo, ou ter amigos é como um mal necessário, sabe-se que a qualquer momento alguma dor vai surgir, sabe-se de uma perda, de uma decepção, de um desencontro, de um desentendimento, de um ou mais desacordos, mas nada disso é o suficiente para impedir que se construa uma amizade, verdadeira ou não, fundamentada ou não, alicerçada ou não, infinita ou não, por que não dá pra prever o desenrolar desse tipo de relação, afinal, só nos relacionamos com pessoas das quais nos identificamos, e que se identificam verdadeiramente conosco, isso se dá no que tange as características constituintes do ser humano, que se assemelham entre si, vendo uns nos outros, são capazes de praticar a alteridade com indivíduos específicos, estes que são infracionáveis e sendo assim, cada amigo que desejamos que faça parte de nossa história, parte, de uma necessidade de que seja uma amizade interminável, é o que todos querem, é como casar, ninguém casa pensando em separar(só as vezes), e  nesse sentido percebemos que mesmo assim os casais separam-se, por que as condições materiais, a dada realidade vai interferindo nos ideais, nas práticas, nas atitudes, e isso só é possível enxergar quando se aprofunda numa relação, ou seja, quando se é realmente um amigo, que se vê com freqüência, que se tem mil assuntos para tratar, onde a intimidade ganha proporções imensas, a probabilidade dos conflitos ficarem em relevo aumentam, então os entulhos aumentam, então o abismo aumenta, e nessa turbulenta movimentação de diferentes sentimentos, nós, autores de nossas próprias relações, é que temos o papel de decidir como lidar com o processo de distanciamento de idéias, de preferências, de assuntos, e o que nos cabe, é terminar aquilo que te fez tanto sentido, e ainda se mantêm gravado nos álbuns de fotografia, com o mínimo de respeito, e nesse sentido, o abismo pode ser a melhor forma, por que, por mais que estejamos incomunicáveis um com o outro, ainda posso te ver, e saber que esta bem, mesmo a distancia impedindo o diálogo, ainda olho para ti, com os mesmos olhos, com a mesma importância, que não se apaga, independente de qualquer entulho entre nós. Assim, respondo, que não, nada dura para sempre da forma exata como ela é, mas dura o suficiente para saber que é preciso mudanças para não deixar que o que passou se vá em direção ao vazio, onde nada se guarda, e tudo se transforma em lixo. E somente por saber disso, que às vezes, a minha escolha é manter esse abismo, esse entulho, e esse gosto amargo de café na boca, por que só assim eu ainda consigo relembrar saudosista nos retratos tirados, nos encontros marcados, nos desejos ousados, o quanto fomos felizes.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Auto-Condenação


Nossa! Tanto tempo se passou e a impressão que sempre fica é de que nada mudou mesmo que sejam nítidas e avassaladores perante nossos olhos. Quero tudo o que já tive ou que pensei ter, quero tudo o que sempre quis mas nem sei ao menos o sabor que tem. Apenas, quero!
Quem vive? Quem vive reclamando? Quem vive? Se fazendo de vitima... Vivem! Paro e penso que no final das contas tudo pode ser apenas mais um delírio da mente, mais uma fuga capaz de transformar todo o mundo em vilão. Só eu tenho razão, ninguém mais... Ouviu?
Sou um poço de preguiça e de inveja. Justifico meus erros com outros erros. Julgo. Condeno. Massacro. Desprezo e ignoro. Eu, eu, eu! Eu mesmo. Não sou o bom nem o melhor, eu quero ser mas quando vejo outro no lugar onde eu gostaria de estar e o julgo não merecedor daquilo, passo a não gostar. Eu, egoísta e insano. Eu, invejoso e profano.
Promiscuidade? Abomino. Abomino mas cometo. Em pensamento e em ação. Já estive em lugares inimagináveis fazendo coisas sequer pronunciáveis. Eu sei. Eu sei. Eu também pensaria o mesmo que você. HAHA. Está vendo como falar que não se deve julgar é fácil e aplicar é quase que impossivel? Eu sei. O discurso é lindo.
Não gosto de coisas falsas. As pessoas não são falsas, a menos quando lhes convém. Não gosto de coisas forjadas. Não gosto de pessoas vazias. Não gosto de pessoas razas. Por vezes não gosto de pessoas. Animais? Nem melhores, nem piores. Por quê transferir tua frustração para outra espécie? A dinâmica é exatamente a mesma. Há sentido e verdade.
Vou passar o dia todo aqui na companhia das nostalgias, das minhas saudades, dos meus sonhos, verdades e anseios. Vou escrever. Vou cantar e conversar com meu violão, desafinado e maltratado. Eu vou me arrepender mil vezes pela mesma coisa e logo depois pensar que só sou o que sou por ter feito o que fiz, mas o que sou? Até me arrepender mais uma vez. E outra vez... E outra vez...


@adilsongl

quinta-feira, 10 de março de 2011

Plano ideal.


Conte agora senhora pra amar, lave os lábios me diz pra ficar
Tanta saudade em qualquer lugar, todos os sonhos e amigos pra lá
Fonte e brisa de um canto sem som
Simples domingo de cores do sol
Veja a história não se repetiu.
Toda a vitória , perece a derrota e engole o sentir
Gotas de sangue que caem distantes são como aqui.
Tanto o presente, quanto o passado me fazem voltar
Coral de flora brincando com o tempo destroem a si.
Crises moldadas que vestem as brasas de um homem vazio
Corpos estranhos se encontram no fim
Fundo do poço, o pescoço na forca distantes de tudo que pode ser sim.
Vago sozinho num monte alecrim, casas e barcos e vícios sem mim
Cravos e rosas sem pares, sem mares, sem tudo, sem voz
São os desencontros e encontros se esvaem em algoz
Listas de livros perdidos entulhos entre nós
Magoas passadas que fecham caminhos e pesam nos ombros sem paz
O encontro imbrica em vidas distintas no mesmo lugar.
Cale meus olhos, se põe a escutar
Grito de longe e as cordas vocais
Já não enviam as vozes reais
É fogo brando num plano ideal
Diz consciência é material.

terça-feira, 8 de março de 2011

DEFINA MULHER. TRANSFORME EM FRUTA.

Algumas coisas ganham seus nomes, justamente por serem insuficientes, ou inexistentes. Liberdade por exemplo, qual significado teria se simplesmente fossemos livres? E se não buscássemos a liberdade? Por que definir algo, que não precisa de definição?
Neste viés, a intragável luta por direitos se choca com a intolerável e abundante vulgarização do estereótipo feminino, que de frágil, passou a forte, a fruta, de preferência, fruta proibida. Aos hipócritas e aos machistas de meia calça, mulher pelada às nove horas da noite, pintada na cor do carnaval, é símbolo de liberdade de expressão, é arte, cultura e tradição. Aos olhos das mulheres inibidas pelo conservadorismo neoliberalista, é um desrespeito a classe, uma vergonha explicita. Aos olhos do sistema econômico burguês, mulher é mercadoria, é objeto de desejo, e de consumo, e muitas vezes, se pode comprar. Mulher está na moda, desde os primeiros anos do século XX, quando lutaram por melhores condições de trabalho e de vida, e também por seus direitos ao voto. Lutaram e lutam para se equipararem aos homens ou para passarem os homens? E passaram, passaram longe e chegaram perto de uma vaidade hostil que se impregnou na visão multifacetada, que nós, homens, abstraia, nós seres humanos construímos dia após dia a respeito da mulher, que no âmbito da divisão de classes, rotula-se como independente, auto gestora, consciente de seu papel social, multifuncional, questionadora, arbitrária de suas próprias ações e muito, além disso, acima de qualquer julgamento masculino sob a pena do machismo indissolúvel, contudo a mercê de sua própria condenação, a por uma eternidade, manter-se fruta, sem casca, e muitas vezes, sem conteúdo.
Sobrepõe-se a mulher até mesmo as próprias mulheres, a família, a valorização não só de seu valioso hímen, como de sua comovente caminhada rumo à valorização de si, enquanto coisa, enquanto objeto de troca. Tem bunda no seguro, e não segura mais as pontas, mas segura todas as pontas, desfigurada com a descaracterização de todo seu movimento em prol de ser livre, para se auto afirmar na avenida, no sambódromo, no imaginário masculino, e nas roupas, nos nomes de fruta, na exposição despudorada e sem significados na mídia. Uma luta, cheia de pelegos.
As mulheres frutas, a nudez feminina (e também masculina) no carnaval, a mulher submissa não só ao homem, como a todas as formas de domínio, como a televisão, a beleza, a vaidade, e a sexualização precoce, são os estopins da revolução às avessas. É o caminho contrario ao que as mesmas proporam para a classe, que de classe em classe, tanto se dicotomizou, que já perdeu a classe. Caíram na armadilha ideológica burguesa, lutaram por si, e no auge de seu egocentrismo foram golpeadas com luvas de pelica, transformadas em mais uma classe dentre tantas outras, procurando definições, terminologias, que as expliquem, sem conseguirem ao menos compreender que o contexto de inserção exige abstrações no que tange o entendimento de classes, enquanto uma única. E nesse homem é homem, mulher é mulher, é que as raízes venenosas ramificaram-se, ervas daninhas se alastram por todos os lados, desfrutam de serem frutas comestíveis, e passageiras, são frutas de época, de estação, e os homens debocham da luta, sem razão, mas com razão, por que é injustificável que tantos conflitos tenham sidos findados em meia dúzia de direitos vazios, perdidos na vulgarização do corpo e da alma feminina, a qual respeito e admiro, não enquanto homem, porém, como ser humano, como individuo que preza pela totalidade e concretude nas relações humanas, sejam estas do sexo feminino, masculino, ou qual seja, sem perder de vista, que homens e mulheres são exemplos para si próprios, e seguem estes exemplos históricos, mudando, transformando, e as vezes regredindo.
Esclareça-se que não se trata aqui, ressaltar a guerra dos sexos, muito menos banalizar as conquistas históricas da mulher, que de certo são legitimas e relevantes. Não se trata de dividir mais ainda as classes, nem diminuir uma perante a outra, trata-se de não invisibilizar o cenário que se constrói a cerca dos estereótipos que levam nas costas, todas as minorias, inclusive as mulheres, que recebem as ordens difusas e paradigmáticas de como devem agir para manter a tal independência feminina, e nesse querer a liberdade, terminam por se aprisionar cada vez mais em imagens piores que criam de si mesmas. Basta notar como as meninas se vestem, brincam, imitam sua realidade adulta, deixando a inocência junto com os primeiros anos do século XX quando ser mulher era desigualdade, submissão, e deixando por roupas sensuais, conversas sobre meninos, namoro, maquiagem, vaidade. Antes a repressão tendo o fruto da inteligência, da luta, da integridade e da união do que tendo a mulher como fruta na televisão sendo o referencial de tantas outras.

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