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sexta-feira, 30 de julho de 2010

De Homorkutes a HomoTwitters


Paradigmas! Nem eu sei quando foi que o Orkut e o Twitter se tornaram tão necessários na minha vida, e eu poderia dizer que isso não tem importância, visto que na dinâmica capitalista pouco importa o ontem, pouco importa a história que pressupõe a realidade concreta, porém, me auto analisei concebendo o quão a origem dessa dependência em mim, reflete uma verdadeira evolução pra lugar algum. Sim é definitivamente visível a velocidade com que as noticias se propagam, e como isso pode beneficiar ou prejudicar alguém. Mas e quem já nasce em meio a tudo isso? Será possível que um dia eles vão entender que tudo isso nem sempre existiu? É da história e de seu resgate que eu estou falando. Eu já vejo as pessoas usando estes meios sem ao menos saber o por que de estarem os usando. Paradigmas? É tudo muito novo, é muita diversidade, muita modinha, muitos pseudo famosos. Gente que eu nem conhecia, mas que todo mundo conhece. Coisas cotidianas se transformando em grandes espetáculos no universo da Twittcam, e eu, bom, e eu no meio dessa correria infame, as vezes me perco, tentando ser alguém evoluindo pra lugar nenhum. Nunca fiz pontos de resistência a todos esses novos aparatos de comunicação, pelo contrário, os vejo como uma grande mudança, só não sei quais ainda, porém elas se fazem importantes, a medida que as consideramos importantes. Confuso? Não sei. O que sei, é que tudo isso vem acontecendo rápido demais, e a cada dia uma mudança nos torna incrívelmente dependentes, nos torna burros todos os dias, trazendo a sensação de que por mais que esteja por dentro das novidades, elas não param de chegar, e sempre estão a nossa frente. E nessa evolução humana o que se percebe é a regressão das relações inter pessoais, que se tornam limitadas a estes meios. Quantas vezes você lembrou do aniversário de alguém por que estava lá mostrando no Orkut? Quantas vezes parabenizou, conheceu, amou, alguém por meio desse meio virtual? Há quanto tempo não diz bom dia pro seu vizinho, mas quando on line no msn, ou no orkut manda um "recadinho" sem graça para ele? Sim, as portas da vida real estão sendo fechadas. Eu que faço parte dessa evolução tento me policiar, não me deixando engolir por inteiro pela rede e suas relações superficiais. Manter os amigos reais, com poucas fugas da realidade podem ajudar.

sábado, 24 de julho de 2010

A velha goiabeira

Toda tarde de domingo lembrava dos planos, poucos planos, simples planos que nunca imaginaria desfazer. Eram planos de garoto bobo, menino criado na rua, que já brincou de pique esconde e subiu na goiabeira. Não eram planos audaciosos, eram humildes planos. E no domingo a tarde, lembrava de como seria, se estivessem juntos, os frutos dos planos, e seus planejantes sonhadores. Eles se conheciam desde criança, mal se notava distinções, até que os planos de um, mudaram os planos do outro. Ele queria fazer cinema, ganhar o mundo e ser feliz. Do outro, o plano era ficar ali, sentado debaixo da velha goiabeira, e no balanço suave das folhas deixar o tempo passar. Mas desde sempre foram um só, como seria seguir sem rumo, sem uma parte de si? E no domingo de tarde a memória sem escrúpulos revivia a velha goiabeira que nos aproximou, me vinha o colo seguro, a cabeça no ombro e o sorriso mais lindo, que sempre fizeram parte dos planos. Foi da nossa pureza da infância que brotou toda essa independência, e esse jeito teimoso da vida, de nos dar outros rumos. Tinha o boné para trás, a bermuda vermelha largada e a camisa não combinava, só quando o sol brilhava, e a brincadeira tornava, o laço mais forte entre os dois. O plano desfeito no vento, fincado no pé de goiaba, da morte uma velha facada. Se hoje houvessem remédios, que curassem destinos contrários e juntassem os velhos sentidos, eu tomaria o passado, e de quebra o teu comprimido. Hoje o menino é grande, tem traços e barba na cara e chora sobre as raízes da goiabeira, donde o amor enterrado, sem flores, nem beijo de despedida, se faz na unica presença dos planos que nunca seguiram juntos. Ecoá aos ouvidos timidamente, após o sorriso sem graça, na memória somente, o "Eu te amo". 

sábado, 10 de julho de 2010

Vou xingar muito no twitter

Cara, eu to cansado de gente idiota, sim, eu odeio todo mundo, todas essas pessoas imbecis que se acham tão inteligentes, tão antenadas, tão espertas. Eu to possesso com esses infelizes feitos de modinhas, eu to cansado dessa enchente de novidades inúteis, que impressionam os débeis incoerentes, que facilmente são manipulados. Eu to cansado dos escrupulosos estúpidos que adoram assistir o filme da moda, filmes que não dizem nada, que apelam para as fraquezas mais miseráveis dos miseráveis dementes que adoram se fazer de vitimas.  Eu estou “puto” com estes filhos de excrementos que acreditam ter o melhor gosto musical, e vem me dizer que Justin Bieber é bom, e tem a falta de educação, por que só pode ser mal caratismo não gostar de Cazuza ou legião urbana. Eu fico doente com tanta superficialidade, eu fico impaciente com a insuportável mania de seguir as piores coisas pelo simples fato de estar na moda. Me torra o saco alguém que deseja arduamente comer no McDonald, como me deixa surtado alguém que não compreende a situação em que se encontra a “porra” de humanidade. É “emputecedor” chegar à conclusão de que pessoas boas, que valem à pena estão morrendo, e os miseráveis estão ai, livres, leves e soltos. Como eu odeio essa mania de fazer à social, de escolher os amigos, de querer fazer parte do grupo top. Como eu odeio esse jogo de interesses, essa gente lerda, grossa, sem amor. Como eu odeio essa gente que ama da noite para o dia. Como eu odeio essa gente que adora ler um livro de auto-ajuda pra tentar ser feliz. Como eu odeio essa gente ingrata. Como eu odeio essa gente desinteressado pelo que realmente faz sentido. Como eu odeio essa gente que não leva nada a sério. Cara, como eu odeio vocês.

Alimento

Saber que para Deus, nada é impossível
Viver, sem saber que o amor me consagrou
Que nada pode destruir o nosso coração em ti
E crer, que tu é mais que nós senhor
Nos faz imaginar, um dia estar contigo
Ser filho do teu filho
E não temer a dor
Não temer o amor
Sem ti, eu nada seria
Eu preciso de ti no meu peito
Abraçando o meu coração
Me tornando uma bela canção
Pra fazer chorar e sorrir
Pra fazer amar e sentir
Eu preciso de ti Senhor, aqui dentro de mim
Me transformando em oração
Para que eu possa acreditar, mesmo sem te ver
Só mesmo ao te sentir
Aqui dentro de mim
Eu preciso de ti
Do teu manto a me aquecer
Dos teus olhos a me ver
Do teu amor
Eu preciso de ti senhor
Como um filho preciso do pai
Como um filho não vive sem mãe
Eu quero estar contigo em todo lugar
Levar-te em meu sonho para concretizar
Me faça mudar
Me faça amar
Me faça merecer senhor, o teu amor, por mim
Eu preciso de ti, aqui
Me mostrando o caminho, pra eu não me perder jamais
Entra em mim senhor
Preencha meu coração
Que sente falta
E que te quer.

terça-feira, 29 de junho de 2010

(Des) Cerebrados Filhos de Eva

Difícil acreditar que estamos falando de seres (des)humanos racionais ao tratar de uma pluralidade de pensamentos idealistas, pautada em irônicos e sínicos homens que por acharem estar travando uma guerra, acabam ferindo mais que o seu próprio ego, ferem também a dignidade alheia, ferem a verdade, ferem o verdadeiro conceito de coletivo, de união, e de luta (des) interessada, porém com foco, com ponto de vista, com tomadas de partido, com atitude, com honestidade, com o tal do caráter, que há muito se perdeu em meio as falácias, festas e superficialidades, que atendem nada menos que os desejos imediatistas, e que por isso se tornam a primeira vista essenciais. Há tempos que anseio denunciar de dentro da luta, de dentro do grupo, porém no caminhar diário, oprimido como qualquer um, me vi enquanto alguém engajado de pouca inteligência, e de muita indignação. Como lutar para defender justamente os direitos daqueles que insistem em dizer de modo conformado que isso não passa de uma rebeldia desmedida e inconseqüente? Como lutar pelos direitos daqueles que num flerte a la Judas, te passam uma rasteira, e dificultam a caminhada? Dentre os Cains e Abels, e os mal agradecidos, somos todos infeliz ou felizmente da mesma fornada, todos se caracterizam pelos polegares opositores, dotados de inteligência, e capacidade de evolução. O que define a causa de cada um? O que define se alguém algum dia terá ou não uma causa? O que me faz acreditar na minha causa? Deve ser justamente o fato desta causa não ser simplesmente a minha, deve ser pelo choro amargo que molha a garganta seca e mantém o nó atado, ao se perceber incomodado, rodeado de acomodados pelas causas alheias. Não! Eu definitivamente não posso aceitar, que alguém que obstante de tudo tenha tido uma vida cruelmente pobre, ou mesmo levemente pobre, ou ainda regada de insuficientes mordomias que o modo capitalista rege, consiga discriminar a classe dos pobres. Eu não consigo aceitar que um negro não seja a favor da cota racial, ou que um pobre não seja a favor da cota social, e que um homossexual não seja a favor da criminalização da homofobia, ou que alguém que por toda a vida estudou em escola pública não defenda a cota para os mesmos. Não, eu não acho que estas são as soluções perfeitas. Mas o que não se compreende é como estamos sendo mal agradecidos com aqueles que lutam diariamente pelos direitos das minorias, contra os preconceitos, contra os homofóbicos, contra os racistas, contra todo o tipo de repressão. As cotas são as migalhas, é a lavagem aos porcos, devido a toda uma história de luta. Sim, eu também acho que tudo isso não passa de estratégia política, uma tentativa de amortecer possíveis revoltas. Mas daí, você fazer parte de uma minoria, e conseguir ir contra ela, é digno de um covarde, de um conformado, de um acomodado rastejante, que deixa os “insetos interiores” crescer dentro de si. Eu já disse e repito, se o preconceito esta ai para todo mundo ver, por que diabos tentar botar panos quentes? Sou sim a favor da cota para negros, mesmo alguns negros, e alguns “burros” acharem ser um reforço da discriminação, mesmo alguns achando que isso é reforçar a exclusão. Mas ninguém pensa que para um grupo que por toda uma vida foi excluído não interessa as apologias baratas feitas pelos pequenos burgueses. É nisso que querem que acreditemos, é assim que querem que as minorias ajam, de forma que corroborem para continuidade da posição de minoria, fingindo sempre que esta tudo bem, que não somos minoria, que não somos descriminados. Essa desavença entre classes é parte das estratégias. Por uma classe contra a outra é parte da estratégia. Se por toda sua vida você estudou em escola particular e não tem direito a cota na Universidade pública, provavelmente será contra a cota, e alguns “(des) cerebrados” que por toda a vida estudaram em escolas públicas também vão achar isso injusto, pois bem, não da pra chorar pelo leite derramado. Eu já disse em outro post que o certo era a não existência da propriedade privada, ou seja, da escola particular, afinal de contas todos os filhos de Eva deveriam supostamente ter direito ao mesmo tipo de educação, mas isso não é a realidade, a cota para estudantes de escolas públicas não muda a realidade, mas eu enquanto estudante da escola pública, acho mais que merecido a cota, e digo mais, seria de extrema importância que as Universidades públicas abrissem espaço somente para quem estudou em escola pública, para só assim existir uma possibilidade mais concreta de mudar a realidade. Já imaginou os pequenos burgueses colocando seus filhos nas escolas públicas? Duvido que não pensariam em valorizar mais o ensino público. Cansa! È uma sensação de expulsão do paraíso todos os dias, é ser traído todos os dias, é sentir-se sozinho todos os dias. Eu definitivamente devo ser um filho adotado de Eva.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Jardineiro de mim

Eu não preciso de você pra me dizer
Que tudo acabou, e não preciso receber
Flores que me digam
Que falem sobre os dias, que nunca voltarão
Preciso então sentir teu corpo aqui, pertinho do meu
Nunca se esqueça
Nunca se esqueça
Que eu cuido bem do seu jardim
Que as tuas flores são
Que as tuas águas são
Que os teus beijos são
Conheço bem, a tua intenção, de me roubar
E sentir, e levar, as flores que eu cultivei para mim
Vamos em frente
Eu quero ser, um amor sem fim
Uma rosa, um broto de jasmim
Enfim
Me leve, me regue
Me esquece, me observe
Me contemple,  me roce
Me entenda,  seja um jardineiro
Seja o lavrador
E me plante o seu amor

Rodrigo E.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Vuvuzela é só a ponta do iceberg

Não sei se repararam, mas no Brasil, toda e qualquer babaquice que se preze, vira moda, vira fascínio, e até texto de Blog, pra não fugir a regra, eis que eu carente de estar na moda faz tempo, entendo que só mesmo entrando com o nome de vuvuzela nesse momento poderíamos chamar atenção dos honrosos brasileiros, que sai copa entra copa, ainda não se deu conta da força que tem quando em prol dos mesmos interesses. Do trabalho para casa, de casa para minha tia, em todos os lugares que eu passava as pessoas estavam lá, juntas, com o mesmo objetivo, com o mesmo fervor, gostando ou não, estavam lá, quase uma sensação de obrigatoriedade, mas esta bem quista, visto que nada melhor que sair mais cedo do trabalho, e ter uma terça feira com cara de feriado mundial. Todo mundo já entendeu que gostando ou não gostando, se nós estamos juntos as coisas se movem, saem do lugar, e remetem a mudanças efetivas, mas agora me diz por que mesmo assim termina a Copa, termina a coletividade? É cada um por si e Deus pelos ricos? Gente, desde a copa de 94 que eu assisto, vibro, torço, e me sinto emocionado com todo esse auê, mas eu acho que desde lá, que algo me diz que há muito mais entre a Copa e a verdade, e a política do que a gente pode imaginar, e na verdade não sou só eu que sei disse, qualquer pelego sabe, mas pra que mexer com isso? Pra que querer saber dessa sujeira toda, se o que interessa mesmo é se divertir com a boca na Vuvuzela? Eu não preciso dizer pra ninguém que é ano de eleição, e não preciso dizer que os vereadores votam projetos polêmicos bem nas datas de jogo do Brasil, isso todos sabem, mas é fatigante imaginar assistir uma assembléia a um jogo do Brasil. Sair do conforto de casa pra votar projeto que vai definir o destino de centenas de pessoas pra que? Eu que não faria isso, sei que sei que nada sei, pois sei que sabem que nada sabem. A diferença é que eu sofro por isso. Como proceder então? Bem, a principio escrever, por pra fora essa indignação, e depois pensar em alguma forma de por em prática essa intenção, que é pura, que é livre da contaminação. Mas o problema é, que sozinho, eu com minha Vuvuzela, no máximo vai acordar a vizinhança, que acha que ser patriota é tocar tambor, e pintar a casa de verde e amarela de 4 em 4 anos.

Descartando o descartável

Crónicas Marcianas
Montevideo Enero 2006
(Tradução Espanhola – Português: Michelle Behar – Correção da tradução lingüística e adaptação de texto: Celito Medeiros)


Com certeza, o destino esta tramando para me complicar a vida. Não consigo acomodar meu corpo aos novos tempos. Ou por dizer melhor: Não consigo acomodar meu corpo a esse “use e jogue fora”, nem ao “descartável”. Eu sei, se eu tiver que pedir a um psiquiatra para me medicar, então estou frito e estarei ‘nas mãos dele’! O que acontece é que não consigo andar pelo mundo jogando fora as coisas ou trocando-as pelo modelo seguinte somente porque alguém pensou em adicionar uma função ou faze-lo menor.


Não faz tanto tempo, minha mulher e eu lavávamos as fraldas das crianças, as pendurávamos no varal; passávamos, dobrávamos e as preparávamos para elas voltarem a sujar. E eles, nossos nenéns, mal cresceram e tiveram os próprios filhos, começaram a jogar tudo fora, incluindo as fraldas. Entregaram-se inescrupulosamente ao descartável, nem sempre ao melhor.


Sim, eu sei. Para a nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem o lixo nos parecia descartável! E assim passamos a vida guardando papel de bala no bolso e as tampinhas nas gavetas. Nossas irmãs e namoradas se viravam como podiam em guardar algodão para enfrentar a sua fertilidade mês a mês. 


Não, eu não digo que era melhor. O que digo é que em algum momento fiquei distraído, cai do mundo, e agora não sei por onde entrar. 


O mais provável é que o de agora esta bem…, não discuto. O que acontece é que não consigo mudar o aparelho de som a cada ano, o celular a cada três meses e o monitor pela ultima novidade. 


Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de borracha feitas para serem usadas uma única vez! Empilho como um velho as bandejinhas de isopor dos frios! Os talheres descartáveis convivem lado a lado com os de prata! 


É que eu venho de um tempo em que as coisas eram compradas para a vida toda. Mais ainda, eram para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de taças, toalhas de mesa e até tigelas de uso diário. 


Estão nos complicando!
E eu descobri, eles fazem de propósito! Tudo se estraga, tudo enferruja, tudo gasta ou quebra ao pouco tempo para que tenhamos que troca-lo. 


Nada é consertado. Onde andam os sapateiros que trocavam as meia solas dos nossos sapatos? Alguém tem visto os afiadores passando pelas casas? Quem arruma as facas elétricas? O afiador ou o eletricista? Será que o ferro velho esta cheio de Tefal? Tudo é jogado fora, e enquanto isso produzimos mais e mais lixo. 


Outro dia eu li que temos produzido mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a historia da humanidade! Quem tiver menos de 40 anos, não vai acreditar nisto. Mas quando eu era criança pela minha casa não passava o lixeiro. Eu juro! E tenho menos de 50 anos. Todos os detritos orgânicos iam para as galinhas, patos ou coelhos (e não estou falando do século XVIII).


Não existia o plástico nem o nylon. A borracha era só para os pneus dos automóveis. Os poucos detritos que não eram comidos pelos animais, eram queimados ou serviam como adubo. 


É dai que eu venho. E não que tenha sido melhor. É que não é fácil para um cara coitado como eu que foi educado para “guardar tudo que algum dia pode servir” a mudar para “compre e jogue fora que já vem modelo novo”.


Minha cabeça não agüenta tanto. Agora meus parentes e os filhos dos meus amigos, não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disso, trocam de numero, de endereço eletrônico e ate de endereço real. Eu fui preparado para viver com o mesmo numero, a mesma mulher, a mesma casa e o mesmo nome (e era um nome a zelar).


Fui educado para guardar tudo. Tudo! O que servia e o que não. Porque algum dia as coisas poderiam servir. Sim, eu sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas podiam servir e que coisas não. No empenho de guardar (porque a gente obedecia) guardávamos até o primeiro cachinho, o primeiro dentinho…, os cadernos da escola, e não sei como não guardamos até o primeiro chiclete.


Como quer alguém que a gente de desfaça do celular aos poucos meses de ter comprado? Será que as coisas se conseguem facilmente e não se dá o valor, viram descartáveis com a mesma facilidade com que as conseguimos? Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira era para as toalhas de mesa e panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e quarta gavetas eram para tudo o que não fosse nem toalha nem talher. Guardávamos tudo, e como guardávamos!


Guardávamos até as tampinhas de refrigerante. Para que? Fazíamos com elas tapetes de limpar calçados na entrada de casa, pregados numa tábua. Dobradas e enfiadas no fio, serviam de cortinas para os bares. Tudo a gente guardava! Os botões que caiam das camisas, os carretéis sem fio, as canetas que algum dia podíamos precisar, canetas sem tampa, tampas sem caneta. Tudo na terceira e quarta gaveta. 


Isqueiros sem gás ou que perdiam a mola. Molas que perdiam seu isqueiro. Em quanto isso, o mundo espremia o cérebro para inventar isqueiros que se jogam fora quando acabe seu uso. E as lâminas Gillette, até pela metade, serviam como apontadores durante todo o ano escolar. Nossas gavetas guardavam chavinhas para abrir latas de patê, no caso que alguma delas viesse sem a chave. 


E as pilhas! As pilhas passavam do congelador ao teto, porque não sabíamos se devíamos dar calor ou frio para aumentar um pouco sua carga. Não podíamos nos resignar que tivesse acabado sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. 


As coisas não eram descartáveis, eram guardáveis! Os jornais serviam para tudo! Para fazer calço no sapato, para jogar nos dias de chuva, e principalmente para embrulhar as coisas. Quantas vezes ficamos sabendo das coisas lendo jornal que embrulhava as compras.


Guardávamos o papel laminado dos chocolates e cigarros para fazer enfeites de Natal. As paginas das folhas do ano passado para fazer quadros, e os ‘conta-gotas’ dos remédios no caso que algum viesse sem conta-gotas. E os fósforos usados para poder acender a boca do fogão com a outra que estava acessa. Os maços de baralho eram guardados mesmo faltando algumas. Sempre era possível usar um coringa com um escrito à mão dizendo: Este vale um sete de copas. Às vezes era guardada a metade do pregador, esperando a outra metade para virar um pregador completo.


Eu não sei o que acontecia, mas era difícil declarar a morte dos nossos objetos. Assim como as nossas gerações decidem ‘matá-los’, assim que eles deixam de servir. Aqueles tempos não eram de declarar nada morto, nem ao Walt Disney. 


E quando tomávamos sorvetes em taças, cuja tampa virava base, era falado: Tome o sorvete e jogue a taça fora. Imagina se a gente ia jogar! Iam direto para a prateleira junto com os copos e as xícaras. As latas de ervilhas e pêssegos serviam como vasos de flor e as primeiras garrafas plásticas de água, como enfeites de gosto duvidoso. As caixas de ovos serviam para depósito de aquarelas, as tampas em cinzeiros, e as primeiras latas de cerveja, em porta lápis. As rolhas esperavam uma garrafa que servisse. 


Estou me segurando para não fazer um paralelo com os valores descartáveis e os que preservamos. Não vou fazer isto. Seguro-me para não falar que hoje, não só os eletrodomésticos são descartáveis, que também o casamento e até a amizade é descartável. Mas não vou comparar objetos com pessoas. Seguro-me para não falar da identidade que vai se perdendo, da memória coletiva que vai sendo jogada fora, do passado efêmero. 


Não vou fazer isso! Não vou misturar os temas, não vou falar que o perene virou caduco e o caduco virou perene. Não vou falar que os velhos é que declaram a morte assim que as suas funções começam a falhar, e que os conjugues podem ser mudados por modelos mais novos. E que, se a alguma pessoa falta-lhe uma função, não tem mais valor, é discriminada e se dá valor ao mais lindo e glamuroso. Não, esta é só uma historia de fraldas e celulares. 


Do contrario, se misturarmos as coisas, teríamos que pensar seriamente em entregar a esposa como parte de pagamento por uma senhorita com menos quilômetros rodados e alguma nova função. Mas, eu sou devagar neste mundo, e até corro o risco de que minha esposa ganhe de mim, e seja eu o trocado. Não devemos ser conservadores com relação às tecnologias, mas também não podemos ser destruidores do que tanto nos poderia ajudar na economia de nossos tempos. Estamos à mercê dos modismos, do que nos ditam ser a verdade ou o melhor para nós próprios? O quê ganhamos e o quê perdemos com tudo isto?
Eu… Eu não me entrego!

Marciano Durán

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O teatro magico.


Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de “mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, “infértebrados”.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O conformado e o seu pequeno mundo

O filho de uma mãe, pobre, maltrapilho, camarada de pouca sorte, nascido em berço esplêndido, tomado pela ideologia burguesa, temente a Deus, e aos paradigmas(dogmas) da igreja, que com muito esforço, conseguiu se sobressair cursando uma "faculdadezinha" e ganhar um a- salário de estagiário, mais otário do que escravo, crê que a linha da vida esta traçada e acredita fielmente que cada um tem o destino que merece, ou que cada um faz seu destino como quer. Dizem que a faculdade foi feita para disseminar conhecimento, e transcender o senso comum, mas o afortunado camarada confunde chegar ao resultado de algumas complexas "equaçõezinhas", com o sentido máximo de viver e solucionar os problemas que lhe rodeiam. Somente os que lhe rodeiam. O degenerado capacho da ideologia, e da apologia institucional ao conformismo e a manutenção do modo de produção capitalista, não se enxerga dentro do problema e acredita que a cada qual cabe fazer a sua parte, e provavelmente deve acreditar que quem nasceu pra ser gari, lixeiro, ou outra profissão que por mais digna que seja exigem do individuo mais que humildade, tem como pré requisitos ser pobre, não ter acesso ao conhecimento especializado ou mesmo o básico, cabendo a este somente os serviços braçais  que lhe restarem, e que estes estão simplesmente obedecendo a ordem natural das coisas. E para este, quem questiona ou discute, ou simplesmente se indigna com o sistema de divisão de classes são  loucos, e isso é coisa pra quem não tem o que fazer, coisa de gente metida, que adora se aparacer na política, que procura cabelo em ovo, que gosta de irritar os outros, e adora bater panela reivindicando seja lá o que for. Odeia os socialistas e comunistas e ainda acredita na história cabeluda da vovó que estes comem criancinhas, e nunca nem ao menos teve o mínimo interesse de ler a respeito, e procurar entender o verdadeiro conceito de comunhão, ou mesmo o de revolução, no caso a unica forma de transformação. Mas transformação de que? diria nosso amigo pobre de dinheiro, de espírito e de humanidade. Para o esforçado que esta conseguindo comer, e morar, e ainda conseguiu comprar seu meio de locomoção, e vez ou outra consegue fazer uma viagem via CVC nas suas férias para um lugar lindo do nosso país maravilhoso, não se tem o que transformar. Se o maltrapilho com seu esforço honroso conquistou tudo isso em meio a forte concorrência do mercado livre, qualquer mendigo, sem referencias, sem comida e sem educação pode conseguir, basta querer, basta acreditar em Deus, por que claro, é Deus quem esta governando o Estado, e se algo der errado, muito mais fácil vai ser por a culpa em algo divino e invisível. O fulano beltrano com certeza vai justificar de todas a formas possíveis o modo de vida em que vivemos, em sua própria defesa, acreditando que este é o modo ideal, e que este nunca foi diferente, sem saber que até os burgueses um dia fizeram revolução, sem saber que a custa de todo esse avanço tecnológico, muito há de se perder, e muito já se perdeu. Mas se o esforçado esta usufruindo de tudo isso, e ainda esta vivo, pé na tábua,   acelerem as máquinas, e vamos esquecer qualquer que seja o contexto desse episódio superficial de avanços e de globalização, vamos esquecer que enquanto disseminamos os conhecimentos aqui, avançamos e nos esforçamos para fazer parte da famosa classe média, uma boa parte da população, que claro, o camarada esforçado não tem culpa, e por isso não se sente responsável por isso, esta simplesmente passando fome, enquanto outros tem o trabalho explorado. Oras, mas todo trabalho é explorado, e nosso deprimente camarada nos diz que devemos aceitar, e buscar melhorar nossa condição, calcando uma ascensão de classe. Engraçado falar em classes, quando percebe-se que os camaradas mais condenados, mais fadados ao infortúnio se matam entre si por um lugar ao sol, um lugar numa classe mais alta, sem saber que a porcaria da divisão de classes existe sim, mas as divide em apenas duas, a dos ricos donos do meio de produção, e a dos pobres, donos da força de trabalho. Será que é tão difícil assim entender que está todo mundo no mesmo barco? Que não adiante ficar pagando de gatinho com o tênis da moda, por que isso não te põe entre os donos do capital?  E que não adianta fugir do problema, ou do assunto, ou da discussão, por que de qualquer forma você garoto esforçado esta mais envolvido na política do que pensa. Pode até ser que você morra sem saber disso, e pode ser que até lá muita gente morra acreditando que nunca se evoluiu tanto, mas eu vou morrer tentando provar o contrário.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Identificar-se e perder-se


Toda realidade é concreta até que se prove o contrário.

Toda "Preciosa" cabe dentro de mim, e toda ela se enquadra ao meu redor. Não se trata, de um dia no qual se percebe que existe luz no fim do túnel, e muito menos de um momento de lágrimas inócuas que não são capazes de se desdobrarem em verdade pura, se trata sim, de refletir sem comparações, sobre todos os anseios, todos os objetivos, significados e sonhos que nos movem em meio a toda essa banalidade inevitável que o mundo nos propõe, em formas estranhas de amores. É o que se mistura dentro do peito, dentre o real, o subjetivo, e o que eu não sei explicar, que me fazem sentir assim, "precioso". É claro que todo mundo tem do que reclamar, é claro que tem muita gente que reclama sem motivos, e é claro que tem muita gente que não se sente nem ao menos no direito de reclamar. Ver ou saber que alguém se encontra em situação parecida, ou pior, não é fator confortante para ninguém, é apenas uma constatação de que não se esta sozinho, e sendo assim, não dá pra simplesmente fechar os olhos, e acordar no dia seguinte como se tudo fosse a mesma mediocridade de sempre, porém, é assim que vai ser. É quando a realidade concreta me bate a porta e entra a base de murros e ponta pés, me fazem ser calado e amargurado, e me fazem sentir-se assim, perdido de mim. É o ato de identificar-se com a realidade subjetiva, e perder-se na realidade concreta, se descartando completamente toda e qualquer possibilidade que se aponte aos olhos fundos e vazios. Alguém sabe a diferença entre ver um trem indo ao encontro de outro, do lado de fora, e ver isso de dentro dele? São somente sensações que nos chacoalham, mas que nos mantém imóveis. E só talvez nesse sentido eu entenda, o por que de alguns estarem fora desse trem, e outros estarem dentro, pois não existe conhecimento sem testemunho, alguém tem que presenciar e registrar todo esse infortúnio. O fato é que eu como sempre me sinto diferente de tudo isso, é como se eu estivesse dentro do trem, mas fatalmente, as pessoas não me vêem lá. No ápice da história "Preciosa" diz:  "o amor me espanca, me estupra, me bate, me xinga, me deixa doente", e tem como resposta que isso não é amor, e de fato muita gente esta confundindo amor com sensação de posse, e como fazem com os objetos descartáveis, o jogam também no lixo.

domingo, 18 de abril de 2010

Me parece traçado

Me  parece que todos, sabem muito bem o que dizer
Me parece que todos, sabem muito bem aonde ir
Me parece que tudo, não me cabe pois não posso rir
Me parece que os passos, não me levam  a lugar algum
Me parece que nada, satisfaz  o meu viver em vão
É um laço sem nó, sem dó, de ninguém
É um abraço sem voz, sem talento, pra confortar
O meu amor enquanto durmo
Enquanto esqueço de mim.
Me parece que todos  já encontraram seus caminhos
Me parece que o susto foi maior no meu destino
E o meu querer não estar aqui, me faz sentir como
Se nunca estivesse
Me faz querer, fugir daqui
Nunca dizer, verdades que não mudem nada
Me parece que tudo já esta perdido, ganho em não estar sozinho
Mas sei que tudo parece bom, até que o tudo não exista mais
Parece que o mundo é tão exato, que tudo é certo, que tudo é fato
Parece que ninguém entende que é tão estranho e abstrato
Parece em mim, dentro do peito, inexplicável
O mundo vai ficar ai, e eu não sei aonde ir.

domingo, 28 de março de 2010

No tempo livre, uma diversão perigosa.



Bomba de Verdade
Anabolizantes atraem jovens em busca do corpo perfeito; muitos usuários desconhecem perigos 
Rodrigo Braga/Folha Imagem
 TARSO ARAUJO
DA REPORTAGEM LOCAL

"Não tenho medo de perder o braço, mas de ficar "frango'", diz Jonas*, 22, que usa "bomba" desde os 14 anos.



E "frango", se você não sabe, quer dizer fraco.



A frase do jovem expressa bem o sentimento de quem recorre a essas substâncias em busca de um corpo forte em tempo recorde: ficar em forma é mais importante do que a própria saúde.



Há meses sem malhar, ele nem toma mais os anabolizantes esteroides, hormônios sintéticos que ajudam os músculos a crescer mais rápido.



Injeta nos bíceps um remédio veterinário comprado sem receita em pet shops e apenas aumenta o volume do braço.



"Se aplicar errado, o braço necrosa e tem que amputar", diz, antes de dar uma risada.



William*, 18, é mais cauteloso. Ele está esperando parar de crescer para começar a tomar, já que os anabolizantes podem atrapalhar o crescimento.



"Quero tomar para melhorar meu corpo. É uma questão de autoestima", diz ele. Apesar de afirmar estar satisfeito com seu físico, diz que "querer melhorar nunca vai ser ruim".



Para ele, a vontade de tomar é combinação de pressa por resultado e curiosidade -coisas de gente da sua idade.



"Tenho muitos amigos que tomam. Muitos mesmo. Todos entre 18 e 20 anos."



Jéssica*, 24, começou a malhar porque não gostava das pernas finas -"tinha vergonha de usar short"- e acabou gostando: virou campeã brasileira e sul-americana de levantamento de peso.



Ela diz que resistiu à "tentação", mas que não foi fácil.



"Era louca para tomar "bomba". É a coisa mais normal no meio [do esporte]. Mas eu tive um ótimo treinador, que me falava sobre os efeitos. Vi amigas se transformarem com o tempo, com voz grossa, criando barba, espinhas..."








Pressa e trauma



Para alguns, como Bruno*, 22, a experiência foi traumática. Aos 18, ele queria ficar forte. "Era epidemia aqui onde eu morava. Todo mundo malhava. E eu tinha pressa, né?", conta.



Comprou duas ampolas de anabolizante injetável e aplicou-as em si próprio, uma por semana. "Não deu resultado."



Depois comprou outro, em comprimidos. "Tomei um por dia, por duas semanas." Aí o resultado apareceu. "Fiquei sete dias internado. Um em coma."



O diagnóstico foi uma crise hepática aguda, causada pelo excesso de hormônios no sangue. "Nunca mais eu tomo", diz.



Por causa de casos como esse, o deputado federal Capitão Assumção (PSB-ES) criou um projeto de lei no Congresso Nacional para tratar vendedores clandestinos de anabolizantes (veja ao lado) da mesma maneira que traficantes de drogas.



Mesmo que isso aconteça, a decisão entre saúde e beleza sempre vai ser de quem toma.



"Em pessoas mais jovens, os efeitos colaterais podem ser piores", diz o especialista em fisiologia do exercício Paulo Zogaib, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).




Acesse o link:

Esta foi uma reportagem retirada do site Folha da Uol. O uso de anabolizantes não é novidade para ninguém, porém a reportagem não perde seu teor assustador, ao se ouvir um jovem arriscar a beleza de que tanto prima, pela própria beleza. Perder um braço, para ser forte? Mas que escolha mais absurda! É essa contradição nas falas dos jovens que nos remete a outras contradições, como por exemplo, a essência do tempo livre ao qual o jovem se submete, preso aos conceitos e padrões de beleza que compõe o universo do tempo de não trabalho, e do uso deste em função do capital. Ainda me lembro dos bons tempos em que tais objetivações não me afetavam, nem afetavam meu tempo livre, pelo menos não com tanta violência, e com essa capacidade destruidora, com qual vem fazendo vitimas nos últimos tempos. Essa moda dos jovens de achar-se super homens, pode sempre ter existido, mas a perca de noção de realidade, e das verdadeiras conseqüências de seus atos parecem não assustar mais tanto assim, e é dessa forma que todo ato de liberdade acaba preso ao falso entendimento de ser livre, que consiste em se imaginar livre de acordo com o que nos é posto como liberdade. Ser livre para consumir? Para ir ao shopping, seguir a moda, ver TV? Ser livre até onde o dinheiro permite? De que tipo de liberdade estamos falando afinal? Ser livre é não precisar trabalhar? Dai que se concretizam os equívocos sobre o uso do tempo livre, o tornando inconseqüente e perigoso. Se no tempo de trabalho estou sempre a postos a satisfazer a vontade de um ser superior a mim, se   não são as minhas necessidades que estão sendo supridas, se o produto final me é alheio, é algo do qual não entendo como meu, ou parte de mim, ou se ainda o processo não é compreendido enquanto o todo, me encontro então alienado a tudo o que no fim envolve este meio, e justamente meu tempo de não trabalho se vincula a este tempo de trabalho, reproduzindo-o, daí a persistência em satisfazer os desejos alheios.

domingo, 21 de março de 2010

Teoria do cabide



De um enfoque geral, o que se pode perceber nos dias atuais é que as relações humanas sejam elas de amizade, ou de teor sexual, estão postas de uma maneira da qual nos cabe analisar profundamente, visto que trata da superficialidade, e da descartabilidade com que vem sendo tratados os relacionamentos. Não se trata de se utilizar de termos clichês para tentar entender este processo que assola os preceitos de uma amizade sincera, e de um relacionamento maduro e consciente, contudo se faz necessário primar pelos conceitos básicos de valores que nós consideramos a essência da vida humana, e quando dizemos nós, infelizmente não me refiro a todos, é simplesmente uma relação pautada na padronização das relações interpessoais, que teoricamente deveriam atingir a todos. Assim, como a ciência nos permite epistemologicamente partir de uma experiência concreta na tentativa de explicar uma conjuntura, tratei logo de buscar no fundo do meu âmago, teorizar a respeito de uma analise concreta, as atitudes nauseantes de um sujeito (objeto de estudo), que para os fins desta humilde pesquisa, deixou claro todos os  indícios que caracterizam a teoria do cabide, que se constitui justamente de levar no "banho Maria" situações, relações ou pessoas. Assim como se faz uso dos cabides, que trata de pendurar as roupas para posteriormente reutilizá-las, mas sempre as mantendo dentro de seus pertences, dentro de sua posse, para que na hora que precisar esteja ali, a vista dos olhos e ao alcance das mãos. Agora transfira a utilidade e funcionalidade imanente ao cabide para o projétil das relações humanas. Sim, este sujeito (objeto de estudo) nauseante, tem como características usar as pessoas, as pondo descaradamente em seus cabides, para que na falta, ou quando enjoar puder trocar sem peso na consciência. Já ouviu o termo "troca de namorado como quem troca de roupa"? Pois é, troca-se, mas nunca se desfaz dos que não estão em uso. Outra característica imanente ao nauseante sujeito é o "amor" banal por todos os seus pertences, chega a ser inacreditável como ele acredita amar suas "coisas", suas pessoas. É inacreditável, como o objeto de estudo se acha capaz de fazer o bem e esclarecer/resolver os problemas alheios. O sujeito tem como características também, a falta de originalidade, a falta de assunto, a falta de inteligência no âmbito da intelectualidade (o que não diz respeito a atos de esperteza isolados), a inconveniência, o despeito, a falta de caráter, a falta de amigos verdadeiros, a falta de relacionamentos verdadeiros, e o hábito da mentira. Suas intervenções no meio em que vive procedem das seguintes formas: Ou há a repulsa generalizada pelo sujeito nauseante, ou há a persuasão de pessoas mais maleáveis e influenciáveis, pelo sujeito nauseante, tendo normalmente como agravante uma situação insegura nas relações verdadeiras dos sujeitos submetidos às ações venenosas contidas na teoria do cabide. O sujeito nauseante pode ser comparado a uma bomba inversa, que destrói do sentido periférico ao sentido central, ou seja, mesmo sendo autodestrutivo, tem a capacidade de fazer um grande estrago ao seu redor, antes de qualquer coisa, ou antes, que este mesmo se destrua. Outros aspectos inerentes ao sujeito nauseante se dividem entre manter-se indiferente as suas atitudes hostis, o que elas representam, e o que os outros dizem sobre elas. Quando de fronte a situação em que suas mascaras não se mantém no rosto, tendem a buscar auxilio de quem ainda não observou a verdadeira face, tendem a covardia, a se por no lugar de vitimas, e ao cinismo incompatível com situações tensas, o que poderia caracterizar sem fundamentos muito aprofundados até certo principio de psicopatia. Este tipo de sujeito alega ser deprimido e doente a fim de obter atenção dos indivíduos mais maleáveis, adora dramatizar, fazer cena, fingir ser o que não é. O caso do nosso sujeito objeto de estudo, pode ser exemplificado quando, ao se observar suas excentricidades que lhe imprimem ser uma pessoa altamente higiênica, preocupada com a limpeza, ou vulnerável a determinados componentes naturais e químicos, ou ainda sua preocupação excessiva com os outros, ou consigo mesmo, e até mesmo um grau de intelectualidade, devido tudo isso a sua fala constante de ritualidade, de comprometimento com o bom convívio e com os conhecimentos, entra em contraste com a realidade concreta, que nos diz outra coisa, que imprime outra imagem, esta que pode ser traduzida por uma falsa ritualidade de limpeza, que consiste em deixar a louça da cozinha por dias suja ao ponto de criar bichos, contrapostos a exageros de limpeza como lavar uma faca suja por cortar limão por mais de 3 minutos, ou ainda limpar o chão com amaciante de roupas, atitudes minimamente estúpidas. Outro contraste seria se vangloriar de já ter passado para o curso de medicina, quando nem ao menos para este prestou, e muito menos passou. Pessoas assim são indignas de qualquer tipo de compaixão, e se em algum momento sentir, deve-se tratar de esquecer. A Teoria do cabide comporta em seu seio, atitudes desprezíveis, condizente com pessoas que compartilham de atitudes assim, e que em muitos momentos consideramos apenas “burrice”, quando provavelmente estejamos de frente a particularidades doentias e maliciosas, não podendo, no entanto subestimar a capacidade de destruição destes sujeitos nauseantes. De posse de tais características cabe ressaltar que não estamos, nem somos telespectadores de uma novela, por tanto não teremos o beneficio dos flash backs, as cenas chaves não serão reconstituídas para todos, só para quem realmente as presenciou. Por tanto a confiança e o instinto devem estar muito aguçados para não cair no emaranhado de teias do sujeito nauseante, que usa das técnicas da teoria do cabide. E ao chegar a esta conclusão baseado nas características de quem usa dessa teoria, percebo o quanto eu gostaria de nunca encontrar ou conviver ao lado de pessoas assim. Visto então todas estas depreciações ao usuário desta teoria obscura é inevitável concluir também que quem se utiliza dela, consequentemente tem objetivos incoerentes com os valores mais significativos inerentes a uma amizade verdadeira.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Toda falta

Tudo acabou agora
Só nos restou  lá fora
calçada, rua, e ir embora
noite fria
solidão a dois
É a dor da perda
da confiança
da amizade.
Como alguém poderia entender?
que o que todo mundo vê
se tornou o ponto cego
um algo estranho, distante
diferente de antes.
Seriam os novos conselhos
revestidos de teias?
Ou seria a simples fadiga
de não suportar uma amizade sincera?
Seria pedir demais um pouco de atenção?
Seria pedir demais um pouco de clareza?
Mas preferiu a escuridão.
Preferiu dar a novela um final infeliz.
Sem perdão.
Sem respeito.
Sem lembranças.
Por que é mais fácil esquecer.
É mais fácil o momento novo de prazer
que compense a falta do velho.
Jamais pensei ser tão metódico
caminhando pela lógica
que de tão lógica, descartou todo e qualquer sentimento
jogando até mesmo os valores mais básicos
pela janela.
Passou a confiar no que há de mais duvidoso
simplesmente por que o certo nem sempre é o perfeito.
E fez lixo o que um dia foi ouro.
Nos fez lixo.
E de tanto tentar explicar
até mesmo eu me confundo, tendo a certeza da perda.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

...Fiz de coração

É, uma beleza, que os belos não tem. Toda justiça da qual eu tanto busco, que tanto sou injusto, comigo mesmo. É o que eu tenho, é somente coração, é somente um amor estranho. Sabe, que há muito tempo que te observo, que te quero dentro do meu mundo. Só eu devo saber o quanto é incompreenssivel os meus sentimentos tranbordantes, flamejantes. Só eu sei o que pra mim, você significa, quando uso a palavra certa, só eu saberei quando tiver te encontrado, mas talvez você nunca saiba, por que meu coração é silencioso, é covarde. Só eu sei o que me dói, o que me faz falta. Só eu sei o quanto me faria bem. Só eu sei do que eu estou dizendo, e talvez só eu mesmo sempre saberei.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Aloha sim, e daí?

É sempre nesses momentos, em que ouço esse tipo de som, esse tipo de letra, que eu realmente não entendo se estou ficando velho demais pra me adequar, pra me adaptar. Será que devo morrer? É que eu realmente não consigo entender ao certo o por que hoje não se pensa, não se cria com os mesmos propósitos, e claro, eu entendo que talvez seja por que os propósitos mudaram mesmo, uma pena, pois os propósitos de décadas atrás, me parecem tão atuais, mas os jovens andam cada dia mais sem propósito algum.

Aloha

Será que ninguém vê
O caos em que vivemos ?
Os jovens são tão jovens
E fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E penso sempre em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar por que é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei
Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
Que cresçam logo as crianças

Legião Urbana - Renato Russo

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estranhamento

Só Deus realmente pode saber o quanto que eu não escolhi por ser quem sou. Quando tudo o que eu mais queria era simplesmente ser feliz, tento esqueçer os culpados se é que eles existem. Como eu queria conseguir falar de mim de uma forma mais simplificada, de modo mais claro, por que eu estou realmente cansado de nublar com metáforas e abstrações coisas que pra mim na verdade são tão simples. Cara, é duro saber que se é igual a todo mundo, saber que sente-se o mesmo medo, as mesmas paixões, as mesmas necessidades fisicas, e num piscar de olhos ou numa palavra cruel toda tua existência é digna de lixo, digna de ser amaldiçoada,  mesmo tendo sempre feito de tudo o que de fato pode ser considerado atitudes de um bom moço. Como e quando um amigo se torna inimigo tão rápido? Quando e como uma familía acolhedora se torna opressora e incompreensível em suas falas e atitudes? Eu sei. Isso acontece quando não se pensa bem no que se fala, ou nas consequencias de suas atitudes, e isso é um reflexo preciso da ignorância, de quem muitas vezes prefere esta condição, pra se ver livre da responsabilidade de encarar o mundo como ele é, e não como nos dizem que ele deve ser. Eu não estou cansado da minha vida em si, mas sim da montanha russa de sentimentos e de situações que destroem toda e qualquer auto-estima, que me fazem sentir-se a miséria me transformando num poço fundo, escuro e gelado. Como podem as pessoas que dizem te amar serem tão crueis muitas vezes sem ao menos saber disso? Eu sei. É o fato de não refletirem a cerca do que falam, e das atitudes que tomam. É a ignorância de sonhar que o mundo é feito de perfeições. E em meio a tudo isso, minhas projeções desiludidas, me mostram o quanto eu mesmo aprendi a não gostar do que sou. Cara, eu vejo em filmes tudo o que se passa comigo, me identifico, mas no fim todos os finais parecem bem melhor nos filmes. E realmente eu não sei dizer o que Deus pensa sobre isso. É a sensação de estar tomado pela insanidade, de desejar tudo o que não se pode ter, de não pertencer a nenhum dos mundos, como um pó de estrela suspenso no espaço, sem direção, e já com o brilho ofuscado demais para ser notado.


Como sou

Pratiquei divinas ilusões
E chorei ao ouvir a chuva cair
Respondi diversas as questões
Pra passar o tempo
Que você deixou para trás, meu amor.
Reneguei as minhas emoções
e deixei a intenção de amar
Procurava um lugar distante, distante
Onde possam me aceitar, como sou, como eu sou
Repeti os erros do passado
E agora eu vivo como os meus pais
Envelheci, perdi o meu retrato
E do meu rosto eu nem me lembro mais
O espelho quer me enganar
E me mostra alguém em quem eu não me vejo
Desespero é não encontrar
Em meio as cartas e os álbuns
Uma história pra poder contar
E deixar para os meus netos. Nenhum.

Eu já não sei quem sou
Perdi meu nome, meu id e meu ego
Juntei pedaços do que restou
No quarto livros que eu quero

Rodrigo Eduardo

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