visualizações de página

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Domingo Polifásico




- Esta é uma postagem retroativa, devido a demora em ter acesso as fotos do evento. Porém acredito que vale a pena postar.

Mix. Sim, é um Mix de satisfação, com tristeza, de alegria intensa, com decepção, de êxtase, com inconformismo. Muita gente já deve ter notado que eu escrevo pelo puro deleite de expor idéias, desejos, pontos de vistas. É errado querer ter um espaço onde se sente acolhido, onde se sente ouvido? Neste Mix, agora, neste exato momento eu escreveria de trás para frente, e começaria pela parte que mais me tocou no dia de hoje, uma cena de barbárie, um momento bastante comovente, e que talvez retrate todo o contexto deste dia tão modesto, e ao mesmo tempo tão especial. Se pudessem me observar agora, entenderiam o quão sufocado com este nó na garganta estou. Eu acho que narrar um fato, um acontecimento, um evento, é muito mais que narrar os fatos como eles são aos nossos olhos físicos, aos globos oculares, tem a ver com tudo aquilo que faz parte do que te construiu, de uma história, de uma consciência formada pelo plano material, e talvez, muita gente não entenda isso, e de modo equivocado me julgue, me compare, ou simplesmente ignore. E hoje foi um dia de notar de quantas "ignorâncias" um homem é feito, contudo, poderia até entender este Mix supracitado, entre ignorância, e doença, como se os dois se confundissem, e justificassem o meu estado de "abestalhado".  Então eu lhes digo que escrever para mim, é guardar em forma de registro, momentos, sensações, sentimentos, que talvez nunca se repitam, mas que merecem fazer parte da história, da minha história, mas quem disse que elas não se repetem? Eu? Contradigo-me, e lhes digo que as sinto toda vez que releio, e reviro meus arquivos pessoais. 

Neste domingo de fases, de momentos, de contradições, e de intensidades desmedidas, que se resumem como qualquer domingo para muita gente, sabendo que até eu que não defendo o "relativismo", me contradigo novamente, e defendo que cada qual, vê o mundo, ou como lhe convém, ou como aprendeu a enxergar o mundo, filtrado, peneirado, fragmentado, dicotomizado, ou seja, lá como for. Vamos às fases.

1°) Cotidiano: Bom, cotidiano acaba sendo tudo aquilo que se repete ao longo dos dias, e que se tornam meros acontecimentos que reproduzem uma realidade alienada, ou seja, que produzimos, mas que não nos pertence na maioria das vezes, produzimos, e não podemos tomar posse. Um exemplo é o trabalho nos moldes de sociedade a qual estamos inseridos. Um trabalho abstrato, que nos permite apenas produzir muitas das vezes, aquilo que não nos pertence, e por isso o temos como alheio, ou seja, alienado, produzimos, mas não possuímos. É o operário que produz milhares de tênis, não tem consciência da totalidade da produção daquela mercadoria, e depois do produto feito, este operário, com base na venda da sua força de trabalho, se vê obrigado a comprar, o que ele mesmo produziu. Ou seja, não lhe pertence, o tênis que ele produziu, não lhe da o direito de tomar posse do produto, assim o produto torna-se alienado ao homem, bem como o trabalho, que tem seu caráter voltado apenas para a subsistência, para suprir as necessidades de primeira ordem, como comer e dormir. Mas era domingo, e como dizem que Deus disse que alguém disse que a bíblia disse, “E depois de criar todas as coisas do mundo, no sétimo dia, ele descansou", e assim, nos reproduzimos, no direito de folgar, e se revigorar, para dar continuidade à lógica de produção capitalista. Eis, que no almoço de domingo, na minha humilde casa, compareceram nada menos, que minha Avó por parte de mãe, minhas tias, e meus dois primos, o Flávio e a Ju, e comungamos então de um almoço farto, regado de conversas, reflexões e risos. Nada diferente do normal, a não ser a noticia que no Dia Nacional da Juventude, contaríamos com a presença, nada menos que, a do Gabriel O pensador. Já não era tão cotidiano assim, e em rápidas e intensas decisões, num flerte de querer sair da rotina já banalizada, confiamos em desafiar o marasmo nostálgico do domingo, e fomos.

2°) A religião: De muitas crenças é feito o homem, e tem gente que crê, que crença, não existe. Eu de tanto crer, enfurecido questionei, tornei conflituoso dentro de mim aquilo que abrange a fé, os costumes, os dogmas, e claro, tenho uma opinião formada e consciente sobre isso, mas claro, não é imutável, afinal, estou em processo permanente de construção do meu ser, e infelizmente ainda não tenho o potencial de conceber o mundo a partir de sua totalidade. Não é de ritual, de vestimentas, de costumes, de dogmas que é feita a verdadeira religião, isso se dá por meio de atitudes, que transcendem toda e qualquer ideologia já impregnada, vai além do plano espiritual e metafísico, é dotada de realidade, de concretude, e de concepção de mundo como ser emancipado. Consiste em reflexão, em meditação, em sensibilidade, em sobriedade. Algumas pessoas buscam isso no templo budista, outros nas igrejas evangélicas, outros nas católicas, e eu, bem, eu freqüento a igreja católica, mas acredito numa comunhão entre corpo, alma, natureza. Assim, me permito observar que os dogmas da igreja muitas vezes se confundem com os dogmas da sociedade burguesa, mas não afirmo isso com tanta significância, apenas reflito, e compreendo que a religião e suas variantes confluem para um conflito, e não para o que todos desejam o consenso. Assim, participamos da missa do Dia nacional da Juventude com o Dom Anuar Battisti , e outros padres, que aconteceu na Praça da Paróquia São José Operário, Vila Operária, ao ar livre. Seguindo em caminhada para o encerramento no antigo aeroporto de Maringá.


3°) Acústico: Engraçado como este estilo de cantores, estilo barzinho, normalmente tocam as musicas que eu mais gosto. Max, um cantor de Curitiba, a lá Lenny Kravitz fez uma bela abertura ainda a luz do sol, e com uma simpatia cativou a galera que participava do evento com músicas como: Oh chuva, Lua cheia, Além do horizonte, pais e filhos, e muitas outras. Daí, aquela sensação de mistos de sentimentos. Estava muito bom curtir aquele espaço, aquele som, mas compartilhar isso com certas pessoas, aquelas doentes, ou ignorantes já mencionadas, os tais "família Restart" com muito amor a alguém desconhecido e talentoso no palco, conseguem transmitir o sentimento vazio da adoração a ídolos, sem medida, sem amor próprio, sem elegância. A maioria das pessoas não consegue conviver num espaço publico, sem acharem que tudo precisa ser dado, oferecido, cedido, elas pedem, imploram, gritam, e isso me causa vergonha alheia, pode parecer bobeira, mas acho que em um show, com um cantor, agente canta, ou no mínimo ouve sua música, e no máximo dança. Difícil para uma parte que precisa de uma lavagem cerebral às avessas.




4°) A surpresa: Quem poderia imaginar, que além de tudo aquilo que já estava muito bom, uma das bandas que animaria o evento, era justamente Tropa de Elite (banda cara), mas não vamos entra no mérito dos orçamentos, e de quanto deve ter sido gasto em todo esse movimento agradável que participei. Então, vamos à banda Tropa de Elite, que por sinal, é realmente de tirar o chapéu. A banda conta com integrantes jovens, intensos, loucos, e talentosos, digo, incrivelmente talentosos. Entre eles, Roni – voz e contra- baixo com cara de assustado, uma pitada hard de felicidade naquilo que faz, demonstraram um talento e a essência do sucesso, nada mais que sentir amor pelo que faz, e isso ficar registrado nos olhos, nas expressões, nas caras e bocas, Eder - Baterista, que por coincidência maravilhosa é amigo de adolescência, jogou vôlei na rua de casa, fez parte do grupo de amigos próximo, mesmo hoje não sendo mais um contato próximo, foi bacana ter visto o talento reconhecido e bem expressado em suas intensas batidas naqueles pratos, Junior Bariviera - Voz e guitarra, excelente, simpático, e com um fôlego considerável, mandou muito no vocal, e levantou a galera, mas quem realmente me impressionou foi a Sibele Tel - voz, que mais que presença de palco tem presença de espírito, tem personalidade, emana carisma, e vontade de viver, isso é surreal, e realmente me cativou, virei fã dela, e da banda Tropa de elite. Foram diversos os contra tempos com as pessoas, pois sabem que pessoas me irritam, aquelas garotinhas de 15 anos loucas tentando passar na nossa frente, isso por que estávamos bem ali, na frente do palco, mas elas foram bem mal recebidas por mim e pela minha prima, não deixamos as intempestivas sem noção entrarem na nossa frente, fomos grossos e autoritários, por que gente burra tem que ter tratamento especial. Fizeram a Sibele Tel autografar até tênis acreditam? Isso enquanto ela estava cantando. Senso, e noção são qualidades que faltam no país, como consciência política, e cultura. Eu digo e repito, um show é feito para curtir, para ouvir, não para ter atitudes histéricas por causa dos artistas. Tem horário certo para pedir autógrafo, vamos ser mais inteligentes, que tal? 




5°) O pensador, e os não pensantes: Momento esperado, momento de expectativa, de boçais perdidos por todos os lados, sem compreender o grau de cultura, de consciência, e de comprometimento que estava por vir. Não era um show de rap, era uma palestra show, e quem estava ali na praça do antigo aeroporto de Maringá deveria saber disso, saber que Gabriel, O pensador não estava ali para cantar meia dúzia de músicas, contudo, mais que isso, veio nos levantar o véu, abrir os olhos, plantar uma semente, e, diga-se de passagem, trabalho árduo este quando diante dos despolitizados, dos ignorantes, dos doentes de espírito em que se esbarrou. Em poucos momentos a juventude teria a oportunidade de manter um diálogo com um escritor, compositor, cantor, pensador, como o Gabriel, assim, talvez se tivesse havido menos pessoas gritando histericamente por um livro do Gabriel de graça, e estes mesmos cansados de ouvir as poesias e poemas que ele recitava no palco, pediam insistentemente por musicas, e eu me pergunto, para que diabos eles iam querer um livro, se nem ouvir a leitura do mesmo estava sendo suportável para eles? Por ser uma conversa, não ter aquele som estrondoso, qualquer coisa que fosse dita era ouvida, e as pessoas diziam coisas absurdas, como “canta logo ai!”, “Joga esse livro logo!”, entre outras barbaridades, e por mais que me julguem intolerante com as pessoas, eu lhes digo, vai, além disso, eu tenho a sensação e a necessidade que as pessoas se esforcem o mínimo que seja para respeitarem um momento, com alteridade, se pondo no lugar do artista que tem um objetivo maior, no caso do Gabriel, não era simplesmente cantar, era conversar, expor a realidade, e incentivar a cultura, a tolerância, e a inteligência, mas me parece que grande parte das pessoas não se interessa por esse tipo de beneficio, preferem não ter que pensar, e basta pular e repetir algumas letras, que é o suficiente. Em alguns momentos o Gabriel percebeu esta atitude desmotivante do pessoal, tanto que em determinado momento quando ia ler uma passagem do seu livro, disse, “Eu só vou ler se vocês quiserem...”, ou seja, percebeu que as pessoas não queriam, ou pelo menos boa parte delas. Gabriel incentivou muito a escrita e a leitura em suas falas, em seus poemas, que retratam sensações e emoções que ele teve como o poema que fala de sua avó e sua tia, o poema escrito numa igreja de vidro na Califórnia, entre outros, relatou momentos em que se engajou na luta contra o preconceito, e cantou, como todos queriam, cantou “cachimbo da paz”, “Pátria que me pariu”, entre outras canções, e este não foi um dia como qualquer outro, foi muito bem aproveitado. Pena, não poder dizer isso de todos que estavam presentes, os não pensantes, os que votam em José Serra, os que votam em Tiririca, os que jogam papel no chão, os despreocupados e egoístas cidadãos alienados.







Pátria Que Me Pariu
 Gabriel O Pensador
Uma prostituta chamada Brasil se esqueceu de tomar a pílula, e a barriga cresceu
Um bebê não estava nos planos dessa pobre meretriz de dezessete anos
Um aborto era uma fortuna e ela sem dinheiro 
Teve que tentar fazer um aborto caseiro
Tomou remédio, tomou cachaça, tomou purgante 
Mas a gravidez era cada vez mais flagrante
Aquele filho era pior que uma lombriga
E ela pediu prum mendigo esmurrar sua barriga
E a cada chute que levava o moleque revidava lá de dentro
Aprendeu a ser um feto violento 
Um feto forte escapou da morte 
Não se sabe se foi muito azar ou muita sorte
Mais nove meses depois foi encontrado, com fome e com frio,
Abandonado num terreno baldio 
Pátria que me pariu! Quem foi a pátria que me pariu!?
A criança é a cara dos pais mas não tem pai nem mãe
Então qual é a cara da criança?
A cara do perdão ou da vingança?
Será a cara do desespero ou da esperança?
Num futuro melhor, um emprego, um lar
Sinal vermelho, não da tempo prá sonhar
Vendendo bala, chiclete...
Num fecha o vidro que eu num sou pivete
Eu não vou virar ladrão se você me der um leite, um pão, um vídeo game e uma televisão
Uma chuteira e uma camisa do mengão 
Pra eu jogar na seleção, que nem o Ronaldinho 
Vou pra copa vou pra Europa...
Coitadinho! Acorda moleque! Cê num tem futuro!
Seu time não tem nada a perder
E o jogo é duro! Você não tem defesa, então ataca!
Pra não sair de maca 
Chega de bancar o babaca!
Eu não aguento mais dar murro em ponta de faca
E tudo o que eu tenho é uma faca na mão
Agora eu quero o queijo. Cade?
To cansado de apanhar. Tá na hora de bater!
Pátria que me pariu!
Quem foi a pátria que me pariu!?
Mostra tua cara, moleque! Devia tá na escola 
Mas tá cheirando cola, fumando um beck
Vendendo brizola e crack 
Nunca joga bola mais tá sempre no ataque
Pistola na mão, moleque sangue bom
E melhor correr que lá vem o camburão
É matar ou morrer! São quatro contra um!
Eu me rendo! Bum! Clá! Clá! Bum! Bum! Bum!
Boi, boi, boi da cara preta pega essa criança com um tiro de escopeta
Calibre doze na cara do Brasil 
Idade catorze estado civil morto
Demorou, mais a sua pátria mãe gentil conseguiu realizar o aborto.



6°) Do começo ao fim: Lembrados que eu poderia ter começado do fim? Pois bem, decidi que escreveria na ordem cronológica dos acontecimentos, mesmo este último, sendo o mais recente, e o mais perturbador. O mundo está tão doente, tão confuso, as vidas estão tão banais, sem valor, sem sentido, e eu digo está, por que há algum tempo atrás, eu vivi momentos bem diferentes dos dias atuais, apesar de não fazer tanto tempo assim, e hoje eu não consigo me acostumar com o caos constante. Depois deste dia imperdível cheguei em casa com os pés doendo, pescoço doendo, mas revigorado, como tinha que ser, comi alguma coisa, deitei no sofá e fui ver um pouco do Fantástico, só para deitar mesmo, e a noticia, era do cotidiano, era do dia a dia, era banal, e eu não sei se mais alguém no mundo se comoveu como eu com aquilo que anda acontecendo todos os dias no mundo. A noticia era sobre um jovem numa livraria de um shopping Center, extremamente despreocupado com qualquer coisa, afinal, não havia mesmo com o que se preocupar, pelo menos era o que ele imaginava, sem saber que ali naquele mesmo lugar, um doente, um ignorante, um fruto deste tipo de sociedade que estamos formando, estava prestes a escolhê-lo aleatoriamente para ser agredido gratuitamente por um taco de beisebol na cabeça. Deus do céu! Quanto ainda temos que nos chocar para uma revolução? O menino, que nunca fez nada há ninguém e só queria viver sua vida, seguir com seus sonhos, foi abatido como um animal qualquer, Henrique morreu esta semana depois de ficar por dez meses na UTI do Hospital das Clínicas de São Paulo. Como explicar tal acontecimento? Existem vários tipos de pessoas, e eu custo a acreditar que qualquer pessoa sã, seria capaz de interromper a juventude criativa de alguém assim tão brutalmente, mas vejo que a ignorância e a doença definitivamente andam de mãos dadas, e isso é apavorante, não saber o que pode lhe acontecer, essa insegurança, essa injustiça, e o pior, a falta de movimento, o inexpressivo balbucio das pessoas diante deste tipo de noticia me amedronta.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A procura da felicidade: quanto vale ou é por quilo?


Um dia passando pelas ruas de Maringá notei um individuo vestido de palhaço dando bom dia e sorrindo, notei também que não era um trabalho, as roupas não eram novas, digamos que era um palhaço mal vestido, mas ainda sim, sorria e desejava bom dia aos mal humorados que seguiam cedo para o trabalho. Por um instante passou pela minha cabeça o quão idiota aquele homem era por estar se submetendo aquela situação, logo adiante na mesma linha de raciocínio refleti de modo diferente. Aquele velho homem não tinha absolutamente nada, mesmo assim, ele sorria alegre e dizia bom dia a todos, e eu só conseguia sentir ódio de estar acordado tão cedo. Por um instante eu me perguntei onde se encontra a tal felicidade, e qualquer pessoa otimista demais, e pouco realista vai dizer sem sombra de dúvidas que a felicidade se encontra nas pequenas coisas da vida, nos momentos bons ao lado das pessoas que se ama, nas pequenas conquistas. Eu pergunto então, e aquele homem velho vestido de palhaço, é realmente feliz? Confesso que não parei para perguntar a ele, mas fiquei tentado a entender o que o motivava as demonstrações amigáveis de carinho e atenção com quem cruzava seu caminho naquela manhã. Então me perguntei o que faz as pessoas felizes realmente. O que deixa um ser humano com esta sensação de bem estar, de felicidade são sim momentos de vivência satisfatórios, que dêem sentido a sua vida. Para ter uma vida com sentido, é necessário fazer antes de mais nada parte de um grupo familiar, ou um grupo de amigos, é preciso sentir-se querido por outras pessoas, e é preciso sentir-se parte do ambiente em que se vive. Ser feliz, é seguir com conquistas frente aos desafios que a vida lhe proporciona, é conhecer e agir no meio em que vive, mostrando sua importância para o andamento das coisas que lhe dizem respeito, é ter independência e autonomia para decidir os caminho que deve seguir. Porém, ser feliz, tem relação com as oportunidades e com a personalidade que se construiu dentro de cada um, pois cada um sabe das suas necessidades, e ser feliz então é diferente de um para outro. Mas a realidade, é que ser feliz, tem a ver com conseguir pagar as contas do mês sem medo de ficar sem ter onde morar, pra onde ir. Ser feliz é ter os mesmos direitos que os merecedores da felicidade tem do conforto, do teto, do salário, da formação, da familia, da estrutura, do meio em que se vive, por tanto, ser feliz em grande parte, é ter sorte, a sorte de nascer em uma boa familia, com casa própria, com dignidade, com direito a educação de qualidade, com direito a saúde de qualidade, sem depender das esmolas do Estado. Ser feliz é não ter que ouvir que se está na rua pedindo e mendigando por escolha própria, e sim por falta de oportunidades, por falta de igualdade. É fácil ser feliz quando se nasce em berço banhado a ouro, difícil é sorrir todo dia de manhã vestido de palhaço dizendo bom dia a troco de absolutamente nada, a não ser talvez, pela possibilidade de fugir da realidade, esta que de feliz não tem nada. Alguns vão dizer que felicidade não tem nada a ver com isso, que tem a ver com o abraço carinhoso da mãe, o eu te amo do pai, a fidelidade dos amigos, e eu vos digo, sim isso é felicidade, para quem não tem um pai bêbado, ou uma mãe prostituta, oras, mas ainda dirão que isso não importa se há o amor, e eu vos digo, com fome e com medo, ser feliz e amar deve ser tarefa difícil para qualquer um. Então, ser feliz não se trata de comparar sua felicidade a de ninguém, muito menos sorrir e dizer bom dia vestido de palhaço, fingir ser feliz não significa ser feliz, ver pessoas infelizes não nos torna mais felizes, ver pessoas felizes, nos fazem pensar, o que as fazem felizes. Ser feliz não depende de classe social eu sei, mas oras, não sejamos hipócritas, felicidade é coisa para quem pode comprar, os demais fingem, e imaginam como seria se tivessem o direito de serem felizes.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Como é que se diz eu te amo?

Vai uma vida toda para na maioria das vezes nunca se desvendar quais foram os verdadeiros "eu te amo" que se disse, ou que se ouviu. Houve um tempo que dizer "eu te amo" estava cercado de significados que davam a credibilidade a tais palavras tão simples. Quando eram ditas com firmeza, confiança, fidelidade e sabedoria, respeitando a amplitude do "eu te amo", que em sua essência diz respeito a sentimentos nutridos nas relações entre indivíduos de polegares opositores e racionais. "Eu te amo" faz parte de uma série de símbolos que regem as relações humanas, e que são decodificados a fim de dar sentido as nossas vidas. Amar muitas vezes é não ter que responder a questões apoteóticas como, "de onde eu vim? Pra onde eu vou?", pois já traz consigo a satisfação necessária enquanto individuo vivo que depende do outro. Porém, amar, e dizer que ama cada dia mais se tornam duas coisas mais distintas, mais distantes. O "eu te amo" vem perdendo seu significado desde o momento em que a frieza com que os homens se relacionam tendenciosamente vem aumentando, quando as pessoas se tornam objetivas demais, até que se sentem modernas demais para entender o amor com os mesmos significados que um dia ele já teve. Eu entendo que amar tem um só significado, seja lá qual for a época que esteja inserido, o que muda é o entendimento e a apropriação do termo no sentido em que este se banalize. Particularmente eu tenho sérias dificuldades em pronunciar estas palavras, não por que eu não ame ninguém, mas por que eu insisto em manter o significado primeiro, aquele que torna amar uma responsabilidade, algo de extrema importância. Amar então é tomar para si uma responsabilidade, é se por no lugar do outro. Amor não se sente hoje, para amanhã não mais sentir, amor perdura por todo o sempre, só mudam as formas de amar. Hoje em dia dizer eu te amo ficou atrelado aos tipos de relações vazias, insossas, e passageiras, por tanto, dizer "eu te amo" para a maior parte das pessoas é como trocar de roupa, ama-se do dia para a noite, e desama-se da noite para o dia, como se amar fosse feito apenas de desejo e de prazer. Ama-se com interesses, ama-se por vingança, mas é um amar de quem só sabe dizer "eu te amo", e não saber ser o "eu te amo". Amam as coisas mais que os próprios semelhantes, por isso ficou ainda mais fácil dizer, é como fisgar um peixe estúpido, é como roubar doce de criança, e assim vamos endurecendo frente a qualquer "eu te amo" que se ouve, por que por experiência própria, eles vem tão rápido quanto vão, é só deixam a sensação de traição, de infidelidade, de falsidade, de demonstrações explícitas de um amor que passa de um para o outro sem nenhum pudor, sem nenhuma responsabilidade com o outro. Então quando se diz "eu te amo" tem que se pensar no outro e no que ele representa realmente, e caso nunca tenha a certeza, nunca diga, é menos doloroso. Por que ver o mesmo "eu te amo" que estava aqui, estar logo ali do outro lado, é perceber que o amor na verdade nunca existiu, existiu somente a necessidade de suprir os próprios interesses, de sugar somente aquilo que lhe convém, e os "eu te amo" ditos irresponsavelmente foram apenas uma estratégia de se conseguir com mais facilidade o que se queria. "Eu te amo" não se diz, se faz. 

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Eu não sabia. E você?

 Ivone, a mulher do apito, das manias e do cafezinho
A deficiência mental e as manias não impedem que ela seja querida por pessoas que conquista nas ruas de Maringá


Bem antes do dia clarear, Ivone Pires já anda pela casa, conversando alto com o resto da família que ainda dorme, às 6 horas já está pronta para sair e, no máximo, até 6h30 já vai para a rua. Chova ou faça sol, essa é a rotina de segunda-feira a sábado e toda a vizinhança saberá que ela já está na rua quando ouvir o trinado de seu apito. Nas seis ou sete horas seguintes, seu apito será ouvido (e reconhecido) em diferentes pontos da cidade e por volta das 14 horas chega de seu volta ao bairro de onde saiu, o Jardim Aeroporto. À tarde assiste tevê e por volta das 20 horas já está dormindo para repetir tudo na manhã seguinte.
Sempre sorrindo, apitando e cumprimentando pessoas nas ruas, entrando em estabelecimentos para iniciar conversas que ela nunca termina, Ivone Pires, de 33 anos, é a mulher do apito, uma das figuras mais conhecidas das ruas de Maringá. Da mesma forma que a cidade a reconhece, ela também conhece muita gente, principalmente se a pessoa trabalhar em algum estabelecimento que serve cafezinho. Se ela não sabe o nome da pessoa, logo inventa um apelido ou chama de 'Véio'.

“Ela é pontual, chega na hora em que estou abrindo o bar, fala, fala, fala, toma um café e segue em frente”, conta a comerciante Vanda Pires, proprietária de um bar na esquina da Avenida Brasil com a Rua Henrique Dias. Cerca de 100 metros adiante, Ivone entra em uma padaria, chama todas as atendentes pelo nome, conversa com fregueses (geralmente com dois ou três de uma vez), toma mais um café, ganha um salgado e sai sem terminar as conversas.
De bar em bar, padaria em padaria, café em café às 9 horas ela já está apitando no quarteirão mais antigo do Maringá Velho, aquele onde nasceu a cidade e ela parece conhecer todo mundo – e todo mundo a conhece. “A gente até brinca dividindo a manhã em antes ou depois da passagem da mulher do apito”, diz o farmacêutico Luiz Carlos Pires, que recebe infalivelmente sua visita todos as as manhãs. “Ela tem liberdade para colocar apelido nas pessoas”, continua Pires, lembrando que um proprietário de oficina na divisa do Maringá Velho com o Fim da Picada é chamado por ela de vagabundo “e ele ri, nunca reclamou”.
“Todo mundo gosta dela”, explica Carlos Machado, que trabalha em uma loja de artigos country. “Ela chega, brinca com as pessoas e vai embora sem ofender ninguém, ela é carismática”.
A mulher do apito tem algumas manias incompreensíveis. Sai de casa sempre usando uma blusa de lã escura com capuz, que ela cobre a cabeça, de modo que sua figura pode ser reconhecida à distância – mesmo que ela não apite. Também carrega sempre um saco com livros e cadernos, pesando aproximadamente 10 quilos. A blusa, segundo ela, a protege do sol e da chuva. Os livros e cadernos ela usa para “ler” e “escrever” quando para nos pontos de ônibus para descansar.
A mulher do apito sobe para o Maringá Velho sempre pela calçada da direita, volta pela da esquerda, vira na Avenida Pedro Taques e vai até o Jardim Alvorada, percorre várias ruas e volta para casa. Quando está a fim de andar um pouco mais, vai apitando até o Posto G10, na saída para Astorga.
Ivone, filha do casal de pioneiros Julia e Derbi Pires, ele caminhoneiro aposentado, vive com os pais e três irmãos em uma casa do Jardim Aeroporto, a mesma casa em que nasceu. Ainda pequena os pais perceberam a deficiência mental, mas ela chegou a frequentar escola, aprendeu a ler um pouco, frequentou a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), mas foi nas ruas que aprendeu a se virar. O apito famoso é ensinamento das professoras da Apae e serve para alertar motoristas sobre sua presença. Embora caminhe entre 20 e 30 quilômetros a cada dia, cruzando o trecho mais movimentado da cidade, ela só foi atropelada uma única vez e nem foi em Maringá. Ela tinha ido a pé a Sarandi comprar um apito novo e acabou atropelada no centro da cidade.

Suas saídas de casa não preocupam mais dona Julia e seu Derbi, primeiro porque reconhecem que Ivone sabe se defender, segundo porque a saída é uma necessidade tão forte para a moça quanto comer ou beber cafezinho. “Se ela não sai, fica nervosa, começa a apitar dentro de casa, a gente sente que ela sofre como se estivesse numa prisão”, comenta o irmão Dário.
A mulher do apito diz que gosta de caminhar, ver pessoas, assistir tevê à tarde e ouvir músicas de Zezé de Camargo e Luciano. “E aí, Véio. Eu vou sair no jornal? Vai sair minha foto? E o meu apito? Por que eu vou sair no jornal? O que eu fiz? O que você perguntou pro meu irmão?”, perguntou ela de enfiada, virou as costas, apitou e seguiu em frente sem esperar nenhuma resposta.

Fonte: 


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Revisão político - despolitizada desses arredores.

No fim de 2008 na turbulência das eleições para um governante municipal na cidade de Sarandi fomos presenteados com a vitória da ignorância, dos mal informados, daqueles que acreditavam estar fazendo a melhor escolha de todos os tempos. Antes de se deliciarem com os podres poderes, critiquei veementemente a postura da sociedade organizada ao se submeter estupidamente a um governo que todos com um mínimo de cérebro já sabiam das mazelas, e dos absurdos familiares e políticos envolvendo o hoje afastado do Poder Milton Martini. Fiz minha critica de forma sutil e agressiva numa comunidade do Orkut (http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=659306&tid=5254134850146917111&start=1) que tratava de assuntos sobre o município, e me deparei com uma série de imbecis, soldados idiotizados do até então candidato que a seguir viria a tomar a vitória apertada na concorrência da prefeitura. Mas eram soldados por conta própria, e idiotas de nascimento talvez, pois a estupidez tomava conta de cada palavra ofensiva aos meus comentários, aquilo foi uma enxurrada de besteiras, de asneiras, e eu disse isso a eles, mas eles se acharam bons demais a ponto de não lerem uma vírgula do que eu dizia, liam uma coisa e entendiam outra, eu buscava utilizar bons argumentos, manter algo de nível, porém no fórum só respostas intolerântes a inteligência, pareciam abominar as verdades que eu postava sobre o Milton Martini, e o comportamento da maioria da população. As agressões verbais foram tomando uma proporção imensa, desta forma resolvi apagar meus comentários, não valiam de nada se opondo a grosserias estúpidas e sem fundamento algum de uma gente pobre  de ser, pobre de identidade, pobre de sagacidade, pobre de argumentos, pobre de alma. o que é pior que qualquer desfavorecimento material. Mais de dois anos depois, retornei a comunidade e percebi que aquilo sem meus comentários que eram tão mal recebidos não tinha a mesma movimentação, claro, com um tipo de gente sem argumentos, sem ter o que falar, só restava mesmo responder meus comentários com grosserias. Mas o melhor ou pior de tudo, é voltar lá feito Tieta do Agreste, e ver que suas palavras foram proféticas, apesar de não estarem mais lá, hoje cada ser idiotizado que postou suas bizarríces incomuns a favor do Milton Martini, com ênfase em me agredir está engolindo a seco e engolirão por muito tempo ainda, tendo que se orgulharem de terem elegido um homem que poucos dias depois de sua eleição deu uma banana para a população, um tapa na cara dos seus próprios soldados idiotizados. Nos deixando o presente de grego Carlos de Paula como substituto, por sinal um publicitário nato, De Paula, demonstra uma sabedoria incrível no quesito propaganda é a alma do negócio, se faz presente em todas as obras da cidade, sejam obras dele, ou não, o que importa é que em tudo o seu "rostinho"apareça, deixando sua marca, para uma próxima eleição, entrar com o aval da população, que como sempre em sua grande parte deixou o discernimento e a capacidade de raciocínio político cair em algum dos buracos nas ruas da cidade e são bem capazes de o tornarem então, prefeito consagrado do município. É o que eu falava antes de pobreza sabe, são pessoas incapazes de discernir e opinar sobre assuntos políticos, mas mesmo assim elas opinam, e pior, votam, determinam "democraticamente" quem vai "fuder" com tudo. A maioria das pessoas de senso comum, e de cérebro incomum, votam por aparência, por status, vejamos os tantos casos dos deputados eleitos na ultima eleição, Cida Borguethi continua no poder, por que pobre gosta de gente chique no poder, gosta de gente loira e de olhos azuis no poder, pobre não acha que pobre tem condições de ocupar um cargo político, isso é tão óbvio no que tange minhas observações sobre este âmbito caótico que são as eleições na conservadora Maringá, e na obediente subalterna Sarandi. Na linha de exemplos, temos o próprio prefeito de Maringá, o excelentíssimo Silvio Barros, que mexe com os corações sonhadores da população que adora filmes de época e acham mais "bonitinho" manter uma dinastia no poder, passar coroa de pai para filho, é coisa tão High Society , e nesse clima, volta Osmar Dias que foi tão longe politicamente, e como um cão sem dono volta para a sua amada e conservadora cidade de babacas soberbos que moram em bairros marginalizados, vêem o centro e os bairros nobres cada vez mais luxuosos, e se sentem parte desse progresso quando vão gastar seus míseros vinténs no comércio suntuoso que a ACIM faz por onde manter na ordem consumista do capital, sem maiores pudores. E o prefeito investe em propaganda, ele quer ver os IPTU's todos bem pagos, e na TV a todo momento vemos aqueles moradores de comercial de margarina felizes com as tantas obras realizadas, que só o IPTU pode pagar, e em Sarandi não é diferente, tem-se muito em comum, muito se fala, pouco se faz, mas na política do pão e circo, é isso mesmo que conta para essa inteligente população de meia pataca. 

Futuro do pretérito


O menino arredio, bicho do mato, inseguro, não apresentava-se como deveria, por que em meio aos perfeitos e os normais, o menino sonharia com aquilo tudo que poderia, mas que não conseguiria. O menino genial, era um ser do passado, um ser que passou, que sumiu, que ficou, e que no presente amargo, diz que diria, diz que faria, que sonharia, como se o futuro fosse certo, de uma consciência ininterrupta da totalidade, que transcenda começo, meio e fim. O menino não é, e não foi, mas seria, seria se pudesse, só não sabe ainda o por que do futuro ser tão intocável, esmigalhando no vento como fumaça no ar. O menino se sente preso, encarcerado ao que seria, poderia, faria, conseguiria, sempre dependendo de um passado, imperfeito, e não se apeguem a tempos verbais, eu falo de vida e não de palavras. Ele era tudo aquilo que poderia ser, mas dentro de si mesmo, e nada mais. Ele era seus sonhos, de tudo o que alcançaria, mas que por motivos concretos, virou futuro do pretérito. Cansou-se das possibilidades, dos otimistas, dos falsos amigos, das falácias engenhosas para que a traição e a infidelidade pareça mais branda, mais suave, cansou de nunca tornar presente o futuro, e amedrontou-se ao ver o futuro tão próximo e tão sombrio. O menino que um dia chegou a acreditar em si próprio e nos outros, pensando que seria,  que amaria, que viveria, que sorriria, que valeria a pena, chega ao futuro todos os dias, mas come o passado com sabor azedo de fruto proibido, e o pretérito vem como expulsão do paraíso. É um presente de grego esse destino inoportuno, esse descaso verbal com os tempos incertos, com seus beijos não dados, com os riscos corridos, que também correria o menino punido, que de tanto querer virou comida de sereia, história de pescador, conto da carochinha, se perdeu no presente e nunca encontrou o tal do futuro, o futuro do pretérito.    

sábado, 29 de janeiro de 2011

Engôdo


Este ponto de inércia da vida em que me encontro, é um ponto de desencontro, de desconforto, de descalabro. É um ponto no qual, cheio de dedos, pisando em ovos, com o máximo de cuidado, tento atravessar sem provocar mais nenhum tremor, nenhuma tragédia. A necessidade de não demonstrar a vida por um fio, termina em um sorriso sem graça e apático no fim da noite. Um sorriso triste, para aqueles que nunca vão entender da tua dor. É imprudente tentar explicar a essa gente racional e literal, sobre pensamentos e angustias profundas, esperando uma resposta com a mesma subjetividade, porém com o trato da compreensão. As respostas normalmente serão monossilábicas, incoerentes, formais e não dirão respeito ao que de fato tem a ver com suas angustias. Terás meu caro, que fingir, que racionalizar, tornar natural tuas decepções a fim de se manter não totalmente preso ao cais solitário dos incompreendidos. Este tom irracional de lhe dar com a vida afasta, dizer a verdade te torna ríspido, seco, frio, a olhos nús, racional demais. Mas verdades merecem uma pitada de razão, mesmo tendo princípios de subjetividade, mesmo não se apegando a dogmas, ou a caminhos únicos. É disso que estou falando, trata-se exatamente dessa visão monocromática que as pessoas tem da vida, dessa forma retilínea e direta de tratar dos problemas.  Nesse sentido, o que me resta, a não ser sorrir e concordar? Se ao discordar, a racionalidade das pessoas não permitiram que sigam seu raciocínio desprendido. Eu não sei até quando as pessoas vão se enganar pensando que esse otimismo barato surte algum efeito, eu não sei até quando elas vão me dizer o que fazer, como se eu não soubesse, não sei até quando vão ser felizes com seus engôdos egoístas diante do resto do mundo. Esse sociopata dentro de mim, transforma os performáticos sociais, os centros das atenções, as belezas naturais, os aventureiros cheios de histórias, os bem pagos, os parcialmente felizes, os conformados, os exageradamente otimistas, os fervorosos, os "sortudos", os favorecidos biologicamente/genéticamente,  os bem sucedidos, os racionais, os materialistas, os oportunistas, os interesseiros, e os neutros em algozes implacáveis para mim. E a cada analise do espaço estático racional, mais eu me prendo ao mundo das subjetividades insanas. Sei que chegarás o dia que serei tratado como louco, em doses homeopáticas com sorte, somente como senil.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Roberta Campos

Cantora, compositora e mineira, radicada em São Paulo, a artista vem aos poucos ganhando seu espaço; em março de 2009 assinou com a Deckdisc e está dedicando o segundo semestre deste ano na produção do novo trabalho.

Ela compõe desde criança, e já participou de várias bandas, dentre elas a Pop Troti de Sete Lagoas/MG – onde gravou um EP com canções de sua autoria e teve a primeira grande aceitação do público.

Sua influência musical vai de Bob Dylan a Milton Nascimento, tem uma pitadinha de Folk/Rock, com um toque marcante da música mineira.

A primeira faixa do disco, “Varrendo a Lua” está sendo executada na rádio Nova Brasil FM.

Seu primeiro CD, gravado em 2008, com o título de “Para aquelas perguntas tortas” que, como diz Roberta - “totalmente autoral, produzido por mim, gravado por mim, feito por mim, lançado por mim, enfim, tudo por mim” vem recebendo elogios de grandes artistas como Leoni que disse em um fórum da internet: “Adoro a voz e o estilo dela, uma artista com grandes qualidades”, Marcelo Camelo que declarou na revista Rolling Stones: “É para gente como Leandro Tavares ou a Roberta Campos cantar, que eu componho”.

Podemos citar também Ricardo Koctus (Pato Fu) que em participação no programa feito em casa na Rádio Inconfidência em maio deste ano em Belo Horizonte, fez elogios ao jeito de ser e cantar da artista e tocou suas músicas.

A mocinha dona de um belo par de olhos azuis, é corajosa, entra no palco sozinha com sua voz, empunhando violão e gaita e faz seu show com aquela leveza que, quem já assistiu o clip da canção “Varrendo a lua” sabe muito bem como é; a canção vem ganhando espaço nas rádios, e seu myspace www.myspace.com/robertacampos recebe novas visitas a cada dia.

Roberta conta com seu jeitinho doce e sua influência de mineira legítima, que busca levar sua música ao maior número de pessoas possíveis, levar a mensagem de carinho, tentando mudar um pedacinho do mundo, que seja com palavras positivas e acima de tudo levando amor.

Desta forma, dia a dia vamos ouvindo falar da voz, do jeito, das canções, da leveza que é o seu primeiro disco, dos videoclipes de Roberta Campos, e muito, mas muito mais em pouco tempo vamos ver por aí.



-Agora me diz por que diabos Fiuk tem direito a série especial de fim de ano? Respondo. Por que é filho do Fabio Junior!

Mika


Mika, de nome verdadeiro Mica Penniman, nasceu em Beirute (Líbano) a 18 de Agosto de 1983, filho de mãe libanesa e pai americano. Devido à guerra civil que ocorria no país, a família de Mika vê-se obrigada a emigrar. Mudam-se então para Paris, juntamente com outros refugiados libaneses. Ao fim de 8 anos, nova mudança, desta vez para Londres, onde vivem actualmente. No entanto, a adaptação à capital britânica não foi fácil... na escola, Mika era rejeitado pelos colegas por se vestir de maneira diferente, por não se encaixar nos padrões por eles considerados "normais". Esse facto, aliado a problemas de dislexia, fizeram com que abandonasse a escola. A partir daí, passou a ter aulas de canto em casa. A carreira musical de Mika começa na adolescência. Entre outros projectos, dá a voz a um jingle de um anúncio de pastilhas elásticas, para a televisão. Começa também a compor as suas próprias músicas. Já todos conhecemos o lado público da sua ainda curta carreira...no entanto, quando questionado acerca do significado da letra do seu primeiro single - Grace Kelly - Mika revela alguns pormenores que dão a entender que chegar aqui não foi tão fácil como se possa pensar. Quando mostrou o seu trabalho a diversas editoras, todas rejeitaram por não ser música suficientemente comercial. Queriam músicas mais ao estilo de outras estrelas pop já conhecidas, daquelas fórmulas já feitas e experimentadas, que à partida seriam um sucesso de vendas. Mika não aceitou isso e resultado de todas essas rejeições, nasce o que viria a ser o seu cartão de visita e grande hit, Grace Kelly. Mais tarde, a Universal decide apostar em Mika, e o resultado está à vista.


- Agora me diz por que diabos vão fazer um filme de Justin Bieber? Respondo. Por que sucesso não quer dizer talento. 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O primeiro adeus a burguesia?




Funcionários se unem para comandar empresa em SP
A fábrica localizada no interior de São Paulo é comandada pelos funcionários desde 2003.
FONTE: http://www.redetv.com.br/Video.aspx?52,15,165046,Jornalismo,RedeTV-News,Funcionarios-se-unem-para-comandar-empresa-em-SP



Chuva na colina

O céu claro foi escurecendo, surgiu por trás das árvores um misterioso vento, soprando as folhas secas do jardim. Gotas de chuva caem sobre meu rosto, enquanto as nuvens cinzas se encontram no céu, e formam um teto, mar cinza ou véu. O vento toma intensidade e entra pela janela, num sopro suave apaga o fogo da vela. O gramado verde cobre a colina, no balanço na árvore, falta uma menina de cabelos esvoaçantes, com sorriso não como o de antes. Na chuva crianças brincam na rua, chuva transparente, verdade nua e crua. Complexo não sou eu que explico e não entendo, mas sim, aquele que não sai quando esta chovendo. De que vale o ditado "entrou na chuva é pra se molhar", se fico aqui parado, e sempre seco vou estar.Deixe o dia escurecer, o tempo se fechar, a verdade aparecer, para que o sol possa brilhar. É tão bom ver um filme em dia de chuva, comer pipoca, tomando coca e fanta uva. Este é o lado extrovertido de um dia que parece estar perdido. A chuva cai lá fora, desmarca tempo e hora, mas se o vento parar, e as folhas secas caírem no chão, digo sim, digo não, são respostas que vem e que vão, definem se mereço perdão, ou não. Depois da tempestade, a folha seca voa longe, e deixa saudade. O tempo esta nublado, mas o sol esta tão lindo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Eu não gosto do “bom” gosto


Depois de ter escrito o texto do ultimo post me deparei com o texto escrito por Jean Wyllys em seu site que por incrivel que pareça trata do mesmo assunto, porém com muito mais argumentos, profundidade e por que não dizer, intelectualidade, mas não aquela de mesa de bar.

POR JEAN WYLLYS
É só começar uma nova edição do Big Brother Brasil para aquele coro formado por “intelectuais“ de mesa de bar e pelo baixo clero universitário comece a entoar sua cantilena repetitiva e entediante contra o programa, seja na mesa do bar propriamente dita, seja em segundos cadernos e sites que se ocupam do entretenimento televisivo. Os membros desse coro não só demonizam o BBB – com o argumento de que este “idiotiza as massas” porque não tem “conteúdo” – como fazem questão de se mostrar incríveis e orgulhosos de si por não assistirem ao programa; costumam se sentir seres humanos melhores por consumirem “bons livros” e “belas artes”. O coro não só constrói hierarquias de gosto e de consumo cultural como as trata como algo “natural”. Não, elas não são naturais, da ordem da natureza. Da ordem da natureza é a imobilidade das pedras, pois mesmo a cor dos olhos e a textura dos cabelos das pessoas não são mais naturais desde que se inventou a lente de contato colorida e a tintura-creme para chapinha. Hierarquias de gosto e de consumo cultural são construídas pelos homens; são um dado da cultura (cultura entendida como modo integral de vida e não como ilustração ou matéria de segundo caderno de jornal, que é como o senso comum e alguns “intelectuais” entendem o termo “cultura”). Logo, quem está por cima ou no poder vai definir seu consumo cultural como legítimo ou de “bom gosto”, estigmatizando, segundo seus critérios, o consumo de quem está por baixo como “inferior”, de “mau gosto” ou “menor”. E não se trata de uma mera distinção cultural apenas. Trata-se, antes, de justificar privilégios sociais e econômicos nesse mundo capitalista: “é justo que só eu e os meus possamos viajar para Nova York, pois só nós sabemos apreciar as belas artes do Museu de Arte Moderna; somos, portanto, seres humanos melhores que aqueles que se perdem na programação televisiva”. Quem está por cima e demoniza o consumo cultural dos pobres, esquece-se ou finge se esquecer de que uma viagem a NY para visitar o Museu de Arte Moderna custa caro! Esse argumento de quem está por cima é, na verdade, um ardil, pois essa gente sabe que no dia em que o consumo cultural for realmente democratizado; no dia em que o povão tiver acesso aos bens de consumo das elites, acaba-se a distinção cultural e a hierarquia entre as pessoas. Essa gentalha que se acha inteligente por desprezar publicamente o consumo das massas é, portanto, ardilosa e hipócrita (quer dizer, algumas reproduzem essa mentalidade até sem se dar conta, porque nunca pararam para se questionar). E olha que estou me referindo apenas àqueles que realmente consomem belas letras, belas artes, belas músicas, e não àqueles que fingem consumir, perdendo o tempo em mesas de bares criticando a tevê e a cultura de massa.
Com os filósofos franceses Michel Foucault e Michel de Certeau, aprendi que há resistências para toda disciplina (ou tentativa de sujeição ou produção de “corpos dóceis”). Todo consumo, ou toda leitura, ou toda recepção é feito num contexto; a partir de uma história de vida. Por isso, significados ou sentidos são produzidos mesmo nesse momento da recepção, por mais que os emissores das mensagens pretendam controlar os significados e, assim, manipular os receptores. Durante muito tempo, os intelectuais desprezaram essas resistências, esses desvios produzidos pelos subalternos. Durante muito tempo, os “iluminados” se outorgaram o papel de definir o que é melhor para a “massa ignara”. Durante muito tempo, esses “iluminados” desprezaram as soluções e arranjos elaborados pelas massas para lidar com a falta e a opressão cotidianas. Os “iluminados” nunca pararam para pensar que “se milhões de pessoas trocam um comício por um último capítulo de novela, isso não pode ser considerado um mero equívoco”, como disse outro filósofo francês, Jean Baudrillard. Os “iluminados” nunca repararam que os diferentes grupos que constituem as audiências podem se politizar a partir do consumo de programas televisivos. E só recentemente, no Brasil, pesquisas de recepção derrubaram o discurso dos inimigos da telenovela, que afirmavam que a mesma era um “ópio” que “despolitizava” e “idiotizava” as massas. Pesquisas que deixaram claro como os sentidos que as massas podem produzir a partir da telenovela podem ser mais relevantes politicamente do que imaginam os “iluminados” – os mesmos que, hoje, trocaram de objeto e “demonizam” o BBB. A edição de que participei teve um impacto político-cultural sem precedentes no imaginário popular; e não sou só eu que o digo: no último censo feito pelo IBGE em que apareceu um aumento no nível de tolerância à homossexualidade no Brasil, a principal explicação dos consultados para essa tolerância foi a minha presença/performance/discurso no reality show. E alcançar esse impacto político positivo foi um dos motivos de eu ter me lançado naquela aventura depois de anos dedicados ao jornalismo e à educação superior. Sou um discípulo de Antonio Gramsci!
Quando alguém não tem argumentos teóricos sólidos e fala só a partir do senso comum produzido pela “intelligentsia” de segundo caderno de jornal diário; quando alguém desconhece a maior parte da produção intelectual recente sobre os meios de massa e as novas tecnologias da informação, só pode cair em crítica óbvia e ressentida às celebridades. Graças a Deus não sou celebridade. Já pensou ter de conviver com essa gente não premiada pela vida vibrando contra minha pessoa? Ainda bem que não sou celebridade! E é preciso que a “intelligentsia” de segundo caderno se aprofunde na proposta da Pop Art, para não ler como negativo aquilo que Warhol pensou como algo positivo: a democratização do star system!


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Big Brother Brasil: A era das modinhas fora de moda

Reality show que dispensa definições, ou qualquer tipo de explicação, até mesmo por que depois de conviver arduamente com dez edições do programa, assistindo ou não, não fica difícil saber do que se trata, e até fazer nosso próprio julgamento critico, e na maioria dos casos, pseudo- critico. Em meio a atribulada edição numero onze, e a euforia duradoura dos telespectadores de um programa que já deveria ter morrido a muito tempo, como grande parte dos programas da TV aberta brasileira, ao deparar-se com uma série de criticas aos fiéis e assíduos telespectadores deste audacioso programa do qual merece minhas sinceras condolências, fiquei incomodado com algumas questões em relação ao senso critico, e a definição de cultura por pseudo intelectuais ou pseudo cultos que brotam feito capim pelo meio virtual. Ano após ano, o reality não perde seus fiéis seguidores e matem sua audiência, seus patrocinadores, e muita gente contribuindo com ligações que enchem os bolsos dos nossos queridos empresários da comunicação, mas quem trabalha para isso merece claro. O programa que conta com a falsa sensação de espontaneidade, expõe claramente a manipulação do andamento, ou enredo como queiram, não a toa conta com uma direção que deixa claro os passos dos participantes, estimula divergências, produz em meio a pessoas aparentemente comuns um esboço fictício e insosso de teledramaturgia. Muito provavelmente os pseudo críticos ao lerem o titulo da postagem nem se darão o trabalho de ler o texto todo, por que para eles basta criticar o que já foi criticado por muita gente, usando das justificativas alheias, não precisando então construir seus próprios conceitos. Deve estar na moda fazer criticas aos padrões culturais, as preferências alheias. É modinha? Quem me conhece saberá que meu ponto de vista com relação ao programa é incisivo e consistente no que tange um formato totalmente voltado para a manutenção das condições classistas, reforçando o consumismo, a valorização de sub super heróis, a sexualização banalizada, a divisão de classes, a competição, a corpolatria, dentre vários fatores que são mais que descrédito a qualquer tipo de programa de televisão. Neste sentido, fazer critica ao programa em si me parece justo e direito de quem sabe de sua existência, porém tecer critica a respeito de quem o assiste me parece agressivo, intolerante, soberbo, torpe, e não faz jus a um verdadeiro ponto de vista critico. É justo criticar aquilo que se conhece, aquilo que se conhece muito bem, criticar sem conhecer ao que me consta não passa de puro preconceito, ou seria mero equivoco meu? Eu tenho assistido alguns trechos da edição onze do reality show, e não haveria por que me justificar, porém considero os motivos justos, ou pelo menos plausíveis, ao saber da existência de um transexual como participante, me instigou analisar como a sociedade e a micro sociedade dentro da casa lhe dariam com tal situação. E por mais que eu ache que o programa já deveria estar morto, sempre vejo a possibilidade de aprender um pouco mais com esse tipo de miséria televisiva que expõe o que há de pior na sociedade, o que de certa forma não me parece tão mal assim, expor a sociedade pode ser uma ótima forma de tirar esse véu de fumaça que cobre os nossos olhos. Assim que conseguimos enxergar os pseudo intelectuais, e os pseudo mente aberta, aqueles que acreditam estarem livres de seus preconceitos, e por mais que sofram miseravelmente com o preconceito enquanto vitimas, tornam-se algozes de outras minorias e atacam implacavelmente. Vale lembrar que numa era repleta de novidades excêntricas, onde as preferências variam de Restart a Justin Bieber, de Ursupadora a novela das oito, de cantoras drogadas a ícones teens, de coldplay a calcinha preta, de Fiuk a roupas coloridas, de heterossexuais a transexuais, gostar ou não gostar de alguma coisa dever ser no mínimo respeitado, por mais que seja difícil para você imaginar que as pessoas sejam diferentes e prefiram outras coisas. O que tem que entrar em voga é a alteridade que anda perdida pelo mundo a fora, ninguém consegue se por no lugar de ninguém. Para quem não anda assistindo o reality e finge que anda fazendo algo bem mais útil como ler um livro, e para os que acompanham, encontrei um vídeo sobre transexualidade na infância, só que o vídeo não é para pseudo intelectuais, muito menos para pseudo mente aberta, é para quem tem humildade e generosidade ao tratar do sofrimento do outro, se pondo no lugar do mesmo. 











terça-feira, 11 de janeiro de 2011

NAS CURVAS DA SOLIDÃO


O meu nome não é rei, não é vida bandida, não é estrada, nem avenida
Eu seguia a mais de meia noite, e bebia a mais de 100 por hora
E corria nos pensamentos, lembrava e afogava toda magoa
Eu voltava pra casa, atravessava a escuridão
E resolvia meus problemas, gritando aos 4 ventos
Eu já não estava mais na mesma mão
E o sinal já não era mais vermelho
Mas, eu resolvi parar, pra não seguir chorando
Consentindo com a ilusão
Daquela noite, de todas, foi em vão
Eu amava águas passadas, sobre rodas de uma moto prata
Nas curvas da solidão
Remoia o vazio, na arrancada do motor
Distraído, impulsivo, não é amor, é colisão
É batida a meia roda, meio tanque, contra mão
Já passava da chegada, mas ainda acelerava
Inconseqüente e imprudente
Não vi que aquele sinal aberto, não era certo
Ruas vazias, noite tão fria, mas quente do verão
Ficava na lembrança, amizade de estação
Como a carcaça, da moto pelo chão
Um vai e vem de ninguém
Mais uma garrafa de cerveja abandonada, nas minhas mãos
E ainda temos tanto tempo
Mas o tempo não é infinito, na estrada há perigo
Pra que se ferir sozinho?
Nas curvas da solidão, contra mão.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Decidir-se não neutro.


Existem momentos que pensamos em guardar nos mais profundos e obscuros arquivos dentro de nosso ser. Como o cervo que o menino Gordon  sozinho observa gracioso bem próximo a ele, quando estavam em busca do corpo de um menino desaparecido no filme de Stephen King, Conta comigo. Como ele, nós ou eu, também tento resguardar alguns destes incríveis momentos, não sei se por medo que não se compreenda, ou pelo simples sabor de manter aquilo exclusivamente seu. Eis que me ocorreu uma situação inusitada no dia de hoje, que me remete a uma outra situação do mesmo teor que ocorreu a pouco mais de um mês. Contudo, acredito que eu tenha que explicar antes o que me deixou assim "apurrinhado". Talvez a maioria ainda não tenha percebido a série de defeitos que possuo, mas um deles, talvez o maior, é o fato de se orgulhar de cada um destes defeitos. Explicarei melhor. Trata-se de defeitos que têm uma certa consistência, entendam, não se trata de meros caprichos, birras ou dramas. São defeitos pautados em princípios, que brotaram ao longo dos anos dentro de mim. Um desses "defeitos" é a não neutralidade diante de quaisquer situações inusitadas. É um fato consumado, que já passei a odiar pessoas só de perceber o quão neutras elas são, e isso não tem nada a ver com o simples ato de ser indeciso, é a neutralidade cruel, decidida, escolhida, é quando se acredita ser neutro sem saber, que ser neutro é tomar uma decisão, que é justamente a decisão de não tomar decisão alguma. Visto a minha decisão consciente de jamais me por como neutro em nenhuma questão, então mesmo querendo manter a situação da qual me remeti inicialmente, como uma situação só vivenciada por mim, decidi que talvez expor fosse a atitude menos neutra que eu poderia ter, e não poderia ser diferente, já que este é um dos meus grandes rancores no viés das relações humanas. Deste modo, vamos aos fatos, sendo que um deles ocorreu hoje, quando sai decidido a fazer uma caminhada seguido de uma corrida num bairro novo aqui da cidade, onde algumas pessoas costumam fazer isso, pois sim, eu estou fazendo isso com freqüência, normalmente vou correr no parque do ingá em Maringá, mas como estava sem companhia para isso, decidi ficar por aqui mesmo. Fui até lá, o sol estava terrivelmente quente, latejando na minha cabeça, mas esforçado tentei terminar as três voltas das quais me propus. Na última volta, quando ia pegar meu caminho de casa, e sair do bairro, três meninos numa faixa de 13 e 14 anos, de bicicleta, parados na esquina jogando pedra na parede de uma casa em construção, o que já reparei  não gostei muito das atitudes, continuei e me aproximei, afinal era caminho, e ouvi eles conversando, "Se você pegar ele eu entro", "é a gente entra", e depois de ouvir isso logo deduzi que estavam falando em bater em alguém, mas segui meu caminho, pois percebi que estavam falando de alguém que eu não conhecia, porem, eles me passaram de bicicleta, e um menino vinha descendo em direção contrária, sozinho, do outro lado da rua. Os três meninos o cercaram com a intenção de bater nele, e eu passando ali, do outro lado da rua. Eu me pergunto o que eles têm na cabeça? E respondo eu mesmo, nada. Eles estão pautados numa sociedade que fecha os olhos, que foge dos problemas, que não enfrentam de frente, que deixam seus filhos morrerem por pura covardia, que se fingem de cegos e banalizam a brutalidade indiferentes a tudo, os neutros. O que eles não contavam, é que comigo não meu bem! Aqui não tem neutralidade, e eu jamais ia passar por ali, ver aquilo acontecendo e fingir que não era comigo. Antes que dessem os primeiros golpes, intercedi, apartando a briga, sem violência claro, só chamando a atenção deles para como se deve resolver os problemas sem brigar, mandei cada um para um lado e fui embora, coisa boba, sim, mas quantos fariam isso? Não tô dizendo para a negada em massa sair por ai se metendo em briga, é necessário ter a perspicácia, a sensibilidade de saber que é possível e indispensável a sua interseção, e então agir. Assim, me reporto a outro fato, que ocorreu comigo no dia que fui levar minha mãe ao médico. Bem fiquei a esperando no lado de fora do trabalho dela, sentado na minha moto, ela estava demorando, foi quando notei uma senhora que vinha do outro lado da rua, virei o rosto, abaixei a cabeça, a senhora já tinha passado, quando levantei os olhos ela vinha próximo de mim do sentido oposto como num passe de mágica, e olhando profundamente nos meus olhos. Ela disse: "Você acredita em Deus né?" e eu respondi que sim, e ela prosseguiu - "Jesus te ama e você sabe disso, eu estava do outro lado da rua, e senti que tinha que te dizer isso, e por isso estou aqui, porque eu DECIDI, que sempre quando eu sentir a necessidade de dizer isso alguém, não importa quem, nem o lugar, nem a vergonha, eu vou dizer", e disse mais - "Coisas muito boas vão acontecer na sua vida, eu sei que esta sofrendo no momento, mas Jesus vai mudar a sua vida, e não estou levantando nenhuma bandeira de igreja, por que o que importa é dizer que Jesus te ama". Nesse sentido, eu me senti tão sem palavras, mas tão agraciado de estar ouvindo aquilo, por que de fato, da mesma forma inusitada como ela apareceu, ela também desapareceu, como num passe de mágica, e isso foi real. Ela ter tomado aquela atitude, para alguns pode parecer tão banal, mas eu achei tão significativo, tão importante. Ela decidiu, que não iria ficar neutra as questões que ela acredita, e aquilo foi admirável, e provavelmente eu nunca mais verei aquela senhora na minha frente, foi uma experiência unica. Dali, minha mãe apareceu e saímos direto para o médico, e até então não havia contado isso para ninguém. E nesse viés, foi que eu DECIDI  relatar tais acontecimentos, que a principio parecem tão irrelevantes, mas que podem sem que eu saiba serem muito significativos para outras pessoas. E assim, mantenho esse defeito do qual me orgulho muito, o de não ser neutro.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...