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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

V EBEM


Apresentação

O EBEM – Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo – é um encontro de âmbito nacional que tem por objetivo possibilitar a discussão entre investigadores, professores, estudantes, militantes dos movimentos sociais e os diversos núcleos de pesquisa no país que abordam o tema da educação na perspectiva teórico-metodológica do materialismo histórico.
Dando continuidade aos encontros anteriores, temos a satisfação de apresentar o V EBEM, sob o título “Marxismo, Educação e Emancipação Humana”, organizado por pesquisadores e professores da Universidade Federal de Santa Catarina, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Ciências da Educação e ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. O Encontro acontecerá em Florianópolis, no campus da Universidade Federal de Santa Catarina, nos dias 11, 12, 13 e 14 de abril de 2011.
Esta edição do evento contará com espaços de reflexão distribuídos entre diferentes mesas temáticas. Também acontecerão apresentações de trabalhos, que serão inscritos mediante submissão de resumos.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Brasil e suspense?

A mini série global, que passa apenas uma vez por semana, carregada de suspense, com a atuação unica de Selton Melo e Juca de Oliveira, dentre outros, que se entregam ao estilo noir, em uma intrigante história do autor João Emanuel Carneiro. De fato, nunca imaginei que uma série brasileira tivesse este potencial de imagens, de enredo, de suspense. A história gira em torno de uma cidade que cresceu com as minas de ouro e em nome de uma membro histórico desta cidade, José Silvério, que explorava minas, e negros, de forma violenta e brutal, sempre passando por cima de todos para conseguir o que queria. O impressionaste é que O enredo se passa em dois grandes momentos em Diamantina. Há dois ambientes paralelos:  um que  acontece no século XVIII e outro nos dias atuais.. O jovem Dimas volta para sua cidade depois de estudar medicina em São Paulo e ter sido internado também com problemas psicológicos, em busca de uma chance no hospital da cidade. Quando chega na cidade muitos acontecimentos do passado são resgatados, a morte de um amigo de infância do qual foi acusado durante muito tempo, e logo os comentários rondam a cidade. Uma estranha mulher Edelweiss o procura, dizendo que ele lembra o Otto, um antigo médico da cidade que ficou famoso por praticas de curandeirismo, e já morreu. A mulher diz que ele tem que curar ela, ele convencido de que algo estranho realmente esta havendo a leva num lugar longe da cidade e faz uma cirurgia espiritual, daí em diante Dimas fica confuso, e começa a investigar então, a vida do antigo curandeiro, o Otto, e acaba descobrindo que ele foi assassinado pelos poderosos da cidade. Muitas coisas vão se revelando, de modo bem acorrentado e instigante,  e no desenrolar da trama, Dimas acredita ser também um curandeiro, encarnação de um médico que praticava este tipo de cirurgias, mas na cidade muita gente não quer que isso aconteça, pois remete a acontecimentos secretos do passado, porém outros que recebem o beneficio da cura idolatram Dimas, isso cria uma tensão na cidade. Muitas pessoas desconfiam, acham Dimas louco, e assim ele tem que tentar descobrir por que Otto foi assassinado, sem saber que por trás de toda essa rede de segredos, há muito mais coisa que ele poderia imaginar. José Silvério acometido por uma porção de veneno da alma por um índio, vai morrendo aos poucos por uma lepra, e encontra a esperança de sobreviver em um menino curandeiro, o qual ele compra dos pais, mas o menino recusa curá-lo, José então o tortura, de todas as formas possíveis. Paralelo a isto, Dimas descobre que Otto, não esta morto, o que trás grandes surpresas, e uma palpitação muito grande para entender quem realmente são os vilões desta história impressionante, e excitante. São várias reviravoltas no decorrer da trama, confundindo e aguçando a curiosidade dos telespectadores.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

De todos os dias estes são os piores



Nos últimos dias eu tenho acordado com poucas expectativas, e isso se estende em grande a parte as pessoas, ao mundo, as atitudes, aos laços. Há muito tempo que tanta coisa havia deixado de ser problema, há muito tempo que eu aprendi a ser quem sou sem temor, há muito tempo aprendi que basta ter em quem confiar e tudo se torna tão mais simples e enriquecedor. Há um bom tempo eu tenho aprendido tanto na vida, sobre mim, sobre as pessoas, sobre o mundo. Entretanto, o que pensar quando tudo o que se aprende não supera a realidade se despedaçando na sua frente? O que fazer quando não se encontra mais um alicerce, uma base, algo sólido. Sim, o que fazia tanto sentido torna-se vazio, uma imensidão de nada. Mas por que pessoas um dia preenchem de forma tão intensa, por que o mundo te deixa na mão, com suas expectativas, com seus planos? 


Hoje eu acordei e procurei tentar entender o que esta havendo, dei play numa música animada "All the lovers" corri lá fora, e achei que ia encontrar um belo sol, achei que ia abrir os braços e respirar profundamente, e renovar minhas energias para uma nova jornada, mas não, a chuva era intensa, trovões, relâmpagos e muitos ventos. "É isso!" eu pensei, é dessa realidade que eu estou falando, é desse jeito que as coisas tem de darem sempre erradas que eu nunca me acostumo. Um dia você acorda contente com o seu trabalho, depois de ter feito tudo com tanto amor e tanta dedicação, observa que o dia tem tudo pra dar certo, o céu límpido, e uma brisa encantadora, eis que já se precipita um demônio e lhe diz que depois de tudo teu lugar não é mais ali, que a partir de então estas a disposição. E eu lhe pergunto, a disposição do que? Do desemprego, da ilusão, dos péssimos inimigos ao meu redor? Mas ainda não acabou, muita coisa ainda há de acontecer, ainda há de esperar o conforto, a sensibilidade, e o que recebe? A indiferença, a desconfiança, a infidelidade, a troca.

Hoje eu acordei, e já não eram mais as mesmas coisas de ontem, já havia perdido a segurança, os planos e a vontade de lutar que adquiri com tanto esforço, para assim tão subitamente ter que voltar a estaca zero. Mas isso não basta, ainda me vi no espelho, e não consegui me encontrar, lá só restava alguém distante, alguém com quem perdi o contato a muito tempo, mas que voltou a me assombrar. O orgulho de não ser nada nem ninguém. e no fim de tarde desse mesmo dia eu dancei "all the lovers" , sim eu rodei a casa toda, e ela estava vazia em todos os cantos, em todos os móveis, em todos os retratos, em todos os livros, e eu chorei, chorei por que esse dia não existia de verdade, e nunca existiu, foi sempre uma criação inconsciente e inesperada da minha mente. 

Hoje eu acordei com esperança, se me dissessem apenas um signo de amizade, eu reviveria tudo em segundos como se nunca houvesse tido barreiras. Eu teria voado se fosse preciso, eu aceitaria tudo, e esqueceria tudo. Hoje eu encontrei em vários lugares do mundo vida, vida como a minha, pessoas como eu, e me animei. Contudo, elas não eram reais, existiam apenas na TV, nos Twitters, só na minha cabeça, bem como sempre foi. A culpa foi minha de fazer do amigo imaginário, algo tão real a ponto de conseguir tocar.




quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Acabou o romantismo



Por Pedro Nechiling


Hoje acordei triste. Uma tristeza profunda e seca, daquelas que tiram as cores do dia por mais belo que ele amanheça como amanheceu hoje no Rio de Janeiro. Uma vontade de ficar quieto e não me mexer, nenhuma vontade de falar ou sorrir.
Compromissos marcados, pendências importantes, nada pude fazer que não me atirar da cama e partir pra luta. E num esforço tremendo para não sucumbir, consegui encerrar o expediente de funções a cumprir, acompanhado o dia inteirinho por essa melancolia azeda no peito.
Agora há pouco, enquanto dirigia de volta pra casa, me peguei pensando que não está legal o mundo em que vivemos. Simples assim. Tenho 28 anos e me assusta pensar que não vivi tanto tempo assim para me sentir tão nostálgico e anacrônico quanto me sinto hoje. Tenho de verdade a impressão que quando era criança, e isso não faz nem duas décadas completas, vivíamos em outro mundo, muito mais leve e alegre. Onde ser feliz era mais viável. Havia mais romantismo no ar.
A cada dia que passa, a cada notícia que leio, a cada nova tragédia cotidiana que nos assalta, tenho a sensação de que estamos caminhando para o fim do romantismo e, por favor, não tenham uma leitura simplista do que defino como romance. Não estou me referindo a relacionamentos amorosos e afins. Mas sim a uma leveza, um savoir-faire, um jeito mais delicado de encarar a vida.
A humanidade endureceu muito nos últimos tempos. Numa reação em cadeia, do macro ao micro, nos tornamos mais isolados e reprimidos, olhamos menos para o outro, gerando uma sociedade cada vez mais dividida e desigual, desunida e assustada. Sinto falta de uma época onde coisas simples eram de fato mais simples, onde pequenas transgressões inofensivas do dia-a-dia não tinham consequências trágicas, de menos paranóia generalizada, de menos violência ao próximo e mais amor.
Estou cansado de ver gente morrendo à toa, de assistir um bando de seres cada vez menos humanos tendo atitudes inconcebíveis e as julgando normais, acreditando de verdade que no final poderão rir da cara de todo mundo. Estou cansado de ver gente assim rindo da cara de todo mundo no final. Estou farto de agressividade gratuita no dia-a-dia como se isso fosse tolerável e normal. Da falta de respeito ao direito e às escolhas de cada um. Estou de saco cheio dessa pretensa comédia que não tem a menor graça.
Precisamos agir. Mais do que nunca as atitudes de cada um em prol do coletivo se tornam fundamentais para mudar o curso esquisito que caminha a humanidade. Só nós mesmos, a cada segundo, em cada atitude, a cada escolha, podemos com serenidade preparar um futuro mais bonito do que os dias estranhos que temos vivido, com mais tolerância, carinho e respeito. Com mais romantismo. Porque do jeito que está não está legal.  Hoje eu acordei triste. E vou dormir triste também. Mas não quero deixar de acreditar num amanhã melhor.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições 2010: o Bolo fecal da democracia

 E mais uma vez a constatação de que toda maioria é burra, de que toda maioria é justamente a massa que faz desse bolo um enorme bolo fecal. Não vou defender nenhum candidato a senado, a deputado a presidente, por que longe de mim ir contra a maioria, a absoluta maioria, que torna minha vida cheia das desgraças de uma sociedade regrada pelos ideais burgueses. Não posso ir contra uma maioria que tornou minha vida parte de um país miserável, imerso na pobreza, das coisas e da alma. Como reclamar de uma maioria que tornou a política um programa humorístico de televisão, que dá plenos poderes para os patrões continuarem a exploração dos trabalhadores? Francamente, quem sou eu para ter algum direito de escolha no país que se orgulha de uma falsa democracia, de uma pseudo liberdade, onde escolher é justamente optar pelo que lhe é oferecido, mesmo sendo o que há de pior. Como se opor a uma maioria que sabe muito bem como protestar, votando em ícones da comédia pastelão, como se fosse realmente demonstrar alguma forma de resistência. Eu tenho mesmo é que agradecer por continuar a mercê das mazelas dos donos do capital, pelos donos das industriais, pelos donos dos pedágios, das multi nacionais, pelos donos da comunicação, pelos nossos donos, que a cada eleição sabe bem como nos por as coleiras, e manter este véu que cobre a realidade, mesmo sendo um véu transparente, ainda sim, o cão sem dono covarde com medo de perder o osso, mantém o capital aos capitalistas, vitima dos paradigmas. É o país onde o homem aprende desde cedo a votar, por que precisa ser um cidadão, contudo é o país que não precisa de educação, que não precisa de cultura, que não precisa saber as verdades, basta saber contar até dez, e diferenciar algumas cores, verde, vermelho e branco. É disso que se precisa para que a mais pura e mais falsa democracia possa se realizar. Vamos ser democráticos, chamem os índios analfabetos e excluídos de todos os seus direitos primitivos a elegerem, a contarem como volume nas eleições. Venham nordestinos vitimas da pobreza, essa é a hora de mostrar que são parte do Brasil, sim, quer melhor momento que esse, o de por alguém no poder, que não te representa, e que vai continuar a te explorar, lhe pondo cada vez mais a margem da sociedade, engorde este bolo fecal. É dessa maioria que eu deveria me sentir orgulhoso? É deste país que deveria me sentir parte? Não posso me orgulhar de uma maioria conservadora dos costumes alheios. Não posso me orgulhar de uma sociedade desarticulada e conformada. Venham vocês também que não fazem questão de saber de política, é desse tipo de gente que os donos do capital gostam, assim o bolo aumenta mais e mais. Não vou dizer que brasileiro é burro, pelo menos não por que quer, é burro por que querem, sim, entendam, que nos fazem burros, entendam que político nenhum quer dar educação para a massa, entendam que a precarização da educação é proposital, pois é muito mais fácil manipular uma massa sem massa encefálica, que pessoas cultas, detentoras do conhecimento sobre a economia política, sobre o desenvolvimento da sociedade, sobre a história, sobre tudo. Essa condição de classes médias, classes médias altas, classes altas, é que cegam totalmente esta paisagem de desigualdade, de anti democracia, e nos tornam pessoas sem consciência de classe, nos pondo uns contra os outros, sem jamais notar, que nesta briga, existem apenas dois lados, os donos do capital, e os explorados por eles, seus escravos por opção. Eu realmente não posso propor soluções, mesmo por que, quem sou eu, para resolver o problema de uma maioria que já tem dono. Deixo então a ponta do véu levantada para que tirem as próprias conclusões, e quiçá não serão mais parte deste bolo fecal que chamam de cidadãos exercendo seus direitos.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Reluzir de felicidades

De verdade, eu não quero saber da tua nova vida, eu quero saber de mim e do meu egoísmo senil. Sim, eu já estou velho demais para viver do seu lado. É como se fosse um sapato com a sola gasta, que não te traz o mesmo conforto. Eu sei bem como é cansar de coisas velhas, e sei melhor ainda com é o reluzir de algo tão inovador em nossas vidas. Sei por que já senti isso ao teu lado. Mas tudo bem, eu acho que já fui feliz o bastante, quanta gente há de ser feliz por aí, acho que é vez de outros sentirem o que eu tive o prazer de sentir um dia. E fique tranqüilo, se é que em algum momento preocupou - se, pois enfim, eu estou muito bem. É a serenidade de quem sempre soube que toda felicidade um dia acaba, eu sei, por que felicidades vêm e vão, não dá pra segurá-la como tua posse por toda a vida, mesmo que pareça a principio difícil deixá-la ir assim, sem lutar. Mas não há de se lutar contra a felicidade dos outros, nem contra a sua própria, é preciso deixar que as coisas caminhem com naturalidade. Não adianta pedir às pessoas que não mudem, pois até você vai mudar um dia. E se a felicidade parece estar tendo um fim para mim hoje, muito provável este fim vai fazer parte da tua vida um dia, ou você ainda acredita que a felicidade é infinita? Se nem o tempo que desperdiças esquecendo-se da felicidade passada é infinito. Sim, eu não fui somente, também soube fazer feliz, contudo o fim é o melhor começo, muita gente por aí precisa da nossa felicidade, e por quais caminhos tu vais, que estes não serão os mesmos que os meus, pois restringiria a harmonia a um único ciclo. E é desta harmonia fatigante que estamos cansados não é? Não, eu jamais me cansaria da felicidade, não é isso, eu quero dizer que eu entendi o que tem realmente que ser feito. É como amar alguém que não te ama, e saber que ser feliz é vê-la sendo feliz mesmo que longe, mesmo amando outro alguém. Não, eu não quero saber do teu agora, por que o teu agora é reluzente demais, e ofusca o meu brilho, e duas estrelas não podem competir o mesmo céu, por mais que o céu pareça infinito, não, a felicidade não é. No entanto, há sempre felicidade em algum lugar, como sempre se encontrou, elas simplesmente nunca serão as mesmas. Nem eu, nem você podemos voltar ao ponto inicial. A felicidade não esta mais lá, e hoje me sinto melhor sabendo que ela não terminou em ti, que saberás desfrutar dela em outros caminhos, só não a desperdice pensando ser infinita, ela acaba assim que outras felicidades reluzirem e te ofuscarem. 

sábado, 25 de setembro de 2010

Quais são as palavras que nunca são ditas?

Tudo o que eu preciso é de uma conversa, sabe. Não dá mais pra guardar estes sentimentos dentro de mim. Eu preciso dizer que eu ando me sentindo mal, e que em meio aos livros, textos e obrigações do dia a dia, eu ando buscando uma fuga. Eu preciso dizer que eu me sinto traído, e que tudo isso vem me fazendo mal. Eu preciso dizer que tenho me sentido só, e sem vontade de lutar. Eu preciso dizer que tenho me sentido cansado das pessoas, por mais que eu as ame. Eu preciso dizer que tudo isso, que toda essa angústia me persegue todas as noites antes de dormir, mesmo tentando esquecer. Eu preciso dizer que eu não estou distante, mas sim no lugar onde me puseram. Eu preciso dizer que estou com medo de um dia não mais enxergar, minha visão anda cada vez pior. Eu preciso dizer que tenho medo de projetar até o último dia, sem que nada aconteça de verdade. Eu preciso dizer que eu ensaio todo dia o “eu te amo” que eu queria dizer a tanta gente. Eu preciso dizer que eu nunca me dei bem com as tecnologias, eu sempre estrago tudo. Eu preciso dizer que meu sonho mais puro, é ter uma câmera nas mãos e sair filmando os recortes da vida por aí. Eu preciso dizer que eu adoraria ganhar dinheiro com isso. Eu preciso dizer que o que eu mais gosto, é sentar-se em baixo de uma árvore e rever velhos álbuns de fotos. Eu preciso dizer que nos meus sonhos o que eu mais gostava era os em que eu voava. Eu preciso dizer que eu ainda não compreendi minha missão neste mundo tolo. Eu preciso dizer que as pessoas fazem, falta quando estão distantes. Eu preciso dizer que me lembro bem dos amigos da quarta série, e dos teatros que apresentávamos nas outras turmas. Eu preciso dizer que eu já acreditei em mim, e que hoje me sinto uma eterna dúvida. Eu preciso dizer que tenho medo de envelhecer, e que os dias estão passando rápidos demais. Eu preciso dizer que acredito em Deus, mas não acredito na igreja, ela é feita de homens. Eu preciso dizer que meu maior defeito é o orgulho, matei vários sentimentos com isso. Eu preciso dizer que odeio me olhar no espelho, mas adoro tirar fotos. Eu preciso dizer que todos os momentos estão guardados no meu peito, mesmo que nunca mais se repitam. Eu preciso dizer que não sou frio, nem seco, apenas não sei demonstrar em gestos o que sinto. Eu preciso dizer que odeio sentir-me observado, e que odeio chegar sozinho em algum lugar cheio de gente. Eu preciso dizer que, várias vezes sonhei viajar, mas sempre perdia o ônibus. Eu preciso dizer que eu quero muito ter um jipe. Eu preciso dizer que tenho medo de dizer quem eu sou, mas não me envergonho disso. Eu preciso dizer que ando ouvindo pouca música, que ando rindo muito menos, que ando com vontade de dormir para sempre. Eu preciso dizer que eu cansei das paredes pretas do meu quarto. Eu preciso dizer que eu queria ser mais presente com as pessoas que eu amo. Eu preciso dizer que eu adoraria trabalhar se não fosse mera obrigação, se não fosse mera subsistência. Eu preciso dizer que eu não acredito em coincidências, mas que elas são incríveis quando frente aos nossos olhos. Eu preciso dizer que minha felicidade oscila, e que eu escrevo muito mais quando infeliz. Eu preciso dizer que eu gostaria de receber todos em casa freqüentemente, porém isso não acontece. Eu preciso dizer que adoro atenção, me faz sentir vivo. Eu preciso dizer que eu não queria uma parede frente à janela do meu quarto, queria um campo verde. Eu preciso dizer que eu penso muito antes de fazer qualquer coisa. Eu preciso dizer que eu já quase morri afogado, que um amigo me salvou, e que antes disso um cachorro tentou me avisar. Eu preciso dizer que minha sensibilidade é muito aguçada, e percebo nos olhos das pessoas o que esta se passando, mesmo muitas vezes não interferindo. Eu preciso dizer que eu tenho mil coisas a dizer, mas sei que nunca me ouviriam.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Juvenile



Juvenile

Esta é uma história sobre sonhos, mas não são sonhos comuns, na verdade eu queria falar de sonhos que por tanto tempo foram os motores frustrados de uma vida. Eu realmente queria falar de sonhos, mas o que realmente me faria feliz, seria ser capaz de vivenciar cada minuto dos mais tenros sonhos dos quais hoje não passam de um mergulho profundo, num mar desconhecido e escuro. Hoje eu queria não precisar lembrar-se de nada, hoje eu queria mesmo era não ter saudade de nada, hoje eu queria mesmo era não falar de sonhos. Eu preciso entender que sobre sonhos eu nunca soube nada, sobre sonhos eu só sonhei, sobre sonhos pouco soube como tratá-lo, e deles me fiz assim, tão vulnerável quanto uma embarcação a deriva no meio do oceano. Eu preciso entender de uma vez que de sonhos me sinto farto, que sonhos me doem, que sonhos me fizeram só, que sonhos me fazem chorar feito uma criança perdida dos pais. Sonhos sempre me fizeram observar o quanto tudo esteve tão distante, sonhos me tiraram todas as possibilidades, me tornaram seco e duro comigo mesmo. Sonhos lindos, sonhos de um marasmo hipotético e humilde sonho de sonhar sem culpa. Sonhos me fizeram sem chão, me fizeram covarde e descontente comigo mesmo, me fizeram menor. Sonhos me fizeram perder-se em um mundo desconexo, pouco visitado pelos vivos, pelos seres reais. Sonhar é o que me fez admitir o quanto perdido me encontro, o quanto inseguro, quanto nu e tremulo repouso em minha própria casca indissolúvel. Foi num sonho em que me transformei, foi no sopro de subjetividade que planei desgovernado rumo, aos mesmos sonhos, reduzido a imaginação, a um querer maior que eu. Os sonhos se tornaram gigantes, maiores que eu mesmo, me engoliram, me fizeram solitário, amigo dos meus próprios desejos incompreendidos. Hoje ao fechar os olhos eu percebo que é de um querer que eu vivo. É de um querer sentir tua voz sussurrando aos meus ouvidos, é querer ter do meu lado pela eternidade, é querer acordar noutro lugar, é querer ser que nunca se foi, é querer não precisar mais sonhar. Mas só nos sonhos me vejo livre de mim mesmo, só nos sonhos consigo fugir, e é justamente disso que tenho medo, de me acostumar a fugir, de não querer mais acordar. É deste corpo que quero me desapegar, é desta carcaça que quero me desprender. É o medo da insanidade ao não conseguir mais identificar sonho de realidade, mas a cada sonho, a cada olhar no espelho, a cada reflexo, tão próximo de estar mais longe de todo esse sonho, de toda essa vida, da qual nunca fiz realmente parte. É dessa história de sonhos, que sinto a cada ato, cada palavra, cada pensamento, cada desejo não passa de sonhos. De sonhos que se tornam inalcançáveis à medida que a realidade me faz sonhar mais e mais, pra esquecer. Pra esquecer-se de toda essa vontade boba de ser feliz.

sábado, 4 de setembro de 2010

Do cais

Quando existe amor, quando existe a liberdade de mudar de amor, existe a possibilidade de dor. Quem é deixado de lado pode sim ser feliz, mas sua felicidade jamais será a mesma de quem o deixou. A sensação de traição, o sentimento de que tudo o que lhe foi dito pode ser nada mais que mentiras. É como do cais observar distante em alto mar o navio, do seu amor, junto de outra pessoa. Tendo como companhia somente a brisa do mar sobre o rosto. É desesperador imaginar que a todo o momento se corre esse risco, daí a vontade de desistir, o medo de começar de novo, é o medo de perder de novo. Quando nesse ponto, a reflexão sobre o que se viveu, sobre os fatos é inevitável. Pensar nas possibilidades de ter sido diferente, só se torna mais dolorido. É preciso tornar tudo isso nojento demais, para diminuir a sensação de perda. É preciso transformar o amor em ódio, diminuir o valor daquilo que não mais te pertence, para que se tenha tranqüilidade e desprendimento. Tem que trazer na mente, todas as outras experiências, para não perder o chão de vez. Não se trata de sequidão, ou indiferença, trata-se de necessidade de viver em paz, e para tanto, de alguma maneira é preciso deixar para trás, Terás vontade de brigar, bater, gritar, mas a sensatez não permitirá, de certo fará apenas o silêncio, deixando que se cumpra o que já esta escrito. Palavras neste momento só tornarão tudo mais denso para quem sempre se entendeu pelo olhar, palavras não dizem tudo o que um coração sente, muitas vezes camuflam verdades que seriam duras demais. Por isso do cais só resta observar o afastar do navio lentamente, até que ele se perca no horizonte. Triste é saber que quando voltar ao cais, já não estará mais ali, esperando.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Visão


Corria de fronte ao vento num percurso retilíneo e incerto, para o fim. Eu quero que os carros, o sol, as pessoas, as folhas das árvores quero que parem lentamente, paulatinamente, quero sentir o gosto amargo do sangue nos lábios, sentir uma nuvem nos olhos, o anel rolando ladeira a baixo, o tênis fora dos pés, os livros pelo chão e o corpo num frisson gélido. Quero sentir o mundo girando lentamente, como se o tempo tivesse parado ali, pra prestigiar minha última cena. Quero mesmo caído, respirando com dificuldades, olhar ao redor e perceber todos se aproximando desesperados, mas como em filme, como num efeito de cinema, devagar, pouco a pouco. Quero que toda minha vida passe em meus olhos, cheios de lágrimas, ansioso para o fim. Eu quero uma música, de melodia suave, clássica, com uma voz amena, dormente, que vá me deixando fora de mim, que tire meus sentidos sem que eu note, quero meus olhos abertos e trêmulos até o fim, quero virar o rosto pro lado e ver os destroços, toda a lataria e a fumaça negra cobrindo ao longe a última cena, eu quero uma pequena dor, pra entender que acabou, e quero chorar arrependido por tudo que deixei para trás. Eu quero o sol queimando pela última vez minha pele, escaldante no asfalto, quero no fim de tarde, no último por do sol, quero olhar os rostos curiosos, desconhecidos e desesperados, quero ver os carros parando, sentir meu coração aos poucos me deixando ao longe, como quem se despede pela última vez, quero estar olhando pro céu, quero ele azul, sem nuvens. Eu quero as vozes desconhecidas se misturando, e quero que me venha à mente as vozes amáveis, saudosas, e que pouco a pouco somente a música ganhe volume, quero sentir dentro de mim a melodia me levando pro último dia de sonho, eu quero a brisa sobre meus olhos, e minha pele rasgada em vermelho, eu quero assim, que o tempo pare, sem linha divisora, como um leve e suave sono, sem corpo sem nada.

domingo, 29 de agosto de 2010

Mídia e eleição: Guerra de fantoches



No tocante das eleições se torna desagradável ter que escolher, e ter como encargo decidir quem será responsável por nós mesmos. É realmente nauseante parar pra pensar, discutir, refletir, ou levar provocações aos alheios a tudo isso, na tentativa de que todos enxerguem além do que lhes mostram. Plínio já comentou sobre a desigualdade entre os candidatos a presidência promovida pela mídia no debate que se efetuou na Rede Bandeirantes de televisão. Sentiu-se injustiçado ao perceber que a ele poucas questões foram direcionadas, menosprezando sua capacidade de resposta, e todo seu empenho em estar ali como um candidato, nesse sentido pouco teve chance de participar do debate, mesmo estando lá de corpo presente, o que demonstrou bem o quão a ideologia capitalista se move se articula pra se manter o poder aos neoliberalistas, de modo a cooptar indiscriminadamente valores de uma sociedade igualitária e verdadeiramente justa. Fazendo analogia a minha época de colégio, percebo o quão a palavra popularidade se faz presente no meio político, qual seria o significado disso, e qual a importância disso? Lá na escola, popularidade deixava em destaque somente os nomes dos mais populares, enquanto aos “não populares” só restava falar dos populares, não obstante, nessas eleições percebe-se algo comum, como uma guerra de popularidade entre aqueles que a mídia e mais ninguém decidiu que por bem seriam populares, seriam importantes. Mas oras quem deveria decidir isso? Que “democracia” mais furada. E mais uma vez remeto a falsa liberdade arraigada como verdade absoluta aos nossos olhos inocentes. Será que somos realmente nós que estamos escolhendo os governadores do nosso país? Eu tenho absoluta certeza que não. Somos vitimas de uma estratégia ideológica, carregada de valores distorcidos, que primam pelos privilégios próprios, e pela manutenção da propriedade privada. Lula na busca incessante pela vitória decidiu por tentar conciliar as classes, decidiu injetar dinheiro publico em universidades privadas, mas ele sabe que é justamente a divisão de classes que mantém a miséria da sociedade, que por excelência faz parte do modo capitalista. Hoje muitos eleitores espalhados por ai, talvez nem saibam da existência de partidos como PSTU, e de candidatos a presidência como Zé Maria, que até onde sei, tem origens muito parecidas com a de Lula. Seria uma segunda chance de não se submeter à burguesia? Eu acredito que sim. Mas por que não se tem o mesmo espaço na mídia? Por que o horário gratuito não dá o mesmo tempo de propaganda eleitoral a todos os candidatos? Por que beijo gay ganha tanta polêmica? É o maldito conservadorismo “fim de carreira” a qual estamos submetidos. E conservadorismo, diga-se de passagem, não é o que muitos imaginam ser, como conservar um tênis ou uma camiseta, estamos falando de conservar o poder nas mãos de quem já o carrega há muito tempo, falamos de conservar a população ignorante, e miserável a ponto de não conseguir revoltar-se contra a burguesia, e por isso digo, não é a toa que candidatos como Zé Maria não tem imagem promovida pelos meios de comunicação que representam a burguesia claramente. Seria distribuir armas aos inimigos. Essa guerra centralizada entre Dilma e Serra é algo tão superficial, e nauseante que me pego a pensar como a população não é capaz de regurgitar mesmo que inconscientemente uma revolta de verdade, no sentido de saber que por serem dois fantoches burgueses no topo da popularidade, é claro que nada vai mudar, é claro que os miseráveis continuarão na mesma situação. Vamos nos dignar a não estar contentes com meia dúzia de soluções paliativas que os candidatos dizem ter promovido. Eu voto em cortar as cordas que articulam esses fantoches, eu voto por mudança concreta e pela visão esclarecida sobre os fatos.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A orla e o redentor







Deixa como esta, seja como for O tempo vai passar, e vai levar o tempo e a dor Eu vou escrever na orla meu amor O nosso nome, pra não perder O codinome e o redentor Eu vou marcar presença caso for Perder a voz e a ilusão Perder o amor E a solidão Tanta coisa deixa pra depois Quando for samba, quando for Deus que te chamou Eu vou escrever na orla meu amor O nosso nome, num coração O nosso nome, pedir perdão Seguir em frente Com emoção E ter em mente Que a vida é dor Vou descer o morro meu amor E se preciso, eu vou além Não digo nada, eu digo vem Eu vou escrever na areia o nosso amor Mas veio o vento e dissipou O que há por dentro é o que restou Eu vou escrever na rocha meu amor E vão dizer: É pichação! Eu digo não, vivo da arte de ser feliz Mas vem a onda e leva tudo O que um dia eu sempre quis Oh Deus! Obrigado meu senhor! Pelos desejos e omissões Eu to perdido em orações Eu vou escrever na mão do meu senhor O nosso nome no redentor Braços abertos, enquanto for E no dia que o nosso senhor disser amém Juntar as mãos Agradeço o Cristo redentor Juntou pra sempre, o nosso amor.






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Quem canta seus males espanta - Levei ao pé da letra.

Introdução





Existem vários tipos de escritores, os bons, os ruins, os técnicos, os literários, os amadores, dentre outros. Quando nota-se não encaixar-se em nenhuma das alternativas, busca-se a auto-afirmação e a identificação com o resto do mundo, afinal de contas, escrever, por mais secreto que possa ser, no seu intimo possui um desejo de ser revelado, de ser lido. Escrever se acomete de uma ansiedade leviana em que qualquer ser humano, normal ou anormal alfabetizado, deliberadamente pode se submeter, no anseio de expor suas idéias, que por mais estapafúrdias, para o escritor sempre são dignas de serem lidas O que de fato não torna o escrito algo de interesse global, universal, ou seja lá qual amplitude. Não ser um escritor ou compositor de renome provavelmente será um tremendo obstáculo para os provincianos escritores de meia pataca, sendo assim, estes tendem a se auto promover, diga-se de passagem, que isso nos dias atuais tornou-se “mel na chupeta”, visto o desenvolvimento das tecnologias, da informatização, e do fácil acesso a tudo isso. Em tempos de Twitter, Orkut, Facebook, Formspring, Blogs e Web Menssenger, todas as nossas preferências, e todas as nossas opiniões estão sendo disseminada pelo meio virtual. Concomitantemente pelo meio real, o qual não se desvincula do primeiro em momento algum, a não ser no imaginário individual. A autopromoção demanda todos os tipos de artifícios, desde vídeos super criativos expostos no You tube, até status de Orkut, o que interessa é aparecer, é ocupar o seu espaço, é deixar o seu recado, pois quanto mais pessoas souberem da sua existência, maior a probabilidade de se tornar um escritor, ou seja, lá o que quiser ser, com o respaldo do povo. E já que a vida se tornou um grande palco de caça talentos, por qual motivo não tentar a sorte? Eis que despretensiosamente me tornei dono de um blog pouco visitado, pouco comentado, pouco interessante, porém, este apresentava o supra-sumo das minhas miseráveis capacidades de escrita, que não se desenvolveram pelo bom leitor que fui, muito menos pelo cérebro privilegiado, e talvez ainda não se saiba bem de onde partem tais idéias, o que ressalto sempre é que escrevo pela indignação que muitas vezes é motivo de inspiração, e que muitas vezes na falta de um bom ouvinte, acabam por serem transcritas sorrateiramente no humilde Blog. Este modo desregrado, desprovido de técnicas e sem a obrigatoriedade do politicamente correto me proporcionam justamente algo que em poucos momentos sou capaz de sentir, o prazer. O prazer de se expor, de ser ouvido, e de ser levado a sério, que não existem, ou não acontecem no mundo real, são alcançados neste mundo paralelo onde vivem os blogueiros com ou sem objetivos. É neste diário indiscreto que todos os meus ódios, anseios, inquietações e toda a falsa liberdade que tenho podem ser expostas. Regurgito por que dentro de mim, tudo isso me faria doente, me mataria em poucos dias. 

sábado, 21 de agosto de 2010

Potpourri


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A história vai ganhando uma cor meio cinzenta, um rumo meio torto, um desfecho de puro dissabor. “Eu sei que tanta afinidade assim, só pode ser bom”. Esta mesma afinidade é o nó desatado, que se amarra a destinos opostos “me despeço dessa história e concluo a gente segue a direção que o nosso próprio coração mandar, e foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá...”. Daí que vislumbro que toda história começa pelo fim, e que todo fim aponta um recomeço, sem os mesmos sorrisos, sem a mesma cumplicidade. É quando no infortúnio ouve-se um expressivo “Era o que eu imaginava!”, “Mas em toda história é nossa obrigação saber seguir em frente seja lá qual direção, eu sei...”. Não adianta cavar o precipício com os próprios pés, o chão vai se abrir antes mesmo que se deseje cair na imensidão, só não se esqueça de deixar a bagagem para trás, pode ser que o peso seja insuportável, e se não puder carregar, meus braços talvez não tenham mais força, meus olhos não tenham mais lágrimas, meus sonhos não sejam mais belos. “A sós ninguém esta sozinho”, é a companhia da reorganização, da reflexão, da reconstrução de tudo. É caminhar junto com uma nova velha inquietação onde “eu não enxergo mais o inferno que me atraiu”, insulto a mim mesmo. Regrido. Deste vaso podre, muita vida brotou, muitos caminhos se abriram, mas é de uma planta insípida que estamos falando, nem o pólen, nem as pétalas. Quiçá fosse uma bela tulipa, mas “chorei por ter despedaçado as flores que estão no canteiro”, sem saber, que “as flores de plástico não morrem”, mas de que me servem se não posso senti-las de verdade? Seria tolice manter regando dia após dia uma flor de plástico, seria triste, tão triste quanto pensar que aquela flor de plástico, nunca seria uma flor de verdade. “Cause I'm leaving on a Jet Plane  Don't know when I'll be back agaín”, por que voltar, pode não trazer a mesma história, pode não fazer mais sentido algum para nós, que sempre tivemos tanto em comum. Por isso faça assim como eu que “ só apareço por assim dizer, quando convém aparecer”

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A brisa primeira levou

Sempre tive medo dessa roda gigante, sempre tive medo dessa roda viva. Musicas revelam.

Roda VivaChico Buarque A gente quer ter voz ativaTem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceuNo nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo (etc.)

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo (etc.)

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo (etc.)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A velha xícara e o copo de cristal




Jessé seu menino bobo, de sobrancelhas caídas, de sonhos descabidos. Por que preza tanto pela verdade?
Jessé, era filho de Maria, tinha herdado da tia, da mãe e da avó, o caráter, o rancor, e aquele jeito desengonçado de andar. Jessé tinha medo de mudanças, medo de coisas novas, mas compreendia que num movimento desvairado, a vida não poderia estar sempre no mesmo lugar, mesmo assim ele sofria. Jessé não sabia o que queria, pouco sabia da vida, mas sabia que devia continuar. Muito embora, Jessé em certos momentos quisesse fugir, sair numa viagem longa, rodando o mundo, conhecendo pessoas novas, sem data pra voltar, desabrochando a saudade no peito de quem ali ficar. Jessé não era pro trabalho, ele era da arte, da música, do amor e do conflito. Fadado ao inconformismo, sorria sem graça, quando lhe diziam: “Relaxa Jessé, que a vida é assim como é!”. Ele não poderia acreditar que o mal da vida era sentar, esperar, e aceitar os paradigmas, as verdades que existiam antes mesmo dele nascer. Jessé corria a tarde toda em busca de algo que não sabia bem o que era. Jessé já venderá sorvete, já entregará panfletos de supermercado, já recolheu papel, alumínio e ferro pelas ruas, antes de saber que o trabalho do modo que esta, não traz prazer de verdade. Jessé tinha um semblante raivoso, um olhar agressivo, mas no fundo um menino arredio, com medo de tudo, pequeno inseguro. Jessé de pouco contato, crente nos atos e nas pessoas, procurava sempre expor o que pensa, pena o menino sincero não saber que as verdades são desconcertantes acidentes de preciosidades irrecuperáveis. Jessé no café da manhã, por costume, dobrava uma banda de pão francês, encharcava no chocolate quente, assistindo desenhos batidos, se divergindo da “adulteza” futura. Era criança pois, e deveria agir como tal. Jessé era conhecido também pelo coração sensível, e por estar sempre disposto a ajudar os outros. Jessé se apegava muito aquilo que considerava essencial. Daí o amor por uma velha xícara, presente de sua mãe, de uns dois anos atrás. Cuidava daquela xícara como se fosse sua companheira, uma amiga confidente. A xícara retribuía toda manhã, mas nem parecia, pois de objeto imóvel, inanimado que era, só mesmo na cabeça fantasiosa de Jessé, isso poderia ser real. Durante dois longos anos a xícara acompanhou Jessé pra cima e pra baixo, ela sabia tudo dele, até os segredos mais obscuros, que no fundo eram bem clarinhos, afinal Jessé ainda era jovem demais para tantos segredos. Um dia voltando da escola Jessé notou uma pequena rachadura na lateral de sua xícara, correu a gritar, onde tem cola pra concertar, colava daqui, colava dali, tentando dar jeito naquilo que não dá. Com muito carinho, colocou a xícara no devido lugar. Passou mais um tempo, a xícara rachada em outro lugar, Jessé muito triste, vendo aquilo, naquele objeto que de tanto gostar, ganhou em seu mundo nome e lugar, se dobrou a chorar.
            A xícara frágil, já não era mais digna de confiança, mas Jessé insistia em usar. Na manhã de domingo, num breve sorriso, para não chorar, Jessé descuidado, ao pegar o açúcar, esbarrou levemente na xícara velha, que num sopro suave saltou-se ao chão. Incrível, o tombo trágico, só dividiu a xícara em dois pedaços, a asa e o corpo. Um inseto pousou sobre o leite derramado, e no ímpeto desesperado, Jessé danou a chorar. Tua Mãe, tua Avó, tua Tia, daquilo pouco entendia, Jessé não sabia explicar. Correu com a cola de novo, na tentativa da xícara ressuscitar. Agora por toda manhã Jessé com todo cuidado não sabe como lidar, com tanta fragilidade, daquilo que durante tanto tempo o fez seguro, o fez sorrir. Segurava uma mão no corpo, outra na asa, mas o corpo na alta temperatura queimava seus dedos curtos e sensíveis, e a xícara na mesa tinha que voltar. A velha xícara não era mais como antes, e por mais cola que pusesse, não traria de volta aquele jeito peculiar que um dia brilhou no olhar. Jessé cresceu, virou um rapazote bonito por dentro, as espinhas e o cabelo vão incomodar, mas herdeiro de sempre leva consigo o velho brilho no olhar, era seu aniversário, chegava em casa do trabalho, adentrou e logo viu, em laço de fita vermelha um copo de cristal, sobre ele um cartão de sua mãe: “ Xícaras e copos de cristais, quando quebrados nunca voltam a ser o que eram antes. A diferença da falta, e da saudade é o tempo que cada um teve em sua vida”.

domingo, 8 de agosto de 2010

Das coisas intoleráveis


Sejam quais forem os tipos de relacionamentos que se nutre por alguém, sempre se espera que seja algo durável a medida em que se gosta realmente dessas pessoas que te cercam. Porém o fato é que tudo vai se esfarelando, caindo por entre os dedos e na maioria das vezes não se consegue entender ao menos como tudo isso começou. O que se percebe é o quanto as pessoas vão deixando de ser quem elas são, ou talvez nosso olhar sobre as mesmas, já não enxerga as mesmas virtudes, difícil dizer somente sob meu ponto de vista, porém no hall das coisas que vão se tornando intolerantes  com o tempo, pode-se dizer, que são várias coisas, e me darei ao luxo de escreve-las por aqui.  Entre elas, o fabuloso egoísmo e mania de só falar da própria vida, e nunca parar pra ouvir o que os outros tem a dizer. Eu não me recuso a ouvir ninguém, porém não sou obrigado a ouvir seus problemas, seus anseios, suas dificuldades diárias e tudo mais e ainda te aconselhar, demonstrando todo o interesse do mundo nos seus assuntos, sem ter a reciprocidade merecida. Pegue sua meia dúzia de problemas e enfie num diário, e pare de me aborrecer. Agora se você é daqueles que adora fofocar um "segredinho", quando todos estão ali num encontro coletivo, sai de lado com alguém, e não se socializa, parabéns! Esta com certeza é uma atitude que me deixa extremamente irritado. Pegue seus "segredinhos" e enfie numa conversa particular de MSN. Outrora,  do que sabe fazer mesmo é ficar fazendo projeções de relações utópicas, com pessoas que nunca vão notar que você existe, e ainda sofrer por conta disso. Me poupe desta cena lamentável. Agora se você gosta mesmo é de se manter ao lado de pessoas que sempre tem algo a te oferecer, beleza, badalações, muita superficialidade, reforçando seus sonhos de que você realmente vai fazer parte disso tudo. Dê meia volta, e não me faça perder meu tempo precioso achando que tenho com quem contar de verdade. Mas se no meio de tudo isso tem características de demonstrar um carinho, e dizer sempre um "eu te amo" insosso, mas na hora de realmente demonstrar isso com atitudes, leva os problemas dos outros na brincadeira, como se fossem meras reclamações. Bom não creio que isso seja digno de qualquer tipo de relação. Talvez você ainda não tenha entendido que tudo tem um certo limite, e que o meu já transcendeu a linha da paciência. Levar tudo na brincadeira, transformar assuntos que deveriam ser sérios em piadas, com certeza não me fazem gostar mais de você. Na verdade isso é uma das coisas que eu menos tolero. Me perguntar o que eu tenho quando a minha cara não é das melhores, também não é a solução mais viável, por que de fato eu não direi isso nunca com todas as letras, eu não quero que seja assim tão fácil, se a vida é um quebra cabeça para mim, justo é transformar na mesma coisa para você. Já sentiu como se você tivesse perdido a graça para certas pessoas? Pois bem, isso me acontece de vez em quando, e cara eu não tolero isso, sabe por que? Por que eu não tenho que ter graça e muito menos ter tempo de validade, se um dia eu lhe perder a graça, pode ter certeza, que essa graça nunca existiu. Se não tem mais o que sugar de mim, procure quem tenha e seja feliz. Outra coisa que não tolero é a falta de solidariedade comigo, por que eu simplesmente sempre me faço presente em todas as necessidades das pessoas que eu gosto, e não aceito que não sejam assim comigo. Não, não é uma troca, é a noção de que eu também tenho problemas, não posso servir sempre de apoio, e nunca ter onde apoiar-me. A indiferença, isso definitivamente pode por fim a longos relacionamentos comigo, se me for indiferente, se me tratar com indiferença, nem que por um segundo, muita coisa pode ir por água a baixo, sou intolerante a isso. A covardia, como isso me irrita profundamente, é essa capacidade das pessoas de não te enfrentarem de frente, de não tomarem um partido, e de estarem sempre em cima do muro, é essa indecisão com respeito a tudo. Quando não se gosta de alguém, por favor não há necessidade de ser simpática com ela, chega dessa politicagem, de estar sempre bem com todo mundo, isso é intolerável, não dá pra suportar esse tipo de coisa.  Se esta do meu lado, mostre isso, se não esta, seja digno e diga. A neutralidade, muito próximo da covardia é outra coisa que me irrita, e que eu não tolero. Pare de char as cosias, pare de tentar conciliar tudo, decida por algum dos lados, ou se não eu não te quero do meu lado. O fingimento, outra coisa da qual eu não tolero. Não minta para mim, não finja, não esconda, por que se um dia eu descobrir, de fato a base vai a baixo. E por fim não me venha com excesso de otimismo, pois isso é uma outra coisa que não me desce, eu sei das minhas possibilidades, e não preciso de ninguém dizendo que no fim tudo vai dar certo, eu preciso de gente que faça, que tenha atitude, que aconteça, mas que não esteja interessado no que eu possa dar em troca, ou no meu status social, mesmo por que eu não tenho. Eu não preciso de gente que muda quando chega a pessoa que a interessa, que te deixa falando sozinho, que te faz sentir um zumbi. Não preciso ser o segundo plano de ninguém. Não tolero.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

De Homorkutes a HomoTwitters


Paradigmas! Nem eu sei quando foi que o Orkut e o Twitter se tornaram tão necessários na minha vida, e eu poderia dizer que isso não tem importância, visto que na dinâmica capitalista pouco importa o ontem, pouco importa a história que pressupõe a realidade concreta, porém, me auto analisei concebendo o quão a origem dessa dependência em mim, reflete uma verdadeira evolução pra lugar algum. Sim é definitivamente visível a velocidade com que as noticias se propagam, e como isso pode beneficiar ou prejudicar alguém. Mas e quem já nasce em meio a tudo isso? Será possível que um dia eles vão entender que tudo isso nem sempre existiu? É da história e de seu resgate que eu estou falando. Eu já vejo as pessoas usando estes meios sem ao menos saber o por que de estarem os usando. Paradigmas? É tudo muito novo, é muita diversidade, muita modinha, muitos pseudo famosos. Gente que eu nem conhecia, mas que todo mundo conhece. Coisas cotidianas se transformando em grandes espetáculos no universo da Twittcam, e eu, bom, e eu no meio dessa correria infame, as vezes me perco, tentando ser alguém evoluindo pra lugar nenhum. Nunca fiz pontos de resistência a todos esses novos aparatos de comunicação, pelo contrário, os vejo como uma grande mudança, só não sei quais ainda, porém elas se fazem importantes, a medida que as consideramos importantes. Confuso? Não sei. O que sei, é que tudo isso vem acontecendo rápido demais, e a cada dia uma mudança nos torna incrívelmente dependentes, nos torna burros todos os dias, trazendo a sensação de que por mais que esteja por dentro das novidades, elas não param de chegar, e sempre estão a nossa frente. E nessa evolução humana o que se percebe é a regressão das relações inter pessoais, que se tornam limitadas a estes meios. Quantas vezes você lembrou do aniversário de alguém por que estava lá mostrando no Orkut? Quantas vezes parabenizou, conheceu, amou, alguém por meio desse meio virtual? Há quanto tempo não diz bom dia pro seu vizinho, mas quando on line no msn, ou no orkut manda um "recadinho" sem graça para ele? Sim, as portas da vida real estão sendo fechadas. Eu que faço parte dessa evolução tento me policiar, não me deixando engolir por inteiro pela rede e suas relações superficiais. Manter os amigos reais, com poucas fugas da realidade podem ajudar.

sábado, 24 de julho de 2010

A velha goiabeira

Toda tarde de domingo lembrava dos planos, poucos planos, simples planos que nunca imaginaria desfazer. Eram planos de garoto bobo, menino criado na rua, que já brincou de pique esconde e subiu na goiabeira. Não eram planos audaciosos, eram humildes planos. E no domingo a tarde, lembrava de como seria, se estivessem juntos, os frutos dos planos, e seus planejantes sonhadores. Eles se conheciam desde criança, mal se notava distinções, até que os planos de um, mudaram os planos do outro. Ele queria fazer cinema, ganhar o mundo e ser feliz. Do outro, o plano era ficar ali, sentado debaixo da velha goiabeira, e no balanço suave das folhas deixar o tempo passar. Mas desde sempre foram um só, como seria seguir sem rumo, sem uma parte de si? E no domingo de tarde a memória sem escrúpulos revivia a velha goiabeira que nos aproximou, me vinha o colo seguro, a cabeça no ombro e o sorriso mais lindo, que sempre fizeram parte dos planos. Foi da nossa pureza da infância que brotou toda essa independência, e esse jeito teimoso da vida, de nos dar outros rumos. Tinha o boné para trás, a bermuda vermelha largada e a camisa não combinava, só quando o sol brilhava, e a brincadeira tornava, o laço mais forte entre os dois. O plano desfeito no vento, fincado no pé de goiaba, da morte uma velha facada. Se hoje houvessem remédios, que curassem destinos contrários e juntassem os velhos sentidos, eu tomaria o passado, e de quebra o teu comprimido. Hoje o menino é grande, tem traços e barba na cara e chora sobre as raízes da goiabeira, donde o amor enterrado, sem flores, nem beijo de despedida, se faz na unica presença dos planos que nunca seguiram juntos. Ecoá aos ouvidos timidamente, após o sorriso sem graça, na memória somente, o "Eu te amo". 

sábado, 10 de julho de 2010

Vou xingar muito no twitter

Cara, eu to cansado de gente idiota, sim, eu odeio todo mundo, todas essas pessoas imbecis que se acham tão inteligentes, tão antenadas, tão espertas. Eu to possesso com esses infelizes feitos de modinhas, eu to cansado dessa enchente de novidades inúteis, que impressionam os débeis incoerentes, que facilmente são manipulados. Eu to cansado dos escrupulosos estúpidos que adoram assistir o filme da moda, filmes que não dizem nada, que apelam para as fraquezas mais miseráveis dos miseráveis dementes que adoram se fazer de vitimas.  Eu estou “puto” com estes filhos de excrementos que acreditam ter o melhor gosto musical, e vem me dizer que Justin Bieber é bom, e tem a falta de educação, por que só pode ser mal caratismo não gostar de Cazuza ou legião urbana. Eu fico doente com tanta superficialidade, eu fico impaciente com a insuportável mania de seguir as piores coisas pelo simples fato de estar na moda. Me torra o saco alguém que deseja arduamente comer no McDonald, como me deixa surtado alguém que não compreende a situação em que se encontra a “porra” de humanidade. É “emputecedor” chegar à conclusão de que pessoas boas, que valem à pena estão morrendo, e os miseráveis estão ai, livres, leves e soltos. Como eu odeio essa mania de fazer à social, de escolher os amigos, de querer fazer parte do grupo top. Como eu odeio esse jogo de interesses, essa gente lerda, grossa, sem amor. Como eu odeio essa gente que ama da noite para o dia. Como eu odeio essa gente que adora ler um livro de auto-ajuda pra tentar ser feliz. Como eu odeio essa gente ingrata. Como eu odeio essa gente desinteressado pelo que realmente faz sentido. Como eu odeio essa gente que não leva nada a sério. Cara, como eu odeio vocês.

Alimento

Saber que para Deus, nada é impossível
Viver, sem saber que o amor me consagrou
Que nada pode destruir o nosso coração em ti
E crer, que tu é mais que nós senhor
Nos faz imaginar, um dia estar contigo
Ser filho do teu filho
E não temer a dor
Não temer o amor
Sem ti, eu nada seria
Eu preciso de ti no meu peito
Abraçando o meu coração
Me tornando uma bela canção
Pra fazer chorar e sorrir
Pra fazer amar e sentir
Eu preciso de ti Senhor, aqui dentro de mim
Me transformando em oração
Para que eu possa acreditar, mesmo sem te ver
Só mesmo ao te sentir
Aqui dentro de mim
Eu preciso de ti
Do teu manto a me aquecer
Dos teus olhos a me ver
Do teu amor
Eu preciso de ti senhor
Como um filho preciso do pai
Como um filho não vive sem mãe
Eu quero estar contigo em todo lugar
Levar-te em meu sonho para concretizar
Me faça mudar
Me faça amar
Me faça merecer senhor, o teu amor, por mim
Eu preciso de ti, aqui
Me mostrando o caminho, pra eu não me perder jamais
Entra em mim senhor
Preencha meu coração
Que sente falta
E que te quer.

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