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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Jardineiro de mim

Eu não preciso de você pra me dizer
Que tudo acabou, e não preciso receber
Flores que me digam
Que falem sobre os dias, que nunca voltarão
Preciso então sentir teu corpo aqui, pertinho do meu
Nunca se esqueça
Nunca se esqueça
Que eu cuido bem do seu jardim
Que as tuas flores são
Que as tuas águas são
Que os teus beijos são
Conheço bem, a tua intenção, de me roubar
E sentir, e levar, as flores que eu cultivei para mim
Vamos em frente
Eu quero ser, um amor sem fim
Uma rosa, um broto de jasmim
Enfim
Me leve, me regue
Me esquece, me observe
Me contemple,  me roce
Me entenda,  seja um jardineiro
Seja o lavrador
E me plante o seu amor

Rodrigo E.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Vuvuzela é só a ponta do iceberg

Não sei se repararam, mas no Brasil, toda e qualquer babaquice que se preze, vira moda, vira fascínio, e até texto de Blog, pra não fugir a regra, eis que eu carente de estar na moda faz tempo, entendo que só mesmo entrando com o nome de vuvuzela nesse momento poderíamos chamar atenção dos honrosos brasileiros, que sai copa entra copa, ainda não se deu conta da força que tem quando em prol dos mesmos interesses. Do trabalho para casa, de casa para minha tia, em todos os lugares que eu passava as pessoas estavam lá, juntas, com o mesmo objetivo, com o mesmo fervor, gostando ou não, estavam lá, quase uma sensação de obrigatoriedade, mas esta bem quista, visto que nada melhor que sair mais cedo do trabalho, e ter uma terça feira com cara de feriado mundial. Todo mundo já entendeu que gostando ou não gostando, se nós estamos juntos as coisas se movem, saem do lugar, e remetem a mudanças efetivas, mas agora me diz por que mesmo assim termina a Copa, termina a coletividade? É cada um por si e Deus pelos ricos? Gente, desde a copa de 94 que eu assisto, vibro, torço, e me sinto emocionado com todo esse auê, mas eu acho que desde lá, que algo me diz que há muito mais entre a Copa e a verdade, e a política do que a gente pode imaginar, e na verdade não sou só eu que sei disse, qualquer pelego sabe, mas pra que mexer com isso? Pra que querer saber dessa sujeira toda, se o que interessa mesmo é se divertir com a boca na Vuvuzela? Eu não preciso dizer pra ninguém que é ano de eleição, e não preciso dizer que os vereadores votam projetos polêmicos bem nas datas de jogo do Brasil, isso todos sabem, mas é fatigante imaginar assistir uma assembléia a um jogo do Brasil. Sair do conforto de casa pra votar projeto que vai definir o destino de centenas de pessoas pra que? Eu que não faria isso, sei que sei que nada sei, pois sei que sabem que nada sabem. A diferença é que eu sofro por isso. Como proceder então? Bem, a principio escrever, por pra fora essa indignação, e depois pensar em alguma forma de por em prática essa intenção, que é pura, que é livre da contaminação. Mas o problema é, que sozinho, eu com minha Vuvuzela, no máximo vai acordar a vizinhança, que acha que ser patriota é tocar tambor, e pintar a casa de verde e amarela de 4 em 4 anos.

Descartando o descartável

Crónicas Marcianas
Montevideo Enero 2006
(Tradução Espanhola – Português: Michelle Behar – Correção da tradução lingüística e adaptação de texto: Celito Medeiros)


Com certeza, o destino esta tramando para me complicar a vida. Não consigo acomodar meu corpo aos novos tempos. Ou por dizer melhor: Não consigo acomodar meu corpo a esse “use e jogue fora”, nem ao “descartável”. Eu sei, se eu tiver que pedir a um psiquiatra para me medicar, então estou frito e estarei ‘nas mãos dele’! O que acontece é que não consigo andar pelo mundo jogando fora as coisas ou trocando-as pelo modelo seguinte somente porque alguém pensou em adicionar uma função ou faze-lo menor.


Não faz tanto tempo, minha mulher e eu lavávamos as fraldas das crianças, as pendurávamos no varal; passávamos, dobrávamos e as preparávamos para elas voltarem a sujar. E eles, nossos nenéns, mal cresceram e tiveram os próprios filhos, começaram a jogar tudo fora, incluindo as fraldas. Entregaram-se inescrupulosamente ao descartável, nem sempre ao melhor.


Sim, eu sei. Para a nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem o lixo nos parecia descartável! E assim passamos a vida guardando papel de bala no bolso e as tampinhas nas gavetas. Nossas irmãs e namoradas se viravam como podiam em guardar algodão para enfrentar a sua fertilidade mês a mês. 


Não, eu não digo que era melhor. O que digo é que em algum momento fiquei distraído, cai do mundo, e agora não sei por onde entrar. 


O mais provável é que o de agora esta bem…, não discuto. O que acontece é que não consigo mudar o aparelho de som a cada ano, o celular a cada três meses e o monitor pela ultima novidade. 


Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de borracha feitas para serem usadas uma única vez! Empilho como um velho as bandejinhas de isopor dos frios! Os talheres descartáveis convivem lado a lado com os de prata! 


É que eu venho de um tempo em que as coisas eram compradas para a vida toda. Mais ainda, eram para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de taças, toalhas de mesa e até tigelas de uso diário. 


Estão nos complicando!
E eu descobri, eles fazem de propósito! Tudo se estraga, tudo enferruja, tudo gasta ou quebra ao pouco tempo para que tenhamos que troca-lo. 


Nada é consertado. Onde andam os sapateiros que trocavam as meia solas dos nossos sapatos? Alguém tem visto os afiadores passando pelas casas? Quem arruma as facas elétricas? O afiador ou o eletricista? Será que o ferro velho esta cheio de Tefal? Tudo é jogado fora, e enquanto isso produzimos mais e mais lixo. 


Outro dia eu li que temos produzido mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a historia da humanidade! Quem tiver menos de 40 anos, não vai acreditar nisto. Mas quando eu era criança pela minha casa não passava o lixeiro. Eu juro! E tenho menos de 50 anos. Todos os detritos orgânicos iam para as galinhas, patos ou coelhos (e não estou falando do século XVIII).


Não existia o plástico nem o nylon. A borracha era só para os pneus dos automóveis. Os poucos detritos que não eram comidos pelos animais, eram queimados ou serviam como adubo. 


É dai que eu venho. E não que tenha sido melhor. É que não é fácil para um cara coitado como eu que foi educado para “guardar tudo que algum dia pode servir” a mudar para “compre e jogue fora que já vem modelo novo”.


Minha cabeça não agüenta tanto. Agora meus parentes e os filhos dos meus amigos, não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disso, trocam de numero, de endereço eletrônico e ate de endereço real. Eu fui preparado para viver com o mesmo numero, a mesma mulher, a mesma casa e o mesmo nome (e era um nome a zelar).


Fui educado para guardar tudo. Tudo! O que servia e o que não. Porque algum dia as coisas poderiam servir. Sim, eu sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas podiam servir e que coisas não. No empenho de guardar (porque a gente obedecia) guardávamos até o primeiro cachinho, o primeiro dentinho…, os cadernos da escola, e não sei como não guardamos até o primeiro chiclete.


Como quer alguém que a gente de desfaça do celular aos poucos meses de ter comprado? Será que as coisas se conseguem facilmente e não se dá o valor, viram descartáveis com a mesma facilidade com que as conseguimos? Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira era para as toalhas de mesa e panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e quarta gavetas eram para tudo o que não fosse nem toalha nem talher. Guardávamos tudo, e como guardávamos!


Guardávamos até as tampinhas de refrigerante. Para que? Fazíamos com elas tapetes de limpar calçados na entrada de casa, pregados numa tábua. Dobradas e enfiadas no fio, serviam de cortinas para os bares. Tudo a gente guardava! Os botões que caiam das camisas, os carretéis sem fio, as canetas que algum dia podíamos precisar, canetas sem tampa, tampas sem caneta. Tudo na terceira e quarta gaveta. 


Isqueiros sem gás ou que perdiam a mola. Molas que perdiam seu isqueiro. Em quanto isso, o mundo espremia o cérebro para inventar isqueiros que se jogam fora quando acabe seu uso. E as lâminas Gillette, até pela metade, serviam como apontadores durante todo o ano escolar. Nossas gavetas guardavam chavinhas para abrir latas de patê, no caso que alguma delas viesse sem a chave. 


E as pilhas! As pilhas passavam do congelador ao teto, porque não sabíamos se devíamos dar calor ou frio para aumentar um pouco sua carga. Não podíamos nos resignar que tivesse acabado sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. 


As coisas não eram descartáveis, eram guardáveis! Os jornais serviam para tudo! Para fazer calço no sapato, para jogar nos dias de chuva, e principalmente para embrulhar as coisas. Quantas vezes ficamos sabendo das coisas lendo jornal que embrulhava as compras.


Guardávamos o papel laminado dos chocolates e cigarros para fazer enfeites de Natal. As paginas das folhas do ano passado para fazer quadros, e os ‘conta-gotas’ dos remédios no caso que algum viesse sem conta-gotas. E os fósforos usados para poder acender a boca do fogão com a outra que estava acessa. Os maços de baralho eram guardados mesmo faltando algumas. Sempre era possível usar um coringa com um escrito à mão dizendo: Este vale um sete de copas. Às vezes era guardada a metade do pregador, esperando a outra metade para virar um pregador completo.


Eu não sei o que acontecia, mas era difícil declarar a morte dos nossos objetos. Assim como as nossas gerações decidem ‘matá-los’, assim que eles deixam de servir. Aqueles tempos não eram de declarar nada morto, nem ao Walt Disney. 


E quando tomávamos sorvetes em taças, cuja tampa virava base, era falado: Tome o sorvete e jogue a taça fora. Imagina se a gente ia jogar! Iam direto para a prateleira junto com os copos e as xícaras. As latas de ervilhas e pêssegos serviam como vasos de flor e as primeiras garrafas plásticas de água, como enfeites de gosto duvidoso. As caixas de ovos serviam para depósito de aquarelas, as tampas em cinzeiros, e as primeiras latas de cerveja, em porta lápis. As rolhas esperavam uma garrafa que servisse. 


Estou me segurando para não fazer um paralelo com os valores descartáveis e os que preservamos. Não vou fazer isto. Seguro-me para não falar que hoje, não só os eletrodomésticos são descartáveis, que também o casamento e até a amizade é descartável. Mas não vou comparar objetos com pessoas. Seguro-me para não falar da identidade que vai se perdendo, da memória coletiva que vai sendo jogada fora, do passado efêmero. 


Não vou fazer isso! Não vou misturar os temas, não vou falar que o perene virou caduco e o caduco virou perene. Não vou falar que os velhos é que declaram a morte assim que as suas funções começam a falhar, e que os conjugues podem ser mudados por modelos mais novos. E que, se a alguma pessoa falta-lhe uma função, não tem mais valor, é discriminada e se dá valor ao mais lindo e glamuroso. Não, esta é só uma historia de fraldas e celulares. 


Do contrario, se misturarmos as coisas, teríamos que pensar seriamente em entregar a esposa como parte de pagamento por uma senhorita com menos quilômetros rodados e alguma nova função. Mas, eu sou devagar neste mundo, e até corro o risco de que minha esposa ganhe de mim, e seja eu o trocado. Não devemos ser conservadores com relação às tecnologias, mas também não podemos ser destruidores do que tanto nos poderia ajudar na economia de nossos tempos. Estamos à mercê dos modismos, do que nos ditam ser a verdade ou o melhor para nós próprios? O quê ganhamos e o quê perdemos com tudo isto?
Eu… Eu não me entrego!

Marciano Durán

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O teatro magico.


Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de “mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, “infértebrados”.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se


A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O conformado e o seu pequeno mundo

O filho de uma mãe, pobre, maltrapilho, camarada de pouca sorte, nascido em berço esplêndido, tomado pela ideologia burguesa, temente a Deus, e aos paradigmas(dogmas) da igreja, que com muito esforço, conseguiu se sobressair cursando uma "faculdadezinha" e ganhar um a- salário de estagiário, mais otário do que escravo, crê que a linha da vida esta traçada e acredita fielmente que cada um tem o destino que merece, ou que cada um faz seu destino como quer. Dizem que a faculdade foi feita para disseminar conhecimento, e transcender o senso comum, mas o afortunado camarada confunde chegar ao resultado de algumas complexas "equaçõezinhas", com o sentido máximo de viver e solucionar os problemas que lhe rodeiam. Somente os que lhe rodeiam. O degenerado capacho da ideologia, e da apologia institucional ao conformismo e a manutenção do modo de produção capitalista, não se enxerga dentro do problema e acredita que a cada qual cabe fazer a sua parte, e provavelmente deve acreditar que quem nasceu pra ser gari, lixeiro, ou outra profissão que por mais digna que seja exigem do individuo mais que humildade, tem como pré requisitos ser pobre, não ter acesso ao conhecimento especializado ou mesmo o básico, cabendo a este somente os serviços braçais  que lhe restarem, e que estes estão simplesmente obedecendo a ordem natural das coisas. E para este, quem questiona ou discute, ou simplesmente se indigna com o sistema de divisão de classes são  loucos, e isso é coisa pra quem não tem o que fazer, coisa de gente metida, que adora se aparacer na política, que procura cabelo em ovo, que gosta de irritar os outros, e adora bater panela reivindicando seja lá o que for. Odeia os socialistas e comunistas e ainda acredita na história cabeluda da vovó que estes comem criancinhas, e nunca nem ao menos teve o mínimo interesse de ler a respeito, e procurar entender o verdadeiro conceito de comunhão, ou mesmo o de revolução, no caso a unica forma de transformação. Mas transformação de que? diria nosso amigo pobre de dinheiro, de espírito e de humanidade. Para o esforçado que esta conseguindo comer, e morar, e ainda conseguiu comprar seu meio de locomoção, e vez ou outra consegue fazer uma viagem via CVC nas suas férias para um lugar lindo do nosso país maravilhoso, não se tem o que transformar. Se o maltrapilho com seu esforço honroso conquistou tudo isso em meio a forte concorrência do mercado livre, qualquer mendigo, sem referencias, sem comida e sem educação pode conseguir, basta querer, basta acreditar em Deus, por que claro, é Deus quem esta governando o Estado, e se algo der errado, muito mais fácil vai ser por a culpa em algo divino e invisível. O fulano beltrano com certeza vai justificar de todas a formas possíveis o modo de vida em que vivemos, em sua própria defesa, acreditando que este é o modo ideal, e que este nunca foi diferente, sem saber que até os burgueses um dia fizeram revolução, sem saber que a custa de todo esse avanço tecnológico, muito há de se perder, e muito já se perdeu. Mas se o esforçado esta usufruindo de tudo isso, e ainda esta vivo, pé na tábua,   acelerem as máquinas, e vamos esquecer qualquer que seja o contexto desse episódio superficial de avanços e de globalização, vamos esquecer que enquanto disseminamos os conhecimentos aqui, avançamos e nos esforçamos para fazer parte da famosa classe média, uma boa parte da população, que claro, o camarada esforçado não tem culpa, e por isso não se sente responsável por isso, esta simplesmente passando fome, enquanto outros tem o trabalho explorado. Oras, mas todo trabalho é explorado, e nosso deprimente camarada nos diz que devemos aceitar, e buscar melhorar nossa condição, calcando uma ascensão de classe. Engraçado falar em classes, quando percebe-se que os camaradas mais condenados, mais fadados ao infortúnio se matam entre si por um lugar ao sol, um lugar numa classe mais alta, sem saber que a porcaria da divisão de classes existe sim, mas as divide em apenas duas, a dos ricos donos do meio de produção, e a dos pobres, donos da força de trabalho. Será que é tão difícil assim entender que está todo mundo no mesmo barco? Que não adiante ficar pagando de gatinho com o tênis da moda, por que isso não te põe entre os donos do capital?  E que não adianta fugir do problema, ou do assunto, ou da discussão, por que de qualquer forma você garoto esforçado esta mais envolvido na política do que pensa. Pode até ser que você morra sem saber disso, e pode ser que até lá muita gente morra acreditando que nunca se evoluiu tanto, mas eu vou morrer tentando provar o contrário.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Identificar-se e perder-se


Toda realidade é concreta até que se prove o contrário.

Toda "Preciosa" cabe dentro de mim, e toda ela se enquadra ao meu redor. Não se trata, de um dia no qual se percebe que existe luz no fim do túnel, e muito menos de um momento de lágrimas inócuas que não são capazes de se desdobrarem em verdade pura, se trata sim, de refletir sem comparações, sobre todos os anseios, todos os objetivos, significados e sonhos que nos movem em meio a toda essa banalidade inevitável que o mundo nos propõe, em formas estranhas de amores. É o que se mistura dentro do peito, dentre o real, o subjetivo, e o que eu não sei explicar, que me fazem sentir assim, "precioso". É claro que todo mundo tem do que reclamar, é claro que tem muita gente que reclama sem motivos, e é claro que tem muita gente que não se sente nem ao menos no direito de reclamar. Ver ou saber que alguém se encontra em situação parecida, ou pior, não é fator confortante para ninguém, é apenas uma constatação de que não se esta sozinho, e sendo assim, não dá pra simplesmente fechar os olhos, e acordar no dia seguinte como se tudo fosse a mesma mediocridade de sempre, porém, é assim que vai ser. É quando a realidade concreta me bate a porta e entra a base de murros e ponta pés, me fazem ser calado e amargurado, e me fazem sentir-se assim, perdido de mim. É o ato de identificar-se com a realidade subjetiva, e perder-se na realidade concreta, se descartando completamente toda e qualquer possibilidade que se aponte aos olhos fundos e vazios. Alguém sabe a diferença entre ver um trem indo ao encontro de outro, do lado de fora, e ver isso de dentro dele? São somente sensações que nos chacoalham, mas que nos mantém imóveis. E só talvez nesse sentido eu entenda, o por que de alguns estarem fora desse trem, e outros estarem dentro, pois não existe conhecimento sem testemunho, alguém tem que presenciar e registrar todo esse infortúnio. O fato é que eu como sempre me sinto diferente de tudo isso, é como se eu estivesse dentro do trem, mas fatalmente, as pessoas não me vêem lá. No ápice da história "Preciosa" diz:  "o amor me espanca, me estupra, me bate, me xinga, me deixa doente", e tem como resposta que isso não é amor, e de fato muita gente esta confundindo amor com sensação de posse, e como fazem com os objetos descartáveis, o jogam também no lixo.

domingo, 18 de abril de 2010

Me parece traçado

Me  parece que todos, sabem muito bem o que dizer
Me parece que todos, sabem muito bem aonde ir
Me parece que tudo, não me cabe pois não posso rir
Me parece que os passos, não me levam  a lugar algum
Me parece que nada, satisfaz  o meu viver em vão
É um laço sem nó, sem dó, de ninguém
É um abraço sem voz, sem talento, pra confortar
O meu amor enquanto durmo
Enquanto esqueço de mim.
Me parece que todos  já encontraram seus caminhos
Me parece que o susto foi maior no meu destino
E o meu querer não estar aqui, me faz sentir como
Se nunca estivesse
Me faz querer, fugir daqui
Nunca dizer, verdades que não mudem nada
Me parece que tudo já esta perdido, ganho em não estar sozinho
Mas sei que tudo parece bom, até que o tudo não exista mais
Parece que o mundo é tão exato, que tudo é certo, que tudo é fato
Parece que ninguém entende que é tão estranho e abstrato
Parece em mim, dentro do peito, inexplicável
O mundo vai ficar ai, e eu não sei aonde ir.

domingo, 28 de março de 2010

No tempo livre, uma diversão perigosa.



Bomba de Verdade
Anabolizantes atraem jovens em busca do corpo perfeito; muitos usuários desconhecem perigos 
Rodrigo Braga/Folha Imagem
 TARSO ARAUJO
DA REPORTAGEM LOCAL

"Não tenho medo de perder o braço, mas de ficar "frango'", diz Jonas*, 22, que usa "bomba" desde os 14 anos.



E "frango", se você não sabe, quer dizer fraco.



A frase do jovem expressa bem o sentimento de quem recorre a essas substâncias em busca de um corpo forte em tempo recorde: ficar em forma é mais importante do que a própria saúde.



Há meses sem malhar, ele nem toma mais os anabolizantes esteroides, hormônios sintéticos que ajudam os músculos a crescer mais rápido.



Injeta nos bíceps um remédio veterinário comprado sem receita em pet shops e apenas aumenta o volume do braço.



"Se aplicar errado, o braço necrosa e tem que amputar", diz, antes de dar uma risada.



William*, 18, é mais cauteloso. Ele está esperando parar de crescer para começar a tomar, já que os anabolizantes podem atrapalhar o crescimento.



"Quero tomar para melhorar meu corpo. É uma questão de autoestima", diz ele. Apesar de afirmar estar satisfeito com seu físico, diz que "querer melhorar nunca vai ser ruim".



Para ele, a vontade de tomar é combinação de pressa por resultado e curiosidade -coisas de gente da sua idade.



"Tenho muitos amigos que tomam. Muitos mesmo. Todos entre 18 e 20 anos."



Jéssica*, 24, começou a malhar porque não gostava das pernas finas -"tinha vergonha de usar short"- e acabou gostando: virou campeã brasileira e sul-americana de levantamento de peso.



Ela diz que resistiu à "tentação", mas que não foi fácil.



"Era louca para tomar "bomba". É a coisa mais normal no meio [do esporte]. Mas eu tive um ótimo treinador, que me falava sobre os efeitos. Vi amigas se transformarem com o tempo, com voz grossa, criando barba, espinhas..."








Pressa e trauma



Para alguns, como Bruno*, 22, a experiência foi traumática. Aos 18, ele queria ficar forte. "Era epidemia aqui onde eu morava. Todo mundo malhava. E eu tinha pressa, né?", conta.



Comprou duas ampolas de anabolizante injetável e aplicou-as em si próprio, uma por semana. "Não deu resultado."



Depois comprou outro, em comprimidos. "Tomei um por dia, por duas semanas." Aí o resultado apareceu. "Fiquei sete dias internado. Um em coma."



O diagnóstico foi uma crise hepática aguda, causada pelo excesso de hormônios no sangue. "Nunca mais eu tomo", diz.



Por causa de casos como esse, o deputado federal Capitão Assumção (PSB-ES) criou um projeto de lei no Congresso Nacional para tratar vendedores clandestinos de anabolizantes (veja ao lado) da mesma maneira que traficantes de drogas.



Mesmo que isso aconteça, a decisão entre saúde e beleza sempre vai ser de quem toma.



"Em pessoas mais jovens, os efeitos colaterais podem ser piores", diz o especialista em fisiologia do exercício Paulo Zogaib, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).




Acesse o link:

Esta foi uma reportagem retirada do site Folha da Uol. O uso de anabolizantes não é novidade para ninguém, porém a reportagem não perde seu teor assustador, ao se ouvir um jovem arriscar a beleza de que tanto prima, pela própria beleza. Perder um braço, para ser forte? Mas que escolha mais absurda! É essa contradição nas falas dos jovens que nos remete a outras contradições, como por exemplo, a essência do tempo livre ao qual o jovem se submete, preso aos conceitos e padrões de beleza que compõe o universo do tempo de não trabalho, e do uso deste em função do capital. Ainda me lembro dos bons tempos em que tais objetivações não me afetavam, nem afetavam meu tempo livre, pelo menos não com tanta violência, e com essa capacidade destruidora, com qual vem fazendo vitimas nos últimos tempos. Essa moda dos jovens de achar-se super homens, pode sempre ter existido, mas a perca de noção de realidade, e das verdadeiras conseqüências de seus atos parecem não assustar mais tanto assim, e é dessa forma que todo ato de liberdade acaba preso ao falso entendimento de ser livre, que consiste em se imaginar livre de acordo com o que nos é posto como liberdade. Ser livre para consumir? Para ir ao shopping, seguir a moda, ver TV? Ser livre até onde o dinheiro permite? De que tipo de liberdade estamos falando afinal? Ser livre é não precisar trabalhar? Dai que se concretizam os equívocos sobre o uso do tempo livre, o tornando inconseqüente e perigoso. Se no tempo de trabalho estou sempre a postos a satisfazer a vontade de um ser superior a mim, se   não são as minhas necessidades que estão sendo supridas, se o produto final me é alheio, é algo do qual não entendo como meu, ou parte de mim, ou se ainda o processo não é compreendido enquanto o todo, me encontro então alienado a tudo o que no fim envolve este meio, e justamente meu tempo de não trabalho se vincula a este tempo de trabalho, reproduzindo-o, daí a persistência em satisfazer os desejos alheios.

domingo, 21 de março de 2010

Teoria do cabide



De um enfoque geral, o que se pode perceber nos dias atuais é que as relações humanas sejam elas de amizade, ou de teor sexual, estão postas de uma maneira da qual nos cabe analisar profundamente, visto que trata da superficialidade, e da descartabilidade com que vem sendo tratados os relacionamentos. Não se trata de se utilizar de termos clichês para tentar entender este processo que assola os preceitos de uma amizade sincera, e de um relacionamento maduro e consciente, contudo se faz necessário primar pelos conceitos básicos de valores que nós consideramos a essência da vida humana, e quando dizemos nós, infelizmente não me refiro a todos, é simplesmente uma relação pautada na padronização das relações interpessoais, que teoricamente deveriam atingir a todos. Assim, como a ciência nos permite epistemologicamente partir de uma experiência concreta na tentativa de explicar uma conjuntura, tratei logo de buscar no fundo do meu âmago, teorizar a respeito de uma analise concreta, as atitudes nauseantes de um sujeito (objeto de estudo), que para os fins desta humilde pesquisa, deixou claro todos os  indícios que caracterizam a teoria do cabide, que se constitui justamente de levar no "banho Maria" situações, relações ou pessoas. Assim como se faz uso dos cabides, que trata de pendurar as roupas para posteriormente reutilizá-las, mas sempre as mantendo dentro de seus pertences, dentro de sua posse, para que na hora que precisar esteja ali, a vista dos olhos e ao alcance das mãos. Agora transfira a utilidade e funcionalidade imanente ao cabide para o projétil das relações humanas. Sim, este sujeito (objeto de estudo) nauseante, tem como características usar as pessoas, as pondo descaradamente em seus cabides, para que na falta, ou quando enjoar puder trocar sem peso na consciência. Já ouviu o termo "troca de namorado como quem troca de roupa"? Pois é, troca-se, mas nunca se desfaz dos que não estão em uso. Outra característica imanente ao nauseante sujeito é o "amor" banal por todos os seus pertences, chega a ser inacreditável como ele acredita amar suas "coisas", suas pessoas. É inacreditável, como o objeto de estudo se acha capaz de fazer o bem e esclarecer/resolver os problemas alheios. O sujeito tem como características também, a falta de originalidade, a falta de assunto, a falta de inteligência no âmbito da intelectualidade (o que não diz respeito a atos de esperteza isolados), a inconveniência, o despeito, a falta de caráter, a falta de amigos verdadeiros, a falta de relacionamentos verdadeiros, e o hábito da mentira. Suas intervenções no meio em que vive procedem das seguintes formas: Ou há a repulsa generalizada pelo sujeito nauseante, ou há a persuasão de pessoas mais maleáveis e influenciáveis, pelo sujeito nauseante, tendo normalmente como agravante uma situação insegura nas relações verdadeiras dos sujeitos submetidos às ações venenosas contidas na teoria do cabide. O sujeito nauseante pode ser comparado a uma bomba inversa, que destrói do sentido periférico ao sentido central, ou seja, mesmo sendo autodestrutivo, tem a capacidade de fazer um grande estrago ao seu redor, antes de qualquer coisa, ou antes, que este mesmo se destrua. Outros aspectos inerentes ao sujeito nauseante se dividem entre manter-se indiferente as suas atitudes hostis, o que elas representam, e o que os outros dizem sobre elas. Quando de fronte a situação em que suas mascaras não se mantém no rosto, tendem a buscar auxilio de quem ainda não observou a verdadeira face, tendem a covardia, a se por no lugar de vitimas, e ao cinismo incompatível com situações tensas, o que poderia caracterizar sem fundamentos muito aprofundados até certo principio de psicopatia. Este tipo de sujeito alega ser deprimido e doente a fim de obter atenção dos indivíduos mais maleáveis, adora dramatizar, fazer cena, fingir ser o que não é. O caso do nosso sujeito objeto de estudo, pode ser exemplificado quando, ao se observar suas excentricidades que lhe imprimem ser uma pessoa altamente higiênica, preocupada com a limpeza, ou vulnerável a determinados componentes naturais e químicos, ou ainda sua preocupação excessiva com os outros, ou consigo mesmo, e até mesmo um grau de intelectualidade, devido tudo isso a sua fala constante de ritualidade, de comprometimento com o bom convívio e com os conhecimentos, entra em contraste com a realidade concreta, que nos diz outra coisa, que imprime outra imagem, esta que pode ser traduzida por uma falsa ritualidade de limpeza, que consiste em deixar a louça da cozinha por dias suja ao ponto de criar bichos, contrapostos a exageros de limpeza como lavar uma faca suja por cortar limão por mais de 3 minutos, ou ainda limpar o chão com amaciante de roupas, atitudes minimamente estúpidas. Outro contraste seria se vangloriar de já ter passado para o curso de medicina, quando nem ao menos para este prestou, e muito menos passou. Pessoas assim são indignas de qualquer tipo de compaixão, e se em algum momento sentir, deve-se tratar de esquecer. A Teoria do cabide comporta em seu seio, atitudes desprezíveis, condizente com pessoas que compartilham de atitudes assim, e que em muitos momentos consideramos apenas “burrice”, quando provavelmente estejamos de frente a particularidades doentias e maliciosas, não podendo, no entanto subestimar a capacidade de destruição destes sujeitos nauseantes. De posse de tais características cabe ressaltar que não estamos, nem somos telespectadores de uma novela, por tanto não teremos o beneficio dos flash backs, as cenas chaves não serão reconstituídas para todos, só para quem realmente as presenciou. Por tanto a confiança e o instinto devem estar muito aguçados para não cair no emaranhado de teias do sujeito nauseante, que usa das técnicas da teoria do cabide. E ao chegar a esta conclusão baseado nas características de quem usa dessa teoria, percebo o quanto eu gostaria de nunca encontrar ou conviver ao lado de pessoas assim. Visto então todas estas depreciações ao usuário desta teoria obscura é inevitável concluir também que quem se utiliza dela, consequentemente tem objetivos incoerentes com os valores mais significativos inerentes a uma amizade verdadeira.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Toda falta

Tudo acabou agora
Só nos restou  lá fora
calçada, rua, e ir embora
noite fria
solidão a dois
É a dor da perda
da confiança
da amizade.
Como alguém poderia entender?
que o que todo mundo vê
se tornou o ponto cego
um algo estranho, distante
diferente de antes.
Seriam os novos conselhos
revestidos de teias?
Ou seria a simples fadiga
de não suportar uma amizade sincera?
Seria pedir demais um pouco de atenção?
Seria pedir demais um pouco de clareza?
Mas preferiu a escuridão.
Preferiu dar a novela um final infeliz.
Sem perdão.
Sem respeito.
Sem lembranças.
Por que é mais fácil esquecer.
É mais fácil o momento novo de prazer
que compense a falta do velho.
Jamais pensei ser tão metódico
caminhando pela lógica
que de tão lógica, descartou todo e qualquer sentimento
jogando até mesmo os valores mais básicos
pela janela.
Passou a confiar no que há de mais duvidoso
simplesmente por que o certo nem sempre é o perfeito.
E fez lixo o que um dia foi ouro.
Nos fez lixo.
E de tanto tentar explicar
até mesmo eu me confundo, tendo a certeza da perda.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

...Fiz de coração

É, uma beleza, que os belos não tem. Toda justiça da qual eu tanto busco, que tanto sou injusto, comigo mesmo. É o que eu tenho, é somente coração, é somente um amor estranho. Sabe, que há muito tempo que te observo, que te quero dentro do meu mundo. Só eu devo saber o quanto é incompreenssivel os meus sentimentos tranbordantes, flamejantes. Só eu sei o que pra mim, você significa, quando uso a palavra certa, só eu saberei quando tiver te encontrado, mas talvez você nunca saiba, por que meu coração é silencioso, é covarde. Só eu sei o que me dói, o que me faz falta. Só eu sei o quanto me faria bem. Só eu sei do que eu estou dizendo, e talvez só eu mesmo sempre saberei.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Aloha sim, e daí?

É sempre nesses momentos, em que ouço esse tipo de som, esse tipo de letra, que eu realmente não entendo se estou ficando velho demais pra me adequar, pra me adaptar. Será que devo morrer? É que eu realmente não consigo entender ao certo o por que hoje não se pensa, não se cria com os mesmos propósitos, e claro, eu entendo que talvez seja por que os propósitos mudaram mesmo, uma pena, pois os propósitos de décadas atrás, me parecem tão atuais, mas os jovens andam cada dia mais sem propósito algum.

Aloha

Será que ninguém vê
O caos em que vivemos ?
Os jovens são tão jovens
E fica tudo por isso mesmo
A juventude é rica, a juventude é pobre
A juventude sofre e ninguém parece perceber
Eu tenho um coração
Eu tenho ideais
Eu gosto de cinema
E de coisas naturais
E penso sempre em sexo, oh yeah!
Todo adulto tem inveja dos mais jovens
A juventude está sozinha
Não há ninguém para ajudar
A explicar por que é que o mundo
É este desastre que aí está
Eu não sei, eu não sei
Dizem que eu não sei nada
Dizem que eu não tenho opinião
Me compram, me vendem, me estragam
E é tudo mentira, me deixam na mão
Não me deixam fazer nada
E a culpa é sempre minha, oh yeah!
E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente
Nos querem todos iguais
Assim é bem mais fácil nos controlar
E mentir, mentir, mentir
E matar, matar, matar
O que eu tenho de melhor: minha esperança
Que se faça o sacrifício
Que cresçam logo as crianças

Legião Urbana - Renato Russo

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Estranhamento

Só Deus realmente pode saber o quanto que eu não escolhi por ser quem sou. Quando tudo o que eu mais queria era simplesmente ser feliz, tento esqueçer os culpados se é que eles existem. Como eu queria conseguir falar de mim de uma forma mais simplificada, de modo mais claro, por que eu estou realmente cansado de nublar com metáforas e abstrações coisas que pra mim na verdade são tão simples. Cara, é duro saber que se é igual a todo mundo, saber que sente-se o mesmo medo, as mesmas paixões, as mesmas necessidades fisicas, e num piscar de olhos ou numa palavra cruel toda tua existência é digna de lixo, digna de ser amaldiçoada,  mesmo tendo sempre feito de tudo o que de fato pode ser considerado atitudes de um bom moço. Como e quando um amigo se torna inimigo tão rápido? Quando e como uma familía acolhedora se torna opressora e incompreensível em suas falas e atitudes? Eu sei. Isso acontece quando não se pensa bem no que se fala, ou nas consequencias de suas atitudes, e isso é um reflexo preciso da ignorância, de quem muitas vezes prefere esta condição, pra se ver livre da responsabilidade de encarar o mundo como ele é, e não como nos dizem que ele deve ser. Eu não estou cansado da minha vida em si, mas sim da montanha russa de sentimentos e de situações que destroem toda e qualquer auto-estima, que me fazem sentir-se a miséria me transformando num poço fundo, escuro e gelado. Como podem as pessoas que dizem te amar serem tão crueis muitas vezes sem ao menos saber disso? Eu sei. É o fato de não refletirem a cerca do que falam, e das atitudes que tomam. É a ignorância de sonhar que o mundo é feito de perfeições. E em meio a tudo isso, minhas projeções desiludidas, me mostram o quanto eu mesmo aprendi a não gostar do que sou. Cara, eu vejo em filmes tudo o que se passa comigo, me identifico, mas no fim todos os finais parecem bem melhor nos filmes. E realmente eu não sei dizer o que Deus pensa sobre isso. É a sensação de estar tomado pela insanidade, de desejar tudo o que não se pode ter, de não pertencer a nenhum dos mundos, como um pó de estrela suspenso no espaço, sem direção, e já com o brilho ofuscado demais para ser notado.


Como sou

Pratiquei divinas ilusões
E chorei ao ouvir a chuva cair
Respondi diversas as questões
Pra passar o tempo
Que você deixou para trás, meu amor.
Reneguei as minhas emoções
e deixei a intenção de amar
Procurava um lugar distante, distante
Onde possam me aceitar, como sou, como eu sou
Repeti os erros do passado
E agora eu vivo como os meus pais
Envelheci, perdi o meu retrato
E do meu rosto eu nem me lembro mais
O espelho quer me enganar
E me mostra alguém em quem eu não me vejo
Desespero é não encontrar
Em meio as cartas e os álbuns
Uma história pra poder contar
E deixar para os meus netos. Nenhum.

Eu já não sei quem sou
Perdi meu nome, meu id e meu ego
Juntei pedaços do que restou
No quarto livros que eu quero

Rodrigo Eduardo

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Salto na imensidão


Fechei os olhos, abri os braços e me atirei na imensidão. Cai deitado, despedaçado, virei pedaços, era o abismo da solidão. De peito aberto, futuro incerto, o que esperar de um salto tão alto? Quando o fundo distante fica cada vez mais perto, e o incerto é mais que certo, é fato. O que importa se eles não te ouvem mais? O que importa se eles não te olham mais? Se não te procuram mais? Quem é que quis assim? Não chamar a atenção, sempre chorar no fim, e ainda pedir perdão. Ainda ontem estava tudo bem, mas não se ouvia ninguém. Não é de ontem que não estava bem, há muito tempo que o escuro o detem, buscou refúgio num submundo, desesperado, amordaçado, talvez sozinho, talvez calado, não faça mal a ninguém. Isso é inútil, é absurdo, ficar trancado no próprio quarto como na jaula dos leões. Olhar para os lados e não ver ninguém, mesmo entre as multidões, cruzar os braços, juntar pedações e cair na imensidão.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Meus secretos Amigos


Paulo Sant'Ana

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

 

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.


Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...


Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
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Recebi hoje o E-mail da Yane, uma amiga minha. Bom eu entendi que ela compartilha dos mesmos sentimentos que o autor do texto tráz, e da mesma forma, o texto me tocou, e explicou os sentimentos que eu compactuo em relação aos meus nobres e distantes amigos, que me fazem sofrer sem saber quando percebo o quanto não sabem da minha grande amizade devotada a eles. Mas de verdade amizade ainda é uma palavra que não consegue definir, é necessário mergulhar profundamente em sentimentos confusos pra entender o que eu sinto por todos os que mantém a estrutura da minha vida. Fato é que estamos entrando em mais um ano, digam que sorte por ser "par", ou qualquer outra superstição barata, eu digo, sorte estarmos vivos, ou não. Mas pra não viver se arrastando durante esse novo ano, conto então com as possibilidades que os amigos proporcionam, com o folêgo que me emitem.



Rodrigo Eduardo dos Santos


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Cores que perderam o tom.


‘Já faz tempo, eu vi você na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida’, já faz tempo, não há nada de bonito, não há nada válido, são somente os frutos de uma juventude desgovernada e superficial. Não são mais os jovens boêmios, criativos e fugazes, não são mais os jovens de caras pintadas, de tom incisivo e brilho nos olhos, são apenas jovens, que levam consigo, uma herança morta, tendo o assassino, uma sociedade cada vez mais passiva, cada vez mais submissa, que se direciona para o último fio da revolução, que se alastra por meio da crise. Econômica? Não. É uma crise que vem de dentro, que deprime que oprime que causa a miséria dos pensamentos, que causa o egoísmo, a ganância e por fim as atrocidades da sociedade moderna, da qual já faz tempo viemos banalizando, e acomodando ao nosso cotidiano patético. ‘Eu quero rodo cotidiano’, pois é ao que todos estão submetidos, aos percalços da divisão de classes e das crises econômicas, diante da adoração platônica de estilos e marcas, de roupas e sapatos. São jovens cada vez mais estáticos, que se deixam levar pela maré do ‘entretenimento’, da vida de prazer, que em síntese, são prazeres construídos externamente, são os prazeres e desejos de comprar, de consumir e possuir. É uma geração que se arrasta, e cria uma ‘carcaça’, imbuídos de mecanismos de defesa, que primam pela agressividade e pela indiferença, isso definitivamente não tem mais graça, não dá mais pra conviver na geração do ‘funk romântico’, do ‘pancadão’, e do faça ‘sexo seguro’ em casa, pois seus pais acham que na relva em que estamos inseridos, dos males o menor. Creio que a tal liberdade de expressão da qual se lutava não era bem essa, que o “namoro de portão” foi enterrado prematuramente, e que se confunde juventude com ‘faça o que quiser’, desde que sob os olhos desatentos de uma família doente, desconcertada pelo trabalho assalariado, padronizada nos termos de pura mercadorização, ‘tenha a família que quiser’ desde que consuma. Diante da crise econômica, no ano passado o presidente Lula, em rede nacional nos disse para consumir, só assim estaríamos salvos da crise, ontem a noite, novamente veio à tona com mais um conselho, ‘invistam brasileiros’, foi isso que ele disse. É isso mesmo, invista toda sua saúde física e mental a troco de um salário MINÍMO, e dêem por felizes por terem o que comer e se utilizem bem dos amortecedores sociais que te prendem a esta consciência limitada, de uma juventude que já não é mais a mesma, mas que passa uma ligeira impressão de estar mudando o mundo, pena que às avessas.




Por isso, discorro pela lástima saudosista de tempos que não voltam mais, de pessoas que não voltam mais, de um mundo que se perdeu em desejos estranhos, em prazeres insanos. Eu que nunca quis ser engolido por essa ‘abominável fera’ me submeto mesmo que involuntariamente, e temo o câncer humano que vem dizimando toda e qualquer possibilidade.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Do meu infortúnio


E por mais de um momento é possível perceber o quão estamos mergulhados no modo de reprodução e expropriação, desabonados com os infortúnios de um viver sobreviver a base de projeções, e desejos inalcançáveis calcados numa sociedade dúbia, inescrupulosa, impiedosa e carrasca. Como pode todas as coisas boas ou ruins de modo que o olhar determina isto, sugarem toda a minha altivez, toda minha alteridade, felicidade, toda minha luz? É de prache culpabilizar o tempo, ou a falta dele, neste âmbito, eu me coloco como dentro dos desencontros propositais proporcionados pelo modo de reprodução social, a fim de desarticular, de desmembrar qualquer possibilidade de intervenção coletiva na realidade concreta. Mas como isso se restrigiria só ao tempo, ou a falta, ou a perda dele? Pois bem, vai muito mais além, transcende, quando eu noto minha vontade constante de chorar, por não poder desfrutar dos momentos mais simples que me constroem como ser, e não como coisa, produto, máquina. Desta forma, o furto se consolida quando não me vejo capaz de fazer os que me rodeiam sentir-se bem, pois como fazer isso se as condições reais, materiais não me permitem? Não dá pra viver de projeções, isso é fato. Não é possível a convivência com os pelêgos assumidos e não assumidos que resistem e persistem na idéia de que são as únicas vitimas, mas definitivamente são as peças mais defeituosas desse jogo de intrigas, dessas relações humanas que reforçam a idéia de que "a corda sempre arrebenta para o lado dos mais fracos", pois eis que os mais fracos unidos contra os mais "fortes" desarticulados seria de grande diferença. Caso isso não aconteça, tomo partido eu, que sei que devo interferir mesmo que seja para o meu próprio mal, prostituindo meu conhecimento e minha integridade mental, me submetendo a todos os tipos de doenças psicossomaticas, e a intermináveis doses de falsidade, hipocresia, crueldade. É dentro deste âmbito que eu trabalho, que eu estudo, que eu como, que eu respiro, e diante disso tudo, quando a imagem se apresenta em forma obscura, subjetiva, evito projeções, e tento superar minhas limitações a fim de intervir na realidade concreta, no meu espaço, e se mesmo assim estou consumido e suprimido pelo sistema homicida, pelo sistema hierárquico, patrão e empregado, de uma forma ou de outra eu ei de resistir, eu ei de fazer de mim dono do meu tempo, independente dos regentes hegêmonicos que capitalizam todo e qualquer resquício de humanidade.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coisas talvez sejam livres.

Quando se pensa que tudo gira em torno de valores, que toda liberdade até que se prove o contrário é inesistente, é que se deixa transparecer o ópio das relações humanas, meu livre pensar nada mais é do que estar preso a tudo aquilo que se restringe ao que eu fui capaz de apreender, de assimilar, de comprar. E definitivamente comprar não é uma ação livre, pelo contrário, é o próprio cárcere do consumismo exarcebado, que insiste em definir o status quo, dentro de uma sociedade tendenciosamente alegre demais pra se dar conta de que está se sucumbindo as mazelas da coisificação do homem. No mundo da "terra de ninguém" que alguem passou a mão não se sabe bem o por que, uma grande parte se viu de posse somente dos músculos e da força de trabalho, por isso trataram logo de vendê-la a preço de banana, ou a qualquer outro preço menor, já que a lógica capitalista insiste em bomberdear "os de senso comum" e "os de senso quase critico" com centenas de formações profissionais, botando fogo no mercado, aumentando consideravelmente a demanda de conformados se arrastando pelo salário mínimo, uma questão de sobrevivência. E se estamos contentes, de bem com a vida, otimistas e esperançosos por que ainda conseguimos pagar uma viagem via CVC em 24 vezes pro Recife, e nos apontam como classe média, é por que o contigente humano disponivel para exploração ainda é imenso. Capital humano eles dizem! Eu digo que de humanos não se resta muita coisa. Não é possível que nessa odisséia pela terra o único passo que tomaremos seja o de vegetar, esperar o tempo passar, trabalhar, pagar as contas e dormir, e de vez em quando fingir ser gente, fingir ser livre. Mas falar de liberdade é justamente falar de algo que não temos. Por que em todos os momentos em que nos consideramos livres, automaticamente nos aprisionamos a idéia de estar livres, não de ser livre. E por conseguinte se estar livre é uma condição, ela se opõe a momentos de privação, e quando nos achamos livres reproduzimos nossa prisão, consumimos, nos vendemos, sempre bastante distraidos, esperando a morte chegar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mais fácil

Nem pobre, nem rico, nem feio, nem bonito, nem visto, nem omisso.
Mais fácil ser nada, se fosse parte do que existe, e se composse algo
Mais fácil ser nada, se tivesse as cores arrojadas e o cabelo alternativo
Mais fácil ser nada, e se não fosse tão comum, quem sabe seria assim como todos os outros.
Mais fácil ser nada, que simpático o tempo todo, que amigo modelo de todos
Mais fácil ser nada, já que tem o papo tão banal, tão inútil
Mais fácil ser nada, já que a pele não condiz, nem a altura, nem o peso, nem a face.
Mais fácil ser nada, que o mendigo, pedinte, ateu, ou eu.
Mais fácil ser nada, sem discutir ideais, que ser volume, que preencher lacunas
Mais fácil ser nada, dentre tudo o que existe, entre as tribos
Mais fácil ser nada, que precisar de psicólogo, remédios e dinheiro
Mais fácil ser nada, do que fútil.
Mais fácil ser nada, que não ser visto, lido, entendido.
Mais fácil ser nada, que trágico sofrido.
Mais fácil ser só, que não ter ninguém.
Mais fácil o silêncio, que dizer bobagem.
Mais fácil coragem, que vossa verdade.
Mais fácil ser essa porra, mais fácil era não ser nada
Mais fácil não desejar, que o insucesso
Mais fácil a inércia, e ainda não entendo por que continuo.
Mais fácil gemer, grunhir, espernear, chorar.
Mais fácil esquecer, que lembrar todos os dias quem eu sou.

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